Santificai-vos, Para Que Vossa Mente se Concentre em Deus
Antoine R. Ivins
Meus amados irmãos e irmãs, não é uma esperança vã que expresso ao pedir-vos que unais vossa fé e vossas orações às minhas. É a única maneira, creio eu, pela qual poderei dizer-vos hoje algo que seja útil e que inspire um esforço para nos aproximarmos mais da vida que nosso Pai Celestial gostaria que vivêssemos. ¶
Antes de falar sobre o que eu tinha em mente, gostaria de dizer aos cantores de hoje que aprecio muito a música que apresentaram, e tenho grande interesse por esse grupo por duas razões: uma é que meu avô foi escolhido pelo Presidente da Igreja para levar o evangelho à Escandinávia; outra é que descobri, ao ler a história genealógica de uma linhagem de minha herança, que ela remontava aos nórdicos que vieram à Inglaterra há tanto, tanto tempo. ¶
Ora, admito que esse estudioso, ao remontar essa linhagem, teve de usar botas de sete léguas em alguns trechos, mas espero, mesmo assim, que seja verdade. ¶
Eu havia pensado em começar hoje dando meu testemunho da restauração do sacerdócio, da organização da Igreja, e de um retorno a uma verdadeira interpretação do evangelho de Jesus Cristo. ¶
O Presidente Richards fez isso tão belamente que tudo o que peço é que me deixeis incorporar seu testemunho ao meu, porque creio, do fundo do meu coração, que o que ele disse é verdadeiro. ¶
Muitos de nós que estamos aqui hoje somos portadores do sacerdócio. Somos todos, ou quase todos, membros da Igreja na qual esse sacerdócio funciona para o desenvolvimento e o bem-estar das pessoas. Presumo que estejamos todos aqui para tentar obter uma compreensão um pouco melhor do plano do evangelho, e um maior entusiasmo por ele, uma maior determinação de levar seus ensinamentos para nossa vida diária. ¶
Foi-nos dito que somos filhos de Deus, nosso Pai Celestial, que tivemos uma existência espiritual consciente antes de virmos para cá. O plano do evangelho é aquele que Deus e seu Filho Jesus Cristo desenvolveram, o qual, se devidamente seguido pelos espíritos que vêm à terra, os conduziria de volta não apenas à presença de Deus, mas também a uma exaltação em sua presença, tudo o que já nos foi explicado hoje. ¶
O evangelho inclui muitas coisas que devemos fazer. Algumas facetas de sua expressão estão na forma de "não farás" isto ou aquilo. Outras estão na forma positiva de "farás" isto e aquilo. É claro que nosso propósito é aprender quais são elas, interpretá-las corretamente e integrá-las à nossa vida diária. ¶
O primeiro grande mandamento dado a Adão e Eva no Jardim do Éden, de acordo com a história registrada, as palavras reveladas que possuímos, foi multiplicar e encher a terra. Em minhas recentes visitas às estacas, nos últimos dois ou três anos, tentei manter um registro das porcentagens de pessoas que se casaram como membros da Igreja, que se casaram no templo. Descobri que cerca de cinquenta e cinco por cento dos casamentos foram celebrados no templo. Quarenta e cinco por cento eram de pessoas que não tiveram a inclinação de ir ao templo para essa finalidade. ¶
Sinto em meu coração que era a intenção de Deus que, ao celebrar-se o casamento, isso fosse feito com o voto e a promessa de que jamais seria rompido, para que os grandes privilégios de exaltação que nos são prometidos pudessem realizar-se por toda a eternidade. ¶
É lamentável que muitos desses casamentos sejam contraídos apressadamente e não selados pelos poderes do sacerdócio. Consequentemente, muitos deles se desfazem e resultam em desastre. ¶
Ora, como havemos de descobrir as coisas que devemos fazer para tornar um casamento assim perpétuo? Temos de retornar ao evangelho de Jesus Cristo e colocar seus ensinamentos em prática. Se pudéssemos fazer um esforço perfeito nesse sentido, é claro que acabaríamos por alcançar os poderes de Deus, pois essa é a promessa que ele nos deu. ¶
Nosso propósito ao virmos aqui hoje é aprender algo a respeito disso e como, talvez melhor, podemos fazer essas grandes coisas. ¶
Gostaria de ler-vos uma escritura encontrada na Doutrina e Convênios que penso expressar o propósito do evangelho: ¶
Portanto, santificai-vos, para que vossa mente concentre-se em Deus; e dias virão em que o vereis, porque ele vos desvendará sua face; e será em seu próprio tempo e a seu próprio modo e de acordo com sua própria vontade. (D&C 88:68.) Então, em outra seção, lemos: ¶
Porque vivereis de toda palavra que sai da boca de Deus. ¶
(Ibid., 84:44.) As revelações registradas que possuímos — as modernas — encontramo-las na Doutrina e Convênios e na Pérola de Grande Valor, mas há muitas expressões reveladas da doutrina e da vontade de Deus, nosso Pai Celestial, na Bíblia; portanto, temos as três fontes. ¶
João diz em seus escritos: Examinais as escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. (João 5:39.) É minha firme convicção de que, quando chegamos a compreender realmente as escrituras, descobrimos que cada propósito nelas contido é testificar que Jesus Cristo haveria de vir, é o Filho de Deus, e haveria de realizar uma redenção para nós. ¶
Ele preparou o plano que devemos seguir. Nosso propósito é aprendê-lo e depois procurar viver de acordo com cada palavra que procede da boca de Deus. ¶
Lembrar-vos-eis de que a primeira escritura diz: Portanto, santificai-vos. . . . ¶
Certa vez conheci um membro da Igreja que disse que a salvação não depende, de forma alguma, dos atos dos homens, e ele citou a escritura: ". . . pela graça sois salvos. . . . ¶
"Não vem das obras, para que ninguém se glorie." (Ef. 2:8-9.) Isso não parece bem assim, não é mesmo? Somos salvos da morte e recebemos o privilégio de uma ressurreição, e por meio da graça e do dom de Deus temos o privilégio de nos santificarmos, obtendo assim uma exaltação. ¶
Esse é, pois, o nosso problema, irmãos e irmãs. Leiamos as escrituras; descubramos nelas o modo de vida que nos conduzirá de volta ao reino de Deus. Envidemos todo esforço para santificar e purificar nossa vida. E, irmãos e irmãs, interessemo-nos mais pelo efeito sobre nós mesmos do que por aquilo que às vezes pensamos observar em nossos próximos. ¶
Há muitas das disposições de que falei que dizem "não farás" ¶
isto e aquilo, e muitos de nós tendemos a julgar nosso próximo, pensando apenas nas coisas que ele não deveria fazer e que pensamos que ele faz; mas há um lado positivo nisso que, ao que me parece, supera em muito esse, no que a cada um de nós individualmente diz respeito. ¶
Devemos interessar-nos não pelos fracassos de nosso próximo, mas por seus êxitos e por nossos próprios êxitos em nos aproximarmos de Deus, nosso Pai Celestial. ¶
O primeiro grande princípio é o amor. Devemos amar a Deus, nosso Pai Celestial. ¶
O próximo princípio a este é que devemos amar o nosso próximo como a nós mesmos. ¶
Se pudéssemos apenas fazer isso, nos gloriaríamos nos êxitos de nosso próximo; e, embora nos sentíssemos mal se eles cometessem erros, não os julgaríamos inteiramente pelos erros que cometeram, mas contrabalançaríamos com eles os esforços rumo à retidão que demonstram. Então, se sua conduta reta superasse o outro lado, ficaríamos felizes, não é mesmo? É assim que gostaríamos que as pessoas pensassem a nosso respeito. É assim que pensaríamos a respeito delas. Estenderíamos misericórdia a elas. Isso não significa alimentá-las e vesti-las; significa ajudá-las a ajustar sua vida à vontade de Deus, nosso Pai Celestial, e prestar-lhes ajuda e socorro. ¶
A ajuda e o socorro espirituais são, às vezes, mais importantes do que a ajuda temporal. Devemos estender ambos, é claro, mas, com toda certeza, se amamos o nosso próximo, havemos de estender-lhe nossa ajuda e conforto espirituais em espírito de misericórdia. ¶
Deus disse a Adão que deveria cultivar o solo e viver do suor do seu rosto, e essa ainda é a responsabilidade de cada um de nós. Como podemos sentir que cumprimos plenamente a vontade de Deus se não somos diligentes em prover para nós mesmos e para os que dependem de nós? . Haverá alguma vez, na vida de um homem que seja capaz de fazê-lo, em que ele não deva prover para si mesmo? A diligência, então, é outra faceta deste grande programa que Deus nos deu, um programa prático, cotidiano, para o viver diário, que, quando devidamente posto em prática, tem sua reação espiritual tão certamente quanto qualquer outra coisa, e o homem que cumpre suas obrigações para com seus semelhantes está igualmente santificando sua alma. ¶
O lado positivo disso tem tantos títulos diferentes que me é impossível tentar tratar de todos eles, mas há ainda um outro lado que procuro nunca esquecer, e é que, para santificar a própria alma, é preciso obter controle sobre os impulsos e propensões do corpo dados por Deus, e são tantos de nós que falham nisso. Essa é, com muita frequência, a causa de rupturas nos relacionamentos matrimoniais; as pessoas deixam de ser fiéis aos convênios que fazem no casamento simplesmente porque os impulsos do corpo são fortes demais para elas, e aparentemente não buscam o espírito de Deus em um esforço para obter controle. ¶
Tenho dito muitas vezes, e repito, que creio que o autodomínio, o autodomínio perfeito, seria a maior vitória que qualquer pessoa nascida nesta terra poderia alcançar; e, com o autodomínio perfeito e o conhecimento do plano que Deus preparou para nós, o qual só podemos encontrar pesquisando as escrituras e ouvindo o sacerdócio autorizado de Deus, poderíamos santificar nossa alma, não é mesmo? ¶
Santificar significa tornar santo, e somente coisas santas podem retornar à presença de Deus, nosso Pai Celestial. ¶
Assim, mais cedo ou mais tarde, se desfrutarmos do privilégio da associação sob a influência de Jesus Cristo e do Pai, será porque nos santificamos, para que nossa mente se concentre em Deus. ¶
Se tivéssemos esse único propósito, o de agradar a Deus, nos esforçaríamos por aprender como fazê-lo, e depois fazer exatamente o que fosse exigido. ¶
Pois vivereis "de toda palavra que sai da boca de Deus." (Mateus 4:4.) Essa é a chave, irmãos e irmãs. Aprendamos o que ela é; e, quando a aprendermos, não procuremos brechas nas declarações registradas que justifiquem nosso fracasso, mas determinemo-nos, mediante oração e humildade, a alcançar uma compreensão adequada do plano e depois vivê-lo o mais perfeitamente que pudermos. ¶
Que Deus nos abençoe, oro em nome de Jesus. Amém. ¶