O Poder e as Bênçãos do Sacerdócio
Stephen L Richards
É um grande privilégio saudar-vos, meus irmãos do Sacerdócio de nosso Senhor. É um pensamento muito humilhante perceber que estou diante desta grande congregação no Tabernáculo, e que minhas palavras são ouvidas pelo vasto número de pessoas reunidas nos locais de reunião mencionados pelo Presidente McKay. O poder, a influência e as potencialidades deste vasto grupo de homens me sobrepujam. Penso no que já realizaram, e no que ainda hão de realizar no avanço do Reino de nosso Pai neste mundo. ¶
Regozijo-me esta noite na irmandade do Santo Sacerdócio, na estima e no amor que temos uns pelos outros, em nosso propósito comum e em nosso mútuo entendimento. Amo meus irmãos. Creio que os compreendo. Nunca me sinto estranho em sua presença. Falamos a mesma linguagem. Somos dominados pelo mesmo espírito, e tenho certeza de que existe um vínculo unindo os irmãos do sacerdócio que transcende qualquer laço terreno entre os homens, e, se os povos deste mundo pudessem apenas compreender o vínculo que nos une, começariam a compreender o que significa a irmandade do homem. ¶
Assim, regozijo-me, meus irmãos, na associação convosco. Sou grato por estar unido a vós em prestar nosso serviço a esta que é a maior de todas as causas neste mundo. Sou grato, como o sois vós, por este notável poder que Deus nos concedeu, esta autêntica investidura de sua própria autoridade divina para administrar as ordenanças do Santo Evangelho, para abençoar nossos semelhantes, e para abençoar nossas famílias e a nós mesmos. ¶
Considero o sacerdócio uma investidura de poder e sabedoria que, em igual medida, não pode vir de nenhuma outra fonte de que eu tenha conhecimento. Um homem do sacerdócio, tal como o entendo, tem direito à inspiração de Deus ao presidir sua família. Se for chamado para um ofício, tem direito à inspiração para guiá-lo na administração de seu ofício. Se for chamado a sair para o campo missionário — recebemos notáveis exemplos de tais chamados esta noite —, tem direito a receber a grande inspiração que o Senhor dá aos homens no desempenho de seu dever. Se for chamado a abençoar os enfermos, tem o poder divino de conferir as bênçãos que vêm do Senhor. Se for chamado a ordenar seus semelhantes, tem a autêntica autoridade de conferir-lhes o Santo Sacerdócio e os ofícios nele contidos. Todas essas bênçãos, que quase desafiam, em sua magnitude, nossa concepção finita, pertencem e fazem parte do Santo Sacerdócio que portamos. Temos o direito de exercê-las, esses elevados privilégios, e de conferir essas bênçãos, se vivermos de modo a sermos dignos do espírito e do poder do sacerdócio, guardando todos os mandamentos, como o Presidente Clark tão bem disse — não apenas alguns, mas todos os mandamentos —, a fim de que possamos ser verdadeiros vasos do Senhor, nos quais o seu Santo Espírito possa ser derramado, e dos quais esse Espírito possa fluir para aqueles a quem ministramos. ¶
Rogo, meus irmãos, que possamos apreciar este maravilhoso dom que nos foi concedido, e mostrar por nossa vida que somos gratos a nosso Senhor por ele. Considero o sacerdócio um instrumento de serviço. Tenho certeza de que não foi concedido a nenhum de nós apenas para sua própria glorificação, mas foi dado aos homens para usá-lo em benefício de si mesmos, de suas famílias e de seus semelhantes, e quanto mais é usado, mais poderoso se torna dentro do servo do Senhor que ministra sob o poder do Santo Sacerdócio. ¶
Somos informados de modo muito definido naquela grande seção de Doutrina e Convênios, que costumo caracterizar como a Constituição do sacerdócio, que ninguém pode ministrar em qualquer grau de iniquidade, pois, se o fizer, cessa o sacerdócio desse homem. Seu esforço, seus labores, seu ministério não serão eficazes. Ele precisa ter o alicerce da retidão para tornar-se capaz, apto, de administrar os poderes do Santo Sacerdócio. ¶
Não posso deixar de ler-vos aqueles conhecidos versículos da conclusão da 121ª Seção de Doutrina e Convênios, que expressam em linguagem tão bela, às vezes penso que a mais bela encontrada em toda a literatura, o espírito do sacerdócio tal como nos foi dado com a plenitude do evangelho eterno. ¶
"Que tuas entranhas também sejam cheias de caridade para com todos os homens e para com a família da fé; e que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a doutrina do sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu. ¶
"O Espírito Santo será teu companheiro constante, e teu cetro, um cetro imutável de retidão e verdade; e teu domínio será um domínio eterno e, sem medidas coercivas, fluirá para ti eternamente." (D. & C. 121:45-46.) ¶
Onde poderíamos esperar obter uma promessa mais encorajadora e cheia de esperança do que nessas palavras da escritura dos últimos dias? Rogo que possamos viver para sermos os beneficiários desse incomparável pronunciamento. ¶
Ora, meus irmãos, se tenho algum dever de aconselhar, gostaria de dizer apenas uma palavra, voltada para o futuro que talvez nos aguarde, uma palavra que já foi repetida muitas vezes em assembleias como esta. Tenho certeza de que é sábio olhar para o futuro. Tenho certeza de que, em nossos assuntos, faríamos bem em prover salvaguardas em nossas finanças, em nossas expansões comerciais, para enfrentar um dia que talvez não seja tão propício quanto os tempos recentes têm sido. Espero que meus irmãos não tenham de passar por algumas das experiências que já vi outros passarem, e creio que, com cautela e sabedoria, podem evitar algumas dessas tragédias que ocorreram no passado. ¶
Sempre acreditei, meus irmãos, que o jogo de azar não é um negócio legítimo. Sempre acreditei que o negócio legítimo contempla uma justa troca de serviços por serviços, ou de bens por bens, na qual ambas as partes se beneficiam. Sempre acreditei que qualquer tentativa de obter algo por nada, de correr riscos indevidos, não é apenas acompanhada de desmoralização da integridade comercial, mas frequentemente de grande tragédia. Em minha experiência de meio século, já vi muitas dessas tragédias. E assim, por causa da consideração que tenho por vós, previno-vos contra a expansão imprudente e o endividamento, mas exorto-vos a manterdes-vos, tanto quanto possível, dentro de terreno seguro, para que as circunstâncias do futuro não se levantem para atormentar-vos e envergonhar-vos, e creio que o Senhor gostaria que fizésseis isso, porque creio que ele vos quer livres — livres da servidão de dívidas onerosas e vergonhosas, livres de obrigações para com credores que possam prejudicar vosso serviço em sua grande Causa. ¶
Creio que ele vos quer livres para realizar sua obra, para responder aos chamados que ele vos faz, e já vi um número excessivo demais de pessoas na situação de achar difícil responder a tais chamados quando estão sob a servidão da dívida. ¶
Que o Senhor vos abençoe, para que a sabedoria venha junto com vosso sacerdócio — uma sabedoria superior — e um discernimento que o Espírito do Senhor vos concede. Que tudo vos vá bem. Já realizastes uma grande obra pela Igreja, e sei que estais prontos para continuar esse grande serviço, e sei que nenhuma felicidade maior pode vir para vossa vida do que a satisfação que decorre de um serviço sincero, dedicado e prestimoso na Causa de nosso Senhor. ¶
Que aquela unidade pela qual o Presidente Clark clama prevaleça entre nós, para que os laços da irmandade se fortaleçam ainda mais com o passar dos anos. Que o Senhor nos abençoe, para que essa irmandade seja trazida em apoio a nosso amado Presidente, que nos representa a todos em sua grande administração desta obra e sua extensão por todo este mundo, oro em nome de Jesus. Amém. ¶