Pulpit

Chamados ao Arrependimento

Henry D. Moyle

1955 April General Conference·Third Day — Afternoon Meeting·1955-04-04

Há dois anos o élder LeGrand Richards dirigia-se a uma convenção nesta cidade, formada por homens de várias fés e denominações, e começou seu discurso chamando-os todos ao arrependimento. Tive há pouco a oportunidade de encontrar esse mesmo grupo e perceber o tremendo impacto que aquela declaração causou neles, vinda de alguém que falava com autoridade.

E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo.

Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele, em Deus. (I João 4:14-15.)

Nossa missão nesta Igreja é dupla. Devemos chamar todas as pessoas ao arrependimento e, àqueles que atenderem às nossas palavras, ensinar os princípios do evangelho de Jesus Cristo.

Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

Arrependei-vos, e crede no evangelho.

Cristo disse que veio chamar os pecadores ao arrependimento e salvá-los.

O arrependimento nasce da fé em Deus. Por mais bons que sejamos, todos pecamos e destituídos estamos da glória de Deus. Como disse o antigo Alma:

Teremos que nos apresentar perante ele em sua glória e em seu poder e em sua força, majestade e domínio; e reconhecer, para nossa eterna vergonha, que todos os seus julgamentos são justos; que ele é justo em todas as suas obras e que ele é misericordioso para com os filhos dos homens; e que ele tem todo o poder para salvar cada homem que crê em seu nome e apresenta frutos dignos do arrependimento. (Alma 12:15.)

Tenho certeza de que todos precisamos orar: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador."

Nada é tão eficaz para levar as pessoas a abandonarem o pecado quanto tomá-las pela mão e cuidar delas com ternura.

Enquanto houver pecado entre os homens, o arrependimento é tão essencial em uma época do mundo quanto em outra. Joseph Smith disse: "Deus não olha o pecado com tolerância, mas quando os homens pecam, deve-se conceder-lhes alguma tolerância." (Veja D. & C. 1:32-33.) Lemos:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. (João 3:16-17.)

Temos um grande exemplo dos frutos do arrependimento quando voltamos ao Dia de Pentecostes, quando os antigos apóstolos deram este testemunho à multidão, e cada um o ouviu em sua própria língua:

Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo. (Atos 2:36.)

Esse testemunho dos apóstolos provocou a pergunta: "Homens irmãos, que faremos?" (Ibid., 2:37.)

E então Pedro deu a resposta mais maravilhosamente inspirada:

Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo. (Ibid., 2:38.)

essa maior de todas as promessas que Deus fez ao homem.

Foi o mesmo com Paulo, no caminho de Damasco, quando ele questionou o Senhor: "Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues." (Ibid., 9:5.) E então Paulo perguntou ao Salvador: "Senhor, que queres que eu faça?" (Ibid., 9:6.)

Sujeitai-vos, pois, a Deus. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.

Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e vós de ânimo dobre, purificai o coração.

Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza.

Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. (Tiago 4:7-10.)

Que direito tem qualquer cidadão do reino de falar de um determinado padrão que se destina a ele e não a todos os súditos do reino? Que é isso senão adotar a máxima que o poeta romano injustamente atribuiu a um herói grego, "que as leis não nasceram para ele"? Eu vos digo que suas leis nasceram para todos os filhos de nosso Pai celestial sobre a face da terra. "E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?" (Lucas 6:46.)

O arrependimento é algo que não pode ser tratado de modo trivial em cada dia de nossa vida. Transgressões diárias, arrependimentos diários não são agradáveis à vista do Senhor. Sabemos, como Santos dos Últimos Dias, que em nossa vida, assim como acabamos de ouvir este belo coral cantar, já é agora o entardecer do dia em que devidamente poderíamos arrepender-nos.

Não protelai o arrependimento. O arrependimento no leito de morte não cumpre a lei — o homem deve arrepender-se e servir ao Senhor com saúde e com forças, no vigor do corpo e da mente, e dar de sua vida, o que dela restar, quando aquela fé em Deus, que cria em nós o espírito do arrependimento, for por ele recebida.

Se nos submetermos ao seu Espírito, poderemos agora produzir os frutos das boas obras que são para a sua glória. Podemos aguardar o dia em que toda lei do reino se cumprirá e em que todos o conhecerão, desde o menor até o maior.

E as igrejas, no sentido de sua própria insignificância, poderão buscar o fundamento que Deus lançou e que resistirá ao ímpeto de todos os ventos e ondas. E as igrejas que se apoiam em seus próprios decretos, tradições e santidade serão como o homem que

. . . sem alicerces, edificou uma casa sobre a terra, contra a qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a queda daquela casa. (Ibid., 6:49.)

A Igreja acolhe os pecadores em sua comunhão, não para fomentá-los em sua impiedade, mas, se eles se arrependerem, para santificá-los e purificá-los, por nossa bondade, de toda iniquidade.

Do que nos arrependemos? Segue-se o arrependimento à violação de uma lei arbitrária que nos foi imposta por um poder do alto? Por que o Senhor perguntou a Jó: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens entendimento"? Quão significativas são as seguintes perguntas:

Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? ou quem estendeu sobre ela o cordel?

Sobre o que estão fundadas as suas bases? ou quem assentou a sua pedra de esquina. (Jó 38:4-6.)

Teria o Senhor feito essas perguntas a Jó se Jó não tivesse tido uma pré-existência, se não houvesse existido um plano de vida e de salvação elaborado antes de serem lançados os alicerces da terra? E então lemos que naquele mesmo momento a que essas perguntas se referem, "as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam." (Jó 38:7.) Jó participou daquele canto, e nós também.

Joseph Smith, o Profeta, não nos deixa dúvida alguma sobre esse assunto. Ele diz:

Na primeira organização no céu, todos estávamos presentes e vimos o Salvador ser escolhido e designado, e o plano de salvação ser feito, e nós o sancionamos. (Teachings of the Prophet Joseph Smith, página 181.)

O arrependimento, portanto, segue-se à violação de uma lei à qual nos vinculamos por nossa própria vontade e escolha; uma lei que fizemos convênio de obedecer nos céus; uma lei que, mediante nossa aceitação, nos deu o privilégio de vir aqui à mortalidade e realizar nossa existência mortal para que assim pudéssemos progredir para as esferas mais elevadas que nos aguardam. Não houve relutância em nosso consentimento a esse plano. Cantamos juntos como os filhos de Deus; todos eles jubilaram de alegria.

Nenhuma outra prova deveria ser necessária, mas, se outra prova fosse necessária, encontramo-la dentro de nós mesmos. O poder que possuímos de diferenciar entre o certo e o errado, o bem e o mal, o Espírito de Deus dentro de nós com o qual nascemos, nosso próprio livre-arbítrio, tudo isso estabelece dentro de nós mesmos, sem nenhuma evidência externa de qualquer espécie, o fato de que estamos sob convênio de fazer o que é certo; aquilo que não viola nossa própria consciência sensível.

Foi dito pelo apóstolo Paulo:

. . . tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigir, e os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? (Heb. 12:9.)

Tudo o que escolhemos fazer é voluntário, assim como foi o sacrifício redentor do Salvador da humanidade.

Conta-se de Lorde Byron que, quando era um menino frequentando uma escola, um colega seu caiu sob o desagrado de um valentão prepotente, que o espancou impiedosamente. Byron por acaso estava presente e foi até esse valentão, sabendo que não adiantaria nada tentar lutar contra ele, e perguntou quanto tempo ele pretendia continuar espancando seu amigo. O valentão respondeu imediatamente: "Bem, que negócio é esse teu?" Byron respondeu com muita brandura, com lágrimas nos olhos: "Levarei o resto da surra, se o deixares ir."

O nosso caso é mais forte do que o de Lorde Byron. Ele não estava sob nenhum compromisso anterior de fazer o que fez. A nós é atribuída a responsabilidade de fazer o que anteriormente concordamos em fazer. O arrependimento torna-se nossa segunda oportunidade de realizar o propósito de nossa criação. Ao nos arrependermos, somos perdoados. Talvez Paulo tivesse esse mesmo pensamento em mente quando disse:

Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Porque fostes comprados por um preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus. (I Cor. 6:19-20.)

O Salvador cumpriu todos os seus compromissos.

Se só nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens.

Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.

Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem.

Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados. (I Cor. 15:19-22.)

Cristo cumpriu a grande missão para a qual veio a esta terra: expiar os pecados da humanidade e tornar eficaz o princípio do arrependimento em nosso progresso eterno.

A versão de Néfi é a seguinte:

Mas eis que todas as coisas foram feitas segundo a sabedoria daquele que tudo conhece.

Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria.

E o Messias vem na plenitude dos tempos para redimir da queda os filhos dos homens. E porque são redimidos da queda tornaram-se livres para sempre, distinguindo o bem do mal; para agirem por si mesmos e não para receberem a ação, salvo se for pelo castigo da lei no grande e último dia, segundo os mandamentos dados por Deus. (2 Néfi 2:24-26.)

Portanto, cremos em pregar a doutrina do arrependimento a todo o mundo, tanto a velhos quanto a jovens, ricos e pobres, escravos e livres. . . . Mas descobrimos que, para sermos beneficiados pela doutrina do arrependimento, devemos crer em obter a remissão dos pecados e, para obtermos a remissão de nossos pecados, devemos crer na doutrina do batismo em nome do Senhor Jesus Cristo. E se cremos no batismo para a remissão dos pecados, podemos esperar o cumprimento da promessa do Espírito Santo, pois a promessa se estende a todos os que o Senhor nosso Deus chamar, diz o Profeta Joseph Smith. (Teachings of the Prophet Joseph Smith, página 82.)

O Salvador finalmente disse:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma.

Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mat. 11:28-30.)

Voltai-vos para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra, porque eu sou Deus, e não há outro. (Isaías 45:22.)

E, finalmente, Isaías escreve:

Por mim mesmo jurei, e já saiu da minha boca a palavra de justiça, e não tornará atrás: que diante de mim se dobrará todo joelho, e por mim jurará toda língua.

De mim se dirá: Deveras no Senhor há justiça e força; até ele chegarão, mas serão envergonhados todos os que se indignarem contra ele. (Ibid., 45:23-24.)

Não deixemos para depois o dia de nosso arrependimento. Que o Senhor nos ajude a sermos puros e humildes diante dele, oro humildemente, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoHenry D. Moyle, “Chamados ao Arrependimento”, 1955 April General Conference, Third Day — Afternoon Meeting (1955-04-04). Pulpit Vault, 1955-04-moyle-we-have-just-heard-elder-delbert-l. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).