Pulpit

Meus Amados Irmãos E Irmãs E Amigos...

Spencer W. Kimball

1954 October General Conference·Second Day — Afternoon Meeting·1954-10-02

Meus amados irmãos e irmãs e amigos, aproximo-me desta oportunidade com temor e tremor, humildade, jejum e oração.

Foi meu privilégio, no mês de agosto, assistir ao grande espetáculo em Palmyra, e sentei-me, absorto, com uns quarenta mil outros, na Colina de Cumorá, olhando para aquela colina escura ao cair da noite. Ouvi as vozes daqueles que representavam os papéis de muitos profetas — Néfi, Jacó, Alma, Amuleque, Amon, e finalmente o profeta Samuel, o Lamanita — todos profetizando a respeito da vinda do Salvador do mundo a eles, aqui neste continente.

Foi inspirador, à medida que o programa avançava para a sua conclusão, ver a bela cena de uma Pessoa que surgia acima da colina. Por causa da escuridão sob ele, parecia como se estivesse suspenso no ar, com longas vestes brancas flutuando na brisa que soprava do alto da colina. Fiquei inspirado, e essa inspiração permaneceu comigo desde então. Ali se retratava a história da vinda do Salvador a esta terra, quando aqueles milhares de pessoas se reuniram junto ao templo, e olhavam intensamente para o céu. Ouviram a voz, nem alta nem áspera, mas penetrante, e ela lhes trespassou a própria alma. Na terceira vez conseguiram compreender, e ouviram a voz dizer:

Eis aqui meu Filho Amado, em quem me comprazo e em quem glorifiquei meu nome — ouvi-o. (3 Néf. 11:7.) Então veio a voz daquele que aparecera a esse povo nefita, dizendo: "...Eis que eu sou Jesus Cristo." (Ibid., 11:10.) Sua mensagem, então e antes e desde então, sempre para o seu povo, tem sido:

...o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender é melhor do que a gordura de carneiros. (I Sam.

15:22.) Assim disse o profeta Samuel ao desobediente rei Saul, que perdeu o seu reino por causa da rebelião. O profeta advertiu Saul que ele deveria derrotar os seus inimigos, mas que não deveria reter os despojos da guerra. Mas o balido das ovelhas e o mugido dos bois revelaram que Saul e o seu povo haviam desobedecido ao simples mandamento do Senhor. Samuel repreendeu-o:

Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à palavra do Senhor?

...a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. (Ibid., 15:22-23.) Saul pediu perdão, mas o profeta respondeu:

...rejeitaste a palavra do Senhor, já te rejeitou o Senhor, para que não sejas rei sobre Israel. (Ibid., 15:26.) Em seu estado arrogante e altivo, ele tomou as coisas em suas próprias mãos, desprezando inteiramente os mandamentos do Senhor.

Samuel repreendeu:

...Porventura, sendo tu pequeno aos teus olhos, não foste feito cabeça das tribos de Israel, e o Senhor te ungiu rei sobre Israel?

Por que, pois, não deste ouvidos à voz do Senhor, antes te lançaste ao despojo, e fizeste o que parecia mal aos olhos do Senhor? (Ibid., 15:17, 19.) Saul racionalizava. Era fácil para ele obedecer quanto à disposição dos reis, pois de que serviam reis conquistados?

Mas por que não guardar as ovelhas e o gado gordos? Não seria o seu juízo real superior ao do humilde Samuel? Quem era Samuel para que suas palavras devessem ser obedecidas implicitamente, e quem saberia de qualquer modo?

Como Saul são muitos em Israel hoje. Um vive parte da revelação do Senhor sobre a saúde, exceto que precisa de sua xícara de café ocasional; ela não usará tabaco nem bebida alcoólica, pelos quais não sente atração alguma, mas precisa da reconfortante xícara de chá.

Ele servirá numa posição na Igreja, pois ali há atividade de que gosta e honra que deseja, ou contribuirá para uma capela onde sua doação será conhecida, mas a racionalização é fácil quanto ao pagamento do dízimo, que ele acha tão difícil. Não pode arcar com isso — a doença ou a morte lançou uma mão pesada — não está certo de que é sempre distribuído como ele gostaria que fosse, e quem sabe, de qualquer modo, de sua falha?

Outro comparecerá a algumas reuniões, mas, à maneira de Saul, racionalizará quanto ao resto do dia. Por que não haveria ele de assistir a um jogo de beisebol, a um espetáculo, cuidar do necessário trabalho do jardim, ou tratar dos negócios como de costume?

Outro cumprirá religiosamente os seus deveres externos na Igreja, mas resistirá a qualquer sugestão quanto aos atritos familiares em sua vida doméstica, ou às orações familiares, quando a família é tão difícil de reunir?

Saul era assim. Podia fazer as coisas convenientes, mas conseguia encontrar desculpas quanto às coisas que contrariavam os seus próprios desejos.

Obedecer! Atender! Que exigência difícil! Muitas vezes ouvimos: "Ninguém pode me dizer que roupas usar, o que devo comer ou beber. Ninguém pode determinar os meus sábados, apropriar-se dos meus ganhos, nem de forma alguma limitar minhas liberdades pessoais! Faço o que me apraz! Não dou obediência cega!"

Obediência cega! Como pouco eles compreendem! O Senhor disse por meio de Joseph Smith:

Tudo o que Deus exige é justo, não importa o que seja, ainda que possamos não ver a razão disso até muito depois de os acontecimentos se passarem. (Scrapbook of Mormon Literature, vol. 2, p. 173.) Quando os homens obedecem aos mandamentos de um criador, isso não é obediência cega. Quão diferente é a submissão covarde de um súdito a seu monarca totalitário e a digna e voluntária obediência que se presta a Deus. O ditador é ambicioso, egoísta e tem motivos ocultos. Todo mandamento de Deus é justo, toda diretriz tem propósito, e tudo para o bem dos governados. A primeira pode ser obediência cega, mas a segunda é certamente obediência pela fé.

O Patriarca Abraão, severamente provado, obedeceu fielmente quando o Senhor lhe ordenou que oferecesse o seu filho Isaque sobre o altar. Obediência cega? Não. Ele sabia que Deus nada exigiria dele que não fosse para o seu bem último. Como esse bem poderia ser alcançado, ele não compreendia. Sabia que lhe havia sido prometido que, através da descendência do filho milagroso Isaque, todas as multidões das nações seriam abençoadas, e, tendo Deus prometido, isso se cumpriria. Sem dúvida, surgiram perguntas em sua mente sobre como essas coisas poderiam acontecer se Isaque fosse eliminado, mas ele sabia que o Senhor era justo e proveria um meio. Não havia o Senhor cumprido a promessa feita, segundo a qual este mesmo filho seria concebido quando Abraão já era velho e Sara havia muito passado do período normal de fertilidade? Em Hebreus, lemos:

Pelo que também de um, e esse já amortecido, descenderam em tão grande multidão como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar.

(Heb. 11:12.) Abraão foi agora chamado a sacrificar este amado filho, que ainda não tinha posteridade. Mas com fé suprema, Abraão:

...ofereceu Isaque...considerando que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar. (Ibid., 11:17, 19.) Sabendo que Deus não faria exigências caprichosas nem desnecessárias, e que o rapaz poderia ser ressuscitado mesmo da morte, se necessário, Abraão obedeceu.

Um carneiro foi provido.

Talvez o criminoso na penitenciária obedeça cegamente, pois ali há compulsão. A maioria de suas decisões são tomadas por ele. Algo comparável são os súditos de um ditador, cujo trabalho, recreação, religião e demais atividades são controlados e regimentados. Ali está a obediência cega.

Não foi fé cega quando o patriarca Noé construiu uma arca há uns quarenta e dois séculos, ou quando o profeta Néfi construiu um barco há cerca de vinte e cinco séculos. Cada um foi ordenado pelo Senhor a construir um navio capaz de enfrentar o mar. Um dilúvio total e sem precedentes iria envolver a terra num caso, e o maior oceano a ser cruzado no outro. Nenhuma experiência de qualquer dos dois construtores poderia oferecer orientação nessas novas aventuras — nenhum dilúvio anterior nem travessia oceânica jamais havia ocorrido na vida de nenhum dos dois — não havia nada em que basear a construção, exceto as instruções do Senhor. Ali não houve obediência cega. Cada um conhecia a bondade de Deus e sabia que ele tinha propósito em seus estranhos mandamentos. E assim cada um, de olhos bem abertos, com absoluta liberdade de escolha, construiu pela fé. A família de Noé foi salva do afogamento físico e da decadência espiritual, e o povo de Néfi foi salvo do mesmo modo.

Nem espadas nem baionetas, nem fome nem pestilência expulsaram os lehitas das exuberantes praias de Abundância, mas a obediência clarividente os conduziu através de oceanos desconhecidos. O Senhor havia prometido:

...se guardares meus mandamentos, prosperarás e serás conduzido a...uma terra escolhida acima de todas as outras terras. (1 Néfi 2:20.) E com a submissão nascida da fé e da confiança, o navio foi terminado, carregado e lançado ao mar.

Não houve compulsão nos atos de Noé — nenhuma obediência cega. Não estava chovendo quando este homem de Deus construiu a embarcação que salvaria a sua família. Depois de concluída, uma semana inteira de tempo seco precedeu a tempestade.

Ali havia obediência nascida do testemunho do poder, da certeza, da justiça de Deus.

E a confiança de Noé foi justificada, e uma raça foi perpetuada.

Quando os homens falam de toda fé e toda obediência como cega, não estarão eles encobrindo suas próprias fraquezas? Não estarão buscando uma desculpa para justificar sua própria falha em atender?

Um homem obedece rigorosamente à lei do imposto de renda e paga integralmente e antes do prazo os seus impostos sobre a propriedade, mas justifica-se ao desrespeitar a lei do sábado ou o pagamento do dízimo em dia, se é que o paga. No primeiro caso, ele poderá sofrer apenas a privação de sua liberdade ou de seus bens, ou perder sua casa ou seus bens pessoais, mas no segundo, ele abre as portas para a perda de uma alma. O espiritual traz penas tão certamente quanto o temporal; a principal diferença é a rapidez da punição, sendo o Senhor tão longânimo.

Dificilmente alguém chamaria o primeiro caso de obediência cega, e, no entanto, às vezes considera os mandamentos espirituais como se o fossem.

Será obediência cega quando o estudante paga a sua mensalidade, lê as tarefas do seu curso, comparece às aulas, e assim se qualifica para os seus futuros graus? Talvez ele mesmo estabelecesse padrões diferentes e mais fáceis para a formatura, mas obedece a toda exigência do catálogo, quer compreenda ou não a sua total implicação.

Será obediência cega quando alguém respeita a placa "Alta Voltagem — Mantenha-se Afastado", ou é a obediência da fé no julgamento de especialistas que conhecem o perigo?

Será obediência cega quando o passageiro de avião afivela o cinto de segurança ao acender aquele sinal, ou é confiança na experiência e na sabedoria daqueles que conhecem melhor os riscos e perigos?

Será obediência cega quando a criancinha pula alegremente da mesa para os braços fortes de seu pai sorridente, ou é isso confiança implícita num pai amoroso que tem certeza de que a apanhará e que ama a criança mais do que à própria vida?

Será obediência cega quando um enfermo toma o remédio de gosto vil prescrito pelo seu médico, ou entrega o seu precioso corpo ao bisturi do cirurgião, ou é essa a obediência da fé em alguém em quem se pode depositar confiança com segurança?

Será obediência cega quando o piloto guia o seu navio entre as boias que marcam os recifes, mantendo assim a sua embarcação em águas profundas, ou é confiança na integridade daqueles que instalaram esses dispositivos de proteção?

Será, então, obediência cega quando nós, com nossa visão limitada, nosso conhecimento elementar, nossos desejos egoístas, nossos motivos ocultos e nossos impulsos carnais, aceitamos e seguimos a orientação e obedecemos aos mandamentos de nosso amoroso Pai, que nos gerou, criou um mundo para nós, nos ama e planejou para nós um programa construtivo, inteiramente sem motivos ocultos, cuja maior alegria e glória é "levar a efeito a imortalidade e vida eterna" de todos os seus filhos?

Obediência cega poderia ser quando não existe arbítrio, quando há regimentação, mas em todos os mandamentos do Senhor dados por meio de seus servos há total arbítrio, livre de compulsão. Alguns argumentam que falta arbítrio onde há penas impostas e condenações ameaçadas — ser condenado por rejeitar o evangelho parece duro a alguns e parece tirar o livre-arbítrio. Isso não é verdade, pois a decisão é nossa — podemos aceitar ou rejeitar, cumprir ou ignorar.

Em todas as atividades de nossa vida é o mesmo — podemos frequentar a faculdade ou ficar longe do campus; podemos dedicar-nos aos nossos estudos ou desperdiçar o nosso tempo; podemos cumprir todos os requisitos ou ignorá-los. A decisão é nossa; o arbítrio é livre.

Podemos tomar o remédio ou, secretamente, derramá-lo pelo ralo; podemos entregar nossos corpos ao bisturi do cirurgião ou recusar o seu serviço; podemos seguir caminhos ou perder-nos na selva; mas não podemos evitar as penas da desobediência à lei.

Podemos correr a cem milhas por hora, estacionar o carro sobre um hidrante, dirigir do lado errado da estrada, resistir à prisão, roubar um banco, mas pagaremos as penas mais cedo ou mais tarde, até o último ceitil. Nenhuma alma é suficientemente astuta para escapar indefinidamente das penas ou contrariar essa ampla e fundamental lei da retribuição. Sem o livre-arbítrio, os homens seriam criaturas sem vida, débeis e sem valor para si mesmos e para o mundo.

Nosso Pai celestial, conhecendo todas as coisas, nos deu esta lei fundamental do livre-arbítrio. Ele poderia forçar nossa obediência, obrigar nossa bondade, regimentar nossos atos, mas isso faria de nós criaturas sem espinha dorsal, sem vontade, sem propósito, nem destino.

Nosso Senhor chorou amargamente quando viu suas criaturas violando seus mandamentos nos dias anteriores ao dilúvio, mas absteve-se de usar a força. Elas deveriam ter seu arbítrio:

O Senhor disse a Enoque: Olha estes teus irmãos; eles são a obra de minhas próprias mãos e eu dei-lhes seu conhecimento no dia em que os criei; e no Jardim do Éden dei ao homem seu arbítrio. (Moisés 7:32.) Foi-lhes permitido ignorar as advertências dos profetas até que sua taça de iniquidade se enchesse, transbordasse e inundasse o mundo e afogasse os seus habitantes.

As recompensas pela fidelidade e as penas pela desobediência são certas. Deus é longânimo, paciente e bondoso, ao passo que os homens e as leis naturais são muitas vezes rápidos e cruéis.

Nossos justos e sábios pais, Adão e Eva, foram exemplares na questão da obediência nascida de fé infantil:

...E Adão foi obediente aos mandamentos do Senhor.

E após muitos dias, um anjo do Senhor apareceu a Adão, dizendo: Por que ofereces sacrifícios ao Senhor?

E Adão respondeu-lhe: Eu não sei, exceto que o Senhor me mandou.

E então o anjo falou, dizendo: Isso é à semelhança do sacrifício do Unigênito do Pai, que é cheio de graça e verdade. (Ibid., 5:5-7.) Obediência cega? Certamente não.

Eles conheciam Jeová, ouviram sua voz, andaram com ele no Jardim do Éden, e conheciam a sua bondade, justiça e compreensão. E assim, por "muitos dias", mataram os cordeiros sem mácula e os ofereceram sem saber por quê, mas em total confiança de que havia propósito justo na lei e que a razão se revelaria depois, após a obediência.

A obediência foi primordial na cura dos leprosos. Eles clamaram:

Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.

E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes.

E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos. (Lucas 17:13-14.) É certo que os sacerdotes em nada contribuíram para a cura. Os dez provavelmente haviam vivido toda a vida sob a jurisdição dos sacerdotes, que jamais se sabe terem curado leprosos.

O milagre aconteceu quando, mas não antes de, eles obedecerem em todos os detalhes. Nenhuma obediência cega aqui. Esses leprosos sabiam que Cristo não os desapontaria. Tinham fé não apenas em seu poder, mas também em sua bondade e integridade.

Assim também o homem cego de nascença caminhou para a plenitude da visão, mas obedeceu à voz da autoridade. Questionado pelos fariseus céticos sobre sua incomparável recuperação da visão, ele afirmou resolutamente: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.

...É profeta.

...uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo. (João 9:15; 17; 25.) Uma fórmula bem simples: um pouco de cuspe, um pouco de lodo, uma simples unção, um simples mandamento, e um ato de obediência pela fé; e a escuridão foi substituída pela luz. "Senhor, eu creio",

disse ele, adorando com gratidão.

Obediência cega, direíeis? Era um cego, mas de obediência clarividente.

O Salvador tinha:

...cuspido na terra, e feito lodo com o cuspe, e untado com o lodo os olhos do cego.

E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé...Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.

(Ibid., 9:6-7.) Quão simples o processo! Quão suave o mandamento! Quão fiel a obediência! Quão gloriosa a recompensa!

Estranho — hoje fornecemos tecido puro e esterilizado para o cuspe e proibimos até mesmo cuspir nas calçadas.

Banhamo-nos com sabão, esfregamos com desinfetantes, e escaldamos pratos, panelas e tachos com água fervente para matar os germes da imundície do lodo.

Usamos, para fins culinários, e especialmente nos hospitais e quartos de doentes, apenas água purificada por processos químicos.

Mas aqui o Mestre desconsiderou todas as nossas regras de saneamento e prescreveu cuspe, lodo cheio de germes, e água impura do tanque contaminado de Siloé, que banhava os corpos suados dos trabalhadores e os corpos feridos dos doentes e enfermos.

Há cura em mero lodo para fazer os olhos ver? Há valor medicinal no cuspe para curar enfermidades? Há propriedades curativas nas águas de Siloé para abrir os olhos dos cegos de nascença? A resposta é óbvia. O milagre foi concebido no ventre da fé e nasceu e amadureceu no ato da obediência.

Se o mandamento tivesse envolvido óleo em vez de cuspe, ervas em vez de lodo, e águas de uma fonte pura e borbulhante em vez do imundo Siloé, o resultado teria sido o mesmo. Mas alguns teriam dito que foram o óleo e as ervas e a água pura que curaram os olhos, mas mesmo o leigo deve saber que essas coisas não poderiam curar ninguém. Por conseguinte, só se poderia tirar uma conclusão:

O milagre incomparável foi positivamente o resultado da obediência pela fé. Mas se o cego tivesse desobedecido a qualquer das fases do mandamento, ele indubitavelmente teria sofrido até a morte com cegueira contínua.

Embora não haja compulsão, as leis espirituais de hoje também devem ser obedecidas se as bênçãos hão de ser alcançadas, pois, como disse o Senhor:

Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma. (D. & C. 82:10.) E:

Meu braço está aceso contra os rebeldes. (Ver ibid., 56:1.) E:

E os rebeldes serão afligidos com muita tristeza; porque suas iniquidades serão proclamadas em cima dos telhados e seus feitos secretos serão revelados. (Ibid., 1:3.) E:

Eis que eu, o Senhor, faço ouvir a minha voz, e ela será obedecida.

Portanto, em verdade eu digo: que os iníquos prestem atenção e que os rebeldes temam e estremeçam; e que os incrédulos fechem os lábios, pois o dia da ira cairá sobre eles como um furacão, e toda carne saberá que eu sou Deus. (Ibid., 63:5-6.) E meu povo precisa ser corrigido até aprender obediência, ainda que seja pelas coisas que sofre. (Ibid., 105:6.) E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia. (Ibid., 130:21.) E assim, prestamos uma obediência inteligente e construtiva quando, voluntária, humilde e alegremente, obedecemos aos mandamentos de nosso Senhor:

  1. Sede puros, vós que levais os vasos do Senhor.

  2. Irás à casa de oração em meu dia sagrado.

  3. Trazei todos os dízimos ao celeiro.

  4. Honra o dia de sábado, para o santificar.

  5. Sois o templo de Deus — não o profaneis com bebida alcoólica, tabaco, chá e café.

  6. Arrependei-vos ou sofrei.

  7. Curvai-vos de joelhos diante do Senhor.

  8. Não julgueis, para que não sejais julgados.

  9. Se alguém não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus.

  10. Um homem deve entrar no novo e eterno convênio para ser exaltado.

  11. Ai daqueles que não vêm a este sacerdócio.

Que Deus nos abençoe a todos, membros de sua Igreja, e a todos os demais, neste grande mundo que ele criou e povoou, para vivermos e obedecermos aos seus mandamentos, eu rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSpencer W. Kimball, “Meus Amados Irmãos E Irmãs E Amigos...”, 1954 October General Conference, Second Day — Afternoon Meeting (1954-10-02). Pulpit Vault, 1954-10-kimball-my-beloved-brothers-and-sisters-and-friends. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).