O Nome de Cristo
Milton R. Hunter
Meus queridos irmãos e irmãs, humildemente confio e rogo que o Espírito de Deus me dirija nas poucas palavras que direi esta tarde e ao prestar meu testemunho. ¶
Tem havido uma tendência crescente, nos últimos anos, entre ministros de várias religiões cristãs, escritores e muitos outros, de negar a divindade de Jesus Cristo. Eles afirmam que ele foi um grande mestre e o classificam entre os profetas, mas negam que ele fosse literalmente o Filho do Deus verdadeiro e vivo. ¶
Nós, membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nos opomos a tais ensinamentos, porque sabemos diferente. Aceitamos Jesus Cristo como nosso Senhor, como nosso Deus, como nosso rei, como nosso Salvador e Redentor, como o Filho Unigênito de Deus aqui na carne, e como a personificação de tudo o que é bom. De fato, em sua vida pré-mortal, mesmo antes de este mundo ser criado, ele desfrutava da condição de divindade. Agindo nessa capacidade, juntamente com o Pai Eterno, ele ajudou a criar este mundo, bem como muitos outros mundos. ¶
Antes de os seres humanos serem colocados sobre esta terra, o evangelho, o plano de salvação, foi nomeado em sua homenagem, a saber, o evangelho de Jesus Cristo; e ele passou a ser conhecido como o Autor do plano de salvação. Também o sacerdócio lhe foi dado, e recebeu seu nome, sendo chamado o Santo Sacerdócio segundo a Ordem do Filho de Deus. ¶
Depois de os seres mortais serem colocados sobre esta terra, e ao longo de várias dispensações do evangelho, ele serviu como o Mediador entre os céus e a terra. Agindo nessa capacidade, ele revelou as verdades do evangelho, a vontade do Pai, por meio dos santos profetas, à família humana, de época em época, conforme as necessidades exigissem. ¶
Ele veio à terra no meridiano dos tempos, nascido de uma mulher mortal, uma virgem, sendo o Filho Unigênito de Deus na carne. Assim, foi dotado de uma medida superior de divindade. Viveu uma vida perfeita enquanto na mortalidade e, por meio do exemplo, ensinou-nos como viver. Encerrou sua provação mortal suportando aquele grande sofrimento que lhe foi necessário atravessar para que pudesse tomar sobre si os pecados do mundo. Tão intensa foi sua dor que o fez suar sangue por todos os poros de seu corpo; e isso ele fez para que não tenhamos de sofrer se guardarmos os seus mandamentos. Em revelação moderna ele declarou: ¶
Pois eis que eu, Deus, sofri essas coisas por todos, para que não precisem sofrer caso se arrependam; Mas se não se arrependerem, terão que sofrer assim como eu sofri; Sofrimento que fez com que eu, Deus, o mais grandioso de todos, tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito. (D&C 19:16-18.) ¶
Por fim, depois de ser crucificado, ao terceiro dia ele ressuscitou da sepultura, rompeu as amarras da morte e realizou a ressurreição universal. Portanto, todo homem, mulher e criança que já viveu, ou algum dia viverá sobre esta terra, independentemente de quão justo ou quão ímpio tenha sido, ressuscitará da sepultura e receberá a imortalidade pela graça de Jesus Cristo. Mas àqueles que tomam sobre si o seu nome e fielmente guardam os seus mandamentos, ele prometeu uma bem-aventurada vida eterna. ¶
Depois de Adão e Eva terem sido expulsos do Jardim do Éden, tendo passado pela Queda, tendo tido um véu lançado sobre suas mentes de modo que se esqueceram de sua existência pré-mortal e do plano de salvação do evangelho, Jesus começou sua obra como o Salvador aqui sobre esta terra, revelando-lhes o evangelho. Linha por linha e preceito por preceito foi revelado, até que receberam o mesmo plano do evangelho em sua plenitude tal como o temos hoje. ¶
Parte desse plano do evangelho era que Adão e sua posteridade deveriam oferecer sacrifícios. Certo dia, Adão estava oferecendo um sacrifício ao Senhor, e um anjo lhe apareceu e disse: ¶
. . . Por que ofereces sacrifícios ao Senhor? E Adão respondeu-lhe: Eu não sei, exceto que o Senhor me mandou. ¶
E então o anjo falou, dizendo: Isso é à semelhança do sacrifício do Unigênito do Pai que é cheio de graça e verdade. ¶
Portanto, farás tudo o que fizeres em nome do Filho; e arrepender-te-ás e invocarás a Deus em nome do Filho para todo o sempre. (Moisés 5:6-8.) Em outra ocasião, Adão e sua posteridade também receberam o mandamento de se arrependerem de todos os seus pecados e serem batizados em nome do Filho Unigênito. Já naquela época remota, o Pai Adão foi informado de que o nome do Unigênito era Jesus Cristo, e que esse nome era ". . . o único nome que será dado debaixo do céu mediante o qual virá a salvação aos filhos dos homens." (Ibid., 6:52.) Enoque, Noé e os demais grandes profetas da Antiguidade receberam revelações semelhantes às que Adão havia recebido; e pregaram ao povo, dizendo-lhes: ". . . arrependei-vos de vossos pecados e batizai-vos em nome de Jesus Cristo, . . . assim como nossos pais. ¶
. . ." (Ibid., 8:16, 19-20, 24.) O Livro de Mórmon foi originalmente escrito e trazido à luz nos últimos dias, primordialmente com o propósito de testificar do chamado divino do Unigênito. Ele serve como nova testemunha de que Jesus é o Cristo, o Salvador do mundo, o Unigênito do Pai, e o único nome que será dado debaixo do céu mediante o qual virá a salvação aos filhos dos homens. ¶
Em sua velhice, o rei Benjamim, um dos grandes reis e profetas dos dias do Livro de Mórmon, reuniu seu povo com o propósito de transferir a realeza a seu filho, Mosias. Como parte da cerimônia, ele proferiu ao povo um dos maiores sermões que encontramos registrados nas santas escrituras. Suas instruções tiveram um efeito tão avassalador e poderoso sobre os membros de seu reino que todos caíram por terra em humildade e clamaram a Deus para que purificasse seus corações e lhes perdoasse os pecados por meio do sangue expiatório de Jesus Cristo. ¶
(Mosias 4:1-2.) Eles fizeram convênio com o Senhor de guardar todos os seus mandamentos dali em diante. E então o rei Benjamim disse àquele povo que um dos principais propósitos de tê-los reunido era dar-lhes um novo nome. Declarou que o nome que lhes dava naquele dia era o nome de Cristo. Disse-lhes: ¶
. . . quisera, portanto, que tomásseis sobre vós o nome de Cristo, todos vós que haveis feito convênio com Deus de serdes obedientes até o fim de vossa vida. (Ibid., 5:8.) O povo do rei Benjamim tomou sobre si o nome de Cristo e fez convênio de guardar todos os seus mandamentos. ¶
E aconteceu que não houve uma só alma, exceto as criancinhas, que não tivesse feito convênio e tomado sobre si o nome de Cristo. ¶
(Ibid., 6:2.) Benjamim também instruiu: ¶
E agora, por causa do convênio que fizestes, sereis chamados progênie de Cristo, filhos e filhas dele, porque eis que neste dia ele vos gerou espiritualmente; . . . ¶
E sob esse nome vós sois libertados e não há qualquer outro nome por meio do qual podeis ser libertados. Não há qualquer outro nome pelo qual seja concedida a salvação; . . . (Ibid., 5:7-8.) Após a ressurreição do Salvador, ele apareceu ao povo aqui na América antiga e ensinou-lhe o mesmo plano de salvação do evangelho que havia ensinado aos judeus enquanto na mortalidade. ¶
Depois de ele ter ascendido ao céu, o povo discutia como deveriam nomear a igreja que ele havia estabelecido, e assim os doze discípulos se uniram em poderosa oração e jejum. ¶
Como resultado de sua fé, oração e jejum, Jesus se pôs em meio a eles e perguntou o que era que ele deveria fazer por eles. Responderam-lhe que haviam surgido disputas entre o povo a respeito de como deveriam chamar a igreja, pedindo: ¶
Queremos que nos digas o nome pelo qual devemos chamar esta igreja. ¶
E o Senhor disse-lhes: . . . ¶
Não leram as escrituras, que dizem que deveis tomar sobre vós o nome de Cristo, que é o meu nome? Porque por esse nome sereis chamados no último dia; . . . ¶
Portanto, tudo quanto fizerdes, vós o fareis em meu nome; por conseguinte chamareis a igreja pelo meu nome; e invocareis o Pai em meu nome, a fim de que ele abençoe a igreja por minha causa. ¶
E como será a minha igreja, se não tiver o meu nome? Porque se uma igreja for chamada pelo nome de Moisés, então será a igreja de Moisés; ou se for chamada pelo nome de um homem, então será a igreja de um homem; mas se for chamada pelo meu nome, então será a minha igreja, desde que estejam edificados sobre o meu evangelho. (3 Néfi 27:4-5, 7-8.) Os primeiros cristãos no mundo mediterrâneo tomaram sobre si o nome de Cristo. Como todos vos lembrais, eram conhecidos, de modo geral, como cristãos. ¶
Mas, à medida que seu número começou a se espalhar e a se tornar bastante numeroso no mundo mediterrâneo, e à medida que as sementes da apostasia começaram a crescer, por volta do ano 185 d.C. os líderes decidiram mudar o nome para católica, que significa universal. ¶
Assim, ao escolherem chamar-se "universal", perderam o nome, ou deixaram de lado o nome, que Deus havia decretado que seria o único nome dado debaixo do céu pelo qual a humanidade poderia ser salva. ¶
Essa perda do nome de Cristo caminhou lado a lado com a perda do sacerdócio e das verdadeiras ordenanças e doutrinas do Mestre pela Igreja Católica, constituindo assim a Grande Apostasia. ¶
Os primeiros reformadores cristãos romperam com a Igreja Católica por causa das numerosas doutrinas, ensinamentos e práticas falsas, feitas pelo homem, que haviam corrompido toda a organização durante o período da Grande Apostasia. ¶
Um após outro, esses reformadores cristãos organizaram suas próprias igrejas. Nenhum deles, porém, alegou revelação divina, restauração, ou missão direta de Jesus Cristo; mas, de modo natural, suas igrejas passaram a existir, e eles as nomearam segundo homens ou movimentos; por exemplo, igrejas como a luterana, a batista, a metodista, a presbiteriana, e muitas outras, todas feitas pelo homem e sem autorização divina, vieram a existir como resultado da Reforma Protestante. ¶
Convém ter em mente que nenhum desses primeiros reformadores cristãos tomou definitivamente sobre si o nome de Cristo ao chamar sua igreja pelo nome de Cristo. O Pai Eterno estava reservando aquele nome para sua Igreja, a Igreja que os santos profetas haviam predito que seria restaurada nos últimos dias. Portanto, em 6 de abril de 1830, o Profeta Joseph Smith e cinco companheiros, em Fayette, Nova Iorque, agindo em conformidade com a revelação divina do céu, organizaram A Igreja de Jesus Cristo. ¶
Eles tomaram sobre si o nome de Cristo; e edificaram aquela Igreja sobre o seu evangelho, como o Senhor havia indicado que deveria ser um requisito para a sua Igreja. Em seu prefácio à Doutrina e Convênios, o Senhor Jesus Cristo declarou que havia dado ao Profeta Joseph Smith e a seus associados . . . poder para estabelecer o alicerce desta igreja e tirá-la da obscuridade e das trevas, a única igreja verdadeira e viva na face de toda a Terra, com a qual eu, o Senhor, me deleito, . . . (D&C ¶
1:30.) Nós, como Santos dos Últimos Dias e membros do reino de Cristo, aguardamos, humilde e reverentemente, o grande dia em que o Filho do Homem virá à terra em sua glória para reinar mil anos como o Senhor dos senhores e Rei dos reis. Anelamos por aquele dia inestimável em que todo o povo por toda a terra se voltará a ele e aceitará Jesus como seu Cristo, seu Salvador, seu Senhor, seu Deus e seu Rei. Naquele dia, tomarão sobre si o seu nome e guardarão os seus mandamentos. A paz e a retidão prevalecerão universalmente. ¶
Ao final desse período de mil anos, esta terra, que tem vivido sob uma lei celestial, morrerá. Como a família humana, será ressuscitada. Por ocasião dessa ressurreição, será vivificada por um poder celestial e elevada a um orbe celestial, constituindo o grau de glória celestial para todo o povo, ao longo das várias dispensações do evangelho, que tiver tomado sobre si o nome de Cristo e guardado seus mandamentos suficientemente bem para voltar à sua presença e ali habitar. (Ibid., 88:17-19, 2526.) Esta terra será coroada com a glória do Pai, e será dada ao Filho. Será, então, o mundo de Cristo, o seu reino, pois ele a expiou pela obra que realizou e pelo sangue que derramou. (Ibid., 88:9; 101:65; 130:7, 9.) Assim, depois que esta terra for celestializada, o Unigênito do Pai reinará aqui como o Senhor e Deus desta terra. Aqueles Santos justos que guardaram os mandamentos enquanto viviam na mortalidade entrarão, de acordo com seus méritos, no reino de Cristo, isto é, nas esferas celestiais. Tornaram-se filhos de Cristo, tendo sido dados a ele pelo Pai. Assim, ". . . tornaram-se seus filhos e suas filhas, . . . e será chamado pelo nome de Cristo." (Mosias 5:7, 8.) Agora, meus irmãos e irmãs, gostaria de prestar meu testemunho. Sei, como sei que vivo, como sei que estou aqui de pé, que Jesus é o Cristo, o Salvador do mundo, o Unigênito do Pai, e que o seu nome é o único nome que será dado debaixo do céu mediante o qual podemos ser salvos. ¶
Sei que, por seus sofrimentos em Getsêmani e no Gólgota, suando sangue por todos os poros de seu corpo, e por seu sacrifício expiatório, ele tomou sobre si os nossos pecados e os nossos sofrimentos, se nos arrependermos e guardarmos todos os seus mandamentos. Nós que pertencemos à verdadeira Igreja de Jesus Cristo devemos lembrar-nos sempre de que entramos num convênio solene e sagrado de prestar obediência a todos os mandamentos de Deus. Se provarmos fiéis em fazê-lo, tenho tanta certeza quanto tenho de que estou aqui hoje de que ressuscitaremos com os justos e, depois de comparecermos perante o tribunal do julgamento, seremos levados ao mundo celestial para sermos coroados de glória e exaltação. Seremos encontrados "à destra de Deus", sendo herdeiros do reino de Cristo; e nos será permitido viver eternamente com nosso Salvador sobre esta terra como seres celestiais. Naquele dia seremos contados como dele, sim, filhos e filhas de Jesus Cristo, e seremos conhecidos pelo seu nome, em resultado de termos tomado sobre nós o nome de Cristo e havermos provado fiéis em todas as coisas. ¶
Que Deus vos abençoe e me abençoe, sim, a cada membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, para que guardemos todos os mandamentos do Senhor e assim vivamos dignos destas grandes bênçãos, e por fim recebamos a recompensa que vem aos fiéis. Que um dia possamos voltar à presença do Pai e do Filho, e sermos conhecidos pelo nome de Cristo eternamente, o único nome dado debaixo do céu mediante o qual o homem pode ser salvo, rogo humildemente, pelo santo nome do Filho Unigênito. Amém. ¶