Meus amados irmãos e irmãs, com humildade...
Ezra Taft Benson
Meus amados irmãos e irmãs, com humildade invoco a inspiração do Senhor e busco um interesse em vossa fé e orações enquanto permaneço por alguns instantes neste púlpito. Gostaria, se o Senhor me abençoar, de dar vazão a alguns pensamentos que têm se gravado profundamente em minha mente já há várias semanas. Espero não ser mal interpretado. Parece-me que os dias em que vivemos exigem uma consideração franca e direta de alguns dos problemas que enfrentamos, não apenas como Igreja, mas também como uma grande nação cristã. ¶
Convosco, senti-me emocionado com o discurso de abertura de nosso grande líder, o Presidente McKay. Ao pensar em suas observações sobre esta terra da América, suas conquistas e suas necessidades, senti que poderia caracterizar da melhor forma o que ele disse em duas palavras: Estadismo Espiritual. Convosco, amo esta terra em que vivemos. Orgulho-me de nossa herança; sou grato pela tradição americana; agradeço que o Senhor tenha dado, por meio de seus profetas, informações a respeito desta grande nação. ¶
Contudo, parece-me que há certas tendências, correntes e práticas que colocam em grande perigo o nosso modo de vida e atingem os próprios alicerces de muito daquilo que prezamos como uma grande nação cristã. É claro que as condições do mundo em geral nos dão motivo de preocupação. Parecemos viver num mundo de conflito, insegurança, incerteza e quase perplexidade. Parecemos tatear cegamente, sem rumo, incapazes de encontrar o caminho. Não fosse a nossa fé nas profecias de Deus, temo que às vezes seríamos quase tentados a desistir. ¶
Estamos no meio de crises internacionais contínuas. As perspectivas para a paz e a segurança mundiais são, de fato, sombrias. ¶
A gravidade da situação mundial parece aumentar quase diariamente. As Nações Unidas parecem incapazes de resolver os problemas do mundo. Na verdade, enfrentamos o fato cruel de que as Nações Unidas, ao que parece, falharam em grande parte em seu propósito. Sim, os dias que temos pela frente são dias sóbrios e desafiadores. Poderíamos bem perguntar: América — o que será do futuro? ¶
Nunca viajo por esta grande terra e observo seus campos amplos e férteis, suas fábricas em pleno funcionamento e suas cidades resplandecentes sem me impressionar com as maravilhas desta grande nação. Sim, fizemos um progresso material sem igual. Tornamo-nos a nação maior e mais rica de todo o mundo. Isso foi feito em cerca de 6% da área terrestre do mundo, por um grupo relativamente pequeno de pessoas, apenas 7% da população mundial. Contudo, relata-se que esse pequeno grupo de pessoas produz hoje aproximadamente metade de toda a riqueza mundial em forma utilizável para satisfazer as necessidades humanas. Relata-se que, no ano de 1950, quase metade dos alimentos e fibras do mundo foi produzida aqui, nos Estados Unidos. Nossa produtividade tem aumentado um quinto a cada dez anos desde 1850. Por meio do uso de máquinas, grande parte da labuta e do esforço tão comuns em muitas outras nações desapareceu. Nossos engenheiros calcularam que o trabalhador médio de hoje tem o equivalente a 99 escravos mecânicos trabalhando para ele. O Twentieth Century Fund previu recentemente que, até 1960, 96% de toda a energia empregada no trabalho físico na América seria realizada por máquinas, 1% por cavalos e 3% por homens. O trabalhador americano médio tem uma produção por hora seis vezes maior do que sua produção em 1850. Sim, alcançamos conquistas sem precedentes nas coisas materiais. ¶
Os profetas de Deus prenunciaram essas conquistas quando predisseram que esta seria uma terra escolhida acima de todas as outras terras e que seria preservada para um povo justo. Aqueles que aqui habitassem, se servissem ao Deus da terra, deveriam ser livres do jugo e do cativeiro. A Leí, que conduziu a segunda colônia a chegar a esta grande terra, foi dito que ele estava conduzindo aquela colônia a uma terra de promissão, e que ninguém deveria vir para cá senão os que viessem sob a influência do céu. Esta terra seria consagrada àqueles a quem o Senhor aqui guiasse. Seria uma terra de liberdade. Jacó, filho de Leí, disse que não deveria haver reis nesta terra, que o Deus do céu seria o seu rei, que esta terra seria fortificada contra todas as outras nações, e que aquele que lutasse contra Sião pereceria. ¶
O Presidente Young fez referência à vinda de Colombo. ¶
As escrituras nos dizem que o Espírito operou sobre Colombo, e sobre aqueles que o seguiram, e que eles vieram para cá sob a inspiração do céu. Néfi predisse que, ao chegarem, eles se humilhariam diante de Deus, que o poder do Senhor estaria com eles, e que eles prosperariam. Nossa história registra claramente que os primeiros povos que aqui vieram eram homens e mulheres humildes e tementes a Deus. Bradford registra que o primeiro ato deles, ao chegarem aqui, em solo americano, foi ajoelharem-se em humilde oração e abençoarem o Deus do céu. ¶
A força motriz em seus corações, parece-me, era o amor por ideais e princípios básicos, que lhes eram mais caros do que a própria vida. Entre eles estavam o amor a Deus, a fé em seus propósitos divinos, o amor à liberdade, à laboriosidade, à economia, ao decoro e à honra. ¶
Sim, esta nação teve seu início de maneira elevada. As normas de conduta estabelecidas pelos primeiros colonizadores e por nossos pais fundadores foram tiradas das escrituras. Elas se incorporavam ao Decálogo e ao evangelho. O sábado era reservado como dia sagrado. A profanidade e outros vícios eram condenados, e o jogo de azar era proibido. As pessoas eram encorajadas a manter boas companhias e a não repetir queixas. Eles davam ênfase às virtudes espirituais. ¶
Washington apenas ecoou o sentimento geral dos primeiros colonizadores ao reconhecer a direção de Deus e enfatizar a importância da espiritualidade, da honra e da coragem moral. Ele disse: ¶
Não se pode encontrar povo algum que reconheça e adore a Mão Invisível que conduz os negócios dos homens mais do que o povo dos Estados Unidos. Cada passo pelo qual eles avançaram até o caráter de nação independente parece ter sido assinalado por algum sinal de providência divina. ¶
Quanto ao lugar da religião e da moralidade, o Pai de nossa pátria declarou: ¶
De todas as disposições e hábitos que conduzem à prosperidade política, a religião e a moralidade são apoios indispensáveis. . . . ¶
A razão e a experiência ambas nos proíbem esperar que a moralidade nacional possa prevalecer com a exclusão do princípio religioso. ¶
Seus sucessores falaram em tom semelhante. ¶
Lincoln enfatizou o mesmo pensamento ao reconhecer que "Deus governa este mundo", e que "é dever das nações, assim como dos homens, reconhecer sua dependência do poder supremo de Deus, confessar seus pecados e transgressões em humilde pesar. . . .", e então, citando as escrituras: "e reconhecer a sublime verdade de que somente são abençoadas aquelas nações cujo Deus é o Senhor." Sim, meus irmãos e irmãs, eles falaram de verdades evidentes por si mesmas — direitos inalienáveis. ¶
Quando o Profeta Joseph surgiu em cena para abrir uma nova dispensação do evangelho, ele lançou ainda mais luz sobre o estabelecimento desta grande nação e sobre o surgimento da Constituição, a qual ele declarou ser um padrão glorioso, fundado na sabedoria de Deus. Por meio de revelação, o Senhor lhe disse, como foi citado ontem pelo Irmão Moyle: Portanto, não é certo que homem algum seja escravo de outro. ¶
E com esse propósito estabeleci a Constituição deste país, pelas mãos de homens prudentes que levantei para esse propósito; e redimi a terra pelo derramamento de sangue. (D. & C. 101:79-80.) Temos desfrutado do favor divino durante grande parte de nossa história, mas o que será do futuro? Parece-me, meus irmãos e irmãs, que as lições da história, muitas delas bem sóbrias, deveriam ser buscadas nesta hora de nossa grande conquista, porque sinto em meu próprio coração que, na hora de nosso sucesso, está o nosso maior perigo. Sinto firmemente que mesmo na hora de grande prosperidade, uma nação pode semear as sementes de sua própria destruição. Isso pode acontecer mesmo durante um período de grande renda, emprego relativamente pleno e alta atividade comercial. A história revela que raramente uma grande civilização é conquistada de fora antes de ter se enfraquecido ou destruído a si mesma por dentro. ¶
Li recentemente o terceiro volume daquela obra monumental de Will Durant, A História da Civilização. Este volume, intitulado César e Cristo, abrange a ascensão e a queda do Império Romano e o surgimento do cristianismo. Cobre um período de 1.125 anos, de 800 a.C. a 325 d.C. Ao final deste volume de seiscentas páginas, o autor escreve um epílogo sob o título "Por Que Roma Caiu". É geralmente aceito que, não raro, a história se repete. O autor enumera as causas principais pelas quais essa grande civilização se desfez. Pergunto-me se há algo no que ele diz que devamos observar hoje. Ao ler este volume, fui levado a refletir sobre a semelhança das condições e práticas de então e de agora. Permiti-me dar-vos brevemente o seu resumo: ¶
O primeiro grupo de causas ele chamou de biológicas, e sem dúvida as mais fundamentais. Diziam respeito à limitação das famílias, ao adiamento e à evitação do casamento, à recusa de homens e mulheres em assumir as grandes responsabilidades, ordenadas por Deus, de uma paternidade honrosa. Ele mencionou que os excessos sexuais eram praticados comumente, tanto dentro quanto fora do convênio do casamento. A prática da contracepção e do aborto era comum. Isso, junto com outras coisas, resultou em fertilidade reduzida. O sexo campeou solto, e resultou decadência moral. ¶
Ele mencionou, como outra causa da decadência de Roma, o desperdício de recursos naturais na mineração, o desmatamento, a erosão; a negligência dos canais de irrigação, mas, o mais importante de tudo, a negligência de homens atormentados e desanimados, o fracasso em ensinar os elevados princípios morais tão necessários para a formação do verdadeiro caráter. ¶
Em seguida, ele enumera, com grande ênfase, os custos crescentes do governo por causa dos exércitos, dos auxílios públicos, das obras públicas, da burocracia em expansão, de uma corte parasitária, da depreciação da moeda, da absorção do capital de investimento pela tributação confiscatória. ¶
Há algo sugestivo neste resumo? ¶
Permiti-me dar-vos as seguintes cifras sobre este último agrupamento em particular, tiradas do que parecem ser fontes confiáveis. ¶
Segundo estimativas projetadas, nosso governo federal gastará, durante os próximos anos fiscais, 1952-53, mais do que toda a renda de todas as pessoas a oeste do rio Mississippi — 22 estados. ¶
A folha de pagamento federal em 1952 ultrapassará 22 bilhões — 4 bilhões acima do ano passado e 16 vezes o total de 1929. Quase um em cada quatro adultos americanos recebe regularmente cheques do governo federal. No ritmo atual, até 1953 o governo estará gastando aproximadamente 38% da renda nacional. Apenas em três dos últimos vinte anos nosso orçamento federal esteve equilibrado. É necessário hoje aproximadamente 2½ milhões de civis para compor a burocracia federal. ¶
Quanto à depreciação da moeda, relata-se que o dólar atual vale apenas 38 centavos em comparação com o dólar de 1913, e que o dólar de hoje comprará apenas cerca de metade do que comprava em 1935-39. ¶
Quanto aos impostos, o governo federal arrecadou em impostos, durante todas as administrações passadas até seis anos atrás — 156 anos —, 248 bilhões de dólares. Nos últimos seis anos, arrecadamos em impostos 260 bilhões, e ainda assim parece que não temos o suficiente para pagar nossas contas correntes. Com uma dívida de mais de um quarto de trilhão de dólares, o pagamento anual de juros é de mais de 6 bilhões de dólares, mais do que todas as despesas do governo em 1933. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, este autor enumera outras causas. As causas políticas, diz ele, estavam enraizadas em um fato: que, por meio do controle centralizado e do despotismo crescente do Estado, o senso cívico dos cidadãos foi destruído e ressecado, destruindo assim o estadismo em sua própria fonte. Os homens sentiram-se impotentes para se expressar e perderam o interesse pelo governo. No entanto, presumo que Roma não teve igual na arte de governar. ¶
Ela alcançou uma democracia de homens livres, e depois a destruiu com corrupção e violência. ¶
Convosco, amo esta grande terra em que vivemos. Oro pelo chefe do executivo e por seu gabinete, e pelos poderes legislativo e judiciário, pelos oficiais de nossos estados e de nossas cidades. Mas às vezes me pergunto, meus irmãos e irmãs, o que fariam e diriam nossos pais fundadores, nossos pais pioneiros, se estivessem aqui hoje. Estou certo de que refletiriam seriamente sobre as condições atuais. Pergunto-me se eles não reconheceriam que nossas liberdades já foram cerceadas, que tem havido uma tendência excessiva de recorrermos ao nosso governo federal cada vez que sentimos necessidade de realizar algum objetivo em particular. Pergunto-me se não temos tido a tendência de pedir ajuda para coisas que nossos antepassados teriam feito de bom grado por si mesmos. Sim, presumo que, como povo, somos nós os culpados, mas sinto que, se eles estivessem aqui hoje, aplicariam alguns testes bem definidos antes de aprovar qualquer novo serviço ou programa. ¶
Permiti-me mencionar apenas três: ¶
Primeiro, penso que perguntariam: Pode este serviço, presumindo que seja necessário, ser feito de maneira mais eficiente, mais eficaz, por nosso governo federal, ou deveríamos realizá-lo nós mesmos em nível local? Eles acreditavam que o melhor governo é o que menos governa. O governo parece ser inerentemente perdulário e ineficiente. É possível que isso se deva ao fato de que o motivo do lucro e a competição — a própria vida da iniciativa privada — estão em grande parte ausentes. ¶
Segundo: Como isso afetará o ânimo e o caráter do povo? ¶
Isto me parece de grande importância. Eles se interessavam pela formação do caráter. Reconheciam que o caráter, não a riqueza, o poder ou a posição, é de importância primordial. ¶
Terceiro, talvez perguntassem: Como isso afetará nossas instituições livres — a igreja, a escola, o lar e nossa forma local de governo? ¶
Creio que, se estivessem aqui, buscariam respostas para o declínio da moral pública. Ao procurarem essas respostas com afinco, provavelmente observariam evidências de liderança fraca e vacilante em muitos lugares, não confinada a um único grupo ou partido. ¶
Encontrariam uma tendência de homens em posições elevadas colocarem a conveniência política à frente do princípio. Preocupar-se-iam com o crescimento alarmante de uma filosofia de algo por nada, com o fracasso das pessoas em se sustentarem por conta própria. Provavelmente encontrariam maus exemplos de políticos inescrupulosos e de pais negligentes, e possivelmente um enfraquecimento da instrução religiosa, e a substituição desta por um materialismo destruidor da fé. ¶
Penso, meus irmãos e irmãs, que, como Santos dos Últimos Dias e como cidadãos americanos, precisamos despertar para os problemas que nos confrontam como uma grande nação cristã. Precisamos reconhecer que esses princípios fundamentais e básicos, morais e espirituais, estão na própria base de nossas conquistas no passado. Se quisermos continuar a desfrutar de nossas bênçãos presentes, precisamos retornar a esses princípios básicos e fundamentais. A economia e a moral são ambas partes de um único corpo de verdade inseparável, e devem estar em harmonia. Precisamos ajustar nossas ações e nossas políticas a esses princípios eternos. ¶
Pergunto-me se não nos esquecemos do conselho dos profetas, dos pais fundadores e de nossos grandes estadistas. Certamente precisamos de um retorno nacional a esses fundamentos. Precisamos de um arrependimento nacional para livrar esta terra da corrupção. ¶
Devemos retornar às virtudes fundamentais que fizeram grande esta nação. Há uma força no universo que nenhum mortal pode alterar. Esta nação tem, sim, um fundamento espiritual. ¶
Ela foi estabelecida em conformidade com grandes princípios espirituais e morais, mas parece haver uma tendência de perdermos o nosso senso de retidão e de fazermos deliberadamente aquilo que sabemos ser errado. Isso não pode ser feito impunemente. ¶
Que Deus nos ajude a erguer nossa mira além do símbolo do dólar, além das coisas materiais. ¶
Que tenhamos a coragem de nos levantarmos e sermos contados, de defendermos princípios, aqueles princípios e ideais que guiaram os pais fundadores no estabelecimento desta grande terra. Graças a Deus pelas promessas que foram feitas a respeito do futuro da América. ¶
Espero e oro para que percebamos o cumprimento dessas promessas, porque merecemos o seu cumprimento. Sou grato por o Senhor ter dito, por meio de seus profetas, que esta nação, para com os justos, será abençoada para sempre, e que ele será uma luz para eles para sempre, para os que ouvirem suas palavras. ¶
Que Deus nos ajude a não nos afastarmos mais dos princípios de fé e honra estabelecidos por aqueles nobres pais fundadores e pelos pioneiros que colonizaram estes vales. Precisamos desta fé, precisamos de uma aderência estreita a esses princípios básicos. É minha convicção, meus irmãos e irmãs, que esta nação, ou nenhuma outra nação, será salva materialmente, a menos que de algum modo seja fortalecida, redimida e regenerada espiritualmente. Que Deus nos abençoe nessa redenção, para que possamos avançar e viver os princípios que têm sido tão básicos e tão fundamentais para trazer esta grande nação à sua posição atual no mundo. Isso peço humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶