Sois o Templo de Deus
Joseph F. Merrill
Irmãos, irmãs e ouvintes de rádio: durante os poucos minutos que me foram concedidos, proponho-me falar sobre alguns assuntos que considero suficientemente importantes para justificar que vos peça atenção a eles. Não são novos, mas são atuais e dizem respeito vitalmente à nossa vida diária. Têm sido muito discutidos, mas necessitam de mais atenção do que a que muitos de nós lhes têm dado até agora. Dizem respeito tanto ao nosso bem-estar material quanto ao espiritual. Dirigem-se ao nosso próprio povo da Igreja, mas convidamos todos os demais a considerá-los. ¶
O Apóstolo Paulo escreveu, como sabeis, estas palavras: ¶
Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? ¶
Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. (1 Coríntios 3:16-17.) ¶
A Palavra de Sabedoria
Como meio de preservar nossos corpos de certos tipos de profanação (destruição), o Senhor deu à Igreja, logo em seu início, e à família humana em geral, uma revelação que devidamente tem sido chamada de lei da saúde, mais conhecida entre nós como a Palavra de Sabedoria, publicada como a seção oitenta e nove do livro de Doutrina e Convênios. Há anos, estive presente em uma reunião em que um proeminente médico não mórmon se referiu à Palavra de Sabedoria como a Lei da Saúde do Senhor, e disse que, tanto quanto sabia, era a melhor declaração breve, em língua inglesa, das condições que devem ser observadas para que a boa saúde se mantenha. Esta é uma verdade relacionada não apenas ao mundo material, mas também ao âmbito espiritual, como se tem dito várias vezes nesta conferência, citando Joseph Smith na Doutrina e Convênios. Não recebemos bênção alguma de Deus, exceto obedecendo à lei sobre a qual a bênção se baseia. Repito: a boa saúde só se mantém se obedecermos às leis da saúde. ¶
Na revelação a que me referi, o Senhor disse que o licor e o tabaco não são bons para o homem — verdades que desde então têm sido amplamente confirmadas pelas observações e pelo trabalho de pesquisa de investigadores altamente qualificados. No entanto, na revelação o Senhor não deu razões; não era necessário fazê-lo. Algumas delas já eram conhecidas. O Senhor sabia que outras seriam descobertas por seus filhos inquiridores. ¶
Resumamos algumas das declarações autorizadas relativas aos efeitos do licor e do tabaco. Quanto ao tabaco, ele contém nicotina, um dos venenos mais mortais conhecidos pelo farmacêutico. Ele afeta prejudicialmente o coração, o cérebro e as faculdades mentais, o sistema nervoso, os rins e os órgãos de eliminação, o sistema muscular, etc., debilitando assim o corpo, com o resultado de que este se torna menos resistente a vários tipos de doença. ¶
Fatos Sobre o Tabaco
O Dr. Irving Fisher, da Universidade de Yale, há muito conhecido como escritor sobre assuntos relativos à saúde humana, escreveu, entre outras coisas, no prefácio do livro do Dr. Frank L. Wood, What You Should Know about Tobacco, o seguinte: ¶
Tive oportunidades incomuns de me familiarizar com o problema do tabaco em seus múltiplos aspectos. Existem hoje evidências suficientes para mostrar que ninguém que fuma pode alcançar o melhor de que é capaz, seja em uma corrida a pé, uma luta de boxe, uma partida de golfe, um resultado de tiro ao alvo, na escrita, na fala, no canto, na atuação, ao tocar violino, piano ou datilografar, na obtenção de saúde, força, resistência, beleza, encanto, ou qualquer outra excelência sobre a qual homens e mulheres tenham posto o coração. É tempo de que aqueles ambiciosos em todas as demais áreas de trabalho também aprendam a verdade de que o tabaco prejudica, jamais ajuda. ¶
O uso do tabaco encurta a vida. Este fato foi demonstrado satisfatoriamente ao mundo científico pelo Dr. Raymond Pearl, da Universidade Johns Hopkins, que publicou, há quinze anos, um trabalho de pesquisa no qual mostrou que, em média, os fumantes inveterados morrem cerca de dez anos mais cedo do que os não fumantes, e os fumantes moderados, de três a cinco anos mais cedo. Todos sabem que os treinadores de atletismo universitário não permitem que seus rapazes fumem. Sim, o uso do tabaco é prejudicial ao homem. ¶
Efeitos do Álcool
Agora, quanto ao álcool: alguns dos fatos relativos aos efeitos prejudiciais do álcool consumido são brevemente declarados pela eminente autoridade Dr. Haven Emerson, da seguinte forma: ¶
Aprendemos que o álcool, tal como comumente usado hoje, causa mais doenças, incapacidade e morte do que qualquer outra causa de doença que esteja inteiramente ao alcance do indivíduo prevenir e evitar. ¶
As ciências médicas aprenderam e descobriram que o álcool não é um alimento, nem um estimulante, nem prejudicial apenas na embriaguez. Essa era a antiga crença. Supunha-se que o fígado, o estômago e o coração sofressem apenas com a embriaguez. Esses são os menores dos danos que o álcool causa. As mortes por alcoolismo são o menor dos males que o álcool causa. É a constante e severa interferência nas relações humanas, a perturbação da conduta das pessoas umas para com as outras, que constitui o maior dano que o álcool causa em nossa sociedade hoje. ¶
O álcool é uma droga narcótica depressora, não um estimulante. Isso não pode ser repetido demais. Os efeitos do álcool são quase inteiramente, senão totalmente, experimentados por seu dano tóxico ao sistema nervoso central, ao cérebro e à medula espinhal. É sobre esses tecidos que a ação do álcool se mostra mais marcadamente. A única coisa que distingue o homem do animal irracional é o seu poder de autodireção, autocontrole, julgamento, discrição. Essas são as primeiras qualidades do homem a serem destruídas pelo álcool, muito antes de haver qualquer interferência evidente nos músculos e nas funções motoras do corpo. ¶
O álcool não pode ser descrito como um alimento que forme parte alguma de uma dieta saudável. ¶
Recentemente, tem-se observado que os reflexos vitais do corpo são todos retardados de cinco a dez por cento por quantidades de álcool pequenas demais para serem socialmente perceptíveis, e em quantidades muito menores do que as que jamais poderiam ser registradas por lei ou pela polícia como indicativas de embriaguez. Em quantidades pequenas demais para serem percebidas, o álcool retarda os reflexos do corpo, dos quais somos dotados para nos protegermos da destruição — a ação reflexa nervosa do olho, do ouvido, dos músculos — dos quais dependemos neste mundo de velocidade, poder e convivência humana descontrolada. As evidências mostram que não há forma de atividade humana até agora testada que não demonstre inferioridade de desempenho como sequela invariável da absorção de álcool em quantidades menores do que seriam reconhecidas como de significância tóxica. ¶
Talvez o mais importante de tudo seja a afirmação categórica de que, até agora, não se encontrou nenhuma evidência de melhora na saúde humana resultante do uso do álcool no ser humano normal. ¶
O álcool, tal como usado, causa muitas vezes mais mortes do que as doenças infecciosas. ¶
Causa de Acidentes Rodoviários
Assim escreve o Dr. Haven Emerson, autoridade de renome mundial sobre os efeitos do álcool no corpo humano. Observações e experimentos científicos comprovam de modo absoluto que o álcool, em quantidades tão pequenas quanto apenas "um drinque ou dois", causa um retardamento dos reflexos do corpo suficiente para resultar em muitos acidentes rodoviários. Mas o motorista geralmente acredita que essa pequena quantidade o torna mais alerta — um motorista mais seguro depois do drinque do que antes. Mas não é o caso, como sabe todo policial de trânsito. O álcool é um enganador; ele mente ao motorista. ¶
Em vez de torná-lo mais alerta, ele o torna, na realidade, menos alerta e menos seguro ao dirigir. De acordo com as estimativas do National Safety Council e de outros qualificados para fornecer estimativas, de vinte e cinco a quarenta por cento de todos os acidentes rodoviários são causados por motoristas que beberam — a maioria dos quais, segundo dizem, havia tomado apenas "um drinque ou dois". Tal motorista é muito mais perigoso do que aquele que sabe que está bêbado. ¶
Esta questão dos acidentes de trânsito nos Estados Unidos é muito importante. Diz-se que eles resultaram, no ano passado, em trinta e seis mil mortes — mais mortes do que sofremos, no mesmo período, na guerra da Coreia. ¶
Efeitos Sociais e Espirituais
Até aqui falei apenas dos efeitos do álcool sobre o corpo de quem bebe, mas há efeitos sociais e espirituais de importância muito maior que resultam de sua bebida. ¶
Talvez não seja tão importante o que quem bebe faz a si mesmo — por maior que isso seja — quanto o que faz aos outros — como sua bebida afeta os demais. Na conferência da American Association of Industrial Physicians and Surgeons, em abril passado, disse o diretor médico de uma grande siderúrgica que as ressacas custam às fábricas um bilhão de horas de trabalho por ano, uma perda tremenda em bens e salários, afetando assim muito mais pessoas do que os próprios bebedores. ¶
Mensagem da Primeira Presidência
Em uma sessão da conferência de outubro da Igreja, em 1942, o Presidente Clark apresentou uma oportuna mensagem da Primeira Presidência, na qual estava escrito o seguinte: ¶
Sobre a terra, e parece que particularmente na América, o demônio da bebida está no controle. Embriagados de bebida forte, os homens perderam a razão; seu discernimento foi destruído; seu juízo e sua visão fugiram; cambaleiam rumo à destruição. ¶
A bebida traz crueldade ao lar; caminha de braços dados com a pobreza; suas companheiras são a doença e a peste; põe a castidade em fuga; não conhece nem honra nem lisura; é totalmente estranha à verdade; afoga a consciência; é a guarda-costas do mal; amaldiçoa a todos que a tocam. ¶
A bebida trouxe mais aflição e miséria, partiu mais corações, arruinou mais lares, cometeu mais crimes, encheu mais caixões, do que todas as guerras que o mundo já sofreu. ¶
À luz destas declarações factuais, expostas com tanta força e eloquência pelo Presidente Clark, como é que qualquer membro são da Igreja, crendo no chamado divino de Joseph Smith, ousaria entregar-se à bebida? Não conhece ele o pecado e o perigo dessa indulgência? ¶
Este ato não apenas o prejudica pessoalmente, profanando assim seu corpo, mas o torna um perigo para sua família, para seus semelhantes, para a sociedade, e um ofensor de Deus. ¶
O Perigo de Beber Moderadamente
Mas há muitas pessoas que protestam que beber com moderação não é prejudicial. Não demonstrei eu que o mais perigoso matador em potencial na rodovia é o motorista que tomou apenas "um drinque ou dois"? Não é pelo exemplo que exercemos nossa influência mais poderosa? É provável que beber um único copo influencie os outros a beber muito mais fortemente do que beber uma garrafa inteira. Sim, o exemplo de participar de um coquetel, de beber em um grupo festivo, de tomar um copo com um amigo — qualquer um desses é passível de ser tomado, pelo incauto, como uma licença para se entregar à bebida. ¶
Há um grave perigo no álcool do qual o iniciante pode não estar consciente — o perigo de se tornar um alcoólatra — de se tornar alguém que bebe em excesso, incapaz de controlar sua bebida. A Sra. Marty Mann, uma alcoólatra recuperada, diretora executiva do National Committee for Education on Alcoholism, disse, há alguns anos, em uma transmissão nacional de rádio, que os anos de seu alcoolismo crônico agudo foram os anos mais dolorosos de sua vida. "Eu sofria constantemente", disse ela, "não apenas um tipo de dor, mas todo tipo de dor. Sofri física, mental, emocional, financeira e socialmente — em todos os departamentos de minha vida. Digo-vos, honestamente, e em nome daqueles três milhões de seres humanos (alcoólatras), que o alcoolismo é a doença mais dolorosa conhecida pelo homem." ¶
Um estudo cuidadoso mostra que cerca de uma em cada dezesseis pessoas que toma seu primeiro copo se torna alcoólatra. Mas se este será ou não o seu destino não pode ser determinado com antecedência, por estranho que pareça. ¶
Portanto, a segurança exige a recusa de tomar o primeiro drinque. ¶
Mas nem sempre é fácil dizer: "Eu não bebo." A curiosidade natural de saber que gosto tem a bebida, o convite de companheiros agradáveis, o medo de ser visto como covarde ou de parecer exagerado, ou de estragar o clima de um grupo animado, a lembrança de propagandas atraentes vistas ou lidas — uma ou mais dessas e outras tentações devem ser afastadas por uma recusa. Mas o fato de que é "mais sensato não beber" é uma verdade que dará a coragem necessária a todo aquele que está acostumado a orar e a respeitar-se a si mesmo. O Senhor ajuda aquele que dignamente procura ajudar a si mesmo. ¶
O Problema da Bebida
O problema da bebida, visto à luz dos interesses nacionais, é um dos mais difíceis e perigosos que este país enfrenta. O costume de beber prevalece em todas as camadas da sociedade americana, entre ricos e pobres, velhos e jovens, instruídos e ignorantes, fortes e fracos, autoridades civis e militares. A bebida é responsável, pelo menos em parte, por muitas de nossas atuais dificuldades. ¶
O consumo per capita no Distrito de Colúmbia é, de longe, o mais alto do país — 5,37 galões em 1950, em comparação com 1,24 galões para todos os Estados Unidos, mais de quatro vezes maior em Washington do que a média. O consumo em Utah foi de 0,74 galões, quatorze por cento do de Washington. ¶
Terá esse grande consumo em Washington algum significado? Relatou-se que, nas conferências com Stálin em Teerã e Ialta, durante a guerra, havia abundância de licor. Terá a presença do licor tido alguma influência nos acordos prejudiciais (prejudiciais para nós) que ali se firmaram? ¶
O crime, em suas muitas variedades, é comum nos Estados Unidos, e os registros mostram que quase todos os criminosos usam licor e tabaco. ¶
E, como sabeis, muitos crimes são cometidos porque o autor está sob a influência do licor. Como também sabeis, muitos incêndios destrutivos, causando a perda de muitas vidas e enormes perdas materiais, são devidos ao descuido de fumantes. ¶
Os Males da Indulgência
A indulgência em bebidas alcoólicas e tabaco não é apenas prejudicial ao corpo, à mente e ao espírito — sendo, portanto, danosa ao consumidor e grandemente à sociedade — mas é também muito dispendiosa, estimada em cerca de quinze bilhões de dólares anuais nos Estados Unidos — mais do que se gasta com educação, bibliotecas e caridade. O quadro é, de fato, sombrio. Por que será, como será, que seres humanos inteligentes e sensatos persistem em consumir licor e tabaco, à luz dos muitos males, alguns terríveis, resultantes desse consumo? Será que não estão bem informados desses efeitos? Isso provavelmente é verdade em muitos casos, especialmente entre a juventude. Por isso, a educação é um dos meios que deveriam ser empregados intensamente entre todas as pessoas mal informadas. São tantos e tão grandes os males da indulgência que todos os meios viáveis deveriam ser empregados para eliminá-los. Certamente todas as escolas deveriam participar desse movimento. ¶
Mas, à medida que esse movimento se intensifica, também se intensificarão os movimentos contrários, podemos estar certos; "homens conspiradores" intensificarão seus "males e desígnios". Satanás, o diabo, não está adormecido. ¶
Mas vós, Santos dos Últimos Dias — membros desta Igreja —, crendo e sabendo que Deus falou em tempos modernos sobre o assunto do licor e do tabaco, não vos despertareis, não vos convertereis e não vos absterdes da indulgência no uso destas coisas? Nada menos se espera de vós, tanto pela Igreja quanto pelos não membros que conhecem nossos ensinamentos a esse respeito. Sede sábios, não insensatos. ¶
Que o Senhor nos ajude a todos a sermos sinceramente obedientes à sua vontade, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶