Testemunhas de Deus em Todos os Momentos e Lugares
Harold B. Lee
Oro sinceramente pelo apoio de vossa fé e vossas orações pelos poucos momentos em que estarei diante de vós nesta manhã. ¶
A Mão da Morte
Ao nos sentarmos nesta manhã com a presente lembrança da mão da morte, todos nós movidos por um impulso comum de sentimento para com nosso grande líder, recordei-me de um comentário feito ao Élder Lorenzo H. Hatch e a mim, enquanto esperávamos em Las Vegas, Nevada, há algumas semanas, por um trem atrasado. Aconteceu de estarmos conversando com um vendedor de seguros de vida tido como um dos vendedores mais notáveis dos Estados Unidos. Ele expressou um sentimento que me intrigou, e quero repeti-lo a vós por causa da impressão que causou em mim. Ele disse: "Se algum dia quiseres despertar um homem à ação, deves trazer o carro fúnebre para perto e deixá-lo sentir o cheiro das flores preparadas para seu próprio funeral." ¶
À primeira vista isso pareceu uma perspectiva terrivelmente macabra, mas quanto mais eu pensava nisso, mais me parecia que, afinal, era apenas uma maneira crua de expressar uma grande verdade eterna que os profetas têm proclamado a nós desde o princípio. Em toda a escritura recebemos o conselho de que tudo o que fizermos, devemos fazer tendo o olho voltado unicamente para a glória de Deus, glória essa que o Senhor declarou a Moisés ser trazer à existência a imortalidade e a vida eterna — essa mesma lembrança de que a morte se aproxima mais a cada dia que vivemos. Foi esse mesmo pensamento expresso pelo Apóstolo Paulo quando disse: ¶
Se só nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens. ¶
. . . Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados. ¶
(1 Cor. 15:19-22.) ¶
O Tempo de Preparar-se
Foi também o testemunho do grande profeta Amuleque, no qual ele declarou: Pois eis que esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para o encontro com Deus; . . . ¶
[e] executarem os seus labores. ¶
. . . porque depois deste dia de vida que nos é dado a fim de nos prepararmos para a eternidade, eis que, se não fizermos melhor uso de nosso tempo nesta vida, virá a noite tenebrosa, durante a qual nenhum labor poderá ser executado. ¶
Pois eis que, se deixastes o dia do arrependimento para o dia da vossa morte, eis que vos tendes submetido ao espírito do diabo e ele vos sela como seus; portanto, o Espírito do Senhor se apartou de vós e não tem lugar em vós; e o diabo tem sobre vós todo o poder e este é o estado final dos iníquos. (Alma 34:32-33, 35.) Foi essa mesma lembrança que o Anjo Morôni deu ao Profeta Joseph, que ele registra naquela famosa carta a Wentworth, quando citou o Anjo Morôni dizendo que . . . o trabalho preparatório para a segunda vinda do Messias em breve começaria; que o tempo estava próximo para que o evangelho, em toda a sua plenitude, fosse pregado com poder a todas as nações, para que um povo pudesse ser preparado para o reino Milenar. (D. H. C. IV:537.) ¶
O Evangelho a Ser Pregado
Nessa preparação, o Senhor definiu certas grandes responsabilidades para sua Igreja. Ele disse que, como um dos sinais de sua vinda, o evangelho do reino seria pregado a todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então viria o fim, ou a destruição dos iníquos. (Ver Mateus 24:14.) Esse testemunho, entendemos, deveria ser um testemunho da missão do Messias. Deveria ser um testemunho da divindade de sua missão. ¶
Deveria ser um testemunho de que o evangelho de Jesus Cristo havia sido restaurado em toda a sua plenitude, nesta a Dispensação da Plenitude dos Tempos. ¶
Uma Luz para o Mundo
Mas havia algo mais que devíamos testificar, algo também mencionado nas revelações. Alma falou disso a seu povo, que estava prestes a ser batizado. Como parte do convênio que estavam prestes a fazer, ele disse que deveriam servir de testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares em que se encontrassem, mesmo até a morte. (Mosias 18:9.) Em uma das primeiras revelações dadas nesta dispensação, o Senhor disse: E assim também mandei ao mundo meu eterno convênio, para ser uma luz para o mundo, para ser um modelo para meu povo e para que os gentios o procurem. (D&C 45:9.) Ele novamente nos advertiu, no dia em que deu o nome pelo qual a Igreja deveria ser chamada. Depois de nos dar o nome, . . . assim será a minha igreja chamada nos últimos dias, sim, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Em verdade eu digo a vós todos: Erguei-vos e brilhai, para que vossa luz seja um estandarte para as nações. (Idem, 115:4-5.) Ao pensar nessas escrituras, lembrei-me de uma declaração feita por um dirigente da United States Steel Corporation, depois que passei uma ou duas horas com ele e com seus colegas dirigentes lá na Welfare Square. Ele me disse: "Isto é uma demonstração prática do evangelho de Jesus Cristo, ao dar auxílio aos necessitados e aos menos afortunados." ¶
Testemunhas Diante do Mundo
Esse foi um novo conceito para mim, o de que, no programa de bem-estar, estávamos diante do mundo como testemunhas da maneira divina pela qual a obra do Senhor deveria ser feita. ¶
Assim, testemunhamos, em nosso trabalho missionário, o magnífico espetáculo de rapazes e moças, em sua maioria, indo a todos os confins da terra, para que, por seus serviços altruístas, se apresentem como testemunhas em todos os momentos e em todos os lugares da responsabilidade divina que recai sobre a Igreja de ensinar o evangelho. ¶
Assim, ao fazer sacrifícios, ao pagar nossos dízimos, ao jejuar e pagar nossas ofertas de jejum, ao arrecadar dinheiro para pagar por capelas e templos, novamente estamos testemunhando que a lei do sacrifício é exigida de todos os verdadeiros Santos, se quisermos reivindicar parentesco com aquele que deu sua vida para que os homens pudessem existir. ¶
Em nossa conduta social, em nossos bailes, em nossas diversões, jamais devemos esquecer que, nessa diversão, também estamos testemunhando que somos suas testemunhas especiais da divindade das organizações que patrocinam nossas atividades. ¶
Assim, todo rapaz no serviço militar, e toda moça em sua conduta social, todo homem de negócios em seus tratos com o próximo, é uma testemunha de se esta obra em que ele crê é ou não divina. A Igreja se ergue ou cai conforme a maré desses testemunhos pessoais. ¶
Há algumas semanas, eu estava sentado em uma reunião de jejum na Ala South Eighteenth (Salt Lake City) e ouvi uma encantadora moça, com pouco mais de vinte anos, levantar-se para dar seu testemunho. Foi um testemunho emocionante de uma linda moça Santo dos Últimos Dias. Ela contou, em seu testemunho, sobre uma manhã na fazenda, em um pequeno distrito rural, em que, às quatro horas da manhã, saiu com seu pai para tirar leite das vacas. E, quando o pai e ela iam em direção ao celeiro, seu pai a tomou pela mão e disse: "Minha filha, tu és o produto desta Igreja de Jesus Cristo, e és também o produto de um verdadeiro lar Santo dos Últimos Dias. Se falhares, tanto quanto te diz respeito, a Igreja terá falhado e teu lar terá falhado." Aquela moça, desde então, percebeu que ela, como membro da Igreja de Jesus Cristo, era uma testemunha dela diante de todo o mundo, seja para o bem ou para o mal. ¶
Oh, a majestade de José, vendido para o Egito, que envergonhou a bela, mas aparentemente desamada, esposa de Potifar, quando ela quis tentá-lo a um pecado grave, e ele disse: "Meu senhor confia em mim, e tu és sua mulher. Como poderia eu fazer este tamanho mal e pecar contra Deus?" (Ver Gênesis 39:8.) Ele também sentiu sua grande responsabilidade em ser uma verdadeira testemunha das verdades divinas que professava crer. ¶
Em uma das revelações o Senhor disse algo mais que, para mim, tem significado aqui. Ele disse: Pois Sião deve crescer em beleza e em santidade; suas fronteiras devem ser expandidas; suas estacas devem ser fortalecidas; sim, em verdade vos digo: Sião deve erguer-se e vestir suas formosas vestes. (D&C 82:14.) ¶
Missionária Japonesa
Ouvi uma encantadora missionária japonesa, em Kamuela, na ilha do Havaí, há alguns anos, fazer o que considero ter sido uma aplicação pessoal desse princípio, no que dizia respeito a seu lar. Havia poucos missionários naquela época, a guerra ainda não havia terminado, e essa jovem e sua companheira eram duas das únicas quatro missionárias naquela ilha. Tínhamos na plateia oitenta e cinco fuzileiros navais dos Estados Unidos, todos Santos dos Últimos Dias, que ali estavam sendo treinados, supostamente, para uma invasão ao Japão, a terra natal dessas duas encantadoras missionárias. Nossa irmã missionária foi chamada a falar diante daquela plateia. Tremendo, ela se levantou ao púlpito, e foi isto o que disse: "Quando meu pai veio até mim e me disse que queriam que eu fosse em missão, eu disse a ele: 'Não, Pai, não posso ir em missão.' " Ele insistiu para saber por quê, e ela disse: "Oh, simplesmente não posso." Mas ele insistiu ainda mais, e então ela disse: "Não posso ir porque, se eu for para o campo missionário, esperar-se-á que eu pregue certos princípios do evangelho, princípios que meu próprio pai e minha própria família não estão vivendo." ¶
O pai perguntou: "O que estamos deixando de fazer que terias que pregar?" ¶
"Bem," respondeu a filha, "esperar-se-á que eu ensine a lei do sacrifício. Vós nem mesmo pagais o vosso dízimo. Pedir-se-á que eu ensine sobre orações em família, e nós nunca temos orações em família. ¶
Esperar-se-á que eu ensine a Palavra de Sabedoria; usamos café e chá em nosso lar. Esperar-se-á que eu ensine a importância de prestar serviço na Igreja, e vós evitais esse serviço. ¶
Não, Pai, não posso sair e ser uma hipócrita." ¶
Creio que aquele pai passou uma noite sem dormir. "Na manhã seguinte," ¶
disse nossa irmã japonesa, "meu pai veio até mim e disse: 'Vai, minha filha, e teu pai tentará viver como sua filha pregará.' " ¶
Dois dias depois, encontrei-a em Honolulu, em uma conferência missionária, e ela havia acabado de voltar para casa pela primeira vez em quase dois anos. E, no decorrer da conferência, sussurrei-lhe: "Como encontraste as coisas em casa?" Ela sorriu, e havia lágrimas em seus olhos quando disse: "Está tudo bem. Meu pai está bem, e eu estou feliz." ¶
A juventude que enviamos de nosso meio raramente será mais forte do que os lares e o ambiente de onde provém. ¶
O desafio deste tempo, com o serviço militar de rapazes de dezoito anos, moças perturbadas em sua vida social, é zelar para que Sião cresça em santidade. Devemos crescer em beleza. Nossos lares, nossos quóruns, nossas alas e nossas estacas devem ser fortalecidos. Sião deve erguer-se e vestir suas mais formosas vestes. ¶
Conselho de Susannah Wesley
Há pouco tempo li um sábio conselho de uma encantadora mãe, Susannah Wesley, mãe de John Wesley, famoso nos círculos religiosos. Foi isto o que essa encantadora mãe disse a seu filho, o que era um critério pelo qual ele poderia julgar o certo e o errado, no prazer e, aliás, em todos os assuntos da vida. Estas foram suas palavras: ¶
Queres julgar a licitude ou ilicitude de um prazer? Então usa esta regra: Tudo o que enfraquecer tua razão, prejudicar a sensibilidade de tua consciência, obscurecer tua visão de Deus, tirar de ti tua sede das coisas espirituais, ou aumentar a autoridade de teu corpo sobre tua mente, isso é mau para ti. Por este teste podes detectar o mal, por mais sutil ou plausível que a tentação te seja apresentada. ¶
Oh, gostaria que todo jovem usasse essa regra e medisse tudo o que lhe é apresentado, para que pudesse escolher o certo. ¶
Que Deus conceda que possamos fortalecer Sião dentro de nós mesmos, para que possamos viver nobremente e nos preparar para nos apresentarmos com honra ao final de nossa vida aqui, diante daquele cujo nome trazemos como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, oro humildemente em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶