Pulpit

A Divindade de Jesus Cristo e as Bênçãos da Obediência

George Albert Smith

1950 October General Conference·Sunday Afternoon Session·1950-10-01

Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, LeGrand Richards, e, enquanto ele falava, eu estive pensando nesta grande assembleia. Referência tem sido feita repetidamente à obra missionária. Foi-nos dito que temos hoje quase seis mil missionários pelo mundo afora. É claro que estão sempre indo e vindo. Para uma igreja pequena como a nossa, com um pouco mais de um milhão de membros, aproximadamente seis mil missionários é um registro maravilhoso. Sentado aqui, olhando para os rostos dos homens e mulheres que conheço aqui, e vendo pessoas de todos os lugares, veio-me à mente perguntar: quantos de vós cumpristes uma missão de dois anos ou mais durante vossa vida? Levantai as mãos. Muito obrigado. Esta é uma Igreja missionária. Às vezes as pessoas podem pensar, pela maneira como falamos de finanças, que somos um banco, mas não somos. Pensai nos edifícios que há neste quarteirão, cada um deles construído há muitos anos. Este tabernáculo e o templo foram construídos na própria pobreza de nosso povo, quando eles tentavam fazer seus lares aqui nestes vales entre estas montanhas. Mas o Senhor disse: "Buscai primeiro" — não por último — ". . . buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33.)

Conforto e Bênçãos

Quando viajo, como já viajei, aproximadamente um milhão de milhas pelo mundo, em muitas nações e lugares do mundo, e volto para cá, não conheço nenhum lugar onde as pessoas tenham mais conforto e bênçãos do que aqui, neste mesmo local que, há 103 anos, era terra deserta, com apenas uma árvore crescendo neste vale. Meu avô veio com a primeira companhia de pioneiros. Eram 143 homens, três mulheres e duas crianças. Depois de estar aqui cinco ou seis anos, um de seus amigos não mórmons perguntou-lhe: "Presidente Smith, por que o senhor deixou Nauvoo e toda aquela boa terra lá em Nova York e no Missouri, e veio para esta terra abandonada por Deus?"

A resposta de meu avô foi: "Bem, viemos para cá voluntariamente, porque tivemos de vir."

Em outras palavras, o povo, cerca de vinte mil deles, quando foram expulsos de Illinois, tiveram sua escolha. Poderiam ter ficado ali e vivido com os assim chamados cristãos (quero enfatizar isso), ou poderiam partir e vir para cá viver com os índios. Essa era a escolha deles. Preferiram os índios.

Ora, isso não foi porque nosso povo não acreditasse no cristianismo.

Não conheço nenhum povo no mundo que creia tão firmemente na missão divina de Jesus Cristo quanto os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Lembro-me de que muitas pessoas me disseram: "Ora, vocês nem sequer acreditam em Jesus Cristo."

Eu disse: "Que há de errado convosco? Se não acreditamos em Jesus Cristo, por que chamamos a Igreja de Igreja de Jesus Cristo?"

"Ah, eu não sabia que a chamavam assim, pensei que se chamava Igreja Mórmon," responderam.

Missão Divina de Jesus Cristo

Lembro-me de que certa vez assisti a uma conferência no Canadá, e aconteceu que me referi, em meus comentários naquela noite, à nossa fé na missão divina de Jesus Cristo, que acreditávamos que o Senhor preparou o caminho para a vinda de Jesus de Nazaré; preparou Maria para ser sua mãe e José para servir de pai terreno. E então Herodes, numa tentativa de destruí-lo, expediu um decreto de que as crianças em Belém e nos arredores, de dois anos para baixo, fossem mortas, e ele se tornou um dos maiores carrascos de todos os tempos. José e Maria tomaram Jesus e partiram da terra em que nasceram e de seu lar, e desceram ao Egito. Voltaram mais tarde, quando aquele rei perverso morreu, e o menino cresceu em Nazaré e em outros lugares daquela região. Quando tinha doze anos, foi com seus pais ao templo. Estavam ali para realizar cerimônias no templo, como era costume entre aquele bom povo hebreu naqueles dias.

Quando José e Maria partiram de volta para casa, sentiram falta do menino. Voltaram a Jerusalém e o encontraram discutindo com os doutores no templo. Quando foi repreendido por seus pais por lhes causar tal ansiedade, sua resposta foi: ". . . não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?" (Lucas 2:49.) Lembrai-vos de que ele tinha apenas doze anos.

Quando Jesus se tornou homem, foi ao rio Jordão, onde João batizava "porque havia ali muitas águas," e ele precisava de mais do que uma xícara ou uma bacia cheia — Jesus de Nazaré, que viria a ser o Salvador do mundo, foi a João e pediu para ser batizado, e João, reconhecendo-o como um caráter fora do comum, disse: ". . . Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?

"Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora,

porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu." (Mateus 3:14-15.) E Jesus de Nazaré desceu à água e foi batizado por João, e, quando saiu da água, o Espírito Santo veio e desceu sobre ele em forma de pomba.

E uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." (Ibid., 3:17.) Poderia haver algo mais definitivo do que isso? Nossa maravilhosa Bíblia contém toda essa informação, e muito mais, é claro. Quando as pessoas dizem ou pensam que não acreditamos na missão divina de Jesus Cristo, que saibam que acreditamos em tudo o que a Bíblia ensina a respeito dele. Cremos na história de como ele organizou seu povo e o ensinou, e como, por fim, por insistência do próprio povo dele, foi crucificado pelos representantes do governo romano; não por nenhum mal que houvesse feito, mas por ser bom demais para viver entre aquele povo.

A Ressurreição

Cremos em tudo isso. Mas aquele não foi o fim. A Bíblia nos diz que ele foi descido da cruz onde havia sido crucificado e colocado no túmulo de José de Arimateia. Depois de três dias, quando as mulheres foram ao túmulo com especiarias e outras coisas para preparar seu corpo para o sepultamento, como era costume, encontraram o túmulo vazio. Começaram a olhar ao redor. Maria estava de pé perto do sepulcro, chorando, quando viu alguém que pensou ser o jardineiro. Ela perguntou onde estava Jesus, e ele disse: "Maria," e ela reconheceu sua voz. Suponho que Maria o teria abraçado, mas ele disse: "Não me toques; porque ainda não subi para meu Pai" (João 20:17) — isso foi três dias depois de sua crucificação — mas para ir e dizer a seus irmãos, e deu-lhe outras instruções.

Não muito depois disso, seus discípulos estavam reunidos numa sala; por causa do temor de seus inimigos, a porta estava fechada. De repente, ele se materializou naquela sala — não precisou esperar que uma porta ou janela se abrisse. Tomé, que não estivera presente na ocasião da aparição anterior de Jesus, fora informado pelos discípulos. Percebendo que havia certa dúvida na mente de Tomé, Jesus disse: ". . . Chega aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado."

{Ibid.. 20:27.) E quando Tomé o fez, ele exclamou: "Senhor meu, e Deus meu." (Ibid., 20:28.) Ele identificou o corpo como o mesmo que vira na cruz. E então o Salvador disse: "Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram, e creram." (Ibid., 20:29.) Mas aquele não foi o fim. Ele disse a seus discípulos: "Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém conduzir estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor." (Ibid., 10:16.)

Visita às Outras Ovelhas

Que quis ele dizer? Não sabemos pela Bíblia, mas há outro registro glorioso, a história dos antepassados dos índios americanos, outra escritura, o Livro de Mórmon, e nessa escritura está registrado como ele cumpriu essa promessa de ir às suas outras ovelhas.

Por ocasião de sua crucificação, esta terra foi despedaçada, e as montanhas se tornaram vales, os vales se tornaram montanhas, e edifícios foram destruídos, e muitos dos que viviam naquela terra perderam a vida. Eles vinham esperando o tempo em que o Salvador viria, pois Samuel, o profeta lamanita, lhes falara disso e de tudo o que aconteceria. Estavam reunidos ao redor do templo; e de repente ouviram uma voz, mas não a compreenderam. E ouviram-na uma segunda vez; e ainda não conseguiam dizer de onde vinha. E então a ouviram pela terceira vez, e desta vez a compreenderam, e, olhando para cima, viram os céus se abrirem, e um Ser glorificado desceu e ficou de pé entre eles. Se houvesse alguma dúvida em suas mentes quanto a quem era, ele a dissipou, pois disse: "Eis que eu sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi testificada pelos profetas." (III Néfi 11:10.) Irmãos e irmãs, temos toda a informação que nossos irmãos e irmãs cristãos têm a respeito da vida do Salvador na Bíblia, e, além disso, temos a história de sua vinda ao povo deste hemisfério ocidental, conforme registrado no Livro de Mórmon. E quando veio entre eles, falou-lhes como falara aos do velho mundo. Quando estava pronto para deixá-los, ele os abençoou, curou seus doentes e tomou suas crianças em seus braços e chorou sobre elas. E, depois de estar com eles dois ou três dias, indo e vindo, viram-no ascender ao céu.

Experiências de Joseph Smith

Em 1820, Joseph Smith, o jovem profeta ainda com menos de quinze anos de idade, buscando saber a qual Igreja deveria filiar-se, por causa da confusão que havia em sua vizinhança — sua mãe insistia que ele pertencesse a uma igreja, e seu pai, a outra — foi ao bosque para orar.

Esse rapaz havia lido na Bíblia: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." (Tiago 1:5.) Ele foi ao bosque e pôs isso à prova. Ao ajoelhar-se ali, o adversário procurou dominá-lo, e ele foi atacado, mas subitamente uma luz brilhante apareceu. Dois Seres glorificados estavam de pé no ar, acima dele, no bosque perto de Palmyra, Nova York. Ele os viu, e eles lhe perguntaram o que ele desejava, e ele perguntou a qual de todas as igrejas deveria filiar-se. Um deles falou-lhe, apontando para o outro, e disse: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" (Pérola de Grande Valor, José Smith 2:17.) Quase a mesma linguagem que foi usada pelo Pai quando Jesus saiu das águas do batismo — "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo." (Mateus 3:17.) Assim, quando o jovem Joseph quis saber o que fazer, foi o próprio Salvador quem lhe disse.

Luz Adicional

Digo-vos que não apenas temos tudo o que o mundo tem a respeito da divindade da missão de Jesus Cristo, conforme registrado na Bíblia, mas também temos a história de outro livro, conhecido como o Livro de Mórmon, e o relato de sua aparição neste hemisfério ocidental, cuja tradição existe entre os índios desde então; e temos também a história de outro homem que deu a vida como testemunha de que sabia que Deus vive e que Jesus é o Cristo. Refiro-me ao Profeta Joseph Smith.

Meus irmãos e irmãs, se homens e mulheres, com toda a verdade que possuem, retivessem todas as coisas maravilhosas que foram transmitidas pelos profetas de Deus, e então lhes permitíssemos partilhar as informações adicionais que o Senhor revelou desde que a Bíblia Sagrada se tornou acessível ao mundo, que diferença faria. Recordo-me de um excelente médico, que era um bom membro da igreja judaica em Atlanta, Geórgia, e que leu o Livro de Mórmon. Fiquei bem relacionado com ele, e ele me disse certo dia: "Não há um único homem vivo no mundo hoje que pudesse escrever o Livro de Mórmon. Deve ser algo mais do que a obra de um homem." Conheci muitas pessoas que, tendo-o lido e orado a respeito, receberam a testemunha de que é verdadeiro.

Inspiração do Todo-Poderoso

O que quero enfatizar é isto: não apenas temos tudo o que está contido nesses registros sagrados, mas também, quando recebestes o evangelho, fostes batizados, tivestes as mãos dos servos do Senhor impostas sobre vossa cabeça e recebestes o Espírito Santo, tendes direito à inspiração do Todo-Poderoso, se viverdes de modo a serdes dignos dela.

Não devemos ser gratos por nossas muitas bênçãos? Que coisa maravilhosa é viver numa terra como a América e ter todas as vantagens que temos. Sinto-me tão grato por meus privilégios na Igreja de Jesus Cristo, por minha companhia com os homens e mulheres desta Igreja e de outras igrejas. Sou grato por ter uma multidão de amigos nas várias igrejas do mundo, espalhados em diferentes lugares. Sou grato por essas amizades, mas não ficarei satisfeito até que eu possa partilhar com eles algumas das coisas que ainda não receberam. E essa é a coisa que devemos manter em mente; é nossa responsabilidade levar a palavra. Façamos as coisas que o Senhor quer que façamos e guardemos seus mandamentos, e sejamos dignos das bênçãos de que desfrutamos, que são superiores às da maioria das pessoas em todo o mundo.

Obediência Traz Bênçãos

Esta é a sessão de encerramento desta grande conferência. Passar-se-ão outros seis meses até nos reunirmos novamente nesta condição, até onde sabemos agora. Mas nesses seis meses não sabemos o que poderá ocorrer. Foi feita referência ao fato de que muitos de nossos rapazes e algumas de nossas moças já estão sendo levados em preparação para outra guerra. A guerra é o resultado do pecado, não da retidão. E se quisermos evitar a guerra e evitar as responsabilidades que vêm com ela, nosso dever é guardar os mandamentos de Deus, e ele prometeu que, se o fizermos, gozaremos de bênçãos que não podemos gozar de nenhuma outra maneira.

Estou feliz por estar convosco hoje. Tivemos um tempo maravilhoso. Somos gratos a este maravilhoso coro que canta ao mundo todos os domingos, um coro que já apresentou 1.102 programas, transmitidos ao mundo. Não dependemos inteiramente de quase seis mil missionários. Temos também o rádio, e milhares de pessoas ouvem o programa dado a cada semana por este maravilhoso coro, uma organização não remunerada que realiza trabalho missionário para as bênçãos da humanidade.

Ora, estais felizes? Se estais guardando os mandamentos de Deus, tenho certeza de que estais felizes. Temos muito a fazer. Ouvistes algo sobre a preparação de um templo em Los Angeles.

Planos e Realizações

Os primeiros planos foram aprovados, de modo que o templo poderá ser construído assim que os planos detalhados forem preparados. Isso acrescentará mais um templo. Somos o único povo no mundo que sabe para que servem os templos, e como é maravilhoso podermos construir um templo sem sentir o peso da despesa. Temos construído templos e construído capelas ao longo de todos estes anos. Desde a guerra, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o povo que pertence a esta organização, enviou mais de 130 vagões de trem de alimentos, roupas de cama e vestuário às pessoas do outro lado do mar, porque delas precisavam, e lhes foram dados de presente. No entanto, nossos celeiros estão hoje cheios. Nossos porões de raízes estão sendo enchidos agora. Nossas pequenas oficinas, onde se faz vestuário e onde roupas de segunda mão são consertadas e tornadas apresentáveis, estão se enchendo novamente, e quero dizer que não conheço nenhum povo no mundo mais ricamente abençoado do que nós, apesar de nosso constante dar, ao qual se fez referência aqui. Aqueles que dão aos pobres, mas emprestam ao Senhor, e ele é um maravilhoso pagador.

Irmãos e irmãs, façamos nossa parte. Escutai o conselho que nos veio aqui durante estas sessões de conferência. Esta é a casa do Senhor. Seu Espírito esteve aqui, e fomos edificados e abençoados por isso. Oro para que o poder de nosso Pai Celestial acompanhe vós, trabalhadores desta Igreja, vós, membros, aonde quer que vades, para que vossos lares sejam a morada do espírito de nosso Pai Celestial, para que vossos filhos e filhas cresçam na disciplina e admoestação do Senhor, para que ameis vossos vizinhos, e isso significa membros da Igreja e os que não o são: isso significa todos os que procuram ser o que o Senhor gostaria que fossem. Oro para que cada um de nós possa sentir, dia após dia, a certeza que tantos de vós já têm, de que Deus vive, de que Jesus é o Cristo, de que Joseph Smith foi um profeta do Deus Vivo.

Sei isso tão bem quanto sei que vivo, e dou esse testemunho a vós em humildade, e, percebendo a gravidade de tal afirmação se não fosse verdadeira, ainda assim dou este testemunho a vós em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoGeorge Albert Smith, “A Divindade de Jesus Cristo e as Bênçãos da Obediência”, 1950 October General Conference, Sunday Afternoon Session (1950-10-01). Pulpit Vault, 1950-10-smith-jesus-christ-of-latterday-saints-legrand-richards. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).