Pulpit

Por Que uma Igreja?

Albert E. Bowen

1950 October General Conference·Saturday Morning Session·1950-09-30

Ouve-se muitas vezes a pergunta: Por que uma igreja? Gostaria de considerá-la brevemente. Espero sugerir às vossas mentes que essa pergunta equivale a perguntar: Por que a religião?

Mensagem de Despedida de Washington

Foi há cento e cinquenta e quatro anos, exatamente neste mês, quando seu segundo mandato como Presidente dos Estados Unidos se aproximava do fim, que George Washington anunciou ao país sua determinação de se retirar e pediu que não fosse considerado disponível para a reeleição ao cargo que estava prestes a deixar. Ele aproveitou a ocasião para uma mensagem de despedida que teve quase a natureza de um último testamento, legando a seus compatriotas o fruto de suas experiências ricas e variadas.

Como participante das longas e, muitas vezes, acrimoniosas disputas que resultaram na separação política das colônias americanas da metrópole, como Comandante-em-Chefe do despreparado, mal-disciplinado, mal-equipado, escassamente vestido, mal-abastecido e, com frequência, não remunerado Exército Continental, como testemunha das rixas, ciúmes e mesquinharias que, após a guerra, ameaçaram tanto a ruína da jovem nação que ele muitas vezes se perguntou se a vitória no conflito contra a Grã-Bretanha se revelaria uma bênção ou uma maldição, como presidente da convenção que elaborou a Constituição dos Estados Unidos da América e como seu primeiro presidente, ele havia visto a natureza humana no seu melhor e quase no seu pior. Sob tensões e pressões, sacrifício e sofrimento, ele havia visto homens se elevarem a nobres alturas de devoção patriótica. Da mesma forma, havia visto homens usurparem e abusarem do poder, discutirem e brigarem, recorrerem a pequenas intrigas em busca de vantagem, exibirem mesquinhas gananciazinhas e, impelidos pela ambição egoísta, curvarem-se a atos ignóbeis.

Recorrendo a esse amadurecido conhecimento do comportamento humano, com todas as suas fraquezas e inconstâncias, ele imprimiu naquele legado testamentário uma sabedoria tão perene que jamais envelhece, mas é válida para todos os povos e todos os tempos.

Entre as pepitas de ouro puro guardadas naquele discurso de admoestação estão as observações de Washington sobre a religião e a moral. Eis o que ele disse:

De todas as disposições e hábitos que conduzem à prosperidade política, a religião e a moral são apoios indispensáveis. Em vão reivindicaria o tributo do patriotismo aquele homem que se empenhasse em subverter estes grandes pilares da felicidade humana — estes mais firmes esteios dos deveres dos homens e dos cidadãos. O mero político, tanto quanto o homem piedoso, deve respeitá-los e estimá-los. Um volume não bastaria para traçar todas as suas ligações com a felicidade privada e pública. . . . E tenhamos o cuidado de não nos permitir a suposição de que a moral pode ser mantida sem a religião. Seja qual for a influência que se conceda à educação refinada sobre mentes de estrutura peculiar, tanto a razão quanto a experiência nos proíbem de esperar que a moralidade nacional possa prevalecer com exclusão do princípio religioso. (17 de setembro de 1796.)

A Igreja Cristã

Sem dúvida, quando Washington falou sobre religião, tinha em mente a religião cristã. De modo geral, essa é a única religião que o homem ocidental conhece. Quando eu falar, no que direi hoje, sobre religião ou igreja, terei em mente a religião cristã e a igreja cristã, que abrange os ensinamentos morais e religiosos tanto do Velho quanto do Novo Testamento.

A igreja tem tido muitos altos e baixos desde os dias de Washington, bem como antes deles. Teve períodos de força, assim como períodos de questionamentos e dúvidas. Agnósticos e ateus sempre estiveram com ela. Ela tem ensinado que o homem, tanto o indivíduo quanto a raça, é de grande importância. Como filho de Deus dotado de atributos divinos, ele é capaz de um avanço infinito na escala do ser, até a perfeição final. Ele deve ter fé em si mesmo e em seu alto destino. Até aqui, o cristão é humanista, e a igreja é humanista. Mas quando o homem perde sua humildade e se arroga uma autossuficiência que nega a Deus ou qualquer outro poder superior a ele mesmo, então a igreja deve romper com o credo humanista, ou comprometer seus princípios.

Influência Enfraquecida

Sob o impacto do agnosticismo, do ateísmo e do humanismo extremo que nega a Deus e faz do homem a fonte de todo significado, a igreja cristã, como corpo, tem comprometido suas doutrinas básicas para tornar seus ensinamentos mais harmoniosos com a corrente da opinião popular. E aonde isso a levou? Perdeu sua fé salvadora, enfraqueceu sua influência e quase perdeu sua liderança moral. Em consequência, os homens andam se debatendo em confusão, sem saber o que devem fazer, mas bem certos de que as belas promessas da irreligião, da descrença e da autossuficiência humana os traíram, e andam à procura de uma âncora. Essa é a triste situação do homem nesta era.

Necessidade de um Renascimento da Fé

Homens de destaque no mundo das letras, cientistas, homens de vasto saber em quase todos os campos da pesquisa acadêmica afirmam com grande convicção que a única coisa capaz de salvar nossa civilização é um renascimento da fé religiosa. Em um de seus notáveis discursos, Robert Gordon Sproul, presidente da Universidade da Califórnia, disse:

Há uma grande necessidade de alguma força diretriz para reunir as capacidades recuperadoras da humanidade e vencer a corrida contra a catástrofe. A educação não pode fornecer essa força, por mais importante que seja, porque não são as mentes, mas as almas dos homens que precisam ser regeneradas, se quisermos evitar com certeza a catástrofe. . . . Nossa herança americana não pode perdurar por muito tempo sem uma fé religiosa firmemente alicerçada.

Anteontem mesmo, o General Marshall disse que a força militar, por si só, não pode derrotar os inimigos dos Estados Unidos. Ela precisa ser reforçada pelo peso da força moral.

Essas declarações são apenas típicas dos avisos que repetidamente são proferidos por pessoas ponderadas, preocupadas com o estado dos homens e mulheres neste mundo moderno. Assim, a sabedoria da advertência de Washington, de que a religião e a moral são apoios indispensáveis à prosperidade política e de que a moral não pode ser mantida sem a religião, é confirmada pela lógica convincente dos acontecimentos neste mundo desordenado e de pernas para o ar. Uma das acusações mais frequentemente feitas contra o sistema soviético de governo, dirigido pelo politburo, é que ele busca destruir toda religião e proíbe a seu povo a liberdade de práticas religiosas.

Necessidade de Ação Unida

Se, então, pode-se conceder, como é tão vigorosamente afirmado, que uma fé religiosa sólida é essencial para salvar nossa civilização arruinada e definhante, a pergunta que exige uma resposta concreta e imediata é: Como se há de regenerar uma fé religiosa à altura dessa tarefa suprema? Não afirmo nem pretendo dizer que a maioria de nosso povo seja irreligiosa ou anticristã. Os padrões cristãos de moralidade estão arraigados demais em seus ossos para isso.

Os ensinamentos de Cristo ainda fornecem os melhores padrões pelos quais o mundo mede valores, e o povo desta terra, por longo hábito, instintivamente recorre a eles. Ao menos lhes prestamos homenagem de lábios para fora. Mas, evidentemente, isso não basta para fornecer o fervor de cruzada essencial para despertar o povo das nações cristãs para esse grande empreendimento. Não se trata de uma questão de confissão de fé individual e descoordenada. Requer ação, ação unida.

Isso significa uma agência ou instrumento organizado que dê ao movimento direção e propósito sólido. A única organização desse tipo ao alcance é a igreja. Esse é o seu ofício. Mas há muitas pessoas que professam a religião e provavelmente se ofenderiam se fossem acusadas de irreligiosas ou não cristãs, que ao mesmo tempo se recusam a unir-se a seus semelhantes na prática efetiva da religião. Dizem-nos que não creem em religião organizada.

Isolacionismo Religioso

Quem nunca ouviu homens amáveis e bons dizerem: "Tenho minha própria religião e não preciso ser fortalecido por uma filiação eclesiástica para viver uma boa vida"? Mesmo que assim fosse, ainda pode ser que outros precisem do fortalecimento que sua força superior proporcionaria e, afinal, eles têm alguma obrigação para com aqueles que precisam de sua ajuda.

Mas, além disso, se esta ordem mundial naufragante e atormentada há de ser salva por meio de um ressurgimento do fervor religioso, então cabe a cada crente contribuir com todas as suas forças. Ouve-se muito falar hoje em dia sobre isolacionismo e isolacionistas. A forma menos desculpável de isolacionismo, e o mais repreensível dos isolacionistas, é aquele que se mantém à parte e se recusa a somar suas forças às de seus companheiros de fé na tarefa suprema de salvar a civilização e o mundo.

O evangelho ensinado por Jesus é um evangelho de ação. Não consiste numa profissão de fé passiva. A respeito de si mesmo, Jesus disse que veio para fazer a vontade do Pai, não para falar dela ou professá-la. Ele fez uma parábola sobre o homem que ouviu suas palavras e não as praticou, comparando-o a um homem tolo que edificou sua casa sobre a areia, e, quando desceram as chuvas e vieram as enchentes e os ventos sopraram e bateram contra aquela casa, ela caiu, porque estava edificada sobre a areia. Aquele que ouviu suas palavras e as praticou, ele comparou a um homem sábio que edificou sua casa sobre a rocha, e ela resistiu à fúria da chuva, da enchente e da tempestade.

Uma Grande Fraternidade

A igreja cristã não foi estabelecida por isolacionistas que se separaram uns dos outros ou do corpo de crentes. Eles se organizaram em corpos de adoração que, coletivamente, abriram caminho à vitória contra terríveis perseguições, torturas e morte. Constituíram-se numa grande fraternidade, unida para o cumprimento de um propósito em que criam. Que aquele que, em plácido isolamento, desfruta da liberdade, do conforto, da segurança e do bem-estar que o cristianismo trouxe às nações, contemple qual teria sido sua condição se não tivesse existido a igreja cristã.

Organização é apenas outro nome para ordem e estabilidade. Seu oposto é a turbulência, a confusão, a fraqueza e a desintegração final. Se nenhum corpo político no mundo jamais conseguiu existir sem uma organização ordenada, coordenada e dotada de autoridade, como se pode presumir que a religião possa cumprir sua alta comissão de reanimar um mundo em declínio sem a igreja, que é o instrumento organizacional por meio do qual ela realiza sua grande obra?

Eis razão suficiente para uma igreja.

Efeito sobre a Vida Familiar

Há ainda outra consideração vital, a saber, o efeito sobre a vida familiar e as gerações seguintes decorrente da negligência na participação nas práticas organizadas da igreja. Há alguns anos, relatei deste púlpito a história das perplexidades de uma mulher perturbada. Ela acabara de visitar uma querida amiga dos tempos de faculdade que, àquela altura, já tinha uma filha e um filho crescidos. Ficou tanto constrangida quanto chocada com o comportamento daquelas crianças. O rapaz ia e vinha como bem lhe aprazia, sem que ninguém perguntasse ou respondesse nada. As admoestações e protestos da mãe contra as indelicadas indiscrições da filha em seu comportamento com os rapazes eram recebidos com zombarias sobre o pudor antiquado e a falta de sofisticação da mãe. Na última noite de sua visita, ela foi despertada por um alvoroço na casa. A moça havia voltado de uma festa noturna completamente embriagada e conduzia seu acompanhante, em igual estado, para o quarto dela, quando foram interceptados pelos pais, já alarmados. Seguiu-se uma cena barulhenta antes que o rapaz fosse finalmente mandado para casa e a moça posta na cama. Assim, a constrangida visitante foi para casa clarear a cabeça e refletir um pouco. Lembrou-se do ambiente familiar em que fora criada.

A nota religiosa era forte naquele lar. A Bíblia era lida e nela se cria. Diariamente a família, de joelhos, falava com Deus, que era reverenciado e era uma realidade. Eram pessoas que frequentavam a igreja e separavam um dia por semana como dia santo, para render reverência ao Autor da vida. Cantavam hinos majestosos que traziam mensagens às suas almas em expansão. Ouviam as palavras simples e diretas dos evangelhos, cuja grandeza, de algum modo, se transmitia a seus corações e lhes fornecia os ideais para a vida. Esses ideais, por meio da prática, foram silenciosamente entretecidos no padrão de suas vidas, e delas resultaram caracteres firmes e diretrizes estáveis de conduta que as tornaram seguras contra as ondas de relaxamento moral que as rodeavam com o passar do tempo. Sua experiência doméstica e familiar era típica da dos jovens de sua época, inclusive a amiga que acabara de visitar. Aquela amiga, assim como ela própria, nos dias de sua convivência de meninas, haviam espontaneamente, por hábito e aceitação, observado as convenções e as boas maneiras.

Ela explicou que ela, sua amiga e as demais colegas, nos anos de faculdade, haviam abandonado a fé simples de sua juventude, haviam deixado de dar crédito às crenças que as haviam sustentado, haviam abandonado a leitura da Bíblia, a frequência à igreja, a observância do sábado e as orações. Podiam viver a boa vida sem esses "apoios artificiais". Não precisavam da igreja.

Diziam ter sua própria religião, mas, na verdade, ela havia se reduzido a um mero código de ética, já desligado de suas raízes e não mais nutrido pelo tronco de origem. Então, com uma incrível falta de percepção da relação de causa e efeito, ela professou espanto diante da bancarrota moral dos filhos de sua amiga. A verdade era que essas crianças, pela negligência de seus pais, haviam sido cortadas das próprias influências formadoras de caráter das quais seu próprio caráter, o caráter de sua amiga e o caráter de sua geração haviam dependido para se formar e crescer.

A Religião como Estabilizadora

Embora o caso que citei possa, em alguns aspectos, ser extremo, ele ilustra, ainda assim, um resultado naturalmente esperado.

Os alicerces morais estabelecidos pela participação ativa nas atividades da igreja podem perdurar por uma geração, mas dificilmente vão além disso. Quando os pais se desligam da filiação ativa à igreja e deixam seus filhos livres para também a negligenciarem, não têm o direito de se surpreenderem quando seus filhos ficarem aquém dos próprios padrões. A religião é um poderoso fator de estabilidade, e a igreja é o meio pelo qual ela se torna eficaz.

Apenas mencionei algumas das razões pelas quais deve haver uma igreja, se a religião há de ser uma força no mundo ou exercer qualquer influência ou poder. Muitas outras razões convincentes vos ocorrerão.

A igreja, contudo, não passa de um mecanismo seco e estéril, a menos que seja vivificada pela fé ardente de uma religião viva. É essa a centelha que lhe dá vida.

Parece ser parte da sabedoria que todos os que professam o mesmo credo — o rico e o pobre, o poderoso e o humilde, o trabalhador braçal e o profissional, o iletrado e o erudito — se congreguem e, com força unida, exerçam um poder na terra.

Necessidade de Convicção Sólida

Para merecer o nome, a religião deve assentar-se sobre uma convicção sólida. Deve representar algo. Não pode temporizar nem transigir. A igreja cristã assenta-se na premissa de que Jesus é o Filho de Deus, o Senhor ressuscitado, o autor da vida eterna para o homem. Enquanto permaneceu firme nesse alicerce, foi uma força no mundo.

Quando os guardiões da fé, em suas várias denominações, vacilaram e diluíram as doutrinas até que a virtude se esvaísse delas, deixaram de ser o esteio e o apoio à moral e à prosperidade política que Washington disse serem indispensáveis. Enquanto isso persistir, o mundo cambaleará e vacilará. Parece que agora estamos tentando erigir um governo cujos proponentes e patrocinadores nem sequer conseguem invocar a bênção divina sobre suas deliberações ou seu destino. Que chance vós pensais que ele tem de curar as feridas do mundo?

Se a religião é um apoio necessário ao governo político, também o corpo religioso, a Igreja, necessita, para a proteção de sua liberdade garantida, de um governo civil retamente administrado, o que depende de um uso inteligente e zelosamente resguardado do direito de voto. Essa é a proteção do cidadão contra o abuso e a usurpação.

No que diz respeito aos Santos dos Últimos Dias, rogo que, como o Presidente Smith admoestou no início desta conferência, tenham a sabedoria e a honestidade de colocar sua religião acima da política partidária e se unam como uma falange sólida para extirpar a prostituição do poder, a devassidão e a subversão da liberdade ordenada por Deus, garantida pela gloriosa Constituição desta terra, elegendo, sem levar em conta a filiação partidária, aqueles que a preservarão impoluta e incorrupta, protetora e garantidora da liberdade individual.

Ex-Presidente da Missão dos Estados do Norte. Há vinte e três horas parti de Los Angeles para vir a esta conferência. A viagem foi longa e cansativa. Mas, meus caros amigos, testifico-vos que a pequena caminhada que acabei de fazer daquele assento, ali na frente, até este púlpito, foi de longe o trecho mais exaustivo dessa viagem.

Para que não penseis que houve alguma negligência ou indiferença por parte da Primeira Presidência em não solicitar meu relatório antes deste momento, permiti-me assegurar-vos que a falha foi minha, e não deles. Estive aqui na última conferência e assisti a todas as sessões, exceto a de domingo de manhã. Pensei que, de todas as sessões da conferência, essa seria a menos provável de proporcionar ocasião para o relatório de um presidente de missão.

Tenho grande alegria de estar aqui e de contemplar esta vasta e interessante assembleia, os seguidores da liderança do Israel moderno.

Não vou sobrecarregar-vos com detalhes de minha experiência missionária. Basta dizer que, para a Irmã Muir e para mim, foi a experiência mais enriquecedora de nossa vida. Bem pode, de fato, qualquer pessoa cobiçar o privilégio de uma presidência de missão. Tenho certeza de que meus sentimentos a esse respeito refletem o veredito sincero de todos os homens e mulheres que tiveram o privilégio de desfrutar de uma nomeação como essa. O povo no campo missionário tem uma simplicidade de fé que, para mim, é admirável. Nas estacas de Sião, discutimos bastante sobre este ou aquele princípio, e nos entregamos a debates e didáticas.

Lá no campo missionário, os Santos aceitam como certos a veracidade, a fidelidade e a substância dos princípios do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. E representam a conquista que temos feito no mundo em nossa tentativa de reunir Israel ao rebanho de Cristo. No seu conjunto, especialmente quando consideramos sua distância da sede da Igreja, eles são uma conquista louvável e uma corroboração substancial da afirmação que a Igreja faz de que representa o poder e a autoridade de Deus sobre a terra.

Agora, quero dizer que sinto um senso de orgulho em estar aqui, neste púlpito. Este é o maior púlpito de todo o mundo. Creio sinceramente que mais verdade, mais da lógica e da sabedoria da religião, e mais do calor, da substância e da beleza da instrução correta têm saído deste púlpito do que de qualquer outro púlpito na terra. Uma coisa que sempre me agrada é que não há, da parte dos que falam deste púlpito, esforço algum para alcançar algo exaltado, cativante ou fascinante. Eles simplesmente trabalham diligentemente na exposição da verdade. Meus caros amigos, é disso que precisamos, e, toda vez que venho aqui, encontro-me beneficiário de grande quantidade de verdade, verdade sadia, ardentemente expressa, e ainda assim tão clara e simplesmente que o caminhante, ainda que insensato, nela não erre.

Agora tenho outro pensamento sobre este púlpito. Ezequiel nos conta, creio que no capítulo 36, falando em nome do Senhor, que o Senhor, nos últimos dias, derramará seu espírito sobre Israel e limpará Israel de toda a sua iniquidade e de seus males, não particularmente por causa dela, mas por amor de seu próprio nome, o nome do Senhor Jesus Cristo. E que também tirará de Israel, como povo — e entendo que também individualmente — o coração de pedra, e porá em seu lugar um coração de carne. O Senhor diz — e creio que está falando conosco — que porá sua lei no íntimo de nosso ser, em nossa mente subconsciente, para que reajamos à sua lei instintivamente, assim como respiramos, assim como os órgãos da respiração, os órgãos da digestão, o sistema nervoso funcionam sob a lei natural. E diz ainda que escreverá sua lei em nosso coração, para que obedeçamos à sua lei e a amemos. Ora, não é essa uma bênção triunfante, prometida para algum momento futuro, para o gozo de Israel?

Que possamos amar a lei do Senhor e segui-la instintivamente, assim como respiramos. Depois ele diz que chamará pelo trigo, símbolo da vegetação da terra, e o renovará, e não lançará fome sobre nós. Então, finalmente, perto do fim do capítulo, encontramos esta auspiciosa promessa: "Ainda [o Senhor falando] ainda por isso" — pela realização destas coisas, a purificação, dando-nos o coração de carne, o coração de amor e fraternidade, e renovando à terra sua fecundidade edênica — "ainda por isso serei solicitado pela casa de Israel, que lho faça."

Ora, a menos que meu entendimento da profecia esteja muito distorcido, sinto-me confiante de que, sempre que essa oração, representativa do Israel moderno, for enviada ao Senhor, para que o Israel moderno possa desfrutar do cumprimento das profecias daquele maravilhoso capítulo de Ezequiel, tal oração deverá ser proferida aqui, neste púlpito, e com a voz e a autoridade que aqui têm presidido. Esta é, verdadeiramente, a Casa do Senhor.

Que Deus nos abençoe, meus amigos, que abençoe os membros comuns desta Igreja, em toda parte, com a firme convicção de que estamos no limiar mesmo dos mais ricos e frutíferos cumprimentos de profecia que o mundo já viu, e de que devemos, nós mesmos, fazer muito para seu cumprimento — é minha oração, por meio de Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoAlbert E. Bowen, “Por Que uma Igreja?”, 1950 October General Conference, Saturday Morning Session (1950-09-30). Pulpit Vault, 1950-10-bowen-one-often-hears-the-question-why-a. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).