Segurança Espiritual e Temporal
Joseph L. Wirthlin
Meus queridos irmãos e irmãs, temos desfrutado de uma grande abundância do espírito do Senhor durante esta grande conferência. Todos os oradores anteriores foram ricamente dotados dele, e oro para que isso seja a fonte de minha inspiração. ¶
O Senhor Jesus Cristo declarou: ¶
Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. (Mateus 6:33.) ¶
Segurança ¶
Esta declaração do Salvador envolve dois objetivos a serem alcançados: primeiro, a segurança espiritual mediante a busca do reino de Deus e de sua justiça; e segundo, a segurança temporal que nos será acrescentada mediante nossos esforços. ¶
A palavra segurança tornou-se uma das palavras mais usadas e abusadas no vocabulário de muitas pessoas. O dicionário a define como a percepção do próprio bem-estar quanto às necessidades da vida, tais como alimento, vestuário e abrigo — uma garantia contra a carência. ¶
No princípio, quando Adão estava no Jardim do Éden, ele tinha segurança temporal. Todas as necessidades da vida eram providas pelo Senhor; mas, após a queda, ele foi lançado ao mundo frio e desolado com o mandado do Senhor: "No suor do teu rosto comerás o teu pão" (Gên. 3:19), colocando definitivamente sobre seus ombros a responsabilidade de prover sua própria segurança temporal. ¶
Na mente dos homens santos sempre houve duas categorias de segurança, espiritual e temporal. Sem a fase espiritual, a segurança temporal não poderia ser alcançada. Era um empreendimento sagrado no qual se necessitava das bênçãos do Senhor. Nele estavam envolvidas práticas sagradas, tais como a oração, os princípios divinos da fé, a economia, a integridade e o esforço incessante. Exigia súplica ao Senhor por suas bênçãos; e, na época da colheita, os primogênitos do rebanho e o melhor dos campos eram trazidos e queimados como ofertas de gratidão e ação de graças ao Senhor, representando uma grande realização, pois o homem, por sua própria fé, obras e com a ajuda do Senhor, havia provido para si mesmo abrigo, alimento, vestuário e as comodidades da vida, com algumas reservas marginais para prover a si mesmo e à família durante períodos de doença e nos dias de sua velhice. ¶
Abraão, amado do Senhor, tinha grande riqueza representada em rebanhos e campos. Ele tinha gado sobre mil colinas, e, no entanto, com toda essa riqueza, trabalhava diligentemente pela segurança espiritual. Seus rebanhos eram conduzidos até a terra de Melquisedeque, o sumo sacerdote, onde eram dizimados, devolvendo ao Senhor o que lhe pertencia. ¶
Rejeição do Senhor Depois que Israel fizera a longa jornada do Egito à Terra Prometida, sendo governado pelo Senhor por meio de seus servos, os profetas, por gerações, o povo se levantou e clamou: dá-nos um rei para que nos julgue, para que sejamos como todas as nações, para que nosso rei vá adiante de nós e peleje as nossas batalhas. Samuel, o Profeta, em profunda tristeza, foi ao Senhor dizendo: "Rejeitaram-me." Mas o Senhor disse a Samuel: . . . Ouve a voz do povo em tudo quanto te disserem, pois não te têm rejeitado a ti, antes a mim me têm rejeitado, para eu não reinar sobre eles. ¶
E disse: Este será o proceder do rei que houver de reinar sobre vós: ele tomará os vossos filhos, e os empregará para os seus carros, e como seus cavaleiros, para que corram adiante dos seus carros. ¶
E tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. ¶
E ele tomará o melhor das vossas terras, e das vossas vinhas, e dos vossos olivais, e os dará aos seus criados. ¶
E as vossas sementes, e as vossas vinhas dizimará, para dar aos seus eunucos, e aos seus criados. ¶
Também os vossos criados, e as vossas criadas, e os vossos melhores jovens, e os vossos jumentos tomará, e os empregará no seu trabalho. ¶
Tomará o dízimo do vosso rebanho, e vós lhe servireis de criados. ¶
Então naquele dia clamareis por causa do vosso rei, que vós houverdes escolhido; mas o Senhor não vos ouvirá naquele dia. ^(1 Samuel 8:7, 11, 13-18.) Israel em Cativeiro As batalhas do povo não se representavam apenas em combate físico com o inimigo, mas também na luta pela segurança. Israel havia abandonado o Senhor; Israel havia se abrandado na fé e fora desobediente; Israel era indolente. E entregaram seus filhos e filhas ao rei e a seus oficiais. O rei tomou posse de todos os seus recursos, e o preço que pagaram por um rei foi sua liberdade. ¶
Sob esse arranjo, os reis de Israel prosperaram, mas o povo foi oprimido e se viu em cativeiro. Os reis esqueceram a fase espiritual da segurança; esqueceram o Senhor. Saul consultou a feiticeira em vez do Senhor. Davi caiu em desgraça por causa de um grave pecado que cometeu. Salomão buscou outros deuses. A dissensão dividiu o reino em dois, e uma nação poderosa levou Israel ao cativeiro. Esta é a história de uma nação que rejeitou o caminho do Senhor para alcançar a segurança temporal e espiritual. ¶
A História Se Repete A história se repete? Sim. Hoje, o termo segurança é mais bem definido nas promessas de reis econômicos e políticos, sob a forma de auxílios, subvenções e subsídios feitos com o propósito de perpetuarem-se em cargos públicos, ao mesmo tempo em que esgotam os recursos do povo e o tesouro da nação. ¶
A palavra segurança está sendo usada como instrumento de conveniência política, e os resultados finais serão a perda da liberdade e a bancarrota temporal e espiritual. Há entre nós os que clamam por um rei econômico, e a voz do rei responde em promessas nas quais o indivíduo tem garantido alívio do mandado dado a Adão: "No suor do teu rosto comerás o teu pão." A desobediência a esse mandado envolve a pena da perda do arbítrio e da individualidade, e a dissipação dos recursos do indivíduo. Esses governantes econômicos têm advogado, e de fato praticam, um procedimento vicioso chamado "processo de nivelamento por baixo", que toma do homem que conquistou e distribui àqueles que não estão dispostos a despender esforço semelhante. A tributação é o meio pelo qual esse "processo de nivelamento por baixo" é implementado. Os impostos nos Estados Unidos, na última década, aumentaram quinhentos por cento. Se tais aumentos continuarem, isso significará a confiscação final da propriedade do povo. ¶
O Caso da Grã-Bretanha Um exemplo claro das promessas dos reis econômicos ao povo, com todas as penalidades envolvidas, destaca-se no caso da Grã-Bretanha. A Grã-Bretanha, com cinquenta anos de domínio sobre os mares da terra, sobre cujo império o sol jamais se punha, encontra-se agora em uma convulsão de bancarrota espiritual, política e temporal. Ela tem um rei, mas ele é apenas um símbolo de sua grandeza passada; porém o povo, como o de Israel, clamou por um novo rei, um rei econômico, e o rei respondeu com o governo da ditadura, trazendo deterioração ao caráter do indivíduo, perda de ambição, de liberdade, de progresso individual mediante o direito de trabalhar quando e onde quisesse, e regimentação. O povo é forçado a atender ao chamado e a sentir a mão de ferro do ditador. Acima de tudo, perderam seu arbítrio. O povo britânico não passa de meras engrenagens na grande máquina do socialismo. O Estado é soberano; o cidadão foi subjugado. Seus recursos foram absorvidos, o tesouro do governo esgotado, e, não fosse pela generosidade desta grande república, onde ainda restam alguns dos fundamentos da liberdade, da iniciativa pessoal e da livre empresa, a Grã-Bretanha já não seria mais que uma lembrança. Assim como foi em Israel, assim será com a Grã-Bretanha — dissensão, divisão e cativeiro comunista. ¶
Economia Controlada O que isso significa para vós e para mim? Também temos, entre nós, os que ao longo dos anos têm clamado por uma economia controlada. Temos entre nós os que dão apoio e sustento a tal plano, plano de economia controlada que envolve as mesmas teorias e falsas filosofias que arruinaram Israel e agora estão destruindo a Grã-Bretanha. Os reis econômicos têm respondido ao clamor de alguns, prometendo-lhes segurança contra a carência em troca de seus votos. Na tentativa de atender aos desejos dessas pessoas, o tesouro desta grande nação está sendo esgotado, e cobre os gastos deficitários com notas promissórias. A expansão dessa política desastrosa privará os cidadãos americanos de sua liberdade dada por Deus, do direito de trabalhar quando e onde quiserem, da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa — e quem sabe se, algum dia, não lhes será tirado também o direito de adorar a Deus segundo os ditames de sua consciência. Isso está destruindo, e continuará a destruir, os próprios fundamentos sobre os quais esta nação e seu povo encontraram prosperidade e segurança genuína. ¶
Estas não são palavras vãs, mas o conselho e as palavras do Senhor, tal como foram reveladas a esta nação por meio dos profetas e dos pais fundadores desta grande república. Por cento e vinte anos, os Samueis dos últimos dias têm suplicado ao povo que preserve os fundamentos da segurança temporal e espiritual sendo obediente ao evangelho, mediante o trabalho, sendo econômico e mantendo-se livre de dívidas, e, acima de tudo, lembrando-se do Senhor. Temos sido continuamente aconselhados a conservar nossos recursos para prover segurança temporal durante períodos de doença, desemprego e nos dias da velhice. Este povo tem sido ensinado pelos profetas de Deus que desperdiçar as bênçãos da terra é um pecado, e certamente há uma penalidade por isso. O Senhor não pode abençoar um indivíduo ou uma nação com as bênçãos da terra e permitir que esse indivíduo ou nação as desperdice deliberada e imprudentemente, sem que a lei da retribuição da carência e da fome seja imposta. ¶
Programa de Bem-Estar Os reis econômicos têm defendido a doutrina de que aqueles em dificuldade devem ser providos abundantemente, sem nenhuma obrigação da parte dos beneficiários, mas o Senhor revelou, por meio de seus profetas, um grande plano de bem-estar que não priva os indivíduos em dificuldade de sua liberdade, iniciativa pessoal e direito de trabalhar. ¶
No programa de bem-estar, o indivíduo é o objetivo, e mediante a generosidade e os esforços cooperativos dos membros da Igreja, o indivíduo tem assegurada a segurança temporal, não como esmola nem como presente, mas como uma ponte para cobrir o intervalo do desemprego ou da doença, até que o indivíduo possa novamente ficar de pé por si mesmo e alcançar sua própria segurança temporal. Exige-se dele que, durante esse período de assistência do programa de bem-estar, ofereça livremente seu trabalho, se estiver fisicamente apto, na produção das coisas de que necessita, e com isso ele se torna um dos filhos independentes do Senhor, tendo não apenas recebido, mas também dado. ¶
Promessas Cumpridas O Israel dos últimos dias deve atender às admoestações dos oráculos vivos de Deus e fechar os ouvidos aos ensinamentos dos falsos profetas, lembrando-se sempre de que o Senhor fez promessas definidas a este povo, um povo do convênio, por meio de seus servos, os Apóstolos e os Profetas. O Senhor declarou por meio do Profeta Brigham Young : ¶
Se os Santos dos Últimos Dias caminharem à altura de seus privilégios, e exercerem fé no nome de Jesus Cristo, e viverem no gozo da plenitude do Espírito Santo constantemente, dia após dia, não há nada sobre a face da terra que pudessem pedir que não lhes fosse dado. ¶
O Senhor está esperando para ser muito generoso para com este povo, e para derramar sobre eles riquezas, honra, glória e poder, sim, para que possam possuir todas as coisas de acordo com as promessas que ele fez por meio de seus Apóstolos e Profetas. (Discourses of Brigham Young, edição de 1925, página 241; edição de 1943, página 156.) Pode haver aqueles de pouca fé que clamarão que surgem circunstâncias e situações em que o povo não pode ajudar a si mesmo, mas, novamente, o Profeta Brigham Young declarou em nome do Senhor: ¶
Quando uma pessoa é colocada em circunstâncias em que não pode de forma alguma obter uma partícula sequer de nada para sustentar a vida, é então seu privilégio exercer fé em Deus para alimentá-la, que poderia fazer com que um corvo apanhasse um pedaço de carne seca em algum lugar onde houvesse fartura, e o deixasse cair sobre o homem faminto. Quando eu não posso alimentar-me pelos meios que Deus colocou em meu poder, é então o momento oportuno para que ele exerça sua providência de maneira incomum para suprir minhas necessidades. Mas, enquanto pudermos ajudar a nós mesmos, é nosso dever fazê-lo. Se um Santo de Deus for trancado em uma prisão por seus inimigos para morrer de fome, é então o momento oportuno para Deus intervir e alimentá-lo. (Ibid., edição de 1925, pp. 240-41; edição de 1943, p. 155.) O Senhor Provê O Senhor cumpre suas promessas nestes dias, assim como nos dias do antigo Israel. Quando Israel fazia a trilha do Egito para a Terra Prometida e surgiram circunstâncias em que não havia alimento no acampamento de Israel, o Senhor fez com que codornizes viessem ao acampamento de Israel em grande abundância, provendo-lhes carne, e, na manhã seguinte, havia maná no chão para prover pão. O Senhor é o mesmo ontem, hoje e para sempre, pois na memória de todos nós está a história dos pioneiros que haviam plantado lavouras que prometiam uma colheita abundante, mas nuvens de grilos sobrevoaram o vale, pousaram sobre as lavouras e começaram a devorá-las. Os robustos pioneiros, homens e mulheres, puseram-se a trabalhar com fogo e água para destruir a praga; mas seus esforços foram em vão. Então um dos grandes fundamentos da segurança espiritual, a fé em Deus e a súplica a ele por ajuda, foi posto em prática pelo povo. De joelhos nos campos, em seus lares e nas casas de adoração, suplicaram pela ajuda do Senhor. A resposta foi prontamente dada na forma de miríades de gaivotas que pousaram sobre os campos, destruindo os grilos, e as lavouras foram salvas. ¶
Segurança no Evangelho Os reis econômicos não podem responder às orações do povo, pois não passam de falsos profetas. São comparáveis aos deuses de Baal, cujos falsos profetas forçavam o povo a depositar sobre o altar do sacrifício seus recursos e seu direito de adorar o Deus verdadeiro e vivo. Em troca, o povo era recompensado com escravidão e sujeição. A segurança, espiritual e temporal, só pode ser encontrada no evangelho restaurado do Senhor Jesus Cristo. Por meio de revelações, tanto antigas quanto modernas, a palavra do Senhor é infalível, e suas promessas são cumpridas quando fundamentadas na fé e na obediência. O Senhor declarou, por meio do Profeta Joseph Smith, na Seção 27, versículos 15 a 18, de Doutrina e Convênios: ¶
Portanto, alegrai-vos e rejubilai-vos e cingi os lombos e tomai sobre vós toda a minha armadura, para que possais resistir no dia mau, havendo feito tudo, a fim de subsistirdes. ¶
Estai, pois, firmes, tendo cingidos os lombos com a verdade, tendo vestida a couraça da retidão e calçados os pés com a preparação do evangelho da paz, o qual, para vos confiar, enviei meus anjos; Tomando o escudo da fé com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados dos iníquos; E tomai o capacete da salvação e a espada de meu Espírito, que derramarei sobre vós, e minha palavra, que vos revelo; e concordai acerca de todas as coisas que me pedirdes; e sede fiéis até que eu venha e sereis arrebatados, para que onde eu estiver estejais vós também. ¶
D. & C. 27:15-18.) "Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça: ¶
e todas essas coisas vos serão acrescentadas." ¶
Que o Senhor nos abençoe na conquista da segurança espiritual e temporal, a fim de que possamos desfrutar de um lugar em seu reino celestial, é o que humildemente oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶