O Sacerdócio de Melquisedeque e a Salvação da Família
George F. Richards
A citação a seguir é da Pérola de Grande Valor, a palavra do Senhor a seu servo Moisés, o Profeta: ¶
Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem. (Moisés 1:39.) A Salvação do Homem Por isso temos o evangelho e a Igreja do Mestre, tal como é desfrutado pelos Santos dos Últimos Dias de hoje, pois é por meio dessas fontes que Ele se propõe a realizar todos os Seus desígnios relativos à salvação do homem. ¶
Recaem, portanto, tremendas responsabilidades sobre Sua Igreja, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, relativas à salvação dos filhos dos homens; uma das maiores delas é pregar este evangelho do reino em todo o mundo, como testemunho a todas as nações, antes que venha o fim. ¶
E o que está a Igreja fazendo a respeito? Ela mantém cerca de cinco mil missionários nos campos missionários e nas missões de estaca da Igreja, com várias centenas a mais, no momento presente, nas nações da terra e nas ilhas dos mares, onde se realiza um intenso trabalho de proselitismo e uma maravilhosa obra de conversão está sendo consumada. ¶
Existe também uma condição em casa, nas estacas de Sião, que requer missionários capazes, zelosos pela causa do Mestre e pelo bem-estar e salvação de seus semelhantes. ¶
Membros Adultos do Sacerdócio Aarônico Segundo as últimas estatísticas compiladas no gabinete do Bispado Presidente, há 53.392 membros do sexo masculino da Igreja, com mais de vinte e um anos de idade, que ocupam algum ofício no Sacerdócio Aarônico e que não receberam o Sacerdócio de Melquisedeque. ¶
Estes são designados membros adultos do Sacerdócio Aarônico. ¶
Há 17.643 membros do sexo masculino da Igreja, com mais de vinte e um anos de idade, que não possuem sacerdócio algum. Somando-se esses dois grupos, temos 71.035 membros do sexo masculino, com mais de vinte e um anos de idade, que não possuem o Sacerdócio de Melquisedeque; um número suficiente para encher este Tabernáculo sete vezes até sua capacidade, estimando-se a capacidade de lotação em dez mil pessoas. ¶
Estes números são assombrosos, e representam apenas aqueles que vivem nas estacas organizadas da Igreja. As missões também têm a sua cota. ¶
Espera-se que os rapazes dignos da Igreja recebam, aos doze anos de idade, o ofício de diácono no Sacerdócio Aarônico; aos quinze anos, o ofício de mestre; aos dezessete anos, o ofício de sacerdote; e aos dezenove anos, o ofício de élder no Sacerdócio de Melquisedeque. ¶
A Importância do Sacerdócio As estatísticas mostram que há na Igreja 3.648 membros do sexo masculino, entre as idades de doze e vinte e um anos, que não possuem ofício algum no sacerdócio. ¶
Pode-se perguntar quão importante é que os membros do sexo masculino da Igreja recebam o sacerdócio, e quão grave é para eles não o fazerem. O Senhor responde a essa pergunta desta maneira: ¶
E ai de todos os que recusam esse sacerdócio. (D&C ¶
84:42.) Como Santos dos Últimos Dias, o objetivo de nossa existência e o propósito de nossa vida são obter uma exaltação no reino e na presença do Pai e do Filho; e o homem não pode alcançar essa glória sem receber o Sacerdócio de Melquisedeque. Sendo isso verdade, a importância de os homens da Igreja receberem o Sacerdócio de Melquisedeque é tão grande quanto a própria salvação. ¶
As santas investiduras administradas nos templos do Senhor destinam-se a preparar homens e mulheres para entrarem no reino celestial e na presença de Deus, o Pai, e de Seu Filho Jesus Cristo. ¶
Mas, para receber essas investiduras, o homem deve primeiro receber o Sacerdócio de Melquisedeque. O casamento pelo tempo e pela eternidade, tal como ordenado por Deus, é necessário para a salvação do homem. ¶
. . . nem o homem é sem a mulher, nem a mulher, sem o homem, no Senhor. (1 Cor. 11:11.) O Casamento Eterno Mas o homem deve receber o Sacerdócio de Melquisedeque e as investiduras antes de poder ir ao templo e casar-se pelo tempo e pela eternidade — daí a importância de receber o Sacerdócio de Melquisedeque. ¶
Dos 71.035 homens da Igreja com mais de vinte e um anos de idade que não receberam o Sacerdócio de Melquisedeque, uma grande porcentagem deles, sem dúvida, é casada e está criando família. ¶
Não tendo recebido o Sacerdócio de Melquisedeque, sabemos que seus casamentos não são para a eternidade, como ordenado por Deus, e que seus filhos não estão nascendo sob o novo e eterno convênio do casamento. Os homens da Igreja que se casaram apenas pelo tempo correm o risco de perder suas esposas e seus filhos, se não tomarem as providências necessárias para receber o sacerdócio e as ordenanças de selamento — "... meu Espírito [o Espírito de Deus] não contenderá para sempre com o homem . . ." (Éter 2:15). Nem tampouco a paciência de uma boa mulher. Por exemplo, um homem e uma mulher vieram ao templo com recomendação para se casarem, e com eles estavam dois filhos que a mulher tivera de um marido anterior. A mãe desejava que os filhos fossem selados a ela e ao homem a quem estava prestes a ser selada. Mas, e quanto ao pai desses filhos e aos seus direitos na questão? ¶
Regras nas Obras do Templo Há uma regra (regra 30) que rege as obras do templo, a qual diz: ¶
Os filhos não devem ser selados a outros que não sejam seus próprios pais, exceto por razões importantes, e somente então mediante autorização especial do presidente do templo. ¶
Daí o recurso ao presidente do templo: os direitos do pai, nesse caso, precisam ser considerados. Estando o pai falecido, a mãe era a única testemunha disponível. A sua história foi a seguinte: ¶
O pai e a mãe, antes do casamento, eram membros da Igreja, e, ao pensarem em se casar, ela desejava ir ao templo para o casamento, mas ele não vivia sua religião de modo a ser considerado digno de uma recomendação para tal fim. Ela decidiu casar-se com ele pela lei civil, com o entendimento e a promessa dele de que se tornaria digno, e que mais tarde iriam ao templo e seriam selados. Ele não cumpriu sua promessa. Vários anos depois de nascidos esses filhos, ele adoeceu e finalmente faleceu. Ela disse que o cuidou durante um longo período de doença antes de sua morte, e sentiu que havia cumprido plenamente o seu dever para com ele como sua esposa, mas não desejava ser selada a ele para a eternidade, e desejava que seus filhos fossem selados a ela e ao homem de sua escolha. ¶
As regras do templo (regra 36) determinam que, quando um homem e uma mulher se casam pela lei civil e têm filhos, e depois se separam, de modo que os filhos não possam ser selados a ambos os pais, se um deles foi inteiramente digno e o outro indigno, os filhos podem ser selados ao pai ou à mãe digno e ao seu cônjuge selado. ¶
Sob essa regra, foi dada permissão para que os filhos fossem selados à mãe e ao homem a quem ela está selada; assim, o pai, por sua indignidade e negligência, perdeu sua esposa e seus filhos. Este é apenas um caso de uma classe demasiadamente numerosa. ¶
Perda por Negligência Há outra classe de membros que, sem o elemento da indignidade, mas por pura negligência, podem perder suas esposas e seus filhos. Uma moça e um rapaz Santos dos Últimos Dias, ao pensarem em casamento, decidiram casar-se fora do templo e mais tarde ir ao templo para o selamento. O tempo passou até que tiveram três filhos, e o marido adoeceu e morreu. Algum tempo depois, um homem Santo dos Últimos Dias apareceu, cortejou e casou-se com a jovem viúva, com o entendimento de que iriam ao templo mais tarde, e ele agiria como procurador para que ela e seus filhos fossem selados a seu falecido marido. Essa obra planejada foi adiada até que ela teve três filhos de seu segundo marido, o qual agora pensa que tem tanto direito a ela para a eternidade quanto o seu marido falecido. A mulher deseja saber a qual dos maridos ela e seus seis filhos deveriam ser selados. Disseram-lhe que ela teria de decidir a qual marido seria selada, e que a ele e a ela todos os seis filhos deveriam ser selados. É provável que ela escolha o marido vivo, caso em que o primeiro marido perde sua esposa e seus filhos, por sua própria negligência. Isso representa outra classe de casos, e eles, com pequenas variações, são numerosos na Igreja: evidências da insensatez de se negligenciarem as oportunidades religiosas. ¶
Perda por Indignidade Outra classe infeliz consiste naqueles que foram casados pelo tempo e pela eternidade, e mais tarde o marido se torna morno, inativo e indigno, resultando num casamento muito infeliz. O marido morre; a esposa obtém o cancelamento do selamento; ela mais tarde se casa com outro homem pelo tempo e pela eternidade; o primeiro marido perdeu sua esposa, e possivelmente seus filhos, por causa de sua indignidade. ¶
Em benefício desses homens, de suas esposas e de seus filhos, nenhum esforço deve ser poupado para melhorar essas condições. Pelo bem do Senhor e de Sua Igreja, também, devemos procurar amar essas pessoas até a atividade e o serviço. Ele precisa delas na liderança e nas organizações da Igreja, nos quóruns, alas, estacas e missões. Elas devem ao Senhor colocarem-se em posição e condição de serem usadas em Seu serviço. ¶
Obra Missionária A obra missionária individual, da parte dos membros ativos, está de acordo com a maneira do Senhor de tratar tanto os membros indiferentes da Igreja quanto os não membros. Na Doutrina e Convênios temos a palavra do Senhor da seguinte forma: ¶
Eis que vos enviei para testificar e advertir o povo, e todo aquele que for advertido deverá advertir seu próximo. ¶
Portanto, não têm desculpa e seus pecados estão sobre sua própria cabeça. (D&C 88:81-82.) Dessa revelação, entendo que o Senhor espera que toda pessoa que recebeu o evangelho seja Sua missionária por toda a vida — não necessariamente indo ao exterior apenas por chamado especial, mas buscando oportunidade para pregar o evangelho também aos seus vizinhos não membros. Não devemos temer oferecer ao nosso próximo, ou a qualquer pessoa que deseje obter a salvação, aquilo que, se aceito e seguido em seus preceitos, será para eles tão valioso quanto é para nós, o que é de mais valor do que qualquer outra coisa na vida, ou do que a própria vida. ¶
Que existem entre nós muitas pessoas que precisam daquilo que temos a oferecer — a mensagem do evangelho — não pode haver dúvida, pelo fato de que estão sendo convertidas em grande número dentro das estacas e alas da Igreja. As almas desses membros inativos e não membros entre nós são tão preciosas quanto as almas das pessoas em países estrangeiros e nas ilhas dos mares, onde nossos missionários estão trabalhando. Em conclusão, permiti-me ler algumas linhas de poesia. ¶
Que doce será, ao entardecer, Se tu e eu pudermos dizer: Bom Mestre, temos buscado As ovelhas que se desgarraram — Doloridos e famintos de coração Ouvimo-las gemer, E eis que ao anoitecer chegamos Trazendo-as em segurança para casa. ¶
Que o Senhor acrescente Suas bênçãos, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶