O Espírito de Arrependimento e Perdão
Matthew Cowley
Penso que, a esta altura, estamos convencidos, irmãos e irmãs, de que o tema desta conferência é o arrependimento. Fomos chamados ao arrependimento em sermão e em oração. Durante treze anos, passei grande parte do meu tempo entre pessoas que sabem se arrepender. ¶
Nunca vi arrependimento tão belo em toda a minha experiência como o que vi entre o povo do Pacífico Sul. ¶
Arrependimento Rápido E, enquanto pensava neste princípio do arrependimento, veio-me à mente uma experiência que tive durante os anos de guerra, quando nossos jovens partiam da Nova Zelândia para a guerra. Certo dia, entraram em meu escritório dois jovens irmãos maoris. Estavam de uniforme. Haviam se voluntariado. Os nativos da Nova Zelândia não são convocados nem alistados compulsoriamente no serviço militar; precisam se voluntariar. Esses dois jovens estavam prestes a embarcar para o Oriente Próximo, e, quando entraram em meu escritório, percebi o odor de bebida alcoólica. Mas não fiquei surpreso quando pediram uma bênção, pois os conhecia bem; eu havia morado na casa da mãe deles em minha primeira missão. Perguntei-lhes: "Mereceis uma bênção?" Eles sabiam o que eu queria dizer, e responderam: "Achamos que agora sim; nos arrependemos há alguns minutos." É essa a rapidez com que um polinésio se arrepende. ¶
Em condições normais, penso que eu não lhes teria dado uma bênção naquele momento, mas, ao olhar para eles no uniforme de soldados que se haviam voluntariado para dar suas vidas a fim de que eu pudesse desfrutar de liberdade, liberdade religiosa e de todas as outras liberdades, o Espírito me impeliu a abençoá-los. Em minha bênção, chamei-os ao arrependimento e lhes disse que as bênçãos estavam inteiramente condicionadas ao arrependimento. Prometi-lhes que, por meio de seu arrependimento e de seus exemplos justos como soldados no teatro de guerra para o qual iam, voltariam para casa. E que orgulhoso estava um daqueles jovens quando, há apenas um ano, veio até mim e me disse que era conselheiro do presidente de um dos ramos na Nova Zelândia, e que seu irmão era muito ativo na Igreja. Desde o minuto em que se arrependeram, ao vir a meu escritório, na Queen Street em Auckland, Nova Zelândia, não haviam quebrado a Palavra de Sabedoria. ¶
Necessidade de Discernimento Penso que uma das grandes responsabilidades que temos, nós que possuímos o sacerdócio, é a responsabilidade de adquirir um discernimento, um espírito de discernimento, para que possamos realmente saber quando um homem se arrependeu. ¶
Certo dia, eu caminhava por uma rua de uma de nossas cidades na Nova Zelândia com meu presidente de missão, durante minha primeira missão. ¶
Eu estava hospedado na casa de um dos membros de nossa Igreja, e isso era tudo o que ele era, apenas um membro. Havia sido um bebedor contumaz por anos, e eu raramente o via sem seu cachimbo na boca. O presidente e eu o encontramos na rua. Aproximamo-nos dele, e o presidente, chamando-o pelo nome, disse: "Quero que te prepares para levar tua esposa ao templo de Deus e serdes selados um ao outro." Quando voltei à Nova Zelândia em minha segunda missão, aquele homem era o presidente do melhor distrito que tínhamos na missão da Nova Zelândia, e como me emocionei ao ouvir seu testemunho de que, desde o minuto em que fora convidado a se arrepender pelo sacerdócio de Deus, jamais havia quebrado a Palavra de Sabedoria. E não apenas veio ao Templo Havaiano, mas também veio a este templo e recebeu as bênçãos que Deus concede a todos os que se arrependem devidamente. ¶
Compreendendo os Polinésios Amo o espírito de arrependimento naquele povo. E lembro-me agora de que este é o ano do centenário da Missão Havaiana, uma missão engrandecida por missionários como o Presidente George Q. Cannon, o Presidente Joseph F. Smith, Lorenzo Snow e muitos outros. E, à medida que tenho trabalhado entre aquele povo, e sempre que me coube julgá-los, mesmo quando sua condição de membros da Igreja estava em jogo, sempre me disse: "O que teria feito Joseph F. Smith neste caso? O que teria feito o Presidente George Q. Cannon nesta situação em particular?" Passei grande parte do meu tempo procurando descobrir, ou tentando descobrir, qual era a atitude daqueles homens grandiosos e nobres para com os ilhéus polinésios, e ainda não ouvi que o Presidente George Q. Cannon ou o Presidente Joseph F. Smith jamais tenham proferido algo que não fossem palavras de amor para com aquele povo, fosse ele ativo ou inativo na Igreja. Assim também meu coração sempre se voltou para eles com grande amor. ¶
Eles são diferentes de nós. Precisam ser tratados de maneira diferente. Precisamos compreendê-los, mas não precisamos também compreender a nós mesmos? E neste assunto de arrepender e perdoar homens e mulheres de seus pecados, devemos compreender uns aos outros. ¶
Devemos procurar vê-los tanto quanto possível com os próprios olhos deles e obter o ponto de vista deles, tanto quanto obtemos o nosso próprio. ¶
Como precisamos orar a Deus pelo espírito de discernimento! ¶
Como precisamos saber que Deus é amor, e que ele perdoa aqueles que se arrependem! ¶
Espírito de Perdão Justamente ontem eu havia copiado de um dos sermões do Presidente Joseph F. Smith algumas palavras que ele proferiu deste púlpito numa das conferências gerais. Foi no último dia da conferência, e foram suas últimas palavras àquela grande assembleia. Gostaria de lê-las aqui. Penso que vós lereis nestas palavras o espírito de amor, de perdão, que sei que o Presidente Smith adquiriu de sua convivência com aquele povo maravilhoso das Ilhas Polinésias. "Irmãos e irmãs, queremos que sejais unidos." Também ouvimos esse tema nesta conferência, e muitos de nós precisam se arrepender porque não somos um; não somos tão leais quanto deveríamos ser. ¶
Esperamos e oramos para que volteis desta conferência a vossos lares, sentindo em vossos corações e desde o mais profundo de vossas almas perdoar uns aos outros e jamais, a partir de agora, guardar malícia contra outra criatura semelhante. Não me importa se ele é membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ou não, se é amigo ou inimigo, se é bom ou mau. É extremamente prejudicial que qualquer homem que possua o sacerdócio e desfrute do dom do Espírito Santo abrigue um espírito de inveja, ou malícia, ou retaliação, ou intolerância para com ou contra seu semelhante. Devemos dizer em nossos corações: "Que Deus julgue entre mim e ti, mas, quanto a mim, perdoarei." Quero dizer-vos que os Santos dos Últimos Dias que abrigam em suas almas um sentimento de não perdoar são mais censuráveis do que aquele que pecou contra eles. Ide para casa e afastai de vossos corações a inveja e o ódio; afastai o sentimento de não perdoar; e cultivai em vossas almas aquele espírito de Cristo que clamou na cruz: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." Este é o espírito que os Santos dos Últimos Dias devem possuir o dia inteiro. O homem que tem esse espírito no coração e o conserva ali jamais terá qualquer problema com seu próximo; ... mas estará sempre em paz com Deus. É bom estar em paz com Deus. ¶
(Conference Report, outubro de 1902, pp. 86-87.) "Sem malícia para com ninguém, com caridade para com todos, com firmeza no que é certo, conforme Deus nos dá a ver o que é certo," esforcemo-nos, irmãos e irmãs, para concluir esta grande obra em que estamos, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶