Pulpit

Cidadania Fiel e a Constituição Divinamente Inspirada

Joseph F. Merrill

1949 October General Conference·First Day Afternoon Session·1949-09-30

Irmãos, irmãs e ouvintes do rádio, como preliminar a outras observações, gostaria de me referir por um momento ao Profeta Joseph Smith, mencionado esta manhã tanto em oração quanto em discurso. É porque Joseph Smith viveu e atuou que todos nós estamos aqui hoje, e eu já disse deste púlpito e de outros púlpitos que, em minha opinião, Joseph Smith foi um homem mais maravilhoso, o maior profeta que este mundo já viu, à parte o próprio Jesus Cristo, e, como creio que a história declarará, um dos maiores americanos que este país já conheceu.

Por que me sinto justificado em dizer tudo isso? Creio que uma investigação real, séria e honesta sobre Joseph Smith, desde o momento de seu nascimento até o momento de sua morte, justificará qualquer pessoa que examine cuidadosamente toda a história e todas as coisas que ele fez, ao dizer que ele foi, ao menos, um homem mais maravilhoso, e, ao chegar a essa conclusão, tal investigador se guiaria exatamente pelo mesmo padrão usado para julgar a grandeza de todas as outras pessoas: pelos seus frutos ele será conhecido, por suas obras ele deve ser julgado. E, em minha opinião, todo homem e mulher honestos, conscienciosos e inteligentes, à luz de suas afirmações, deveriam sentir-se justificados em examinar cuidadosamente este homem maravilhoso.

Uma Religião Prática

Nos poucos minutos que me são concedidos, desejo falar em linguagem simples e cotidiana sobre algumas coisas que considero importantes para todos nós estudarmos e ponderarmos. Antes de mais nada, o evangelho de Jesus Cristo, tal como aceito e ensinado pelos élderes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é uma religião muito prática — uma que deve entrar em cada fase da vida de seus membros, seja essa fase espiritual ou material. Um de nossos ensinamentos básicos é que a fé sem obras é morta. "... mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tiago 2:18.) E ainda: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." (Mateus 7:21.) Outros de nossos ensinamentos pertinentes ao meu tema são os artigos 12 e 13 de nossa fé:

Cremos na submissão a reis, presidentes, governantes, e magistrados; na obediência, honra, e manutenção da lei.

Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens . . .

Se colocarmos esses artigos em prática em nossa vida diária, seremos bons membros de família, bons vizinhos, bons cidadãos e bons membros da Igreja.

A Constituição Divinamente Inspirada

Ensinamos ainda que a Constituição dos Estados Unidos, tal como nos chegou dos fundadores desta república, é um documento divinamente inspirado. De uma declaração de crença encontrada na Seção 134 de Doutrina e Convênios, aprovada por voto unânime de uma assembleia da Igreja realizada em Kirtland, em agosto de 1835, faço as seguintes citações:

Nós cremos que os governos foram instituídos por Deus em benefício do homem; e que ele considera os homens responsáveis por seus atos em relação aos mesmos, tanto na formulação de leis como em sua execução, para o bem e segurança da sociedade.

Cremos que nenhum governo pode existir em paz a não ser que tais leis sejam feitas e mantidas invioladas, de modo a garantir a todo indivíduo o livre exercício de consciência, o direito e domínio de propriedade e a proteção da vida.

Cremos que todos os governos requerem necessariamente representantes e magistrados civis para executar suas leis; e devem-se procurar e apoiar pessoas para administrar a lei com equidade e justiça, pela voz do povo, caso se trate de uma república, ou pela vontade do soberano.

Além disso, também apoiamos as declarações contidas na Declaração de Independência de que todos os homens são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis; que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Que, para assegurar esses direitos, os governos são instituídos entre os homens, derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados . . .

À luz das afirmações precedentes, tenho certeza de que todos os Santos dos Últimos Dias devem crer que sua religião lhes impõe a obrigação sagrada de procurar ser bons cidadãos do país sob cuja bandeira vivem. Neste país — os Estados Unidos — essa obrigação, entre outras coisas, implica o dever de votar nas eleições para cargos públicos. E em quem devem votar? Obviamente, naquelas pessoas capazes que, segundo creem, serão fiéis, se eleitas, a seus juramentos de posse; naquelas que sustentarão a Constituição dos Estados Unidos e as leis feitas em harmonia com ela. Cumprir esse dever é uma obrigação que todo cidadão leal deste país deveria sentir-se obrigado, por honra, a desempenhar. A segurança e a perpetuidade de nossa forma constitucional de governo o exigem, assim nos dizem os historiadores.

Eleições Críticas

Como vejo a situação, as eleições nacionais de 1950 e 1952 estarão entre as mais críticas e de maior alcance que este país teve em um século. Forças poderosas estão sendo organizadas e fortemente financiadas para derrotar, nessas eleições, todos os candidatos que votaram a favor ou apoiam a lei trabalhista Taft-Hartley. Se esse movimento tiver êxito, líderes mal orientados de alguns grupos organizados dominarão o Congresso dos Estados Unidos, a Casa Branca e todos os demais cargos do governo, cujas funções ajudariam a trazer à existência um estado de bem-estar social — isto é, um que operaria segundo os princípios do socialismo. Não que esses líderes favoreçam tal estado, mas as coisas que exigem inevitavelmente o trariam, assim dizem homens sábios. O resultado seria que nosso sistema de livre iniciativa, o sistema que tem operado neste país desde o seu início, aquele que permitiu que ele se tornasse a maravilha e o assombro do mundo moderno pela variedade e magnitude de sua engenhosa capacidade produtiva, esse sistema seria bastante rapidamente destruído, assim ensina a história. Do contrário, o monopólio de líderes trabalhistas egoístas precisa ser quebrado. A liberdade e a liberdade pessoal — o orgulho e o brasão da América, a conquista de séculos de sacrifício humano e luta sangrenta — correm grande perigo devido à ascensão desse movimento destrutivo, arquitetado e dirigido por líderes hábeis e mal orientados em cuja mente e coração o certo, a justiça e a equidade aparentemente recebem pouca ou nenhuma consideração. Seus seguidores aparentemente têm depositado confiança em seus líderes e aceitado como verdadeiras as declarações e alegações falsas e enganosas de certos homens quanto às disposições da lei trabalhista Taft-Hartley. Assim, na mente de muitos trabalhadores, essa lei é opressiva, injusta, iníqua e rouba dos trabalhadores os ganhos que lhes são de direito, obtidos sob as disposições da revogada lei trabalhista Wagner.

Disposições da Lei Taft-Hartley

Mas permitam-me perguntar: quantos desses trabalhadores e de outras pessoas já leram a lei Taft-Hartley e compreendem plenamente quais são suas disposições? Entendo que essa lei foi concebida para proteger os direitos e a liberdade tanto dos empregados quanto dos empregadores, e tornar sindicatos e empresas igualmente responsáveis perante a lei por seus contratos, obrigações etc. Que cidadão de mente reta desejaria outro tipo de lei? Em todo caso, dois terços dos membros de cada uma das câmaras do Congresso dos Estados Unidos acreditam que o projeto Taft-Hartley seria, pelo menos, uma lei razoavelmente boa, pois o aprovaram sobre o veto do presidente. Não é isso significativo à luz do fato de que muitos membros do partido dele votaram para derrubar o veto?

Mas a questão de se esta é uma boa ou má lei tem sido, e continua sendo, calorosamente debatida. Para fazer essa lei funcionar de modo mais equitativo, diz-se que ela precisa de emendas. Se assim for, que sejam feitas. Mas, nessa situação, o que devem fazer os eleitores do país? Do meu ponto de vista, o direito ao voto impõe a todo aquele que o possui a obrigação de fazer um estudo completo, justo e imparcial das questões envolvidas em uma eleição, e então apoiar os candidatos que defendem os princípios e as medidas que o eleitor sincera e honestamente crê que serão para o melhor bem de todo o povo e, portanto, para os melhores interesses do país como um todo. Se o egoísmo, a cobiça, os motivos iníquos e a ambição indigna dominarem em nossas eleições, a liberdade que tem sido o orgulho e a glória da América desaparecerá — muitas pessoas serão praticamente escravizadas, como ocorre hoje na Rússia — assim predizem os historiadores.

O Desejo de Ter Mais

Mas as perspectivas não são nada animadoras, pois um egoísmo injustificável e insaciável já fez profundas incursões na economia deste país e ainda não está satisfeito. O desejo de obter cada vez mais por cada vez menos, incentivado por alguns políticos, tem crescido cada vez mais forte entre diferentes grupos de pessoas, especialmente entre os sindicatos trabalhistas.

Neste ponto, permitam-me citar um artigo do número de março de 1949 da Reader's Digest, escrito por E. T. Leech, editor do The Pittsburg Press, como segue:

Este país — na verdade, o mundo inteiro — está sendo varrido por uma epidemia dos "me dá". Quase todos querem receber alguma coisa às custas de outra pessoa. Essa epidemia nasce da crença de que o governo pode, de algum modo, prover auxílio e segurança a seu povo, não importa o custo nem o quanto já esteja endividado.

Quanto mais o governo provê, mais se espera dele. Uma das penalidades da assistência governamental é um generalizado enfraquecimento do senso de responsabilidade. O vigor individual e a autodeterminação diminuem justamente quando as despesas públicas aumentam. Esse desenvolvimento paralelo já destruiu outras nações. Foi ele que permitiu que alguns milhares de bárbaros derrubassem o poderoso Império Romano. Os romanos passaram a depender do estado para comida, abrigo e entretenimento. Em sua avidez por segurança gratuita às custas do estado, tornaram-se tão inseguros que perderam tudo.

Um estado nada mais é do que um grande número de indivíduos. No fim, está sujeito às mesmas limitações que o indivíduo; paga as mesmas penalidades por má administração. Tomemos a dívida, por exemplo. O Governo dos Estados Unidos deve mais de 250 bilhões de dólares — mais de $6000 por cada família americana. Outras subdivisões políticas — estados, cidades, condados, distritos escolares — devem 20 bilhões.

Todas elas estão sob tremenda pressão para prover mais serviços e maiores benefícios. Todas têm de aumentar impostos e tomar dinheiro emprestado para despejá-lo sobre um público jamais satisfeito.

A ideia popular é que esses fundos podem ser obtidos dos ricos e das grandes corporações — de modo que a maioria das pessoas possa ter os benefícios sem pagar o custo. Mas ninguém consegue nada de graça. Todos compartilham a dívida. Todos pagam impostos — diretos ou indiretos.

Não há ricos suficientes para permitir que o governo se financie às custas deles. Se o governo tomasse toda a riqueza das corporações, isso não colocaria o país em uma quilha financeira firme. Mas colocaria as corporações fora do negócio e os trabalhadores fora do emprego. Enquanto isso, tudo o que as grandes empresas pagam ao governo se torna parte do custo dos bens que produzem — um fator importante no custo de vida de todos.

Somente uma consciência mais ampla desses fatos básicos pode deter a tragédia que há de acontecer, eventualmente, se a teoria de "dar tudo a todos" continuar sem controle.

Planos de Pensão

Como exemplo dessa mania dos "me dá", vejamos as exigências que certos dirigentes agora fazem a várias grandes corporações. Exigem algo novo — apólices de seguro e pensões vitalícias, variando de $100 a $150 mensais, ambas a serem pagas inteiramente pelos empregadores — absolutamente algo por nada. Quem forneceria o dinheiro para esses benefícios? O público, é claro, aqueles que compram os bens e serviços que as empresas vendem. Quando o custo de produção sobe, os preços sobem. A experiência dos últimos quatro anos comprova definitivamente isso. Mas muitos desses empregados das empresas já recebem os salários mais altos — salários muito mais elevados do que os geralmente pagos a empregados e outros trabalhadores dedicados a empreendimentos comerciais comuns e outros. Há algo de justo, correto ou equitativo em pedir a esses outros trabalhadores que proporcionem benefícios gratuitos a empregados de empresas mais bem remunerados?

Poder-se-ia dizer, no entanto, que a política de proporcionar benefícios de aposentadoria em um plano de meio a meio já é comum entre professores, funcionários do serviço público federal e outros — empregador e empregado pagando cada um metade. Isso é considerado um plano razoável. Aquele em que o empregador paga tudo está errado em princípio, ruim como exemplo, prejudicial tanto para o empregado quanto para o empregador, ainda que algumas corporações pensionem seus diretores sem custo algum para estes — uma prática insensata e errada, que deveria ser abandonada.

É verdade, é claro, que os empregados de corporações estão geralmente organizados em poderosos sindicatos aos quais políticos truculentos se curvam e bajulam, dando-lhes apoio. Os sindicatos respaldam suas exigências com greves e piquetes tão perigosos de atravessar que outros trabalhadores não se arriscam a fazê-lo. Assim, a produção para, e o público inocente sofre. Não é isso, em princípio, exatamente o mesmo jogo de assalto praticado pelo assaltante de banco? Mas nossas leis fazem deste último um crime grave, enquanto o primeiro é apadrinhado por autoridades e políticos truculentos que têm o olho na fonte de onde vêm os votos. A situação parece estar se tornando muito crítica. Alguns líderes de grupo aparentemente têm o país pela garganta e ainda exigem a revogação das restrições que limitam seu poder. A menos que esse poder seja ainda mais limitado, este país estará absolutamente sob a dominação desses homens.

Campanha de Educação

O que se pode fazer a esse respeito? Que se leve adiante, vigorosamente, uma campanha de educação do público, com o propósito de induzir todos os eleitores a fazer um estudo cuidadoso de todos os fatos pertinentes — não fantasias e propaganda — relativos à mania dos "me dá". Há especialistas cultos e experientes que falam e escrevem sobre a situação com o propósito digno de nos dar a verdade. Em nosso estudo, vamos a eles e evitemos os excêntricos e os propagandistas, mesmo que sejam autoridades truculentas. Confiarei em um público americano bem informado. Tenho certeza de que um vasto número de membros de grupos organizados são cidadãos americanos leais e votariam contra homens e medidas que, por palavra e ato, tendessem a destruir o sistema de livre iniciativa da América e que colocassem em risco o direito à "vida, liberdade e busca da felicidade" dos americanos leais.

Mas a situação, repito, é ameaçadora, crítica. As eleições de 1950 e 1952 decidirão, sem dúvida, se teremos na América liberdade ou um monopólio controlado por chefes de grupo — liberdade sob leis justas, corretas e equitativas, imparcialmente administradas, ou escravidão sob a ditadura desses chefes mal orientados. Que esta seja, de todo modo, a questão dominante. Outras questões, embora altamente importantes, podem esperar a resolução desta. Não vale a pena salvar a República? Quem duvida disso?

Apoio à Constituição

Por que falo dessas coisas? Porque nossa religião, tal como a entendo, exige que defendamos a Constituição divinamente inspirada dos Estados Unidos e que recusemos apoio a todos os candidatos e medidas que trouxessem uma condição estranha ao espírito desse instrumento e que entregassem nosso governo e nosso país ao controle e aos ditames de chefes autocráticos, sejam quem forem.

Nossa religião ensina, sem reservas, a paternidade de Deus e a irmandade universal do homem, e que devemos amar o nosso próximo como amamos a nós mesmos. Todos nós somos exortados a fazer isso. Toda a minha vida tenho sido plenamente solidário com aqueles que labutam, aqueles que ganham o pão com o suor de sua fronte. Por mais de setenta anos tenho sido um deles. Amo o trabalhador honesto. Não peço dele mais do que peço de mim mesmo — que é — procurar sinceramente viver a Regra de Ouro em todas as nossas relações com o nosso próximo. Que mais podemos, com justiça, pedir a alguém?

Oro para que o Senhor nos dê a todos um desejo, e a sabedoria e a coragem de fazer aquilo que ele quer que façamos com relação a estes e a todos os outros assuntos que nos dizem respeito e ao bem-estar de nosso país, e o faço em nome de Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Merrill, “Cidadania Fiel e a Constituição Divinamente Inspirada”, 1949 October General Conference, First Day Afternoon Session (1949-09-30). Pulpit Vault, 1949-10-joseph-f-merrill-conference-address. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).