O Bem-Estar É a Obra do Senhor
Henry D. Moyle
Faz treze anos e meio, meus irmãos e irmãs, que o grande programa de bem-estar da Igreja nos foi dado. Tenho certeza de que o Senhor esteve conosco todos os dias desses muitos anos e guiou e dirigiu o rumo que este programa tomou. ¶
Progresso do Programa de Bem-Estar ¶
Meus pensamentos hoje voltam a uma das primeiras reuniões que realizamos, se bem me lembro, no Barratt Hall, quando o Presidente McKay nos disse que talvez não pudéssemos ver muito longe no futuro quanto à obra a ser feita neste grande campo de esforço, mas que, assim como um maquinista de locomotiva que tira seu trem da estação à noite, aquela luz que precedia o maquinista e sua locomotiva era simbólica do que iríamos experimentar. Tenho certeza de que aquelas palavras foram proféticas, porque nunca houve um momento, durante esses pouco mais de treze anos, em que deixássemos de ter nosso caminho iluminado, ao menos por uma curta distância adiante. ¶
Tenho consciência de que podemos ter cometido, e sem dúvida cometemos, erros no programa, tanto os membros do comitê geral quanto os presidentes de estaca e os bispos de ala, mas, de modo geral, nosso rumo tem sido direto e para a frente. E, ao revermos a obra que realizamos, ela nos satisfaz. Temos consciência de que o Senhor nos abençoou e de que ainda temos uma obra a fazer. ¶
Ouvimos muito, nesta conferência, sobre nossos deveres e nossas responsabilidades na Igreja. Tenho certeza de que somos um povo abençoado, de que muito nos foi dado, e daqueles que recebem muito espera-se que deem muito. Gostaria de saber até onde teríamos progredido neste programa se todos os bispos desta Igreja e todas as estacas de Sião tivessem se esforçado ao máximo desde o início até agora, porque realizamos o que realizamos com a ajuda de relativamente poucos, ao passo que este programa se destinava a todos. Não há ninguém rico demais nem pobre demais nesta Igreja que não pudesse ter participado deste programa de bem-estar. ¶
Meu coração se enche de gratidão a meu Pai Celestial hoje, por os corações de tantas pessoas na Igreja terem sido tocados. Eles responderam a este programa, e deram de seu tempo e de seus recursos, de seus talentos, para promover seus propósitos e dar ajuda e sustento àqueles que estavam necessitados. ¶
Ajuda Dada a uma Família Alemã ¶
Recebi, não faz muito tempo, uma carta de uma família de Santos na Alemanha, uma família que me é querida porque eu, entre outros élderes da Igreja, os ajudei a firmar em seus corações a fé necessária para requerer o batismo nesta Igreja. Nessa carta, uma avó viúva relatou que todos os membros masculinos de sua família, por quatro gerações, haviam sido exterminados pela guerra, exceto um neto aleijado. Tinham uma neta que estava doente. Os médicos haviam dito a ela, à avó e à mãe, que não havia esperança para sua vida, que havia apenas uma coisa que poderia salvá-la, pois ela sofria de doenças decorrentes da desnutrição, e essa coisa era colocá-la numa dieta de trigo triturado. ¶
Não foi por acaso que as orações dessa família foram respondidas. Elas haviam sido fiéis em guardar os mandamentos do Senhor desde que entraram nas águas do batismo. Haviam encontrado força e coragem para seguir em frente e continuar na ausência de todos os seus membros masculinos, por causa daquelas bênçãos e daquele consolo que lhes vieram como resultado das orações que ofereceram. No dia seguinte, depois que o médico proferira aquela sentença solene, chegou àquele lar um pacote de bem-estar; e, ao abri-lo, a primeira coisa que encontraram foram vinte libras de trigo triturado, que este programa de bem-estar havia fornecido. ¶
Tenho certeza de que incidentes desse tipo poderiam ser multiplicados mil vezes na vida dos Santos dos Últimos Dias, não apenas na Europa, mas também aqui em casa, e pergunto-me se algum de nós lamentaria aquilo que fizemos, aquilo que contribuímos para este programa de bem-estar, quando percebemos o que ele significou na vida dos filhos de nosso Pai Celestial por toda esta terra. E quero dizer que não precisamos ir até a Alemanha nem a nenhuma terra distante para encontrar os benefícios derivados deste programa, pois os encontramos bem aqui em casa. ¶
Projeto da Estaca Inglewood ¶
Tive o privilégio, na segunda-feira da semana passada, depois de nossa conferência trimestral na Estaca Inglewood, de ir até perto de Venice ver um pequeno projeto, um projeto bem humilde que uma ala havia instituído ali, sob a inspiração e a orientação de um bispo que, deveras, é um servo do Senhor. E lá encontrei alguns homens idosos, homens que não estavam fisicamente aptos ou qualificados para participar das atividades da indústria em competição com homens mais jovens. Todos já haviam passado dos sessenta e cinco anos. Um homem veio até mim e me disse que era grato por aquela oportunidade. Disse-me que fora amigo de meu pai a vida toda. Pensei que muito bem poderia ter sido meu pai, no lugar daquele homem, recebendo os benefícios deste programa, pois ali estava ele, empenhado nesse projeto, executando seus detalhes. Na verdade, ele o estava, na prática, supervisionando. ¶
Não consistia em nada mais do que triturar jornais, revistas, papéis de todo tipo, numa máquina bem simples que haviam comprado de segunda mão. Quando não conseguiam reunir papéis suficientes, por falta de caminhões e instalações, compravam papel a fim de poderem triturá-lo e enfardá-lo. E recebiam quarenta dólares por tonelada por aquele papel enfardado, dando emprego a um grupo de excelentes irmãos. O interessante nisso era ver como, de pequenos começos, podemos realizar grandes coisas. ¶
Este irmão, em decorrência do trabalho que ali fazia, e de uma experiência de vida inteira em negócios e na indústria, estava planejando uma nova indústria para empregar outras pessoas. Tenho certeza de que virá o dia em que aquele pequeno projeto de ala se tornará um projeto de estaca, ou até mesmo um projeto regional. Seus benefícios serão desfrutados por muitos de nossos irmãos em outras partes da Igreja, porque é um daqueles tipos de indústria que poderiam ser copiados em toda grande cidade, e em muitas das menores. ¶
Eles pagaram por tudo o que receberam com os proventos do próprio negócio, e o tornaram lucrativo. Assim, tirei dessa experiência este pensamento: que, no programa de bem-estar, precisamos da experiência e da formação dos homens e mulheres mais velhos, e que, quando eles vêm até nós em nossos projetos para nos ajudar, estão nos trazendo algo mais valioso do que aquilo que lhes damos. Isso ficou evidente ali mesmo, pelo trabalho que aquele homem estava fazendo, e sei que há milhares de outros irmãos idosos aptos e qualificados para nos ajudar da mesma maneira. ¶
A Fé Aumentada ¶
Ouvimos muito, nesta conferência — e me emocionei com cada palavra proferida aqui por meus irmãos — sobre a necessidade de vivermos o evangelho, de guardarmos os mandamentos do Senhor. Amo a admoestação do Presidente Smith para que permaneçamos no território do Senhor e fora do território do adversário. ¶
Pergunto-me se há alguma maneira tangível pela qual possamos demonstrar melhor nossa fé no Senhor Jesus Cristo e em sua obra do que quando nos empenhamos nesta obra de bem-estar, contribuindo com nosso tempo, nossos recursos e nossos talentos para promover os interesses daqueles que talvez não sejam tão afortunados ou tão jovens quanto nós no momento. ¶
É meu testemunho a vós, meus irmãos e irmãs, que nenhum de nós pode se engajar nesta obra e se encontrar no território do adversário, ou sob seu poder, ou sob seu domínio. Esta obra cultiva e desenvolve, nos homens que dela participam, uma fé em Deus. ¶
Ouvimos ontem à tarde, depois da sessão vespertina, num encontro que realizamos no escritório de bem-estar, o testemunho de um dos humildes filhos de Israel a respeito da obra de bem-estar, e daquilo que fora realizado por um pequeno grupo de homens que invocaram o Senhor em oração humilde quando se encontravam em séria dificuldade e não sabiam qual caminho seguir na operação daquele projeto, e a paz, o conforto e a satisfação que lhes vieram como resultado dessa oração. ¶
Não sei onde poderíamos encontrar, nesta Igreja, algum instrumento que faça os homens voltarem seus corações a Deus mais do que voltar nossos corações a nossos semelhantes e nos preocuparmos, de fato, com o bem-estar deles. Professamos um grande amor por nossos irmãos e irmãs nesta Igreja. Meu coração se dirige a todos vós. Amo-vos do fundo do coração. Não há nada que eu tenha, nem nada que eu possa fazer para vos ajudar em vossas vidas e em vosso trabalho, que não seja para mim um prazer fazer. E espero e oro para que o Senhor me dê força e coragem para seguir em frente e realizar todos os desejos de meu coração, e tudo o que ele tem reservado para mim em vosso favor. ¶
A Obra do Senhor ¶
Esta obra é verdadeira. Não demorei a me converter à obra de bem-estar. O Presidente Grant me chamou um dia e disse: "Irmão Moyle, gostaríamos que o senhor trabalhasse neste programa de bem-estar." Ele não me perguntou se eu estava convertido, nem me deu tempo algum para me converter, mas eu sabia então, e sei agora, que Heber J. Grant era um profeta de Deus, e, quando ele falou comigo e me deu uma designação, eu sabia que essa designação vinha de Deus, e nunca entrou em meu coração questionar se o profeta de Deus sabia ou não do que estava falando. Assim, respondi imediatamente, como fui criado a fazer durante toda a minha vida. Nunca passei um único momento de minha vida, desde aquele chamado, sem estar consciente do fato de que aqueles de nós que nos empenhamos nesta obra de bem-estar temos estado empenhados na obra do Senhor. Estivemos empenhados numa obra que muito tem feito para instilar, nos corações dos homens, um testemunho da existência de Deus e do chamado divino de seu profeta dos dias atuais; e foi com não pequena satisfação que recebemos as bênçãos do Presidente George Albert Smith quando ele assumiu a presidência desta Igreja. ¶
Senti que deveria ir até ele e dizer-lhe que seria meu privilégio renunciar e me afastar, se houvesse alguém de sua própria escolha ou chamado que ele desejasse colocar à frente das responsabilidades que então eram minhas. E ele simplesmente me disse: "Quero que o senhor continue." ¶
E assim tive o audível, o tangível, o consciente privilégio de ter dois profetas de Deus me dizerem que a obra em que estamos empenhados nesta Igreja é aquilo que o Senhor deseja que realizemos. ¶
É para mim um testemunho ainda maior de que esta obra, iniciada por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith, é deveras a obra de Deus. Sei que o Profeta Joseph Smith foi chamado pelo Senhor para abrir esta dispensação, a Dispensação da Plenitude dos Tempos, e para dar a todos nós toda bênção, todo privilégio e todo poder que seja certo o homem receber, e recebemos essas bênçãos, meus irmãos e irmãs. Sei, tão certamente como sei que vivo, que Deus vive, que Jesus é o Cristo, e que esta obra é a obra dele, e que estamos empenhados em seu ministério. Pergunto-me, com este conhecimento e esta certeza ardendo em nossos corações, como podemos deixar, aqueles de nós que estivemos presentes aqui nesta conferência hoje, de levar a sério o conselho e a admoestação que nos vieram desses irmãos inspirados que amo, todos e cada um deles. ¶
Comecem com Projetos Simples ¶
Tenho ainda esta palavra a dizer sobre o bem-estar antes de me sentar. Não esperemos até que apareça, à vista ou em nossa imaginação, algum grande projeto que exija um grande dispêndio de dinheiro, algo que possamos imaginar que pague todas as nossas dívidas e obrigações e cumpra todas as nossas designações na Igreja com pouco ou nenhum esforço de nossa parte, algum projeto que não exija trabalho algum da parte dos membros da Igreja, algo que possamos simplesmente pagar para que seja feito. ¶
Meus irmãos e irmãs, esses não são os tipos de projetos que queremos. Prefiro muito mais começar com um projeto simples e útil, e confiar em que o Senhor lançará luz adiante de nós à medida que avançarmos com esse humilde projeto, inspirando-nos a ampliá-lo conforme ele julgar conveniente. ¶
Creio que provavelmente a Estaca Nova York nos deu um exemplo. Eles têm hoje um projeto de bem-estar que consiste em produzir graxa de sapato. Ora, essa é uma atividade bem humilde, e, ainda assim, tem em si o objetivo certo, a filosofia certa. A estaca não nos pediu dinheiro algum para ajudar no estabelecimento desse projeto. Posso prometer a esses irmãos que, se permanecerem fiéis à sua confiança e forem fiéis no desempenho desse humilde projeto, a luz lhes será dada na maneira e na forma pela qual poderão expandi-lo naquela grande cidade, onde tem parecido tão impossível iniciar qualquer obra de bem-estar. ¶
Que o Senhor nos abençoe, meus irmãos e irmãs, e que voltemos para casa imbuídos da ideia de que este nosso testemunho da divindade da obra em que estamos empenhados exige de nós que façamos algo por nossos irmãos e irmãs aqui sobre esta terra, e que possamos voltar nossos corações aos menos afortunados e assim ajudá-los, oro humildemente, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶