Pulpit

Discurso da Conferência

S. Dilworth Young

Conferência Geral de Abril de 1949·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1949-04-04

Penso que seria sensato eu relatar-vos uma mudança geográfica ocorrida na Missão da Nova Inglaterra, para que fique registrada nos anais desta conferência.

A Obra em Newfoundland

No verão passado, a Primeira Presidência designou à nossa missão a Ilha de Newfoundland, uma grande ilha situada ao largo do Golfo de São Lourenço, no Oceano Atlântico. Newfoundland é uma província da Inglaterra e, no que diz respeito ao governo, tem-se mantido por conta própria há muito tempo. Até agora, seu poder governante esteve nas mãos de três comissários. Há três semanas, a Câmara dos Lordes britânica votou afirmativamente, e assim que o Rei assinar a lei, Newfoundland será uma província do Canadá. Então todas as normas aplicáveis a mercadorias e homens que entram nas províncias do Canadá se aplicarão a Newfoundland. Isso, porém, não é tudo quanto a Newfoundland. Incluído na província está o Labrador, a faixa de costa na parte nordeste do continente. Assim, a fronteira da Missão da Nova Inglaterra agora começa na parte inferior de Connecticut, cerca de vinte milhas fora da cidade de Nova York, e estende-se por quase mil,

quinhentas milhas até bem em frente à Groenlândia. Agora podemos oferecer a vossos filhos qualquer tipo de clima que consigam suportar.

Os dois primeiros élderes a abrir aquela terra, até onde sei na história da Igreja (e creio que isso foi verificado com bastante cuidado aqui em Salt Lake City), foram os Élderes Erza C. Page, de Payson, e John Mayor Scowcroft, de Ogden. Foram à ilha no outono passado e começaram sua obra. Ainda não têm conversos, e o Élder Scowcroft já retornou ao continente, mas estão progredindo. Há agora quatro élderes ali. Gostaria que ficasse registrado que, daqui a vinte e cinco anos, se alguém quiser saber quem começou a obra em Newfoundland, esses dois jovens possam receber o crédito.

Missionários Excelentes

Tenho grande satisfação em conviver com os rapazes e as moças que servem na Missão da Nova Inglaterra. Não tenho um grande número — cerca de dois por cento de todos os missionários da Igreja estão em nossa missão —, mas creio que são uma boa amostra de todos os demais, e assim sinto como se conhecesse o restante. São muito parecidos entre si, e são excelentes rapazes e moças. Tornam-se missionários excelentes.

Quando eu era missionário nos Estados Centrais, lembro-me de que o Presidente Samuel O. Bennion dizia que muitos dos rapazes que saíam para a missão naquele tempo bem poderiam ter ficado em casa, por todo o bem que ele julgava que faziam. Vários rapazes desperdiçavam suas missões. Creio que posso afirmar com segurança que, dos 125 missionários hoje na Nova Inglaterra, não mais que dois poderiam ser classificados entre os que não estão aproveitando ao máximo o esforço. Creio que esta geração de jovens é a mais fina e a mais limpa, a mais inteligente e a mais bem-educada que já tivemos, por todo o tempo que conheço o serviço missionário. Eles têm seus momentos. Há poucos dias, um dos élderes em uma de nossas cidades em Massachusetts foi até uma porta com seu companheiro, bateu, e a uma empregada que veio atender, perguntou: "A senhora da casa está?" Ela respondeu: "Não, ela não está, foi para o céu." Ele disse: "A senhora se importaria de lhe entregar este folheto quando ela voltar?"

Obtendo um Testemunho

Se eu puder ter comigo o Espírito do Senhor, gostaria de falar por um instante sobre esses jovens missionários do ponto de vista de vós, seus pais, que estais sentados nesta plateia. Vós os enviais a nós, e a Primeira Presidência nos dá instruções a respeito deles. Em suas mãos está a solene responsabilidade de pregar e ensinar ao povo do mundo o evangelho de Jesus Cristo e também de adverti-lo, pois este é um dia de advertência. Mas tenho certeza de que vós

quereis que esses rapazes e moças obtenham algo mais de sua experiência além disso. Se percebo algo pelas cartas que recebo dos pais, é que eles têm uma esperança muito grande de que os rapazes e as moças voltem para casa com testemunhos seguros e duradouros da verdade do evangelho. Nunca vi pais tão pobres que o dinheiro gasto para manter seus filhos e filhas no campo não fosse bem gasto, e gasto de bom grado, se o filho volta para casa e olha seus familiares diretamente nos olhos e lhes diz que de fato tem um testemunho e sabe que Deus vive, que Jesus é o Cristo, que os dias mais felizes de sua vida foram aqueles em que pôde falar às pessoas sobre o evangelho.

Essas coisas não vêm por acaso, meus amigos. A obtenção de um testemunho é um crescimento que precisa ser dado passo a passo, e vem rápida ou lentamente conforme a maneira como a pessoa que dá esses passos se movimenta. No campo missionário, é necessário que os missionários os deem com bastante rapidez. Precisam ter seu testemunho cedo, se esperam realizar muito. Não culpo os jovens por dizerem, antes de partirem para o campo, que não têm plena certeza; porque ainda não sabem que um testemunho é algo relativo e que nunca pode ser medido com exatidão; que somente à medida que o homem sente em seu coração e presta serviço à sua Igreja é que aquele sussurro se torna cada vez mais seguro, até vir a certeza final, que todos esperamos. Ainda não sabem disso. Chegam ao campo, e nós os enviamos a pregar. Creio que sei um pouco do que nosso Senhor e Salvador deve ter sentido naquele grande dia em que chamou a si os setenta e lhes disse que fossem, dando-lhes autoridade para fazer as coisas que o tinham visto fazer. Creio que o lado humano de sua natureza o fazia preocupar-se com eles. Ele tinha esperança de que todos correspondessem ao que lhes dissera; e, embora saiba que ele tinha a visão profética e podia ver adiante, gosto de pensar que também se preocupava com isso. Quando voltaram e disseram aquelas palavras imortais, de que até os demônios se lhes sujeitavam por causa de seu nome, ele deve ter sentido um arrebatamento de satisfação. (Ver Lucas 10:17.) Tenho tido algo dessa mesma sensação quando, depois que envio esses jovens, eles me escrevem cartas dizendo: "As casas se abriram para nós; fomos alimentados e vestidos, e o caminho se abriu para que preguemos o evangelho muito além de nossa força e capacidade." Então sinto vontade de dizer: "Sim, até os demônios se vos sujeitam por meio de seu nome."

Perdendo Suas Vidas

Esses rapazes têm certos direitos neste assunto; e gostaria de dizer que estes constituem, para um rapaz que vai para o campo missionário, uma declaração de direitos tão válida quanto a que consta em nossa Constituição para o povo. Todo jovem desta Igreja que vai para uma missão — e espero que todos queiram ir — tem o direito de sentir e experimentar as sensações que lhe vêm quando aprende pela primeira vez o que significa perder a vida por causa

do evangelho. Lembrai-vos de que o Salvador disse que aqueles que derem ou perderem a vida por causa do evangelho de modo algum perderão sua recompensa.

Ora, não quero dizer que esses rapazes vão enfrentar derramamento de sangue ao perder a vida. Quero dizer no sentido de que um rapaz que vai para o campo missionário não será missionário enquanto não aprender que ele mesmo não é nada; que é a boca daquele que habita nas alturas, e que, a menos que encontre um modo de se sintonizar com o Espírito Santo que há nele, falhará tão certamente quanto anda. Mas ele aprende isso muito depressa, e logo não há fadiga alguma que ele não esteja disposto a enfrentar. Sorrio agora ao lembrar-me de um dos rapazes, que me disse certo dia: "Irmão Young, há uma família de Santos ali na estrada que não é visitada há muito tempo." Perguntei-lhe: "A que distância eles moram?" "Ah", disse ele, "catorze milhas." Eu disse: "Muito bem. Como pretendes chegar lá para visitá-los?" "Ah, não conheço nenhum meio." "Não há um ônibus?" "Não." Eu disse: "Bem, a caminhada não está muito concorrida, está?" Ele me olhou de modo estranho e disse: "Bem, não tinha pensado nisso." E foi a pé com seu companheiro. Caminhando, ele aprendeu que não valia muito. E caminhando, meus irmãos e irmãs, eles de fato aprendem que não valem muito, exceto quando Deus lhes dá orientação. Quando os rapazes começam a me escrever e dizer: "Irmão Young, chegamos a uma bifurcação na estrada e não sabíamos para que lado ir, então nos ajoelhamos, e quando nos levantamos sentimos o impulso de ir para a esquerda", e então diziam: "e chegamos a uma casa onde estavam dispostos a ouvir o evangelho" — então, digo eu, estão aprendendo o que significa perder a vida. Se continuarem assim pelos dois anos em que estiverem no campo missionário e continuarem depois que voltarem para casa, quando o bispo os chamar para trabalhar, eles se lembrarão de que não são eles que contam, mas a obra. Se disserem: "Sim, bispo", então tereis um membro da Igreja que ficará ao vosso lado até morrer, e será um crédito para vós. Esse direito, todo rapaz o tem. E também toda moça, embora as moças não o façam exatamente da mesma maneira. Elas captam o mesmo espírito se trabalharem.

A Realização da Promessa de Deus

A segunda coisa que lhes é de direito é aprender a verdade de certas palavras que aparecem na octogésima quarta seção de Doutrina e Convênios. Tenho certeza de que é um direito. Creio que é meu direito. Fico muito feliz por meu presidente de missão ter-me permitido descobrir isso por mim mesmo. Eu teria ficado desapontado em minha missão se não tivesse podido comprovar a verdade dessas palavras. Não creio que exista hoje na Igreja um rapaz que já tenha ouvido a história de seus antepassados, ou de alguém que foi para uma missão e fez bem o trabalho, que não queira que algo lhe aconteça de tal maneira que ele também saiba que, em verdade, elas são verdadeiras. E estas são

as palavras: "E qualquer homem" — o que significa vós e eu, já que isso ainda não foi revogado —

E não se cansará nem se turvará a mente do homem que sair a pregar este evangelho do reino, nem seu corpo, membros e juntas; nem um fio de seus cabelos cairá sem que se perceba. E não sofrerão fome nem sede.

Portanto, não vos preocupeis com o amanhã, com o que haveis de comer nem com o que haveis de beber nem com o que haveis de vestir. . . .

Pois vosso Pai, que está no céu, sabe que necessitais de todas essas coisas.

Portanto, deixai que o amanhã se preocupe com suas próprias coisas.

Nem de antemão vos preocupeis com o que haveis de dizer; mas entesourai sempre em vossa mente as palavras de vida e na hora precisa vos será dada a porção que será concedida a cada homem. (D&C 84:80–81, 83–85.)

Tenho orgulho como presidente de missão, meus irmãos e irmãs, quando um rapaz pode ir a pé a uma reunião de lar com a mente cheia dos assuntos sobre os quais estudou longa e arduamente na privacidade de seu quarto, mas que não decidiu o que dirá naquela reunião até que, tendo orado antes de sair do quarto para que lhe sejam dadas as palavras a dizer, e ao chegar à reunião, abre sua mente e diz ao Senhor e ao povo: "Oro para que eu seja inspirado a dizer-vos o que devo dizer", e então passa a dizer o que o Senhor lhe põe na mente. Isso, a meu ver, é um dos melhores dons que podem vir a um missionário. Ele tem o direito de ter essa experiência. Oro ao Senhor Deus dos Exércitos para que todos os missionários, os quatro mil e seiscentos excelentes rapazes e moças que o Presidente McKay mencionou ontem, tenham tido isso antes de voltarem para casa.

Um Testemunho de Jesus

O terceiro e último direito é, é claro, a grande coisa: um testemunho de Jesus. Não preciso dizer nada a esse respeito, porque, se os missionários fizeram as duas primeiras coisas que mencionei, é tão certo quanto a noite segue o dia que o testemunho será deles. O fervor dele vos emocionará quando eles voltarem para casa, assim como emociona a mim e a meus colegas nos Estados Unidos e nas demais nações da terra, onde quer que nossos rapazes e moças vão no espírito de seu chamado.

Que o Senhor abençoe estes grandes homens que são profetas, videntes e reveladores, que nos enviam a cumprir os desígnios de Deus à medida que somos inspirados pelo Senhor por meio de seu Espírito Santo. Que a mão do Presidente Smith seja sustentada, até que ele viva tanto quanto desejar, com plena saúde e força. Ele é amado em todos os lugares. Onde quer que vá, os homens falam do Presidente George Albert Smith com amor no coração, em retribuição ao grande amor que ele sente por eles; falo de homens de fora da Igreja. Oro para que ele seja amparado e sustentado pela mão de nosso Pai, e que lhe seja dada aquela força que ele tanto

deseja ter para continuar em sua grande obra. Assim oro por todos os que presidem com ele.

Meu testemunho é de que Deus vive e que Jesus é o Cristo, e que o evangelho de Jesus Cristo, tal como restaurado nestes últimos dias, é verdadeiro. Presto-o em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoS. Dilworth Young, “Discurso da Conferência”, Conferência Geral de Abril de 1949, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1949-04-04). Pulpit Vault, 1949-04-s-dilworth-young-conference-address. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).