Conference Address
Joseph F. Merrill
Irmãos, irmãs e ouvintes de rádio: é improvável que algum de vós, ao ouvir os discursos proferidos nesta conferência, espere ouvir alguma nova doutrina anunciada neste momento; contudo, ensinamos que Deus "ainda revelará muitas coisas grandiosas e importantes relativas ao Reino de Deus" (Nona Regra de Fé) quando isso convier a seu propósito. Já temos doutrinas, princípios e políticas suficientes para desafiar os melhores e mais capazes entre nós a aprender e a viver em harmonia com eles. ¶
Mas precisamos ser lembrados deles com frequência e encorajados a sermos mais diligentes em pô-los em prática em nossas vidas. O Senhor bem sabia dessa necessidade quando exigiu que comparecêssemos com frequência às reuniões sacramentais e renovássemos nossos convênios. Oro para que o Senhor me ajude neste esforço de despertar-nos à lembrança. ¶
Doutrinas Características ¶
Como é geralmente sabido, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias se distingue de todas as outras igrejas — cristãs e não cristãs — por muitas doutrinas e ensinamentos característicos. Sustentamos firmemente a doutrina de que a Santíssima Trindade é composta de três Seres pessoais separados e distintos — Pai, Filho e Espírito Santo —, à imagem dos quais nós mesmos fomos criados, conforme declarado em Gênesis 1:27: "E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou." Não obstante a vasta maioria das pessoas civilizadas, incluindo quase todos os cristãos, rejeitar o ensinamento de que Deus é um Ser pessoal, a verdade do assunto não é de modo algum afetada por essa rejeição. ¶
No século quinze, o mundo acreditava que a terra era plana; Colombo, que era redonda. Quem estava certo? A afirmação de que Joseph Smith, um menino de quatorze anos, realmente viu e ouviu dois Seres pessoais gloriosos — o Pai e o Filho, que apareceram em resposta à sua humilde oração por sabedoria — é uma verdade básica no mormonismo, cuja validade não é afetada mesmo sendo descrida pela vasta maioria dos homens civilizados. Poderá alguma mente imparcial e inteligente, não influenciada nesse assunto pelos ensinamentos de outros, lendo a Bíblia de capa a capa, formar outra ideia de Deus que não a de que ele é um Ser pessoal à imagem do qual nós mesmos fomos criados? No entanto, cito o seguinte trecho de um livro que pretende ensinar uma visão amplamente aceita: ¶
Deus é espírito, ou a energia criativa que é a causa de todas as coisas visíveis. Deus como espírito é a vida e a inteligência invisíveis subjacentes a todas as coisas físicas. . . . Deus não é um ser ou pessoa que tenha vida, inteligência, poder de amor. Deus é aquele algo invisível, intangível, a que chamamos vida. . . . Mentes infantis, não instruídas, dizem que Deus é um ser pessoal. A afirmação de que Deus é princípio as enregela, e, aterrorizadas, elas clamam: "Levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram!" Mentes mais amplas e mais eruditas sempre se sentem constrangidas pela ideia de Deus como pessoa, pois a personalidade se limita a lugar e tempo. Deus é o nome que damos a esse princípio imutável e inexorável na origem de toda a existência. (Lessons in Truth. H. Emilie Cady.) ¶
Nova Revelação Concedida ¶
Entre essa ideia de Deus e a ensinada por Joseph Smith, há a mesma ampla diferença que existe entre a fantasia e o fato, entre o falso e o verdadeiro. E porque o mundo moderno estava mergulhado nessa estupefaciente fantasia e falsidade, foi absolutamente necessário que Deus desse uma nova revelação de si mesmo, para que seus filhos aqui na mortalidade pudessem ter uma base verdadeira e sólida para sua fé nele. Mas por que ele não deu essa revelação por meio de algum erudito mundialmente renomado, em vez de um menino obscuro, ignorante das coisas do mundo, de quatorze anos — a alguém que o mundo aceitaria em vez de rejeitar? Havia algum erudito que pudesse qualificar-se quanto à declaração do Apóstolo Tiago, que diz: ¶
"E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." ¶
Contudo, havia uma condição: ¶
"Porém peça-a com fé, não duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. ¶
Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa." (Tiago 1:5-7.) ¶
O humilde e não corrompido menino Joseph podia qualificar-se. Que erudito renomado poderia? O Senhor disse a Joseph: ¶
". . . para esse fim te levantei, para mostrar minha sabedoria por meio das coisas fracas da Terra." (D. & C. 124:1.) ¶
Sim, como já disse anteriormente deste púlpito, em resposta à sua humilde oração, Joseph Smith recebeu, tanto quanto os registros indicam, a mais gloriosa visão já concedida ao homem na mortalidade. Pois, olhando para cima, para a coluna de luz que o envolvia, ele tanto viu quanto ouviu o Pai e o Filho, dois Personagens altamente gloriosos, na própria imagem em que fomos criados. Isto é um fato; isto é a verdade, apesar do que o mundo diga. Com grande humildade e extrema gratidão, aceitamos essas coisas e testificamos com toda sinceridade de sua realidade. ¶
Conhecimento da Verdade ¶
Mas como podemos saber? poderá perguntar o cético. Quando, em resposta à pergunta do Mestre, Pedro respondeu: ". . . Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo", o que disse Jesus? ¶
". . . Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus." (Mateus 16:16-17.) ¶
E Morôni escreveu no último capítulo do Livro de Mórmon: ¶
"E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. ¶
E pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas." (Morôni 10:4-5; ver também I Coríntios 2:11-13.) ¶
É pelo poder do Espírito Santo que grandes multidões de membros da Igreja testificam que realmente sabem que Deus vive. E eu sou um desse número. Não teria Jesus tido em mente esse mesmo método de saber quando disse: ¶
". . . A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." (João 7:16-17.) ¶
Satanás, o Diabo ¶
Agora há outra personalidade de que desejo falar, uma a que o mundo dá um nome, mas em cuja realidade como Ser pessoal não acredita, e essa pessoa é Satanás, o Diabo. Mas, segundo nosso entendimento e ensinamento, Satanás é uma pessoa com corpo espiritual, de forma semelhante à de todos os outros homens. Ele é um irmão espiritual nosso e de nosso Senhor Jesus Cristo, que é nosso Irmão Mais Velho no mundo espiritual. A terra estava em processo de desenvolvimento para ser a morada do homem na mortalidade. Um Redentor deveria ser enviado para tornar possível que os filhos do Pai retornassem a ele. Lúcifer, um filho da manhã, um indivíduo brilhante e certamente muito ambicioso, disse ao Pai: ¶
". . . eis-me aqui, envia-me . . . e redimirei toda a humanidade, de modo que nenhuma alma se perca . . . ; portanto dá-me tempo honra [poder]." ¶
A oferta de Lúcifer foi rejeitada; ela envolvia tirar do homem seu arbítrio, dado por Deus, que é concedido a todos os que nascem na mortalidade. Jesus disse ao Pai, envia-me, ¶
". . . faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre." (Moisés 4:1-2.) ¶
E Jesus tornou-se nosso Redentor. Lúcifer teve seu nome mudado para Satanás, o Diabo, e seus simpatizantes rebelaram-se e foram lançados para baixo, para a terra, onde permanecem desde então. (Ver Apocalipse 12:7-9.) ¶
Ora, o meio que Lúcifer propôs usar para fazer todos os filhos do Pai retornarem a ele — a força — tem sido o meio que ele tem usado desde então, sempre que teve o poder. Mas, é claro, ele opera por meio daqueles que consegue influenciar. Um jornal vespertino de Omaha publicou um editorial de destaque em sua edição do último sábado de agosto de 1941, intitulado "Hitler, o Diabo Encarnado". Hitler, como todo o mundo agora sabe, ensinava e acreditava no uso do poder sempre que fosse necessário para alcançar seus objetivos. Satanás, por meio de seus agentes, sempre fez e continua a fazer hoje a mesma coisa. Vemos isso sendo feito em muitos lugares diferentes e de várias maneiras — local, nacional e internacionalmente. Lutas pelo poder e por permanecer em posições de poder são evidentes em toda parte. E, quando o poder é obtido, ele é comumente usado para forçar a obediência a exigências injustas, quando não positivamente perversas. Não é necessário especificar, pois vemos casos evidentes em algum lugar todos os dias, neste país e também no exterior. Mas onde quer que existam, geralmente se verá, em exame atento, que provêm de fontes onde dominam motivos egoístas, gananciosos e injustos — de fontes, portanto, inspiradas por Satanás. E as agências que operam sob essa influência perversa crescem constantemente em número e em poder, tornando o futuro da América mais sombrio e precário. A menos que essa tendência de rápido desenvolvimento mude para melhor, é provável que não esteja distante o momento em que a América dos pais fundadores, a América onde a livre iniciativa, com todas as bênçãos associadas de liberdade e de liberdade pessoal para seus cidadãos, terá sido relegada às páginas da história. E não é estranho, muito estranho, do ponto de vista da razão e da lógica, que os meios e as condições pelos quais e sob os quais a América cresceu para se tornar a nação mais grandiosa, mais poderosa e mais próspera da terra, tenham se tornado odiosos para um vasto número de nosso povo, que, por isso, trama, planeja, trabalha, tem esperança e até ora por mudanças que porão fim à América como "a terra dos livres e o lar dos bravos"? Entre todas as agências injustas e organizadas que hoje trabalham no mundo para promover a causa de Satanás, talvez as maiores e as mais perversas sejam as dedicadas à causa do comunismo. O comunismo é maldade organizada e crime do tipo mais negro. Termos duros, certamente! Seus objetivos são o confisco de propriedades, o roubo daqueles que têm, a escravização de seus trabalhadores produtivos e a morte de seus opositores. Seus beneficiários são vadios, aqueles que nada possuem, mas querem tudo, especialmente o poder e seus proventos. ¶
O Propósito de Satanás ¶
Qual é a explicação de tudo isso? Penso que reside no fato de que Satanás tem hoje mais influência e poder no mundo do que nunca. E o propósito de Satanás é vencer a retidão, seduzir os filhos de Deus a caminhos de pecado, miséria e sofrimento, prejudicar aqueles que fariam o bem, e escurecer as mentes daqueles que gostariam de saber o que é melhor em meio à grande confusão de ideias conflitantes. E assim as lutas e conflitos se multiplicam, com o resultado de que o coração dos homens desfalece. O egoísmo cresce. As exigências aumentam por cada vez mais por cada vez menos — mais salário, menos trabalho — por mais privilégios, mas menos responsabilidades. O mérito como condição para a recompensa está desaparecendo, e Satanás cavalga em alta. ¶
Ora, Santos dos Últimos Dias, o que faremos, sendo as condições o que são? Comprometeremos nossos princípios e padrões, desistiremos da luta contra o pecado e o mal, e deixaremos a vida transcorrer mais suavemente neste mundo pecaminoso? Não, jamais. Nossa fé está imovivelmente baseada na verdade e na realidade — um Deus vivo e pessoal, que, por meio de Joseph Smith e de seus associados, estabeleceu sua Igreja, deu-lhe princípios, leis, padrões e seu sacerdócio (autoridade para agir em seu nome), qualificando-a assim para trabalhar por ele e por seus caminhos justos, para o bem, o benefício e a bênção de seus filhos. Mas precisamos de mais fé nessas realidades, de mais devoção à causa que temos o privilégio de representar, de vontades mais fortes para resistir aos atrativos do mal, e de esforços mais persistentes e desinteressados para vivermos retamente todos os dias. Repito, nossa religião é algo muito prático, pois deve entrar em toda fase de nossa vida diária, se quisermos viver em harmonia com seus ensinamentos e receber as recompensas da obediência. E, deixando de fazer isso, mais ou menos perdemos a promessa de bênçãos de Deus; pois ele disse: ¶
"Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma." (D. & C. 82:10.) ¶
Padrões Morais ¶
Devemos sempre ter em mente os padrões morais da Igreja, tal como expressos nos artigos onze, doze e treze de nossa fé, que exigem que sejamos tolerantes (Artigo 11), leais ao país sob cuja bandeira vivemos, e que obedeçamos, honremos e sustentemos a lei (Artigo 12), e que sejamos ¶
". . . honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens." (Artigo 13.) ¶
De fato, os padrões morais da Igreja exigem que estabeleçamos a Regra de Ouro como um ideal que devemos diligentemente procurar viver em todas as nossas relações com nossos semelhantes. Estas não são coisas de que apenas falamos aos domingos, mas coisas que somos obrigados a pôr em prática em nossa vida diária. ¶
Ora, aviso novamente que Satanás, um ser pessoal, está muito alerta, com uma poderosa hoste de seus anjos — parentes espirituais nossos — a tentar vencer-nos, a nós e a todos os outros que quiserem servir a Deus e viver retamente. Como exemplos de cedermos a influências más, temos a profanação do dia de sábado, o uso de narcóticos nocivos, a falha em viver os padrões morais sexuais, e a indulgência em outros caminhos perversos — tudo isso em crescimento entre nós. Os Santos dos Últimos Dias não podem, aos domingos, ir ao cinema, a jogos de beisebol, futebol americano ou basquetebol, ou a qualquer outro tipo de entretenimento comercial, nem se envolver em atividades comerciais evitáveis, nem ir caçar, pescar, jogar golfe ou esquiar neste dia, sem violar a santidade do sábado. Quem disse isso? A Primeira Presidência da Igreja. Disseram isso num editorial publicado no The Deseret News, em 1º de setembro de 1928. E quando a Primeira Presidência fala unida sobre qualquer questão de nossas doutrinas religiosas, ou sobre como devemos viver em harmonia com essas doutrinas, essa é a voz da Igreja, a voz da autoridade. Para os Santos dos Últimos Dias leais, é, em certo sentido, a voz de Deus; pois ele disse: "se não sois um, não sois meus." (D. & C. 38:27.) ¶
Irmãos e irmãs, sejamos honestos conosco mesmos e com nosso Deus, e esforcemo-nos com mais determinação e persistência para fazer a sua vontade, para que a vida seja mais plena e feliz, com o viver reto mais evidente. Oro para que Deus nos ajude a fazer estas coisas, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶