O Evangelho Muda o Coração dos Homens
Marion G. Romney
Gostaria de pedir a cada um de vós que faça uma oração silenciosa em seu próprio favor, para que, enquanto eu falo, possais desfrutar do espírito do Espírito Santo, e que eu também o desfrute, para que assim todos sejamos edificados. ¶
Como alguns dos outros irmãos, acabo de retornar de visitar uma das missões, a Missão Canadense. O Presidente Eyre, com o hábil apoio de sua boa esposa, está realizando uma boa obra. Enquanto lá estive, senti-me impressionado como penso que alguém se sentiria ao testemunhar um grande experimento, um experimento em que se estava determinando o que o poder do evangelho de Jesus Cristo pode fazer para mudar a vida dos homens e das mulheres. As experiências dessa visita ainda estão em minha mente. ¶
Os Primeiros Esforços Missionários no Canadá ¶
Fui lembrado de alguns dos acontecimentos que ali se deram durante o início do surgimento deste reino nestes últimos dias. O Profeta Joseph Smith, com Sidney Rigdon, esteve em Brantford, Ontário, em 1833. Foram para lá após receberem a revelação que conhecemos como a centésima seção da Doutrina e Convênios, na qual o Senhor lhes havia mostrado grande misericórdia e consideração ao informá-los que suas famílias estavam bem. Eles haviam estado separados de suas famílias por algum tempo e estavam preocupados com elas. ¶
Enquanto estavam no Canadá, experimentaram o cumprimento da promessa que o Senhor havia feito naquela revelação, de que uma porta eficaz lhes seria aberta na terra ao redor. Em Mount Pleasant e Brantford, cerca de dezesseis ou dezoito pessoas ingressaram na Igreja. A promessa de que o Espírito Santo daria testemunho da veracidade do que os irmãos diziam ali se cumpriu. De uma reunião, o Profeta disse: ¶
O élder Rigdon pregou a uma grande congregação . . . e eu dei testemunho enquanto o Senhor concedia seu espírito de maneira notável. ¶
Para com o povo, o Profeta demonstrou os mesmos sentimentos bondosos que o Senhor havia demonstrado a ele e a Sidney Rigdon. A respeito deles, ele fez anotações em seu diário, tais como: "O povo era muito terno e inquiridor." E ainda: "Ó Deus, sela nosso testemunho em seus corações." ¶
Todos vós estais familiarizados com o fato de que, em 1836, Parley P. Pratt foi ao Canadá após uma grande profecia proferida por Heber C. Kimball, na qual Parley P. Pratt foi instruído a ir a Toronto. Disseram-lhe que ali encontraria pessoas à sua espera que receberiam o evangelho, e que dali o evangelho se espalharia para a Inglaterra, onde uma grande obra seria realizada. Sabeis como ele encontrou o Presidente John Taylor, os Fielding e outros, e como, a partir da correspondência que dali saiu, foi lançada a base para a abertura da grande Missão Britânica. ¶
Em agosto do ano seguinte, 1837, o Profeta Joseph Smith, com Sidney Rigdon e Thomas B. Marsh, então presidente dos Doze Apóstolos, visitou Toronto. Viajando em carruagem e realizando reuniões noturnas à luz de velas, visitaram as igrejas. O élder Taylor os acompanhou. "Este foi um dos maiores prazeres que já desfrutei", disse ele. "Tive diariamente a oportunidade de conversar com eles, de ouvir suas instruções e de participar dos ricos tesouros de inteligência que fluíam continuamente do Profeta Joseph." ¶
Espiritualidade Notada na Missão Canadense ¶
Ao viajarmos pela missão, pareceu-me que o espírito que acompanhou aqueles primeiros irmãos em suas labutas missionárias ainda se encontrava entre o povo daquela boa terra. ¶
Pudemos senti-lo entre os missionários ao apertarmos suas mãos, conversarmos com eles e ouvirmos seus relatórios. O poder do evangelho, atuando sobre eles, está produzindo uma transformação maravilhosa em suas vidas. Nas reuniões missionárias, deram eloquente testemunho da veracidade do evangelho de Jesus Cristo e de sua restauração por meio do Profeta Joseph Smith. Seus olhos se enchiam de lágrimas ao expressarem sua gratidão a seu Pai Celestial, a vós, seus pais, e a outros de seus entes queridos, que estão tornando possível que cumpram suas missões. ¶
Foi inspirador ver esses jovens missionários — que, poucos meses atrás, eram em grande parte rapazes e moças irresponsáveis e despreocupados — vigiando as portas das capelas à medida que a hora da reunião se aproximava. Ao chegarem seus contatos, reuniam-nos, conduziam-nos a assentos perto da frente e, com orgulho e ternura, sentavam-se no meio deles. ¶
Nas conferências, estavam presentes em cada uma das reuniões gerais de sete a vinte amigos não membros dos missionários, interessados no evangelho. Alguns deles vieram de até trezentas milhas de distância para assistir à reunião — é claro que alguns dos santos vieram de distâncias ainda maiores — e todos disseram que valeu a pena. Assim como o evangelho afetou a vida dos missionários nesta grande obra, também afetou a vida dos membros e dos investigadores. Quando aceitam verdadeiramente o evangelho de Jesus Cristo, passam a ter uma perspectiva de vida totalmente nova. ¶
Depois das reuniões, relutam em deixar o local. Ficam por lá durante muito tempo. É claro que isso é característico de todas as reuniões dos santos dos últimos dias. Falando com um dos não membros, depois de ele estar ali por uma hora, ele me disse: "Bem, desde a reunião já apertei a mão daquele jovem missionário ali quatro vezes. E", disse ele, "gostei de cada uma delas." ¶
Permiti-me dizer novamente que o efeito que o evangelho de Jesus Cristo tem tido sobre esses missionários e sobre esses membros e sinceros investigadores é prova positiva de seu poder de mudar o interesse e a própria vida dos homens e das mulheres. Sempre foi assim. ¶
A Experiência de Enos ¶
Trago à memória a experiência de Enos, neto de Leí, que anelava em seu coração por um conhecimento da veracidade das coisas que ouvira seu pai, Jacó, falar; e assim, enquanto caçava animais na floresta, ajoelhou-se no chão e invocou seu Pai celestial em poderosa oração e súplica. E enquanto orava, ouviu uma voz dizer-lhe: ¶
. . . Enos, perdoados são os teus pecados e tu serás abençoado. E ele clamou: ¶
Senhor, como isso aconteceu? ¶
E então o Senhor disse: ¶
. . . Por causa da tua fé em Cristo, a quem nunca ouviste nem viste antes . . . portanto, vai, tua fé te salvou. (Enos 5, 7-8.) ¶
Ora, o efeito sobre Enos daquele testemunho da verdade e do conhecimento do evangelho que ele possuía é mostrado no parágrafo seguinte, em que ele disse: ¶
Ora, aconteceu que após ter ouvido estas palavras, comecei a desejar o bem-estar de meus irmãos, os nefitas; portanto, implorei a Deus por eles com toda a minha alma. (Idem, 9.) ¶
E não somente seu coração mudou, a ponto de ter desejo pelo bem-estar dos nefitas, que eram seus irmãos, como também teve um desejo semelhante pelos lamanitas, que eram seus inimigos, e implorou a Deus por eles. ¶
O Evangelho Produz Mudanças ¶
Nos capítulos vinte e três e vinte e quatro de Alma, temos um relato dramático do poder do evangelho ao transformar quase toda uma nação, de um povo sanguinário, indolente e belicoso, em um povo industrioso e amante da paz. A respeito desse povo, o registro diz que milhares foram trazidos a um conhecimento do Senhor, e que tantos quantos foram trazidos a um conhecimento da verdade jamais se desviaram, ¶
Pois tornaram-se um povo justo e depuseram as armas de sua rebelião, para não mais lutarem contra Deus nem contra qualquer de seus irmãos. (Alma 23:7.) ¶
E: ¶
. . . não havia uma só alma, entre todo o povo que se convertera ao Senhor, que quisesse pegar em armas contra seus irmãos; . . . não queriam nem mesmo fazer qualquer preparativo de guerra. (Idem, 24:6.) ¶
Pelo contrário, agradeceram a Deus por lhes haver dado uma porção de seu espírito para abrandar seus corações. ¶
Essa é a grande mensagem que quero deixar aqui. É o abrandamento dos corações que este evangelho produz nas pessoas que o recebem. ¶
O registro continua: ¶
. . . e assim fizeram, prometendo e fazendo convênio com Deus de que, antes de derramar o sangue de seus irmãos, sacrificariam a própria vida; de que, ao invés de tirar de um irmão, lhe dariam; de que, ao invés de passar os dias em ociosidade, trabalhariam muito com as próprias mãos. (Idem, 24:18.) ¶
E: ¶
. . . enterraram as armas de guerra em favor da paz. (Idem, 24:19.) ¶
Ora, essa notável transformação operada no coração desses milhares de pessoas foi realizada em um período muito curto de tempo, sob a influência e o poder do evangelho de Jesus Cristo. Ela faria a mesma coisa hoje por todos os povos da terra, se apenas o recebessem, pois, em verdade, ele é, como disse Paulo, "o poder de Deus para salvação" (Romanos 1:16), não somente espiritualmente, mas também temporal e politicamente, e em todos os outros sentidos. ¶
É uma luz maravilhosa, mesmo agora, resplandecendo nas trevas deste mundo enevoado, mas, infelizmente, como disse João: ¶
. . . a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. (João 1:5.) ¶
Resultados da Rejeição ¶
Repetidas vezes, durante a história da peregrinação do homem sobre esta terra, o Senhor enviou seu evangelho, esta luz maravilhosa, ao mundo, para mudar o coração dos homens em tempos de crise, a fim de que pudessem ser salvos da destruição, e repetidas vezes os povos desta terra o rejeitaram. ¶
Assim como sua aceitação muda o coração dos homens e das mulheres, trazendo retidão, amor, paz e felicidade, assim também a rejeição do evangelho de Jesus Cristo traz iniquidade, ódio, guerra e sofrimento. A história estabelece claramente o fato de que a mensagem do evangelho de Jesus Cristo não pode ser rejeitada impunemente. ¶
Sobre este ponto, trago à memória e vos peço que considereis comigo por um momento as experiências dos judeus na meridiana dos tempos. O Salvador apresentou-se e ensinou-lhes pessoalmente seu evangelho, mas eles o rejeitaram. Perto do fim de seu ministério, sabendo que haviam rejeitado tanto a ele quanto o evangelho que lhes ensinara, ele foi tomado de profunda tristeza e prorrompeu naquela grande e conhecida lamentação: ¶
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e vós não quisestes! ¶
Ele disse, como resultado dessa rejeição: ¶
Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; Porque eu vos digo que desde agora não me vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor. (Mateus 23:37-39.) ¶
O élder James E. Talmage diz que ele provavelmente proferiu estas palavras fatídicas ao estar de pé nas alturas do templo pela última vez, olhando para a cidade do grande rei. Esse pensamento parece ter permanecido com ele, porque, pouco tempo depois, ao deixar pela última vez os arredores do templo, os apóstolos vieram até ele e lhe apontaram a beleza do templo e dos edifícios do local do templo. Sua única resposta foi: ¶
. . . em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. (Idem, 24:2.) ¶
Ele retornou a este assunto a caminho do Gólgota, quando disse a certas mulheres que, seguindo-o, lamentavam o destino a que ele ia: ¶
. . . Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos. (Lucas 23:28.) ¶
E então lhes detalhou os terríveis eventos que acompanhariam a destruição de Jerusalém, que ele via chegando como resultado da rejeição de sua mensagem pelo povo daquele dia. Disse-lhes que aqueles tempos e eventos seriam tão terríveis que fariam com que clamassem aos montes que caíssem sobre eles e aos outeiros que os cobrissem. ¶
Todos vós conheceis o desfecho, como os judeus levaram a cabo seu terrível intento e crucificaram o Filho de Deus, e como, depois disso, continuaram a lutar contra seu evangelho. Lembrai-vos também do preço que pagaram, como, no ano 70 d.C., a cidade caiu nas mãos dos romanos, como o clímax de um cerco em que o historiador Josefo nos diz que houve um milhão e cem mil pessoas mortas e ¶
. . . dezenas de milhares foram levadas cativas, para depois serem vendidas como escravas, ou mortas por feras selvagens, ou em combate de gladiadores para a diversão dos espectadores romanos. ¶
Toda essa destruição e a dispersão dos judeus teriam sido evitadas se o povo tivesse aceitado o evangelho de Jesus Cristo e tivesse seu coração mudado por ele. ¶
A Escolha Diante do Mundo Hoje ¶
Hoje os povos da terra estão parados na encruzilhada dos mesmos caminhos em que estavam os judeus nos dias de Jesus. A mesma escolha está diante deles. Podem aceitar o evangelho de Jesus Cristo e avançar rumo à retidão, à paz, ao amor e à felicidade, ou podem rejeitá-lo e sofrer iniquidade, ódio, guerra e destruição. ¶
O Senhor, em sua grande misericórdia, previu os acontecimentos de nosso tempo, e soou o alarme e ofereceu o caminho de fuga. Lembrai-vos de que, na primeira seção da Doutrina e Convênios, ele disse: ¶
. . . eu, o Senhor, conhecendo as calamidades que adviriam aos habitantes da Terra, chamei meu servo Joseph Smith Júnior e falei-lhe do céu e dei-lhe mandamentos; ¶
Continuando com esta revelação moderna, o Senhor faz referência àquela experiência de Jerusalém, da qual vos falei: ¶
Eis que te digo estas coisas, assim como também falei ao povo acerca da destruição de Jerusalém; e minha palavra será confirmada agora, como tem sido confirmada até aqui. (Idem, 5:19-20.) ¶
Ora, meus amados irmãos e irmãs, em conclusão dou testemunho de que o evangelho de Jesus Cristo, restaurado à terra nestes últimos dias por meio do Profeta Joseph Smith, tem o propósito de ser, e é, a chave para a solução dos problemas que enfrenta nosso mundo hoje, tanto os povos individualmente quanto coletivamente. Que nós, que o aceitamos e declaramos nossa lealdade a ele, o mantenhamos brilhando resplandecente em nossa própria vida e diante das nações do mundo, e que outros dos filhos de nosso Pai, em número suficiente, o recebam antes que seja tarde demais, para que o mundo possa ser salvo da destruição, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶