A Luz do Mundo
LeGrand Richards
Irmãos, não preciso dizer-vos que esta é uma grande surpresa. Já tive minha vez na conferência, e ontem à noite tive a oportunidade de falar aos bispos, e no dia anterior à Sociedade de Socorro, mas não há ninguém a quem eu preferisse falar mais do que aos rapazes do Sacerdócio Aarônico, se não houvesse tantos pais aqui e tantos irmãos sentados aqui na tribuna. Mas aprecio o privilégio de estar aqui e ser convidado a dizer algumas palavras nesta reunião do sacerdócio, pois não posso deixar de sentir que, se todo homem e todo rapaz que é honrado pelo Senhor para portar o Santo Sacerdócio pudesse apenas perceber a responsabilidade que repousa sobre seus ombros nesse sentido, seria algo maravilhoso. ¶
"A Luz do Mundo" ¶
Gostaria de prefaciar o que direi esta noite lendo algumas palavras do quinto capítulo de São Mateus, começando pelo versículo 13, pois o Senhor disse: ¶
Vós sois o sal da terra; e se o sal se tornar insípido, com que se há de salgar? para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. ¶
Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte, nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. ¶
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. ¶
Não consigo pensar em ninguém na Igreja que tenha maior responsabilidade de fazer resplandecer sua luz diante dos homens, para que, vendo suas boas obras, glorifiquem nosso Pai Celestial, do que os irmãos que detêm o sacerdócio, tanto o de Melquisedeque quanto o Aarônico. ¶
Foi Pedro, antigamente, que, dirigindo-se aos Santos de seus dias, fez esta declaração: ¶
Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. ¶
Um Sacerdócio Real ¶
Ora, irmãos, somos hoje tanto um sacerdócio real quanto o sacerdócio o era nos dias de Pedro. O Senhor nos chamou para fora do mundo, a fim de que anunciássemos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz, e não há um dia de nossas vidas em que não tenhamos a oportunidade de anunciar suas virtudes, porque o mundo nos observa, espera mais de nós do que daqueles que não são membros de nossa Igreja, e mal podemos rebaixar-nos a fazer as coisas que outros fazem. Para ilustrar o que quero dizer nesse sentido: quando eu participava de uma conferência em San Diego durante a guerra, tínhamos cerca de 35 rapazes uniformizados presentes. Chamamos alguns deles para falar, e um tenente fez uma declaração mais ou menos assim. Ele disse: "Quando entrei no serviço militar, fui para o leste do país frequentar uma escola de treinamento de oficiais," e disse: "certo dia, quando estávamos sentados na sala de espera, os rapazes começaram a contar histórias sujas, e quando chegou minha vez, contei uma também. Naquela noite, quando fui deitar-me, meu companheiro, que não era membro da Igreja, virou-se para mim e disse: 'Eu não pensei que você fosse fazer isso.' " Ele guardou aquilo no coração o dia todo, desde que ouvira aquele seu companheiro contar a história suja, porque sabia que ele era um rapaz mórmon, e sem dúvida esse tenente já lhe havia contado algo sobre a Igreja; por isso, ele não pensou que ele fosse fazer aquilo; e aquele tenente, ao pôr-se de pé ali naquela conferência de estaca, disse: "Esse foi o melhor sermão que ouvi em muito tempo, e ele continua ressoando em meus ouvidos até hoje, 'Eu não pensei que você fosse fazer isso', e vou dizer-vos, não voltei a fazê-lo desde então." ¶
Um Militar Exemplar ¶
Ilustrando outro caso. Temos ouvido tantas coisas encantadoras sobre nossos rapazes que estiveram no serviço militar e regressaram a nós sem terem escondido sua luz debaixo do alqueire. O Senhor nos chamou para fora do mundo para sermos uma luz para o mundo, e, à vista de todos os homens, não podemos permitir-nos deixar nossa luz apagar-se. Recebi uma carta, publicada na Seção da Igreja do Deseret News, de modo que talvez a tenhais lido, de um missionário na Califórnia. Ele disse que ele e sua esposa trabalhavam nessa cidade em particular, e disse que a atitude do povo havia literalmente mudado em relação aos mórmons, porque havia tantos rapazes mórmons ali fardados, e eles haviam vivido vidas tão exemplares que haviam atraído a atenção do povo. Então ele deu uma ilustração específica. Disse que um dos clubes de senhoras da cidade estava dando um almoço no hotel, e a anfitriã havia colocado um prato extra à mesa, e, quando os convidados chegaram, ela disse: convidaremos o primeiro soldado que passar para ocupar este lugar extra à mesa. Aconteceu de ser um rapaz mórmon, e graças ao Senhor ele era bom; o Senhor o havia chamado para fora do mundo para ser uma luz para o mundo, e ele não escondeu sua luz debaixo do alqueire, e, quando as mulheres passaram o café, ele não o tocou. Não creio que pensasse no mal que uma xícara de café faria a seu corpo, apenas uma xícara; o bispo não estava lá para ver o que ele faria, se a tomaria ou não; sua mãe e seu pai não estavam lá para ver se ele a recusaria; tampouco estava sua namorada; mas ele sabia que o olho que tudo vê de Deus estava sobre ele, sabia que portava o sacerdócio de Deus, sabia que o Senhor via nele o sal da terra, e que, se o sal perdeu seu sabor, com que se há de salgar, e não a tocou. Ofereceram-lhe chá, e ele não tocou no chá. Perguntaram-lhe onde havia sido criado, e, finalmente, quando terminaram de comer, passaram os cigarros — imaginai, mulheres fazendo isso, que vergonha para as mulheres — mas este rapaz não tocou nos cigarros, e uma dessas mulheres disse: "Resolvi que, se algum dia um élder mórmon batesse à minha porta, eu o deixaria entrar; eu gostaria de conhecer melhor um povo capaz de criar um rapaz como aquele jovem que se sentou à nossa mesa." E, quando aquela carta foi escrita, essa mesma mulher era uma pesquisadora muito séria da Igreja. ¶
Contei essa história no Salão das Assembleias algum tempo atrás, e, ao final da reunião, um jovem aproximou-se de mim e disse: "Bispo, eu sou esse jovem." Eu disse: "Não é brincadeira?" Ele disse: "Não, senhor, eu sou esse jovem." Não me surpreenderia se ele estivesse nesta audiência hoje à noite. Eu disse: "A história está correta?" Ele disse: "Exatamente." Eu disse: "O que estás fazendo na Igreja agora?" ¶
Esse é o tipo de homem que o Senhor deseja para realizar sua obra entre o povo, não o tipo que segue a multidão e faz o que a multidão faz, mas o tipo que tem coragem de fazer resplandecer sua luz diante dos homens, porque o Senhor nos chamou para fora do mundo para sermos uma luz para o mundo. ¶
Reputação de Honestidade ¶
Gostaria de dizer uma palavra que vem de minha experiência numa conferência da semana passada. Conheci um novo converso à Igreja. Ele havia servido numa presidência de ramo no leste do país antes de vir para o oeste, e eu disse: "Como estás gostando de viver entre nós?" Ele disse: "Muito, mas fiquei desapontado." Eu disse: "Por quê?" Ele disse: "Descobri que alguns dos irmãos não são muito cuidadosos quanto ao tipo de negócios financeiros que fazem e quão bem tratam os amigos que chegam entre eles." Isso me fez sentir mal, porque "vós sois o sal da terra, e se o sal perder o seu sabor, com que se há de salgar a terra?" Imaginai como me senti ao receber esse relato, em comparação com o que recebi lá em Miami, quando eu era presidente da Missão dos Estados do Sul. Fui convidado à casa de um de nossos irmãos, que ocupava posição elevada nos círculos financeiro e social. Ele disse: "Se ficares esta noite, convidarei meus amigos para minha casa e deixarei que lhes digas por que sou membro da Igreja." Naturalmente, não pude fugir de uma oportunidade dessas; assim, quando a multidão se reuniu, cerca de 35 homens de negócios proeminentes de Miami, ele se levantou e disse: "Todos vós sabeis que sou mórmon, mas," disse ele, "não sabeis por que sou mórmon. Convidei o presidente Richards esta noite para dizer-vos por que sou mórmon, e quero dizer-vos que minha condição de membro da Igreja Mórmon significa mais para mim do que qualquer outra coisa." ¶
Ao final da reunião, aproximou-se um homem de nome Knowlton e disse: "Minha primeira experiência com os mórmons foi quando fui ao Arizona. Lá," disse ele, "trabalhei numa loja de implementos agrícolas, uma loja à vista que nunca dava prazo em nada. Certo dia, um homem entrou e quis $200 de crédito por cerca de 60 dias, e eu disse: 'Não, não fazemos negócios a crédito', e o homem disse: 'Você se importaria de perguntar ao patrão?' Assim, fui até o dono da loja, e o dono disse: 'Quem é esse homem?' Quando lhe dei o nome, 'Ah,' disse ele, 'é um bispo mórmon; dê a ele o que quiser', e ele lhe deu o crédito." Ele disse: "Depois disso, sempre que um mórmon entrava na loja e queria alguma coisa, eu nem incomodava o patrão com isso." ¶
Não seria maravilhoso se todo Santo dos Últimos Dias merecesse essa mesma confiança? ¶
Já ouvistes a história do presidente Grant sobre como a Consolidated Wagon & Machine Co. costumava vender as notas promissórias dos fazendeiros mórmons a um banqueiro não mórmon aqui em Salt Lake por 100 centavos por dólar, porque os fazendeiros nunca deixavam de pagar, mas, de uma forma ou de outra, há entre nós aqueles que pensam que, se conseguem fazer algo esperto e enganar seus vizinhos e amigos com quem fazem negócios, isso é um bom negócio, e o classificam como negócio. Quero contar-vos mais uma história: ¶
O Efeito da Conversão ¶
Quando eu era presidente da Missão dos Estados do Sul, certo dia atravessava o estado da Flórida com um de nossos irmãos que vinha do oeste, um grande homem de caráter. Ele disse: "Irmão Richards, há um novo converso morando aqui por perto. Ele ficaria emocionado se o visitássemos." Eu disse: "Vamos visitá-lo." E fomos. Esta foi a história dele: ¶
Ele disse: "Eu costumava ser um comerciante de frutas por estas bandas. Eu comprava toda a produção desses fazendeiros de frutas e a vendia no mercado de frutas de Nova York." Disse ele: "Quando ouvi falar do mormonismo e conheci os élderes, entrei para a Igreja e comecei a pensar em todos os negócios espertos que havia feito como comerciante de frutas." Disse ele: "Certo dia, saí de casa e levei meu talão de cheques no bolso, e, quando retornei," disse ele, "havia gasto $3.000 apenas entre meus vizinhos e amigos, para tentar compensar alguns dos negócios espertos que havia feito." ¶
Ele disse: "Senti que então poderia olhar meus vizinhos nos olhos e dizer-lhes que era membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias." ¶
"Vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz," e que vossa luz nunca se apague na presença de vossos semelhantes, aonde quer que vades, rogo humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶