Dar um Pouco de Nós Mesmos aos Nossos Filhos
Henry D. Moyle
Meus irmãos e irmãs, é com humildade que busco a influência sustentadora de vossa fé e vossas orações enquanto procuro cumprir esta tão importante responsabilidade. ¶
Os Caminhos do Mundo ¶
Tenho ficado impressionado, desde que este chamado me veio, com o fato de que é muito fácil para os filhos de nosso Pai Celestial, em suas vidas, seguir a vontade e os caminhos das massas. Parece haver algo que naturalmente nos atrai, em nossa fraqueza, a seguir os caminhos do mundo. Ao fazê-lo, perdemos de vista o fato de que um dos maiores dons que nos foram concedidos é o nosso próprio livre-arbítrio, e que esse nosso livre-arbítrio deveria obrigar-nos a tomar nossas próprias decisões, a exercer nosso próprio juízo, a saber para onde vamos, e a conhecer os meios pelos quais esperamos chegar ao nosso destino. Há tanto que se poderia dizer sobre este assunto, porque, sem perceber, parece que muitos de nós estamos sacrificando esse direito ao livre-arbítrio. Estamos tão imbuídos da ideia de que devemos fazer como o mundo faz, ser um com nossos vizinhos independentemente de quais sejam seus ideais e ambições, que estamos, sem perceber, renunciando ao direito de fazer nossos próprios julgamentos e nossas próprias decisões. ¶
Objetivos de Vida Desviados ¶
Há poucos de nós que, se fôssemos fazer uma viagem, não nos preocuparíamos com o veículo em que viajaríamos, o caminho pelo qual andaríamos, e o destino que buscaríamos. Ora, todas essas coisas nos parecem comuns em nossa vida cotidiana, mas quando se trata de saber para onde vamos, no que diz respeito à vida, qual é o nosso objetivo, o propósito de nossa criação, o cumprimento de nossos propósitos aqui nesta terra, parecemos ser muito facilmente desviados. ¶
Fiquei muito impressionado ao ler recentemente uma declaração do Profeta Joseph Smith. Ele disse: ¶
Considerai por um momento, irmãos, o cumprimento das palavras do profeta; pois vemos que as trevas cobrem a terra, e densas trevas cobrem a mente de seus habitantes — que crimes de toda espécie aumentam entre os homens — vícios de grande enormidade são praticados — a nova geração cresce na plenitude do orgulho e da arrogância — os idosos perdem todo senso de convicção e parecem banir todo pensamento de um dia de retribuição — a intemperança, a imoralidade, a extravagância, o orgulho, a cegueira de coração, a idolatria, a perda do afeto natural; o amor deste mundo e a indiferença para com as coisas da eternidade aumentam entre os que professam crer na religião do céu, e a infidelidade se espalha em consequência disso — homens se entregam a praticar atos da pior espécie, e feitos da mais negra tintura, blasfemando, fraudando, difamando a reputação dos vizinhos, furtando, roubando, matando, defendendo o erro e opondo-se à verdade, abandonando o convênio do céu e negando a fé de Jesus — e, em meio a tudo isso, o dia do Senhor se aproxima rapidamente, quando ninguém, exceto aqueles que conquistaram a veste nupcial, terá permissão de comer e beber na presença do Noivo, o Príncipe da Paz! (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 47.) ¶
A Perda do Afeto Natural ¶
Ao assim enumerar os crimes de que o mundo se tornaria culpado no futuro, o Profeta Joseph evidenciou sua verdadeira natureza profética — o poder que possuía, dado a ele do alto para ver o futuro, pois garanto que, nos dias do Profeta, ninguém percebia até que ponto o povo do mundo perderia seu "afeto natural" nos anos vindouros. Hoje parece haver um ímpeto maior para destruir esse "afeto natural" do que para cometer qualquer outra ofensa de gravidade comparável. ¶
Em sua maior parte, não estamos conscientes da existência de agentes que atuam em nosso meio com esse propósito. Estamos perdendo um dos prêmios mais preciosos que a humanidade pode reter, se assim o quiser. ¶
Certamente o afeto natural é algo que nos foi concedido ao nascer. Naquele tempo tínhamos abundância de amor por nossos pais. A criança ama sua mãe. Chegamos a um momento em nossas vidas, na história deste mundo, hoje, em que devemos começar a indagar se existe algum grau menor de afeto entre nós, à medida que amadurecemos, por nossos pais, do que aquele que existia nos dias de nossa infância e juventude. Se encontrarmos a menor diferença, se descobrirmos que houve alguma perda de afeto, devemos então examinar cuidadosamente nossas vidas para determinar o que podemos fazer para restaurá-lo. De todo o povo desta terra, deveríamos ser os últimos a considerar aceitar quaisquer das filosofias do mundo, não importa qual seja o prêmio a elas associado, se assim fazer significasse afastar-nos daquela estreita afinidade e daquele afeto que devem existir entre pai e filho e entre mãe e filha, se quisermos realizar aqui, em nossa existência mortal, o pleno propósito de nossa criação. ¶
É um assunto sério para mim, e um que tem tocado profundamente meu coração, por causa de meu trabalho em nosso programa de bem-estar. Fico emocionado quando leio as estatísticas de quanto realizamos no programa de bem-estar, quantos vagões, caminhões, navios carregados de suprimentos enviamos aos Santos necessitados na Europa, e quanto realizamos nas estacas organizadas de Sião. Parece que essas coisas podem ser medidas em toneladas, mas houve um benefício que veio ao povo desta Igreja, resultante deste programa de bem-estar, de natureza espiritual, que não pode ser medido. Não pode ser calculado, mas o bem que foi realizado pode ser visto no afeto crescente que este trabalho trouxe entre os filhos e os pais. Se trabalhássemos todos os dias de nossa vida e sacrificássemos todo o nosso excedente, guardando apenas o que realmente necessitamos para nós mesmos, e trouxéssemos, como resultado disso, para nossas vidas, um amor e um afeto mais estreitos por nossos filhos do que tínhamos antes, ninguém negaria que teríamos empregado bem os nossos recursos. ¶
O Significado do Lar ¶
Parece que todas as filosofias do mundo hoje estão empenhadas em destruir o lar. À medida que percorremos o mundo, o povo do mundo parece ter perdido em suas vidas o significado do lar. Nós, como Santos dos Últimos Dias, não podemos fazer isso. Devemos continuar mantendo o lar como um lugar onde possamos ajoelhar-nos diariamente com nossos filhos e ensiná-los a orar. Nosso lar é o lugar onde podemos ensinar-lhes o evangelho. Não podemos ser salvos na ignorância, e nem nossos filhos podem. Que obra maravilhosa seria se hoje pudéssemos trazer de volta ao lar os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo como um meio de vencer a delinquência que existe no mundo, entre a juventude. Não podemos negar o fato de que há mais delinquência entre os jovens do mundo do que nunca antes. Nós, como Santos dos Últimos Dias, temos a responsabilidade de assegurar que essa delinquência da qual o mundo é culpado não se infiltre em nossos lares. Tenho tido ocasião, muitas vezes, de sugerir que talvez, se entrássemos nesse relacionamento familiar com o mesmo entusiasmo, com a mesma ambição, a mesma energia e o mesmo desejo com que tratamos nossos assuntos temporais, nossas famílias e nosso lar significariam mais para nós do que significam agora. Tem sido meu pensamento por muito tempo, certamente minha opinião ponderada e meu testemunho a vós hoje, que uma forma de combater o divórcio no mundo é os homens prestarem mais atenção às suas esposas e as esposas prestarem mais atenção a seus maridos, e deixar passar algumas das coisas do mundo, e não tomar o exemplo do mundo como aquilo que devemos seguir, mas antes dedicar-nos ao cumprimento de alguns dos deveres mais humildes da vida. ¶
Que o Senhor abençoe as mães em Israel que mantêm seu rebanho debaixo dos braços, que os ensinam a orar junto a seus joelhos, e que o Senhor abençoe os pais em Israel que estão dispostos a se afastar de seus negócios e de suas fazendas para passar tempo com seus filhos e suas filhas. ¶
A Virtude na Atividade na Igreja ¶
Certamente vejo grande virtude neste programa de bem-estar. Se os pais se afastassem de seu trabalho e se engajassem nos vários projetos que foram iniciados neste programa de bem-estar, logo veriam a bênção de levar consigo seus filhos, e as mães, suas filhas. ¶
Ao entrar nas reuniões dos Santos, sempre tenho a sensação — tenho-a hoje — de que o adversário não tem absolutamente nenhum poder sobre nós enquanto estivermos aqui reunidos na casa do Senhor, adorando-o. Irmãos e irmãs, essa mesma proteção nos acompanha ao longo de nossas vidas e em todas as nossas atividades, se nossas associações forem com aqueles que têm os mesmos ideais e os mesmos objetivos de vida. O sacerdócio nos foi dado para ser uma proteção, e para que seja uma proteção devemos ser ativos nos quóruns aos quais pertencemos. Os homens que se associam ativamente nos quóruns do sacerdócio desta Igreja se manterão afastados do poder do adversário. Seus motivos serão sempre justos. Eles trarão para seus lares um espírito e uma atmosfera que manterão seus filhos na linha de seu dever. Isso dará a cada um de nós um desejo que não podemos superar, exceto cumprindo-o, de assegurar que cada filho e filha com quem fomos abençoados conheça tanto deste evangelho de Jesus Cristo quanto nós conhecemos. ¶
Seria uma mácula sobre o povo da Igreja se seus filhos e filhas, ao virem até nós para serem entrevistados a fim de irem em missão, nos dissessem que nunca ouviram seu pai ou sua mãe prestar testemunho. Portanto, devemos ir aos nossos vários lugares de trabalho por toda a Igreja e ensinar nosso povo a prestar seu testemunho a seus filhos e a ensinar-lhes os princípios simples, mas fundamentais, deste evangelho. Nenhum de nossos jovens deixará nossa Igreja para unir-se a qualquer uma das igrejas do mundo se uma vez tiver dentro de si o conhecimento do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, conforme restaurado por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith. Digo-vos, meus irmãos e irmãs, que temos a responsabilidade de fazer de nossos lares um lugar sagrado, onde nossos filhos desejarão vir e trazer seus próprios filhos, e ajoelhar-se conosco em oração, e ler as escrituras conosco, e discutir conosco os problemas da vida. ¶
A Influência dos Pais no Lar ¶
Ora, se nos dedicarmos às instituições do mundo, e elas se multiplicam diariamente, não teremos tempo para a Igreja. Todos nós temos oportunidades de ingressar nesta ou naquela organização, e é hora de percebermos que toda organização à qual nos filiamos, por melhores que sejam seus propósitos, desvia-nos, ao menos em certa medida, da observância e da prática das coisas que devemos fazer em nosso lar, e, acima de tudo, de nos dedicarmos às nossas famílias. Não basta, nesta época, ganhar dinheiro, ser capaz de conferir as riquezas do mundo a nossos filhos, deixá-los viver no luxo, dar-lhes todas as coisas da vida que possam desejar. Melhor do que tudo isso é dar um pouco de nós mesmos a nossos filhos, para que possam conhecer-nos por aquilo que somos e sentir o espírito que temos e que recebemos por guardar os mandamentos de nosso Pai Celestial. ¶
Estava lendo outro dia o que o Presidente George Albert Smith disse há muitos anos, e, para concluir, quero ler sua declaração: ¶
Gratos devemos ser por conhecer a eternidade do convênio do casamento. Se somente nesta vida tivéssemos esperança, seríamos, de todos os homens, os mais miseráveis. A certeza de que nosso relacionamento aqui, como pais e filhos, como maridos e esposas, continuará no céu, e de que isto é apenas o começo de um grande e glorioso reino que nosso Pai destinou que herdemos do outro lado, enche-nos de esperança e alegria. Uma das maiores evidências para mim da divindade desta obra é que ela ensina que há vida eterna do outro lado, e que ali haverá uma reunião dos entes queridos que se conheceram aqui; consequentemente, como pais, podemos muito bem ser pacientes e amorosos para com nossos filhos, pois eles permanecerão eternamente conosco do outro lado, se nós e eles formos fiéis. Os poucos anos que vivemos aqui serão considerados como um tempo em que nos conhecemos, mas, quando nos reunirmos na outra vida, nos conheceremos melhor do que aqui. ¶
O Presidente Wilford Woodruff disse em certa ocasião: ¶
Deus abençoe vossas almas: ainda que vivêsseis aqui na carne mil anos, tanto quanto viveu o Pai Adão, e trabalhásseis toda a vossa vida na pobreza, e quando terminássemos, se por vossos atos pudésseis assegurar que vossas esposas e filhos alcançassem a primeira ressurreição para habitar convosco na presença de Deus, essa única coisa recompensaria amplamente os trabalhos de mil anos. ¶
Façamos agora o sacrifício, meus irmãos e irmãs, do trabalho de um ou dois dias por mês para passarmos com nossos filhos e ajudá-los a alcançar um lugar no reino celestial de nosso Pai Celestial, ali para habitarem conosco e acrescentarem eternamente à nossa glória. Oro humildemente para que esta seja nossa feliz sorte, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶