Pulpit

A Responsabilidade dos Pais e dos Bispos para com a Juventude

George Albert Smith

1948 October General Conference·General Priesthood Meeting·1948-10-02

Pergunto-me, às vezes, se nós, como pais, temos o cuidado de explicar a nossos filhos a seriedade da obrigação assumida quando um menino se torna diácono. Pergunto-me se, quando o menino é ordenado diácono, o pai o faz sentir que agora ele tem algo de eterna importância.

Situações Contrastantes em Duas Alas

Lembro-me de ter ouvido, certa vez, falar de duas alas, lado a lado, com uma população aproximadamente igual. Um dos bispos fazia questão de visitar os lares dos membros de seu rebanho quando nascia uma criança, e, quando chegava o momento de ela ser abençoada na reunião de jejum, ele estava presente para incentivar os pais a que seu filho recebesse uma bênção. À medida que as crianças cresciam um pouco mais, ele ensinava tanto às meninas quanto aos meninos que lhes viria uma bênção se frequentassem a Primária e a Escola Dominical.

Ele fazia com que quisessem ser batizados aos oito anos de idade, tanto os meninos quanto as meninas. Quando os meninos estavam quase em idade de serem ordenados diáconos, ele já havia conversado com eles e os fizera sentir que poderiam ser ordenados diáconos. Ele era outro pai para eles. Acompanhou todas essas famílias ao longo da vida, e dizia-se da ala que todo menino e toda menina se casaram no templo, e muitos deles foram em missões.

A ala vizinha a esta tinha outro tipo de bispo. Ele era ocupado. Não tinha tempo para acompanhar as pessoas. Deixava que seus conselheiros fizessem isso. Era correto que seus conselheiros fizessem parte disso, mas a diferença foi notada pela presidência da estaca: que, numa ala, todos os jovens, quase sem exceção, eram fiéis, aproveitavam suas oportunidades, estavam preparados e haviam sido ensinados de antemão sobre a importância do que iriam receber, enquanto, na outra ala, se os pais não ensinassem os filhos, eles não eram ensinados, exceto de modo medíocre, e o resultado foi que a maioria daqueles jovens cresceu sem particular interesse na igreja.

Responsabilidades de um Bispo

Ora, menciono isso porque o pai de uma ala, um bispo, tem uma grande responsabilidade. Não quero dizer que o pai da criança e a mãe da criança não têm responsabilidade. É seu dever e sua responsabilidade, mas que maravilhoso acréscimo à vida desses jovens quando sentem que o bispo os reconhece na rua, que se desvia de seu caminho para incentivá-los a fazer o que devem fazer. Não há nada que as crianças não façam por um bispo desse tipo.

Lembro-me, como se fosse ontem, de quando John Tingey colocou as mãos sobre minha cabeça e me ordenou diácono. A questão foi apresentada a mim de tal modo, e sua importância, que senti que era uma grande honra. O resultado foi que se tornou uma bênção para mim, e então, depois de algum tempo, vieram outras ordenações. Mas, em cada caso, lançava-se em minha mente o fundamento de que ali estava uma oportunidade para outra bênção, e quero sugerir a vós, pais que estais aqui esta noite, que não há tempo que possais gastar, nenhum modo em que possais usar vosso tempo, que seja de maior proveito do que treinar vossos filhos e vossas filhas para serem dignos das bênçãos de nosso Pai Celestial.

O Fracasso dos Pais

Há apenas poucas semanas, uma boa mulher veio ao meu escritório, filha de um dos homens mais proeminentes que já houve na igreja. Ela disse: "Não consigo entender por que meus filhos não têm interesse algum na igreja." Continuou: "Já falei com eles e expliquei o que deveriam fazer."

Voltei em minha mente, e não fui indelicado a ponto de lhe dizer: "O que a senhora fez com eles quando eram mais jovens?" Não li a ela aquela escritura, a seção 68 de Doutrina e Convênios, que diz:

"Se em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado."

Não conheço todos os fatos a respeito dessa família, mas sei que passaram bastante tempo desatentos a seus filhos que cresciam, e pergunto-me se agora (o pai já faleceu, e a mãe ainda vive), pergunto-me se, ao olhar para trás e considerar o que o pai e a mãe fizeram, isso não explicaria por que esses filhos agora não têm muita fé.

E assim, irmãos, como pais, como irmãos, como colegas, como vizinhos, por que não ajuntarmos tesouros no céu, desviando-nos de nosso caminho para incentivar esses jovens a fazer o que o Senhor gostaria que fizessem, para que, ao crescerem, seja natural para eles fazer as coisas que nosso Pai Celestial gostaria que fizessem?

A História de Jerusalém

Fez-se referência, esta noite, a Jerusalém. Creio que a história de Jerusalém é uma das mais patéticas de todas as histórias que ouvimos. Uma cidade que tinha toda vantagem; uma cidade que tinha dentro de seus muros aqueles que o próprio Senhor reivindicava. Eram seus filhos, e ele ainda os reivindica. Mas uma cidade tão egoísta, e cuja liderança foi tão negligente, que a população da cidade cresceu na maldade, não apenas um grupo, mas geração após geração, e a cidade foi destruída repetidamente, embora o Senhor tenha feito tudo o que pôde, por meio de seus profetas, para instruí-los, de modo que pudessem ter sido preservados.

Houve uma vez em que foram preservados. Isso mostrou como o poder do Senhor podia se manifestar. A cidade estava cercada, e os planos estavam sendo feitos, e o exército do lado de fora fazia sua ameaça, mas um profeta foi ao Senhor e disse: "Este povo precisa de tua ajuda. Estão arrependidos; não lhes ajudarás? Estão indefesos. Estão cercados por seu inimigo." E, na manhã seguinte, quando amanheceu, uma grande parte do exército do lado de fora estava morta. O poder do Senhor se manifestara naquele caso, e a cidade foi preservada.

É maravilhoso o que o Senhor fez a esse respeito, mas penso em Jerusalém hoje. Depois de todos esses anos, e experiência após experiência, é um campo de batalha, e um dos lugares mais indesejáveis para se viver que se possa imaginar em todo o mundo. Mas virá uma mudança. O arrependimento virá, e, quando esse arrependimento vier e for aceito pelo Senhor, Jerusalém será redimida.

Foi redimida uma vez, como vos lembrareis, depois de estar em cativeiro por setenta anos. O Senhor dissera ao profeta Jeremias que Jerusalém seria destruída e seu povo estaria em cativeiro por setenta anos.

Libertação do Cativeiro Babilônico

Cem anos antes de nascer Ciro, o general que capturou a Babilônia, o Senhor revelou ao Profeta Isaías que Ciro seria seu servo e diria a Jerusalém que ela seria reconstruída. A Babilônia, naquela época, era a maior cidade de todo o mundo, e considerava-se inexpugnável. Ciro não era judeu. Ciro não compreendia o Velho Testamento, nem sabia do papel que desempenharia na libertação dos judeus cativos e na reconstrução de Jerusalém.

Enquanto Ciro sitiava a cidade da Babilônia, o grande rei Belsazar da Babilônia e seus associados usavam os vasos sagrados que haviam sido tomados da casa do Senhor em Jerusalém para beber. Foi uma grande orgia, e, de repente, no meio dela, viu-se uma mão escrevendo na parede estas palavras: "Mene, Mene, Tequel, Upharsin", e não conseguiam lê-las.

A rainha disse ao rei: "Há entre nós um profeta hebreu. Ele pode dizer-te o que significa."

E assim foram e trouxeram Daniel, e, quando Daniel viu a escrita na parede, conseguiu lê-la. Não foi difícil para ele. Ele era servo do Senhor. Possuía o sacerdócio e o havia honrado de modo verdadeiramente maravilhoso ao longo de toda a sua vida.

O rei e os demais sentiam-se perfeitamente seguros, pensando que, com alimento e provisões, e um rio de água correndo pela cidade, nada poderia entrar para perturbá-los, e, no entanto, naquela parede estavam escritas as palavras que, interpretadas, diziam: "Foste pesado na balança e achado em falta, e teu reino será dividido entre os medos e os persas." Naquela mesma hora, "meu servo Ciro" havia desviado de seu curso o rio que atravessava a cidade, e seu exército entrou por baixo da muralha, muralha essa tão alta que não podia ser escalada nem destruída por nenhum meio ou arma que possuíssem, e tão larga que várias carruagens podiam passar lado a lado sobre ela.

Quando aquele gentio, se assim podemos chamá-lo, aquele estranho àqueles que haviam tido o sacerdócio e as bênçãos do Senhor, os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, percebeu que o Senhor lhe havia dado a Babilônia, emitiu uma proclamação libertando os cativos judeus e devolvendo-os para reconstruírem sua cidade de Jerusalém. Não apenas lhes deu seu próprio exército e seu próprio povo, mas também lhes deu meios para pagar os trabalhadores.

A Condição Atual dos Judeus

Menciono isso por causa da situação em que Jerusalém se encontra nesta noite. Pensai na condição em que os judeus se encontram, onde quer que estejam, em todo o mundo. Quero dizer-vos que algumas das melhores pessoas que já viveram pertenciam à raça hebraica, e foram exemplos em muitos casos, mas, em alguns casos, perderam sua fé e se desviaram. Quero dizer que alguns dos melhores homens e mulheres que já tivemos em Salt Lake City eram judeus. Espero que os Santos dos Últimos Dias não esqueçam, não caiam no hábito que têm aqueles que odeiam os judeus por causa de sua prosperidade, e, às vezes, os odeiam por outras razões; que não caiam no hábito de condenar uma nação, condenar todo aquele povo, sem lembrar-se de uma circunstância que ocorreu no Parlamento britânico.

A Resposta de Disraeli

Havia um debate em curso entre um grande hebreu, Benjamin Disraeli, que era o Primeiro-Ministro da Inglaterra, e um homem que era um notável debatedor na Câmara dos Lordes, e, quando este já não conseguia mais responder ao judeu, passou a provocá-lo por ser judeu. Disse: "Sim, afinal, o senhor não passa de um judeu."

E então Disraeli se levantou e disse: "Este homem me provocou por eu ser judeu. Sou judeu, e tenho orgulho disso. E quando os antepassados deste homem lutavam como feras selvagens por suas companheiras, meu povo estava lançando os fundamentos da literatura do mundo." Essa foi sua resposta.

E mais uma coisa, e espero que todos nos lembremos dela. "Quando este homem e aqueles a quem ama se curvam em oração, tudo o que pedem, pedem em nome de Jesus Cristo, um judeu."

Estou enfatizando isso esta noite, embora não esperasse fazê-lo quando me levantei, por causa do ódio que às vezes cresce no coração dos homens, e deixamos de ver as virtudes dos outros. Irmãos, em meio a estas campanhas políticas como as que estamos vivendo agora, pelo amor de Deus, não vos rebaixeis a criticar e a encontrar defeitos, injusta e indevidamente, naqueles que não creem como vós em política. Sejamos verdadeiros Santos dos Últimos Dias — não fingidores — e vejamos as virtudes dos outros. Há virtude em ambos os lados.

Pensai em Jerusalém, esta noite. Pensai na situação daquele grande povo, que manteve sua integridade como nação, como indivíduos, como raça, como poucos outros no mundo o fizeram. Isso sempre foi maravilhoso para mim, mas vede quão lastimável é sua situação agora, e, se todo o povo do mundo fosse justo e eles estivessem em transgressão, haveria esperança para eles, porque nosso Pai Celestial tem insistido, em seus conselhos e orientações ao mundo, que "Jerusalém será redimida."

Bênçãos Baseadas na Retidão

Não precisamos ir tão longe. E a América? Estive numa reunião, não faz muito tempo, onde um grupo de Escoteiros se levantou e cantou "God Bless America" [Deus Abençoe a América], e cantaram lindamente, e, durante todo o tempo em que cantavam, eu me perguntava: "Como pode ele abençoar a América até que a América se arrependa?" Toda grande bênção que desejamos nos é prometida por nosso Pai Celestial, sob a condição de que o honremos e guardemos seus mandamentos. Orar não é suficiente. Não basta orar; precisamos também viver de modo a sermos dignos da bênção.

Em meio às convulsões do mundo — quase hesito em abrir o jornal e ver as manchetes de todos os artigos, porque muitos deles estão em letras grandes, e frequentemente indicam que o perigo de outra guerra nos aguarda.

Irmãos, por que reuniu o Senhor a nós dentre as nações da terra? Por que não nos deixou em todas as outras terras? Por que chamou nossos antepassados a deixar as comodidades do lar e as oportunidades e bênçãos da civilização, tal como era, para vir até aqui, ao alto destas colinas eternas, para colonizar estas planícies desérticas e estéreis, em muitos casos? Por quê? Ele sabia do que precisávamos. Sabia que seu povo teria de guardar seus mandamentos para perdurar, e, como na época em que vieram os grilos e estavam prestes a devorar as colheitas, e a fome espreitava nosso povo, havia entre eles alguns que sabiam que havia uma saída. Não sabiam qual era, mas então começaram a orar. Já haviam feito tudo o mais para destruir a praga, mas, quando começaram a orar, surgiram no céu ocidental grandes bandos de gaivotas, e vieram e começaram a devorar os grilos.

Supondes que isso teria acontecido se aquele povo tivesse sido perverso, se tivesse sido imoral, se tivesse sido dado à bebedeira, se tivesse violado os mandamentos de Deus? Não posso crer que teria ocorrido, mas creio que, entre aquele povo, havia alguns dos melhores homens e mulheres que já viveram sobre a terra, e por essa razão o Senhor preservou suas colheitas.

A Fé Recompensada em Bear River

Depois, houve uma circunstância ali em Bear River. Durante dez anos, a geada havia destruído suas colheitas, todos os anos. As pessoas tinham de sair do vale para buscar seu pão. Podiam criar feno e gado, mas não conseguiam fazer amadurecer suas colheitas de alimento. E o Presidente da Igreja e seus irmãos foram até lá para realizar uma conferência. E, quando estavam chegando, ó como o povo orava para que o Presidente da Igreja, o profeta do Senhor, repreendesse a maldição que parecia pairar sobre aquela terra, para que pudessem colher sua safra.

Pode haver bastante gente daquela estaca aqui esta noite, porque há muita gente boa que vive lá agora.

E sua conferência foi realizada — dois dias de conferência. E os irmãos todos haviam falado. Nenhuma palavra fora dita sobre sua aflição; nada lhes fora dito para os encorajar de que as condições melhorariam. A bênção final foi pronunciada, e o povo estava saindo, e, de repente, o Presidente se levantou e disse: "Chamai o povo de volta. Tenho algo a dizer-lhes."

Voltaram e tomaram seus assentos, e ele disse: "Ora, vós, povo, tendes sido fiéis. Não fugistes daqui. Permanecestes. Cultivastes a terra. Fizestes o melhor que pudestes, e, todos os anos, perdestes a colheita de vosso grão. O Senhor sabe do que precisais, e posso vos dizer que, a partir de agora, colhereis vossa safra."

Imaginai, depois de dez anos, mas, desde então, sempre colheram uma safra naquele vale.

Essas coisas não são acidentes, meus irmãos. A autoridade do sacerdócio, devidamente exercida, traz-nos à mente o fato de que não estamos muito longe do Senhor, e ele é todo-poderoso e todo-misericordioso. Se nos arrependermos de nossa insensatez e nos voltarmos para ele, ele ouvirá e responderá às nossas orações.

Irmãos, bispos, lamentei não poder estar convosco na noite passada. Bispo Richards, creio que devo uma desculpa, aqui mesmo do púlpito. Fui para casa ontem à noite, depois da reunião, e me deitei assim que pude chegar lá, depois da reunião da tarde, porque queria vir à vossa reunião. Mas, quando chegou a hora de me vestir e descer, levantei-me e estava tão fraco que não me atrevi a ir. Não me vesti. Voltei para a cama, e perdi vossa excelente reunião. Mas eu queria estar lá, e tenho certeza de que tivestes um momento feliz.

Quero dizer isto aos bispos. Não há posição na Igreja que traga maior bênção a qualquer homem do que o ofício de bispo, se ele honrar esse ofício e for um verdadeiro pai para o rebanho sobre o qual é chamado a presidir. Não vos esqueçais disso. Ele pode entrar no lar, não para repreender, criticar e encontrar defeitos, mas pode ir como um avô amoroso, se me permitis usar esse termo, e a família prestará atenção, se ele for sábio, e ele pode reuni-los ao seu redor. E, se ele conseguir apenas que seus professores orientadores o ajudem, poderia haver uma grande mudança em algumas das alas desta igreja.

Estou vos suplicando, meus irmãos. Não vos contenteis apenas em ir até a porta e dizer: "Queremos saber se está tudo bem", e seguir vosso caminho. Esse não é o dever. Não é assim que um professor orientador deve atuar, mas todo bispo deveria ter sob sua direção homens, rapazes, homens de meia-idade e homens idosos, que entrem nos lares, não se desculpando por invadir a casa, mas indo como professores orientadores.

Ensino nos Lares

Rodney Badger foi professor orientador no lar de meu pai por anos, e um grande homem. Sempre que vinha, a família se reunia, e ele se sentava e nos fazia perguntas, e nos dizia as coisas que achava que devíamos compreender. E quero dizer-vos que, quando ele entrava em nosso lar, trazia consigo o espírito do Senhor. E, quando saía, sentíamos que havíamos tido a visita de um servo do Senhor.

Procuremos ver se não podemos melhorar nosso ensino nos lares da ala, irmãos. Certamente, em alguns casos, é lastimável, porque o Senhor nos deu todo o poder, a autoridade e a capacidade de entrar nos lares e aproximar seus filhos e filhas dele. Mas, frequentemente, sentimos que estamos ocupados demais com outras coisas para fazê-lo.

Não estou me queixando. Sei quão difícil é ser bispo. Estive nos lares de muitos bispos, ordenei bastantes, e os acompanhei, vendo quais foram suas experiências; têm uma responsabilidade muito grande, e isso lhes toma muito tempo. Mas quero dizer-vos que não há bispo, nem jamais houve um bispo na Igreja, que tenha dedicado o tempo que o Senhor esperava que dedicasse a cuidar do rebanho, a ensinar seu povo e a prepará-lo para realizar a obra, que não tenha recebido cem por cento das bênçãos pelas quais trabalhou, e essas se estenderão a ele por toda a eternidade.

Ele pode não ter tido riqueza, pode não ter tido distinção. Pode não ter tido a honra de presidir clubes e coisas do gênero, mas, se cumpriu seu dever como bispo, andou de mãos dadas com o Pai de todos nós, e tudo o que fez para abençoar seus semelhantes está guardado como tesouro no céu, e ninguém pode tirar-lhe essa bênção.

Vejamos se não podemos melhorar isso, irmãos. Por mais bem que alguns de nós tenhamos feito, vejamos se não podemos fazer melhor.

Falsos Mestres

Há um pequeno assunto aqui que foi trazido à nossa atenção. Em algumas de nossas alas, a fim de atrair as congregações e trazer mais gente, nossos bispos, e, em alguns casos, nossos líderes de organizações auxiliares, saem à procura de alguém para vir proferir uma palestra na reunião de domingo à noite. Às vezes, convidam-se homens sobre os quais nada se sabe, e, às vezes, esses homens dizem coisas que não deveriam ser ditas naquela reunião.

Há dois índios que trabalham agora entre nosso povo, e são convidados de ala em ala, e entram e contam histórias, e se vestem com suas penas e trajes que são atraentes para os jovens, e somos informados de que ensinam coisas estranhas ao que cremos e ao que o Senhor deseja que nosso povo creia.

Bispos, e líderes de organizações, protegei vosso povo daqueles que lhes ensinariam coisas que lhes seriam prejudiciais. Há algumas das melhores pessoas do mundo entre os índios. Esses homens de que estou falando agora podem ter muitas boas características de caráter, mas, neste momento, andam entre nosso povo dizendo e fazendo coisas que causarão dano e que terão de ser deixadas de lado, porque não estão dizendo o que é verdadeiro. Assim, gostaríamos que esta noite transmitísseis isso em vossas alas e estacas, vós, presidentes de estaca e bispos que estais aqui, e, no que fizerdes, protegei vosso povo, na ala, daqueles de quem nada sabeis e que buscarão a oportunidade de entrar e falar ao povo quando não deveriam ter permissão para fazê-lo, porque não ensinam o que seria proveitoso para o povo.

Honrar o Sábado

Outra coisa, irmãos: nossos bispos e nossos presidentes de estaca podem ter uma imensa influência em levar o povo de suas alas e estacas a sentir que devem honrar o dia de sábado. Honrar o dia de sábado e guardá-lo santo é um mandamento de nosso Pai Celestial. Seis dias ele nos deu para fazermos praticamente o que quisermos, desde que não façamos o mal, mas, no sétimo, ele disse: "O sétimo é o sábado do Senhor teu Deus." Ele nos aconselhou a não trabalhar, nem nós, nem nossos animais, nem o estrangeiro que está dentro de nossas portas, e nos prometeu bênçãos se fizermos o que devemos fazer.

Irmãos, não é coisa insignificante violar o dia de sábado. Quero dizer que perdeis, toda vez que violais o dia de sábado; perdeis mais do que podeis ganhar, não importa o que penseis que ireis ganhar, mas vossos filhos e filhas, às vezes, não compreendem isso. Ensinai-lhes isso. Ensinai-lhes que seus lares podem ser a morada da oração.

Lembro-me de quando era criança, morando bem em frente daqui, e os meninos vinham à nossa casa, domingo após domingo, depois da Escola Dominical, e eu era como os meninos, achava que seria muito divertido jogar bola e jogar outros jogos. Mas eu tinha uma mãe maravilhosa. Ela não dizia: "Não podes fazer isso", mas dizia: "Filho, ficarás mais feliz se não fizeres isso. Deixa os meninos irem para casa e ler um bom livro."

Instrução no Lar

Quero dizer-vos que sou grato por esse tipo de instrução no lar, mas há lugares onde as crianças são soltas, e não são vigiadas, não são protegidas e não são instruídas, e o resultado é que não apenas perdem a bênção que lhes seria eternamente vantajosa, mas atravessam para o lado do diabo, e, antes que percebamos, fazem coisas que não deveriam fazer.

Quero dizer que, assim que entramos no território do diabo, estamos em seu poder, e nossa segurança está do lado do Senhor, e o lado do Senhor é o lado dos Dez Mandamentos e dos demais mandamentos que o Senhor deu, e podemos facilmente saber quais são.

Proteção das Moças

Bastantes de nossos jovens estão deixando o lar nos povoados do interior e vindo para cá, para Salt Lake City. Nossas jovens estão vindo, e, quando chegam, se não estão em lares que as protejam, sob a supervisão de boas mulheres, correm grande perigo. Se eu vivesse em alguns dos povoados mais distantes, sabendo o que sei, se tivesse uma filha preciosa, nunca a deixaria vir a Salt Lake City sem um responsável, por melhor que ela fosse. Se a deixasse vir de todo modo, teria certeza de que estava devidamente resguardada, acompanhada e ajudada.

Irmãos, espalhai essa palavra. É tão atraente, para essas moças, virem para onde há luzes brilhantes, e os jornais estão sempre dizendo o que acontece por aqui, mas sua felicidade eterna pode ser destruída ao caírem nas mãos de algum rapaz ou homem perverso e descuidado. E, quando estiverem arruinadas, será tarde demais para dizer: "Quem dera não tivéssemos feito isso." Resguardai-as, por favor, tanto quanto puderdes, e, quando vierem para a cidade e souberdes que estão vindo, vós, bispos, mandai avisar aqui. Podeis mandar recado ou descobrir a que ala pertencerão e escrever diretamente aos bispos. Se não houver outro modo, escrevei à Associação de Melhoramentos Mútuos das Moças e dai os endereços dessas moças, e eles ajudarão a cuidar delas. Farão um trabalho maravilhoso por vós, e ajudarão a salvar aquelas que são mais preciosas do que o ouro.

Vigilância Necessária

Um grande esforço está sendo feito, neste momento, para penetrar nas fileiras deste povo. Outros que não são membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estão construindo igrejas, construindo casas de diversão entre nós, e aqueles que são hábeis em atrair jovens estão reunindo-os, e alguns de nossos jovens pediram que seus nomes fossem retirados dos registros da igreja. Vêm de bons lares, mas, em alguns casos, não foram instruídos adequadamente e são facilmente enganados por estranhos.

Irmãos, vigiai vosso povo. Podeis ter gado e ovelhas em mil colinas, e todo o feno, o grão, as batatas e outras coisas; podeis possuir ações, títulos, casas e bancos, e tudo mais, mas, se, por causa de vossa própria negligência e indiferença, perderdes um daqueles filhos ou filhas preciosos que Deus vos deu, arrepender-vos-eis disso por muito tempo, e vosso arrependimento talvez não realize o que desejais.

Há muito que eu poderia dizer, mas não há tempo. Já falei tanto tempo agora.

É maravilhoso estar aqui convosco. Sinto-me feliz por estar com um grupo de homens como este, com tantos jovens e meninos aqui. Lembrai-vos, meninos, cada um de vós é filho de nosso Pai Celestial. Cada um de vós está vivendo a vida eterna. Cada um de vós, meninos e homens, se viverdes corretamente, tem direito ao sacerdócio do Deus vivo. Não percais essa bênção e esse privilégio. E pais, junto com vossas esposas, ensinai a vossos filhos a beleza das coisas que o Senhor nos deu como o evangelho de Jesus Cristo, e eles serão felizes, e vós sereis felizes, e vossas famílias não serão desfeitas por aqueles que os desencaminham, muitas vezes de propósito e com malícia.

A Ajuda do Senhor É Necessária

Esta é uma época do mundo em que precisamos da ajuda do Senhor, cada um de nós. Sou grato por termos, hoje, quase por toda parte, em nossas escolas, em nosso congresso, em nossas estacas em diferentes partes do mundo, bons homens e boas mulheres que não apenas ensinam o evangelho de Jesus Cristo, mas o vivem. São ajudas maravilhosas nos vários lugares em que se encontram, e precisamos de tudo isso. Todos os que têm fé e vivem para serem dignos da inspiração do Senhor serão guiados, inspirados e ajudados em tempos de aflição. Ele não está tão distante. Ele é nosso Pai. Ele nos ama e deseja que sejamos dignos de sermos chamados seus filhos. Este grande grupo de homens aqui esta noite, este grupo maravilhoso, cada um de vós é filho de nosso Pai Celestial. Este grande grupo de homens, cada um está vivendo a vida eterna, e o evangelho de Jesus Cristo foi dado a nossos antepassados, e agora a nós, para nos preparar para viver com ele eternamente sobre esta terra, quando ela se tornar o reino celestial. Podeis pensar em algo mais maravilhoso?

Bênçãos e Testemunho

Que o Senhor acrescente sua bênção. Rogo que abençoe cada um de vós, homens excelentes, vós, professores nas escolas, vós, homens nas alas e estacas, aqueles de vós que trabalhais em companheirismo com homens, meninos e mulheres em diferentes partes do mundo; rogo ao Senhor que vos abençoe, para que não percais oportunidade alguma de ajudar a elevar, desenvolver e conduzi-los a serem o que nosso Pai gostaria que fossem, e eles serão então vossos companheiros por toda a eternidade.

Deus vive. Jesus é o Cristo. Joseph Smith foi profeta do Deus vivo. O Senhor lhe deu o sacerdócio que possuímos, e ele continuará a ser transmitido a nossos descendentes, tal como veio de nossos antepassados, se fizermos nossa parte.

Deus vos abençoe, irmãos; sou tão grato por estar convosco.

Pensai no que significa ser um sacerdócio real, não uma fantasia, mas um sacerdócio real, cada um tendo contato, se assim o quisermos, com o poder de nosso Pai Celestial, o grande Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Esta é a sua obra, e dou-vos meu testemunho de que sei disso tão certamente quanto sei que vivo, em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoGeorge Albert Smith, “A Responsabilidade dos Pais e dos Bispos para com a Juventude”, 1948 October General Conference, General Priesthood Meeting (1948-10-02). Pulpit Vault, 1948-10-george-albert-smith-conference-address-3. Tradução desta edição, por método de glossário, catalog.churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).