O Serviço e os Vizinhos Inativos
Antoine R. Ivins
Desejo vossa fé e vossas orações, meus irmãos e irmãs, pois sinto terrivelmente a necessidade delas. Não há nada, creio eu, que eu aprecie mais em todo o mundo do que minha filiação à Igreja. É a última coisa que eu jamais gostaria de perder, e confio que, com vossa ajuda e a ajuda que posso obter do Espírito do Senhor, serei capaz de prosseguir numa vida de serviço à Igreja e a meus irmãos e irmãs. Quero agradecer a todos vós que estais aqui e que fostes bondosos comigo nas visitas que fiz às vossas conferências. Percebo que muitas vezes isso é um fardo para vós, e agradeço muito, muito mesmo, assim como o Bispo Richards expressou sua gratidão. ¶
O Serviço Traz Felicidade ¶
O grande valor que a Igreja tem para nós, creio eu, é a oportunidade que nos dá de servir, pois, afinal, os grandes benefícios da vida vêm do serviço. O serviço generoso, de coração aberto, pleno, prestado a nossos semelhantes é, creio eu, aquilo que nos traz a maior felicidade. Podemos servir nossas famílias e obter felicidade com isso; podemos servir nossos amigos e obter felicidade com isso; mas, se quisermos ser felizes, precisamos servir, e servir generosamente, e eu mesmo creio que a maior felicidade que me advém de observar os padrões da Igreja e cumprir minhas obrigações para com ela são os valores espirituais que obtenho desse serviço. Gostaria de poder dizer que sirvo sempre pelo puro amor ao serviço. Não sei se posso dizer isso com honestidade ou não, mas espero que sim. Gostaria de sugerir que todos nós que servimos, sirvamos pelo mesmo motivo, por pura alegria e amor ao serviço. Gostaria que todo homem que aceita uma responsabilidade num quórum do sacerdócio a aceitasse pela oportunidade de serviço que ela lhe oferece; não para ser um bom diácono a fim de vir a ser presidente de seu quórum. Não para ser um bom sacerdote para que, um dia, venha a ser feito presidente do quórum de élderes. Não para ser um bom bispo, para que, quando a estaca for reorganizada, venha a se tornar presidente da estaca, porque, se ele serve com esse motivo, é muito provável que chegue para ele um dia de decepção; mas, se ele serve porque ama servir, se ele serve porque ama seus semelhantes, então, quer as outras coisas venham ou não, ele nunca se decepciona. ¶
Serviço de Alta Qualidade ¶
As pessoas podem nem sempre apreciar seu serviço, mas ele sempre terá, no fundo do coração, o sentimento de que fez o melhor que pôde, e essa é a grande satisfação, creio eu, que dele advém. Esse é o motivo que leva nossos rapazes e moças a aceitar chamados para o campo missionário. Ouvimos esta tarde sobre o grande número dos que estão no campo missionário, pregando o evangelho, tentando dizer ao mundo que, afinal, voltou à terra um testemunho verdadeiro quanto à personalidade do Deus que adoramos e de seu Filho Jesus Cristo. Cremos que, por meio desse testemunho, pela aceitação desse testemunho e pela adesão aos padrões e às exigências que a Igreja oferece a seus membros, temos a garantia de um futuro, mesmo após esta vida, de exaltação na presença de nosso Pai Celestial, a bênção maior do que qualquer bênção terrena que possamos desfrutar. Sentimo-nos na obrigação, por termos esse privilégio, de levá-lo a outras pessoas e oferecê-lo a elas. Esse é o serviço em seu sentido mais elevado. ¶
Outro dia, quando perguntei a um rapaz que deseja servir uma missão por que ele queria ir, ele respondeu que era porque sempre crescera com a ideia de que gostaria de sair e servir a Igreja nessa capacidade. Outro rapaz, a quem perguntei por que queria ir, disse que, enquanto servia a seu país, obteve um testemunho fervoroso da verdade do evangelho, mas viu a lamentável falta desse testemunho na vida de seus companheiros, e desejava ter a oportunidade de sair e ensinar o arrependimento ao povo do mundo. Isso é serviço de grau elevado e de alta qualidade. O serviço é a grande bênção, creio eu, que obtemos de tudo isso. ¶
A lealdade à Igreja exige que lhe prestemos esse serviço, seja ele uma obrigação financeira, da qual acabamos de ouvir falar, seja um chamado espiritual, pois costumamos, em nossa mente, distinguir entre o temporal e o espiritual. A Igreja nos pede esse serviço, e a lealdade à Igreja exige que o prestemos. ¶
Oportunidades Missionárias em Casa ¶
Ora, ao dar esse serviço, às vezes deixamos passar nossas oportunidades, e gostaria de saber se me permitiríeis chamar vossa atenção, por apenas um momento, esta tarde, para um campo de obra missionária que nem sempre é enfatizado, mas que parece estar sempre conosco, e que, para mim, é um campo muito, muito importante. Já chamei a atenção dos diversos oficiais das estacas que visitei este ano para isso, mas há muitos aqui que não terei a oportunidade de visitar e para cuja atenção desejo chamar isto. ¶
Outro dia, ao visitar uma estaca, uma estaca dentro deste vale, descobri que há, dentro dessa estaca, duzentos e cinquenta homens com mais de vinte e um anos que nunca se interessaram o suficiente pelo sacerdócio para serem ordenados a qualquer ofício nele. Pergunto-me quem são eles. Pergunto-me por que estão assim. Pergunto-me se estão nessa posição porque alguns de nós, que assumimos a responsabilidade de guiar nossos quóruns, temos sido negligentes ou, ao menos, negligenciamos uma responsabilidade e uma oportunidade. Ora, esses homens, na maioria dos casos, creio eu, são homens que nasceram na Igreja. Eles representam as mesmas boas qualidades, quanto à sua herança, que os membros ativos representam, mas, por alguma razão, nunca foram trazidos ao serviço e nunca foram ordenados. Aqueles de nós que são vizinhos dessas pessoas têm, parece-me, uma responsabilidade para com elas. Podemos viver ao lado delas, semana após semana e mês após mês, e até ano após ano, e as consideramos algo garantido, e nunca lhes oferecemos uma oportunidade. Nunca lhes oferecemos um incentivo para que nos acompanhem no desempenho de nosso serviço religioso. Já conheci casos de homens a quem tais oportunidades foram oferecidas, que foram trazidos à atividade e progrediram rapidamente dentro da Igreja, e recomendo que todos nós assumamos a responsabilidade pessoal de fazer tudo o que pudermos para trazer à atividade os homens que estão perto de nós. ¶
Registro da Obra Missionária de Estaca ¶
Durante os dez anos em que esses missionários de estaca vêm atuando sob a direção do Primeiro Conselho dos Setenta — já são onze anos agora, creio eu — mas, nos primeiros dez anos, fizemos um registro batismal de pouco mais de vinte e dois mil batismos, e, ao mesmo tempo, relatamos o retorno à atividade, por meio de nossas missões de estaca, de pouco mais de trinta mil pessoas. Não faz muito tempo fiz uma análise desses pouco mais de vinte mil batismos e, irmãos e irmãs, fiquei espantado ao descobrir que um em cada três daqueles batismos era o batismo de uma pessoa com mais de nove e menos de quinze anos, cujos pais eram ambos membros da Igreja. Ora, por que isso acontece? Por que os deixamos escapar dessa maneira? É culpa do pai ou da mãe? É culpa de um professor orientador da ala? É culpa de um secretário da ala que deixa de notificar seu bispo sobre a idade que se aproxima das crianças de sua ala, ou é culpa nossa quando não trazemos isso à vossa atenção do púlpito? Mas certamente deve ser culpa de alguém, porque, quando nossos missionários de estaca se aproximaram desses jovens, sete mil deles pediram para ser batizados e vieram para a Igreja receber suas oportunidades e suas bênçãos. Há outros que conhecemos, com mais de quinze anos, de ascendência mórmon, que retornaram por meio do ministério de nossos missionários de estaca. Eles têm realizado uma grande obra, mas o que me espanta é que, a menos que prestemos estrita atenção a nossos deveres como líderes no sacerdócio, essa condição provavelmente continuará, e, no próximo ano, haverá mais um grupo excluído dos registros da Igreja porque ninguém teve o cuidado de lhes ensinar a importância e o valor do batismo na Igreja. E então descubro que temos um exército de quarenta e nove mil pessoas, aqui, com mais de vinte e um anos e ainda no Sacerdócio Aarônico. Muitos deles são, no fundo, homens excelentes, e só lhes falta o incentivo que alguns de nós, se estivéssemos em contato com eles, poderíamos oferecer para trazê-los à atividade, e a atividade é o que é preciso para mantê-los em movimento. Já conheci homens que começaram na obra de bem-estar e seguiram diretamente para o progresso no Sacerdócio de Melquisedeque, e, quando vos digo que já visitei estacas em que apenas uma em cada três famílias da estaca tinha um homem que possuísse o Sacerdócio de Melquisedeque, percebereis que temos outra responsabilidade: ensinar a nossos rapazes e moças o valor de se casarem no templo de Deus para o tempo e para toda a eternidade. Isso já vos foi sugerido esta tarde. Encontrei uma estaca em que apenas trinta e cinco famílias em cada cem poderiam, possivelmente, estar representadas no Sacerdócio de Melquisedeque, e mais tarde encontrei uma pior do que essa. A melhor que já encontrei foi de cento e sete por cento. ¶
PREOCUPAÇÃO PELOS VIZINHOS INATIVOS ¶
Irmãos e irmãs, enquanto gastamos centenas de milhares de dólares, como de fato gastamos, para enviar homens ao Japão, à África e a todos os pontos intermediários, o que estamos fazendo com essas pessoas que estão bem ao redor de nossas portas, para trazê-las à atividade? Apresento isso a vós como nosso grande objetivo na obra missionária para o futuro imediato. Vejamos, irmãos e irmãs, se conseguimos fazê-lo. Ora, para esse propósito, talvez cada um de nós precise fazer de si mesmo um emissário especialmente chamado a seu vizinho, especialmente a seu vizinho inativo, para lhe mostrar os benefícios e as bênçãos do evangelho; mas, antes de ir a esse vizinho, ele deve ajustar suas velas. Ele deve analisar a si mesmo, e deve trazer sua conduta a estrita conformidade com os ensinamentos do evangelho, e, se puder ir até ele e mostrar-lhe, pela vida que vive, os benefícios que obtém da atividade na Igreja, as chances de conversão são muito maiores do que se tiver de se desculpar por sua própria conduta ao tentar ensinar as vantagens de aderir aos ensinamentos da Igreja. ¶
Esse é o nosso problema, irmãos e irmãs: viver de tal maneira que todo homem que venha entre nós para nos observar veja o lado excelente do evangelho refletido em nossa vida, e que não tenha justa causa para nos criticar adversamente. Isso é uma tarefa grande, admito, mas, ainda assim, é o dever e a responsabilidade de todo homem e toda mulher na Igreja mostrar, pela maneira como vive, os valores que existem no evangelho, e esses valores costumam ser espirituais. Se sois altamente espirituais, esses valores brilharão em vossos olhos como a luz refletida de um diamante. Não podeis evitá-lo. Quando o vivemos, isso aparece; e, quando não o vivemos, isso também aparece, mas é uma luz escura que surge quando não estamos vivendo o evangelho de Jesus Cristo. ¶
Confio agora, irmãos e irmãs, que possamos ter o poder de Deus para fazê-lo. Quando inclinamos aqui a cabeça esta tarde, pedimos a Deus que nos desse seu Espírito. É minha experiência que, quando desfruto do Espírito de Deus, é porque procuro colocar-me em conformidade com ele, e, quando faço isso, tenho prazer em ouvir o que é inspirado em outros pelo Espírito de Deus. Se não consigo fazer isso, não tenho nenhum prazer nisso. Assim, quando viermos a estas reuniões, irmãos, e quando assumirmos nossos deveres como líderes nas alas e estacas, procuremos colocar-nos numa posição em que possamos esperar, quando o pedirmos a Deus, que seu Espírito nos guie e nos dirija. ¶
Que ele nos abençoe, é o que oro, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶