O Programa de Bem-Estar e o Livre Arbítrio
Henry D. Moyle
Meus irmãos e irmãs, é com humildade que me apresento diante de vós para ocupar alguns momentos de vosso valioso tempo. Nesta época do ano, e num ano como este que agora desfrutamos, poderíamos muito bem olhar para o nosso passado imediato e perguntar a nós mesmos se o conselho e a orientação que foram dados desta tribuna há onze anos e meio já se tornaram um princípio cardeal de nossas vidas e de nossas atividades. Temos todos nós, hoje, em nossos lares, um suprimento de um ano das necessidades da vida? Estamos todos em dia com o Senhor quanto ao nosso dízimo? Temos jejuado durante o ano e prestado contas ao bispo das economias assim obtidas? Temos contribuído tão generosamente quanto poderíamos para o cumprimento do orçamento de bem-estar de 1947? Estas são perguntas importantes em nossas vidas hoje, tão importantes, e talvez mais do que nunca, e, se não o fizemos, então certamente nos falta a fé e a coragem para fazer o que nossos grandes líderes sugeriram. ¶
Testemunho do Programa de Bem-Estar
Tenho tido frequentemente ocasião de dizer, ao viajar pela Igreja no trabalho de bem-estar, que o Presidente Grant, quando me chamou para o comitê geral de bem-estar, não me perguntou se eu estava convertido a esse grande princípio de a Igreja cuidar dos seus; ele simplesmente me disse que eu havia sido chamado para essa obra e que se esperava que eu saísse e fizesse aquilo que fosse necessário para edificar esse plano entre nosso povo. Senti-me muito impressionado esta manhã com o que o Presidente Smith nos disse sobre o que vemos e ouvimos. Isso não é o importante. O importante, para vós e para mim, é aquilo que sentimos, e estou aqui para vos dizer hoje, irmãos e irmãs, com toda humildade, que nunca houve um momento em minha vida, desde que o Presidente Grant me chamou para este trabalho de bem-estar, em que eu não me sentisse bem nele e sentisse que estava fazendo algo que o Senhor desejava que fosse feito. E assim, governado pelos padrões que nosso profeta nos apresentou aqui hoje, tenho o prazer de prestar-vos meu testemunho de que ainda há grande necessidade, no mundo hoje e nesta Igreja, deste grande programa de bem-estar. ¶
A Oposição do Adversário
Lendo The Life of Brigham Young outro dia, deparei-me com esta passagem: ¶
Foi-me revelado, no início desta Igreja, que a Igreja se espalharia, prosperaria, cresceria e se expandiria, e que, na proporção em que o evangelho se espalhasse entre as nações da terra, assim se ergueria o poder de Satanás. ¶
E tenho dentro de mim a convicção de que o poder do adversário tem se manifestado contra nós no esforço de promover este programa de bem-estar entre nosso povo, e creio que o adversário tem usado alguns de seus mais fortes agentes para impedir que vós e eu sigamos o conselho e a orientação de nossos líderes como deveríamos ter feito, e não temos sido tão diligentes no cumprimento dos deveres que nos cabem neste plano de bem-estar como deveríamos ter sido. ¶
Se tivéssemos mantido os padrões da Igreja em relação ao nosso trabalho de bem-estar nestes últimos onze anos e meio, poderíamos ter abençoado o povo da Europa muitas vezes mais do que já o fizemos, porque teríamos tido muito mais do que os oitenta e três vagões que já foram enviados para lá a fim de aliviar seu sofrimento. Até onde consegui determinar em nossas vidas, irmãos e irmãs, se considerarmos este assunto com seriedade, não fomos sobrecarregados; não sofremos. Este programa de bem-estar não tem sido um fardo para nós. Quero dizer-vos que aquelas pessoas nesta Igreja que seguiram literalmente o conselho e a orientação de nossos irmãos foram abençoadas. ¶
A Observância do Dia de Sábado
Há outra coisa que hoje me toca de perto o coração, e sinto-me impelido a falar sobre ela, e é que as dádivas desta terra foram prometidas aos Santos dos Últimos Dias e a todos os filhos de nosso Pai Celestial, se guardarmos o dia de sábado como santo. Certamente temos bastante razão para considerar este assunto em relação ao nosso trabalho de bem-estar. Um dos primeiros mandamentos dados ao homem foi que nos lembrássemos do dia de sábado, para o santificar: ¶
Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra, Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. ¶
Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou. (Êxodo 20:9-11.) ¶
Brigham Young disse a esse respeito: ¶
Ora, lembrai-vos, meus irmãos, de que aqueles que vão patinar, passear de charrete ou fazer excursões no dia de sábado — e há muito disso ¶
praticado — são fracos na fé. Geralmente, pouco a pouco, o espírito de sua religião vai vazando de seus corações e de suas afeições, e, aos poucos, começam a ver defeitos em seus irmãos, defeitos nas doutrinas da Igreja, defeitos na organização, e, por fim, deixam o Reino de Deus e caminham para a destruição. . . . O Senhor ordenou a seu povo que descansasse uma sétima parte do tempo, e nós tomamos o primeiro dia da semana e o chamamos de nosso sábado. Isso está de acordo com a ordem dos cristãos. Devemos observar isso para nosso próprio bem temporal e bem-estar espiritual. Quando vemos um lavrador com pressa, que precisa cuidar de sua colheita, do feno, de construir cercas, ou de reunir seu gado no dia de sábado, no que a mim diz respeito, considero-o fraco na fé. Ele perdeu, mais ou menos, o espírito de sua religião. Seis dias são suficientes para trabalharmos, e, se quisermos nos divertir, divirtamo-nos dentro desses seis dias; se quisermos fazer excursões, tomemos um desses seis dias, mas, no sétimo dia, vinde ao lugar de adoração, participai do Sacramento, confessai vossas faltas uns aos outros e ao nosso Deus, e prestai atenção às ordenanças da casa de Deus. (Discourses of Brigham Young, p. 165.) ¶
A Obediência Traz Bênçãos
E há mais um assunto, dentro deste tema geral, que eu gostaria de ler enquanto ainda falo sobre isso, e é que, na Doutrina e Convênios, nos é prometido que, ao guardarmos o dia de sábado como santo, a plenitude da terra será nossa, e assim repito novamente que há uma fórmula bem simples, se tivermos fé na obra do Senhor. Se a plenitude da terra é nossa, nunca teremos dificuldade em cumprir nosso orçamento de bem-estar; nunca teremos dificuldade em cuidar daqueles que precisam de assistência de nossa parte. O nosso problema é que nos falta a coragem de confiar implicitamente na obra de Deus e de fazer como ele nos aconselhou. ¶
Somos hoje muito mais ricos, nesta Igreja, do que reconhecemos ser. Não há povo hoje sobre a terra que seja tão rico quanto nós. Basta pensar nas bênçãos que são nossas, e em que rica abundância as desfrutamos. Temos fé; temos verdade; temos virtude; temos caridade; temos humildade; temos parcimônia, diligência, ambição, entusiasmo; e, como resultado de todas essas virtudes, meus irmãos e irmãs, temos as necessidades da vida em rica abundância entre o povo desta Igreja. Ora, se somos ricos, e estou certo de que o somos, então devemos tomar a peito as palavras do Profeta Joseph Smith, a ele reveladas por nosso Pai Celestial, porque não falava como homem para homem, mas falava, ao proferir estas palavras, como porta-voz de nosso Pai Celestial. Disse ele: ¶
Ai de vós, homens ricos, que não compartilhais vossos bens com os pobres, pois vossas riquezas irão corromper-vos a alma; e esta será vossa lamentação no dia da visitação e do julgamento e da indignação: Passada é a colheita, findo é o verão; e a minha alma não está salva! ¶
Ai de vós, homens pobres, cujo coração não está quebrantado, cujo espírito não é contrito e cujo ventre não está satisfeito e cujas mãos não cessam de se apoderar de bens alheios, cujos olhos estão cheios de cobiça e que não trabalhais com as próprias mãos! ¶
Mas bem-aventurados os pobres que são puros de coração, cujo coração está quebrantado e ¶
cujo espírito é contrito, pois eles verão o reino de Deus vindo em poder e grande glória para sua libertação; pois deles será a gordura da terra. (D&C 56:16-18.) ¶
Aqui está outra promessa de tudo o que precisamos para cumprir todos os propósitos de Deus aqui na terra, tanto temporal quanto espiritualmente: ¶
Pois eis que o Senhor virá e, com ele, seu galardão; e recompensará a cada homem e os pobres regozijar-se-ão; . . . (Idem, 19.) ¶
O Espírito de Serviço
Temos o espírito de contribuição, e estou certo de que esse espírito de contribuição caminha lado a lado, meus irmãos e irmãs, com o espírito da obra missionária que estamos realizando nesta Igreja. Pensai nisso, quatro mil missionários no campo pregando o evangelho! Digo que esse espírito de contribuição está conosco porque o que estamos fazendo em nossa obra missionária? Estamos contribuindo com o conhecimento, para aqueles a quem enviamos nossos missionários, de que temos o evangelho de Jesus Cristo. É um espírito de sacrifício; é um espírito de serviço; e, junto com os ensinamentos das doutrinas espirituais que nos foram dados nesta época por meio de nossos profetas, caminham as necessidades temporais e a salvação de nosso povo. E é isso que faz o nosso grande programa de bem-estar. ¶
Honra aos Pais
Sabeis que há outra coisa que nosso programa realiza e que certamente é louvável. O apóstolo Paulo, ao falar aos efésios, disse: ¶
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isso é justo. Honra teu pai e tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, ¶
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor. . . . Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. (Efésios 6:1-3; 11.) ¶
Este nosso grande programa de bem-estar destina-se a trazer pai e filho, e filho e pai, àquele estreito relacionamento e comunhão que Paulo desejaria que existisse na Igreja de seu tempo. E é tão essencial para nós hoje que o façamos. Quero dizer que, ligado a esse grande princípio, está o grande princípio eterno do livre arbítrio, que todos nós tanto prezamos. Tivemos de exercer nosso livre arbítrio nos conselhos do céu, e, por meio do uso desse livre arbítrio, escolhemos vir aqui para trabalhar por nossa salvação temporal e, por nossa obediência às leis e aos mandamentos de Deus, nos tornarmos literalmente seus filhos e suas filhas. ¶
O Valor do Livre Arbítrio
Vamos perder esse livre arbítrio hoje, enquanto estamos aqui nesta existência mortal, conquistando a salvação eterna para a qual fomos colocados aqui na terra? Vamos sacrificar nossas chances de reter nosso próprio livre arbítrio por qualquer coisa que o mundo tenha a oferecer? Tudo o que temos de fazer é apenas examinar qualquer movimento que possa ser trazido para o nosso meio, seja ele social, político ou de qualquer outra natureza, e, se tiver os traços de uma tentativa de nos privar, no mínimo grau que seja, de nosso livre arbítrio, devemos evitá-lo como evitaríamos a imoralidade ou qualquer outra coisa viciosa. Estou certo de que o livre arbítrio é tão necessário para nossa salvação eterna quanto o é nossa virtude. E, assim como guardamos nossa virtude com nossa própria vida, também devemos guardar nosso livre arbítrio. ¶
Tem sido minha experiência, meus irmãos e irmãs, na medida em que tive experiência nesta esfera mortal, que, onde quer que eu permita que outrem desempenhe qualquer das funções que o Senhor esperava que eu mesmo desempenhasse, na medida em que faço isso, torno-me escravo daquele outro homem. E digo-vos que, se algum dia esta Igreja chegasse à posição de depender de alguma fonte externa para nossas finanças, para nosso sustento, tão certo seria que essa força externa procuraria ditar-nos o que deveríamos fazer. Aqueles de nós que sabem ler só precisam ler o que se passou na história. Sempre que houve alguma influência ou algum poder que se propôs controlar o bem-estar da humanidade, na medida em que contribuiu para o seu sustento, dominou-a em sua vida. Não há ordem social hoje sobre a terra que, se a seguíssemos por tempo suficiente e a bastante distância, não nos roubasse o livre arbítrio, e digo-vos que sou grato hoje a meu Pai Celestial pelo conhecimento e pela convicção que tenho dentro de mim de que só há uma fonte, nesta Igreja, da qual vós e eu, como Santos dos Últimos Dias fiéis, devemos receber qualquer assistência em tempo de necessidade, e essa é a forma que o Senhor tem revelado. ¶
Examinemos com cuidado todo movimento que hoje se apresenta na face da terra e que se propõe amarrar as mãos dos homens; que se propõe privá-los de seu próprio livre arbítrio na vida e impedi-los de decidir, a cada momento de sua vida, se irão para a direita ou para a esquerda. ¶
Apoio ao Programa de Bem-Estar
Este nosso grande programa de bem-estar é algo que devemos amar e prezar, porque a ele está ligado um princípio que nos estabelecerá sobre a face desta terra de tal modo que seremos homens livres e mulheres livres, contanto que sigamos os ditames de nossa consciência e o conselho e a orientação que vêm de nosso Pai Celestial por meio de seus servos. E espero e rogo, meus irmãos e irmãs, que não deixemos passar outra vez onze anos e meio sem levar mais a sério o conselho e a ¶
orientação que constantemente vêm de nossos líderes, para pormos nossas casas em ordem e deixarmos que nossos filhos e filhas cuidem de seus pais e mães. Levemos para as famílias, sobre as quais o Irmão Benson falou tão lindamente esta manhã, aquele amor e afeto e aquela devoção que não permitirão que interesses externos entrem e desempenhem qualquer das funções da família, sejam elas temporais ou espirituais. E não há filho ou filha em Israel que não seja abençoado com a abundância de que falamos aqui esta tarde, se ele apenas contribuir com aquilo que o Senhor lhe deu para a manutenção dos membros menos afortunados de sua família. E prometo-vos que não haveria uma família nesta Igreja que, se vivêssemos de acordo com este princípio, não fosse, por si só, sem assistência de nenhuma fonte externa, autossuficiente. ¶
Que o Senhor nos ajude a nos tornarmos assim, rogo em nome de Jesus. Amém. ¶