O Evangelho, o Castigo dos Iníquos e a Segunda Vinda
George F. Richards
Meus caros irmãos, irmãs e amigos. Sinto que esta é uma tremenda responsabilidade, a de conduzir, em pensamento inteligente e proveitoso, uma congregação de milhares de pessoas inteligentes, presentes e ouvindo pelo rádio, membros e não membros da Igreja, e sinceramente espero que o que eu disser seja de algum interesse e proveito. ¶
Suponho que a maioria das pessoas que nascem neste mundo e vivem até alcançar a maturidade, em algum momento de suas vidas, nutrem pensamentos como estes: de onde vim, por que estou aqui, para onde vou quando deixar esta esfera de ação, e que efeito terão as ações da minha vida aqui sobre minha vida futura? ¶
O Evangelho Responde a Perguntas Importantes
O evangelho de Jesus Cristo, tal como o recebemos por revelação divina, responde satisfatoriamente a essas e a muitas outras perguntas importantes que surgem na mente de tempos em tempos. Uma afirmação semelhante não pode ser feita com verdade a respeito de nenhuma outra organização religiosa. Ele nos ensina que vivemos como seres inteligentes em espírito antes de vir a esta terra, que somos os filhos e filhas de Deus nascidos em espírito, irmãos e irmãs do Senhor Jesus Cristo, sendo ele o primogênito em espírito, e o unigênito do Pai na carne. Vir a esta terra é parte importante do plano instituído nos conselhos do céu para o progresso eterno do homem rumo ao objetivo de nossa existência, que é uma exaltação no reino e na presença do Pai e do Filho para sempre. ¶
É aqui que devemos fazer toda a preparação necessária para a vida futura. Há certas condições prescritas que devem ser cumpridas. Há princípios a serem aceitos, ordenanças a serem recebidas, mandamentos a serem guardados, leis a serem obedecidas, sacrifícios a serem feitos, serviço a ser prestado, relações familiares a serem formadas, e devemos viver de toda palavra que procede da boca de Deus. Devemos amar o Senhor, nosso Deus, de todo o nosso coração, e ao próximo como a nós mesmos. Devemos até amar os nossos inimigos, abençoar os que nos maldizem, fazer o bem aos que nos odeiam e orar por aqueles que nos maltratam e nos perseguem, seguindo o exemplo de Jesus que, ao ser perseguido até a morte, orou ao Pai para que perdoasse os seus perseguidores. Isso representa o verdadeiro espírito de Cristo, que deveria motivar todas as ações de nossa vida. Devemos esforçar-nos por estar à imagem de Deus tanto em princípio e em conduta quanto em forma. Devemos ser ortodoxos em nosso pensamento, em nosso entendimento, em nossos ensinamentos e em nosso modo de viver. ¶
Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo — Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos. (Décima Terceira Regra de Fé.) ¶
A Obediência Traz Ordem e Beleza
As leis do evangelho são as leis de Deus e são tão perfeitas em sua esfera quanto as leis que governam o universo e toda a natureza. Originaram-se da mesma fonte, e, quando obedecidas pelo homem, produzem ordem e beleza. Só o homem, de todas as criações de Deus, é desobediente às suas leis. ¶
A lei do evangelho é aquela pela qual viveu nosso Salvador, e que o tornou o que era na vida, e o que agora é, entronizado em glória à destra de Deus, o Pai, em seu reino celestial. ¶
As mesmas leis do evangelho destinam-se a fazer de nós semelhantes ao Salvador e a nos salvar com ele no reino de nosso Pai. Ele nos deu nosso arbítrio e poder para vencer e viver a lei. ¶
James Allen, autor do livro Como um Homem Pensa, expressa nele este pensamento religioso: ¶
Como ser dotado de poder, inteligência e amor, e senhor de seus próprios pensamentos, o homem detém a chave de toda situação, e contém dentro de si mesmo aquela força transformadora e regeneradora pela qual pode fazer de si mesmo o que quiser. ¶
A Influência da Religião
Minha educação religiosa foi e é tal que, se eu fizer as coisas que sei que devo fazer e deixar de fazer as coisas que sei que não devo fazer, minha salvação, o objetivo de minha existência, estará assegurada. Minha religião me encoraja em meus esforços para assim proceder. Ela exerce sobre minha vida uma influência tanto estimulante quanto restritiva, encorajando-me e estimulando-me a boas obras, e refreando-me de praticar o mal. ¶
Sou um homem melhor e mais feliz por causa de minha religião e de sua influência sobre minha vida. Teria sido um homem melhor e mais feliz do que sou, se tivesse vivido mais de acordo com os preceitos de minha religião, o evangelho de Jesus Cristo. ¶
Alguém já disse que a experiência é uma escola cara, mas que os tolos não aprendem em nenhuma outra. ¶
Isso sugere que a pessoa sábia aprenderá e se beneficiará da experiência alheia. ¶
Castigo dos Iníquos
Temos muitas lições objetivas nas escrituras das quais nos beneficiar. No conselho no céu, antes que o mundo existisse, dois caminhos foram postos diante de nós: o proposto pelo Primogênito, e o outro, por Lúcifer; um levando à vida eterna, o outro à eterna decepção. Nós decidimos definitivamente, antes de vir à terra, qual caminho seguir. ¶
À raça negra foi vedado o sacerdócio, e as bênçãos mais elevadas do templo, presumivelmente por não ter sido valorosa enquanto em espírito. Não compensa ser outra coisa que não valoroso. ¶
Por meio de João, o Revelador, o Senhor disse aos laodicenses: ¶
Eu conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, e nem és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. (Apocalipse 3:15, 16.) ¶
Não compensa sermos sequer mornos. ¶
Conhecemos a maldição que recaiu sobre Lamã e Lemuel e seus descendentes, os lamanitas, em consequência de sua desobediência, rebeldia e iniquidade. ¶
Conhecemos a maldição que recaiu sobre os judeus por terem rejeitado o seu Senhor, o Salvador. Têm sido um alvo de escárnio e provérbio de opróbrio entre todas as nações, e isso conta apenas uma pequena parte de sua infeliz condição. ¶
A história dos antediluvianos nos oferece um exemplo impressionante das graves consequências do pecado e da rejeição do evangelho. ¶
Noé pregou àquele povo por 120 anos. Rejeitaram o profeta e a sua mensagem e tornaram-se um povo muito iníquo e moralmente corrupto. ¶
A punição que lhes foi infligida foi, em parte, a de se afogarem num dilúvio que cobriu toda a terra. A pena de morte conta apenas uma pequena parte da história do que lhes sobreveio por causa de sua iniquidade. Foram confinados numa prisão espiritual por, segundo a cronologia bíblica, mais de 2.300 anos. A natureza dessa prisão é explicada pelo Profeta Alma da seguinte maneira: ¶
Ora, esse é o estado da alma dos iníquos, sim, em trevas e num estado de espantosa e terrível expectativa da ardente indignação da ira de Deus sobre eles. Portanto, permanecem nesse estado, assim como os justos no paraíso, até a hora de sua ressurreição. (Alma 40:14.) ¶
O Evangelho Pregado aos Espíritos em Prisão
Esse período de 2.300 anos situa-se entre o tempo do dilúvio e a morte do Salvador, quando ele foi e os visitou. ¶
Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado na verdade, na carne, porém vivificado pelo Espírito; No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão; Os quais antigamente foram rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca; na qual poucas (isto é oito) almas se salvaram pela água. (1 Pedro 3:18-20.) ¶
Por quanto tempo mais permaneceram presos depois da visitação e da ressurreição de Cristo, não sabemos. Mas nos é revelado ¶
que, se aceitassem o evangelho ou o testemunho de Jesus, quando lhes fosse pregado, em espírito, só poderiam alcançar o reino terrestre. ¶
E também vimos o mundo terrestre e eis que estes são os que pertencem ao terrestre, cuja glória difere da glória da igreja do Primogênito, que recebeu a plenitude do Pai, assim como a glória da lua difere da do sol no firmamento. Eis que estes são os que morreram sem lei; e também aqueles que são os espíritos de homens mantidos na prisão, a quem o Filho visitou e pregou o evangelho para que fossem julgados segundo os homens na carne; os que não receberam o testemunho de Jesus na carne, mas receberam-no depois. [Itálico do autor.] (D&C 76:71-74.) ¶
As cidades da planície, Sodoma e Gomorra, com seus habitantes, foram destruídas por fogo do céu, por causa de sua iniquidade. Também seriam confinadas numa prisão espiritual e privadas das bênçãos do reino celestial, ainda que aceitassem o testemunho de Jesus em espírito. ¶
É razoável crer que outras pessoas igualmente desobedientes e iníquas, ainda que escapem à pena de morte, seriam confinadas numa prisão espiritual após a morte e rejeitadas do reino celestial, tanto as deste dia quanto as de dias passados. ¶
O reino de Deus foi novamente estabelecido na terra, e o evangelho em sua plenitude foi restaurado, em cumprimento de antigas profecias, mas o povo de hoje, em grande número, não está preparado para recebê-lo, embora o evangelho e o reino desta dispensação tragam todas as marcas do original. ¶
A Segunda Vinda do Salvador
O acontecimento vindouro de grande importância, para o qual a atenção do mundo é dirigida pela pregação do evangelho, é a segunda e gloriosa vinda de nosso Senhor e Salvador, cuja vinda todos os bons cristãos aguardam ansiosamente, pois naquele dia os mortos justos ressurgirão, e os justos vivos serão transformados ou vivificados, e juntos serão arrebatados para encontrar o Salvador e seus santos anjos nas nuvens do céu. Satanás será acorrentado por mil anos, e a paz prevalecerá na terra. ¶
Os sinais da vinda do Senhor são vistos nas guerras e rumores de guerras, na fome, na peste, nos mares que se agitam além de seus limites, na infidelidade, na apostasia e na iniquidade de toda espécie concebível. ¶
Transgrediram as leis, mudaram as ordenanças, quebraram o convênio eterno, e o pecado e a iniquidade prevalecem por toda a terra. ¶
Há dois grandes poderes invisíveis que operam hoje sobre as mentes e os corações dos filhos dos homens: o poder de Deus e o poder de Lúcifer, ou Satanás, cada um lutando pelas almas dos homens; ¶
um para salvar, e o outro para destruir. Na linguagem da escritura: Escolhei hoje a quem sirvais. Para que não sejamos apanhados desprevenidos, e nos encontremos, sem o saber, a servir ao senhor errado, lembremo-nos de que ¶
. . . todas as coisas boas vêm de Deus; e o que é mau vem do diabo; . . . (Morôni 7:12.) ¶
Testemunho
Presto-vos, meus irmãos, irmãs e amigos, um testemunho fiel e sincero de que sei que esta, a obra em que nós, como Santos dos Últimos Dias, estamos empenhados, é a obra de Deus, o evangelho do Senhor Jesus Cristo, que teve seu início nos conselhos do céu antes que o mundo existisse. Nela está o poder de Deus para a salvação e a vida eterna. ¶
Convidamos todos os homens a virem a Deus e a serem salvos com ele em seu reino, mediante a obediência às leis e ordenanças do evangelho, tornadas eficazes para a salvação do homem por meio da expiação realizada por nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Que suas bênçãos vos acompanhem a todos, é o que rogo em nome de Jesus. Amém. ¶