O Espírito de Deus e o Desprendimento
Antoine R. Ivins
Meus amados irmãos e irmãs, almejo ter parte em vossa fé e orações durante o breve tempo em que estarei diante de vós. Sinto que, sem isso e sem o Espírito de Deus, seria inútil eu tentar dizer sequer uma palavra de consolo a qualquer de nós. ¶
Até agora, nesta conferência, tenho apreciado imensamente o que foi feito e dito. Aprecio igualmente muito o privilégio que tive de apertar as mãos de tantos homens e mulheres que estimo como meus amigos, e gostaria que fosse possível apertar as mãos de todos vós e conhecer-vos bem. Encontramos grande conforto ao circular entre vós, ao visitarmos as estacas e procurarmos transmitir uma mensagem que seja útil. ¶
Os Dois Grandes Mandamentos ¶
Estes são tempos muito difíceis, difíceis para todos nós, presumo, e já se disse nesta conferência que nenhum homem parece ser suficientemente sábio para nos dizer exatamente o que fazer para corrigir nossos problemas. Gostaria de saber a resposta. Creio, porém, que o Salvador nos disse o que devemos fazer se quisermos viver em paz e felicidade e levar vidas bem-sucedidas. Ontem à noite ouvimos uma exposição da obra que está sendo realizada por nossa organização de bem-estar na Igreja, uma expressão de devoção desinteressada a um ideal. Cristo disse que o grande mandamento é amar a Deus, e o segundo é amar o próximo como a nós mesmos. Vejo nisso a simples declaração de que devemos expulsar de nossos corações todo o egoísmo, pois enquanto não nos livrarmos do egoísmo não poderemos amar bem o nosso próximo como a nós mesmos. ¶
O Espírito de Deus É Necessário nos Assuntos dos Homens ¶
Ao estudar a história, creio perceber que toda grande guerra de agressão que o mundo já sofreu foi motivada pela avareza, pela cobiça e pelo desejo egoísta, às vezes não da parte de todo o povo, mas ao menos da parte daqueles que têm o poder de levar os demais a agir agressivamente contra seus vizinhos; e creio que a guerra que acabamos de ter, e a guerra que a precedeu, foram precipitadas sobre o mundo por nada além da cobiça, da avareza e do egoísmo. Não espero viver o suficiente para ver o tempo em que as pessoas deixarão de fazer essas coisas, mas talvez venha um dia em que se possa chegar a um arranjo que impeça a agressão de uma nação contra outra, de uma nação forte contra uma indefesa. Se esse tempo algum dia chegar, será porque o Espírito de Deus inspirará os homens a elaborar políticas para impedi-la. ¶
Não temos apenas problemas internacionais desse tipo, mas também temos problemas interestaduais que nascem dos mesmos motivos, e às vezes eles nos afligem de modo bem definido e pessoal. Creio que eles também desapareceriam se as pessoas pudessem obter o Espírito de Deus e agir sob sua inspiração. Se os nossos legisladores pudessem se dedicar aos deveres do seu cargo, se jamais tivessem um motivo egoísta no que fazem, talvez pudessem ser elaboradas leis melhores. Se os homens que controlam os grandes negócios da nação percebessem que o seu próprio bem-estar depende do bem-estar das pessoas que empregam, talvez pudessem, dessa forma, ser úteis. E se o empregado, por sua vez, pudesse perceber que o seu bem-estar depende do de seu empregador, talvez pudessem se unir num espírito mais útil, e alguns desses males poderiam ser eliminados. ¶
O Desprendimento é Vital no Serviço da Igreja ¶
Então, se nós, nas estacas e alas, pudéssemos expulsar de nossos corações e de nossas almas o espírito do egoísmo, poderíamos cumprir o nosso dever apenas com o pensamento de ajudar a grande organização da qual fazemos parte. Também poderíamos ajudar a trazer esse dia; mas somos humanos; somos intensamente humanos; e a autopreservação, dizem-nos, é a primeira lei da natureza. Há egoísmo nisso, e é por causa da tremenda luta que será necessária para expulsá-lo de nossas almas que o amor ao próximo alcançou tanta proeminência nos ensinamentos de Cristo. É provavelmente a maior luta que teríamos de travar conosco mesmos, para nos tornarmos absolutamente desprendidos. Mas as coisas que fazemos, esperamos que redundem em nossa própria honra e nossa própria glória, e frequentemente medimos a nossa disposição de realizá-las por esse padrão. Isso não é correto. ¶
Certa vez ouvi um jovem, ao discursar numa convenção dos Setenta em Barratt Hall, dizer: "Não há limite para o bem que um homem pode fazer, se não se preocupar com quem recebe o crédito por isso." Esse é um princípio de ação grandioso e glorioso. Penso que, se as nações trabalhassem pelo bem-estar do grupo, e se os elementos governantes dentro das nações pudessem trabalhar pelo bem-estar do grupo; se aqueles que trabalham pudessem trabalhar pelo bem-estar de todos, o Espírito de Deus teria a oportunidade de agir sobre suas almas e fazer deles homens melhores e mulheres melhores, trazendo paz, prosperidade e o alívio de todo o sofrimento. É uma tarefa maravilhosa; é talvez a maior de todas as tarefas, e jamais será realizada sem o Espírito de Deus para impulsioná-la. Nunca obteremos esse Espírito enquanto não eliminarmos de nossos hábitos aqueles vícios dos quais o Irmão Merrill falou esta tarde. Talvez, se pudéssemos viver vidas castas e retas, teríamos então o direito de reclamar de Deus o seu Espírito; e obter o seu Espírito nos ajudaria a nos tornarmos desprendidos; e, tornando-nos desprendidos, poderíamos amar o nosso próximo como a nós mesmos. Tenho diante de mim a imagem deste grupo de homens e mulheres saindo deste prédio com a resolução firme de expulsar de seus corações todo vestígio de egoísmo e de se dedicarem, com maior sacrifício, ao bem-estar de seus irmãos e irmãs, de seus pais e mães, de seus vizinhos e da nação em geral. Desejo que Deus nos dê esse Espírito. Se todos nós que aqui estamos, e todos os que ouvem o som das ondas de rádio que se propagam, nos dedicássemos a esse único propósito, então esta conferência cumpriria a medida para a qual foi convocada. O mundo seria melhor, e Deus reinaria nos corações dos homens. Que ele nos ajude a fazer isso, rogo em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶