Pulpit

A Missão da Igreja

Stephen L Richards

1945 October General Conference·Saturday Morning Session·1945-10-06

Estamos no limiar de um novo dia. Olhamos para a manhã e vemos os raios do sol nascente tingirem o céu com as esperanças da humanidade. Vemos também algumas nuvens, arautas de tempestade, mas a previsão é de "tempo geralmente bom por uma temporada." Assim, voltamos ao nosso trabalho — de volta a onde a noite negra da guerra nos surpreendeu há quase meia dúzia de anos. Foi uma longa noite, e nosso trabalho foi retardado, mas bons sentinelas mantiveram a vigília e protegeram nossas obras. Agora, na claridade do dia da paz, voltamos ao nosso trabalho.

A Missão da Igreja

Conhecemos nosso trabalho. Ele nos foi delineado pelo Grande Construtor.

Temos planos e especificações plenos e completos, e temos, em boa medida também, as ferramentas e o equipamento. Talvez pudéssemos usar um equipamento um pouco mais moderno, e as ferramentas talvez precisem de recondicionamento e polimento, mas há o suficiente disponível, e podemos recomeçar nosso trabalho.

O trabalho não é novo para nós. Nós, e nossos predecessores, o temos levado adiante por mais de cem anos. Foi o primeiro empreendimento assumido por aqueles, de sagrada memória, que iniciaram a nobre causa à qual damos nossa lealdade. Assim que a primeira revelação dos últimos dias lhes veio, não perderam tempo em levar a mensagem aos vizinhos e às comunidades adjacentes. Quando a Igreja foi organizada, aceitaram bem literalmente a revelação de que sua missão seria pregar o evangelho "... a toda nação e tribo e língua e povo." (D. & C. 133:37.) Esse era seu trabalho. Em sua pobreza e fraqueza, aceitaram-no com tal ousadia e entusiasmo, fortaleza e sacrifício, quanto raramente a história registrou.

Sua fé e confiança foram maravilhosas. Confiaram em Deus, e não confiaram em vão. Sabiam que ele havia dito que "as coisas fracas do mundo virão e abaterão as poderosas e fortes" (D. & C. 1:19) e que "... a plenitude do meu evangelho seja proclamada pelos fracos e pelos simples aos confins da Terra e perante reis e governantes." (D. & C. 1:23.) Com essa segurança, nossos antepassados avançaram. Assumiram sua obrigação, e ela suplantou tudo o mais. Famílias ficaram sem provisão, muitas vezes aos cuidados de parentes, vizinhos e amigos. Negócios foram sacrificados. Os poucos bens que possuíam foram gastos pela causa. Se me pedissem para apontar o feito organizado mais notável e distintivo da Igreja restaurada de Cristo no último século, eu apontaria, sem hesitar, seus extraordinários trabalhos missionários. Nada caracteriza mais verdadeiramente o altruísmo que o evangelho ensina; nada significa mais profundamente a devoção e a sinceridade de seus membros.

O enorme custo desse serviço foi amplamente distribuído, compartilhado por quase toda família na Igreja. Muitas famílias enviaram mais de um missionário, e não raramente um lar manteve um ou mais missionários em campo continuamente por dez ou doze anos, às vezes por um quarto de século. Não conheço nenhuma forma de obter dados comparáveis de outras organizações religiosas, mas ouso afirmar que nenhuma outra igreja, em nenhum período da história, por um século de tempo, jamais dedicou ao serviço missionário tal proporção de seus membros e de seus recursos disponíveis.

Missionários e Conversos

Por cem anos houve dois exércitos constantemente em marcha, um exército de missionários partindo de Sião, levando o estandarte da paz e da liberdade do evangelho, e um exército de entrada, de pessoas livres e felizes, com fé e esperança brilhando em cada rosto, buscando o abrigo, a inspiração e as gloriosas oportunidades de uma sociedade divinamente instituída. Contingentes desses exércitos passaram por quase todas as estradas do mundo — nos Estados Unidos — das Américas, ao norte e ao sul, subindo e descendo as águas sinuosas do Mississippi, onde missionários dos primeiros dias, como Brigham e Heber, e Willard e Parley, e Erastus, seguiam em jangadas para embarcar em vagarosos navios à vela em suas longas e enfadonhas viagens até seus campos na Grã-Bretanha, na Escandinávia e no continente; atravessando a Europa até a terra do árabe e do turco, e adiante, até a longínqua Índia, sobre a vasta extensão do Pacífico, indo e vindo do Havaí e das distantes ilhas dos Mares do Sul. Conforme os missionários cruzavam com os imigrantes nessas grandes contramarchas do século que se passou, seja em seus navios no mar, seja quando paravam para apertar as mãos em sua fatigada trilha pelas pradarias, pode-se imaginar suas saudações, nem sempre pronunciadas talvez, mas sempre em seus corações: os missionários dizem: "Vamos levar o evangelho." "Graças a Deus o temos," responde o converso, e então acrescenta: "vos seguiremos mais tarde." E de fato assim o fizeram, em um heroico ciclo: de missionário a converso, depois de converso a missionário. Grande tem sido seu dom; generosamente o têm dado.

O que tem sido dado? Ora, a cada homem o que ele necessitava. Aos pobres, que são tantos, o evangelho da economia; aos ricos, que são tão poucos, o evangelho da generosidade; aos intemperantes, o evangelho do autodomínio; aos indolentes, o evangelho do trabalho; aos belicosos, o evangelho da paz; aos abatidos, o evangelho da esperança; aos ignorantes, a libertação da superstição; aos céticos e vacilantes, uma filosofia satisfatória; ao pecador, o evangelho do arrependimento; e a todos — fé, segurança, idealismo, felicidade e exaltação.

Será, então, difícil descobrir o impulso que tornou possível essa notável realização missionária? Creio que não. Tais dons, tal fé, tais dotes vitais são altamente estimados pelo homem. Enriquecem sua vida. Ampliam seu coração e o enchem de gratidão. Ele agradece a Deus e busca expressar sua gratidão em termos de devoção e serviço. Ele não vê serviço comparável ao de dar a outros a bênção de que desfruta. Então avança, não a contragosto, não apenas por um penoso senso de dever, mas alegremente, ansiosamente, para retribuir a suprema bênção de sua vida e derivar novo e transcendente gozo em compartilhar sua alegria.

Bênçãos no Serviço Missionário

Agradeço ao Senhor que o ardor por este serviço não se tenha embotado com a passagem do tempo. Por toda parte vejo evidências que me convencem de que os membros da Igreja amam proclamar o evangelho. Homens que não podem ir eles mesmos enviam seus filhos e filhas. Viúvas labutam e economizam para sustentar um missionário. Moças trabalham para prover as despesas necessárias para seus irmãos, jovens maridos, e para si mesmas. Quóruns, alas e sociedades contribuem, e ocasionalmente um homem rico abre um coração generoso e sustenta meia dúzia deles no campo missionário.

Aqueles que vão são abençoados, e também os lares e comunidades que os enviam. Rapazes rudes do campo e do pasto foram expostos à educação e à cultura de viagens extensas e à vida metropolitana em grandes cidades. Jovens das cidades foram submetidos aos rigores da vida rural mais primitiva. O conhecimento, a tolerância, a aventura, o refinamento e a experiência que a viagem por todo o mundo traz têm sido, durante toda a história da Igreja, o produto de nosso sistema missionário. Estou convencido de que em nenhuma outra comunidade da terra a porcentagem daqueles que "viram o mundo" é tão grande quanto nas vilas, cidades e povoados dos Santos dos Últimos Dias.

Tais benefícios, contudo, embora importantes, são apenas incidentais. Os resultados mais vitais são mais profundos do que informação ampliada e refinamento. O caráter fundamental de nossa masculinidade e feminilidade foi aperfeiçoado. O sacrifício ensinou o autodomínio. O dar produziu generosidade, como sempre produz. Ensinar as virtudes as trouxe à prática, e a alta espiritualidade gravou o testemunho e o desenvolvimento da alma. A elevação geral em todos os padrões de vida que a Igreja trouxe a seus adeptos deve-se, em não pequena medida, diretamente a seu sistema missionário. Como isso abençoou o lar! Pais que pagaram e oraram; mães, esposas, irmãs e namoradas que ficaram ansiosas, preocupadas e fiéis. Pequeninos cujas primeiras orações balbuciadas foram: "Por favor, Deus, protege nosso missionário," fizeram do lar verdadeiramente um santuário, o alicerce de nossa vida religiosa.

Simplicidade da Mensagem do Evangelho

Este notável trabalho missionário foi realizado por homens e mulheres humildes. Seu preparo, em sua maioria, não foi a instrução das escolas. Foi a influência e a disciplina de bons lares, a organização da Igreja e o testemunho individual. Seus testemunhos e suas vidas têm sido mais poderosos do que sua pregação. A única eloquência de que necessitaram para transmitir sua mensagem foi a eloquência da própria mensagem, retratada na devoção e na pureza de suas vidas. Nunca tiveram de vociferar e gritar, nem de entoar e suspirar, para fazer um converso. Levaram a mensagem natural, simples e alegre de Cristo de maneira natural e alegre. Não era essa a maneira do Salvador? Não adaptava ele sempre a lição ao povo, em sua língua e entendimento? Temos alguma evidência de que ele empregasse rituais, vestes ministeriais e frases sonoras para torná-la impressionante? Creio que não, e apresento como argumento válido para a autenticidade divina do evangelho que anunciamos a maneira como ele é apresentado pelos missionários da Igreja.

O que esses embaixadores do Senhor têm feito por indivíduos, famílias, comunidades e nações encheria livros. Um milhão de corações se enchem hoje de gratidão por seu bendito serviço. Um homem contempla seu lar, a família amorosa que o cerca, seu próspero negócio, a estima de seus semelhantes, a fraternidade de seus irmãos no sacerdócio, sua fé, seu contentamento, suas gloriosas esperanças, e, do fundo de sua alma, clama: "Deus abençoe o missionário que me trouxe isto."

Perspectiva Esperançosa para a Difusão da Verdade

Assim, este é o nosso trabalho — difundir por todo o mundo o evangelho restaurado de retidão e paz. Creio que não preciso demonstrar a necessidade disso. Parece-me que as experiências dos últimos anos e do momento presente bastam para convencer toda pessoa observadora e ponderada dessa necessidade.

Aqui, então, na trégua dos estragos da guerra, há um novo dia para a proclamação da palavra de Deus. Novas e mais amplas oportunidades estão a caminho. Novos métodos de transporte e comunicação estão disponíveis, e não posso deixar de pensar que centenas e milhares de nossos bravos rapazes, que tanto contribuíram para a libertação dos povos oprimidos do mundo, encontrarão uma recepção mais amistosa do que nossos missionários jamais desfrutaram até agora.

Aceitareis vós, meus irmãos e irmãs na Igreja de Cristo, o desafio deste novo dia? Poreis vossas casas em ordem, temporal e espiritualmente, e enviareis embaixadores de verdade, boa vontade e paz a um mundo destituído, cuja necessidade de pão é grande, mas cuja necessidade do "pão da vida" é maior? Creio que sim. Creio que um grande número de nossos jovens, ao regressarem das forças armadas, desejará cumprir missões antes de assumir empregos no pós-guerra. Quando eles, e outros homens que detêm o sacerdócio, puderem ser aliviados das exigências que a guerra lhes impôs, desejarão ir ao campo missionário. Então muitas de nossas irmãs poderão ir com eles e prestar serviço sob a proteção e a direção do sacerdócio de Deus. Creio, também, que milhares de nossas famílias, que foram abençoadas com relativa abundância nestes tempos, desejarão dedicar parte de seus recursos a este grande empreendimento altruísta.

Que bênção será para nossos membros e obras em terras distantes acolher os missionários de volta, e que dádiva será para todos os povos, em toda parte, ouvir a palavra pura de Deus pronunciada por seus servos designados. "Quão formosos são sobre os montes os pés daqueles que anunciam alegres novas de coisas boas,...."

(D. & C. 128:19.)

Que Deus nos abençoe, meu povo, para que retomemos nosso trabalho com a resolução de dar generosamente, assim como generosamente recebemos, humildemente peço, em nome de nosso Senhor, Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoStephen L Richards, “A Missão da Igreja”, 1945 October General Conference, Saturday Morning Session (1945-10-06). Pulpit Vault, 1945-10-stephen-l-richards-the-mission-of-the-church. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).