Pulpit

Bênçãos de que Gozam os Santos

George Albert Smith

Conferência Geral de Outubro de 1945·Sessão da Tarde de Domingo·1945-10-07

O Presidente J. Reuben Clark, da Primeira Presidência da Igreja, acabou de falar-vos, e agora cabe a mim, como vosso oficial presidente, dizer algumas palavras finais ao encerrarmos esta conferência.

Ninguém poderia estar onde estou e olhar para os rostos ansiosos e voltados para cima de uma congregação como esta sem ficar impressionado com a responsabilidade que se associa a aconselhar e orientar um grupo tão notável de pessoas.

Bênçãos de que Gozam os Santos

O mundo está em efervescência. As condições do mundo, em muitos lugares, estão longe de ser desejáveis, e, no entanto, temos permissão de nos reunir hoje, em paz, neste tempo glorioso, neste quarteirão tão deliciosamente embelezado. Temos permissão de viver aqui, no ar puro destes grandiosos vales e montanhas, sem temer nenhum perigo iminente. Que povo agradecido devemos ser! Quando penso nos confortos, nas bênçãos e nas oportunidades que vieram à minha vida porque meus antepassados aceitaram o evangelho de Jesus Cristo e passaram por toda sorte de experiências indesejáveis e desconfortáveis a fim de que pudessem adorar a Deus segundo os ditames de sua consciência, sou muito grato ao meu Pai Celestial.

Nenhum outro país do mundo é tão abençoado quanto este país. O próprio Senhor levantou os homens que prepararam a Constituição sob a qual vivemos. A livre oportunidade de servir a Deus, sem embaraços, tem-nos sido concedida por essa Constituição, e o povo dos Estados Unidos da América, que continuou a honrar a Deus e a guardar seus mandamentos, conservou uma compreensão do propósito da vida e uma fé que vale mais do que toda a riqueza do mundo.

A Igreja de Jesus Cristo

Nós, nesta Igreja, somos apenas um punhado de pessoas. Há muitas igrejas no mundo, muitas nos Estados Unidos, que trazem os nomes dos homens que as organizaram, como a Igreja Metodista Wesleyana, e outras. Homens grandes e bons têm surgido e procurado melhorar as condições do povo e do país em que viveram. Temos a peculiar distinção de pertencer a uma Igreja que não traz o nome de nenhum homem, porque não foi organizada pela sabedoria de nenhum homem. Foi nomeada pelo Pai de todos nós em honra a seu Filho Amado, Jesus Cristo.

Gostaria de sugerir-vos, meus irmãos e irmãs, que honremos o nome da Igreja. Não é a igreja de Tiago e João, não é a igreja de Morôni, nem é a igreja de Mórmon. É a Igreja de Jesus Cristo. E, embora todos esses homens tenham sido personagens maravilhosos e notáveis, fomos instruídos a adorar a Deus numa igreja que traz o nome de seu Filho Amado. Desejo que nossos jovens, ao crescerem, tenham esse fato em mente. Temo-nos acostumado tanto a sermos chamados de Igreja Mórmon por todos os nossos amigos e vizinhos em todo o mundo, que muitas pessoas não conhecem o nome próprio da Igreja, e creio que o Senhor esperaria que o déssemos a conhecer.

Em todas essas igrejas há homens bons e mulheres boas. É o bem que existe nessas várias denominações que as mantém unidas. Tem sido meu privilégio estar com pessoas em muitas partes do mundo e estar nos lares de muitas pessoas das várias denominações do mundo, tanto cristãs quanto judias. Estive com os maometanos; estive com os que creem em Confúcio; e poderia mencionar muitos outros. Encontrei pessoas maravilhosas em todas essas organizações, e tenho a tremenda responsabilidade, onde quer que vá entre elas, de não as ofender, não ferir seus sentimentos, não criticá-las, porque não compreendem a verdade.

Como representantes da Igreja, temos a responsabilidade de ir entre elas com amor, como servos do Senhor, como representantes do Mestre do céu e da Terra. Elas podem não apreciar totalmente isso; podem ressentir-se disso como sendo arrogante e injusto, mas isso não mudaria minha atitude. Não vou fazê-las infelizes, se puder evitá-lo. Gostaria de fazê-las felizes, especialmente quando penso nas maravilhosas oportunidades que vieram a mim por causa de minha condição de membro desta Igreja abençoada.

O Ministério do Salvador

Hoje, em muitas partes do mundo, as pessoas adoram a Deus da maneira em que foram treinadas a adorar. O povo da grande nação da China adora, segundo cremos, de uma forma que crê ser agradável ao Criador, se compreendem que tivemos um Criador. E assim fazem muitos outros. Isso também era verdade nos dias de Jesus de Nazaré. Quando ele veio ao mundo, havia muitas denominações. Havia pessoas espalhadas por diferentes partes do mundo que não criam no Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Quando Cristo veio instruir o povo, disse-lhes que era preciso haver fé em Deus e retidão na vida, ou não agradariam ao nosso Pai Celestial. E assim o Salvador do mundo veio com bondade e amor. Foi entre o povo curando os enfermos, destapando os ouvidos dos surdos e restaurando a vista aos que eram cegos. Eles viam essas coisas serem feitas pelo poder de Deus. Comparativamente poucos deles podiam compreender ou crer que ele era o Filho de Deus, mas o que ele fazia era com bondade, paciência, amor e tolerância. Contudo, sua experiência foi tal que, em certa ocasião, ele disse:

... As raposas têm seus covis, e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. (Mateus 8:20.)

Esse era o vosso Salvador e o meu, em seu próprio mundo, se assim quiserdes, no mundo pertencente a seu Pai. Tudo o que havia aqui pertencia a Deus, e, no entanto, seu único Filho Unigênito na carne teve de chamar a atenção de seus companheiros para o fato de que, com toda a sua majestade e realeza, ainda assim tinha de viver como os demais homens. E, quando chegou o tempo de morrer, e ser pendurado na cruz, e cruelmente torturado por aqueles de seu próprio povo, de sua própria raça, ele não se irou, não se ressentiu da crueldade.

Quando um dos ladrões na cruz o insultava, o outro ladrão chamou a atenção para o fato de que estavam apenas recebendo o que mereciam, ao passo que ali estava um homem justo sendo injustamente punido. O ladrão orou, tão bem quanto sabia orar, e o Salvador do mundo disse a esse homem que estava suspenso ao seu lado em outra cruz:

... Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso. (Lucas 23:43.)

O povo do mundo não compreende algumas dessas coisas, e, particularmente, muitos homens não conseguem compreender o que o Salvador sentiu quando, na agonia de sua alma, clamou a seu Pai Celestial, não para condenar e destruir os que lhe tiravam a vida mortal, mas disse:

... Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (Lucas 23:34.)

Essa deveria ser a atitude de todos os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Essa deveria ser a atitude de todos os filhos e filhas de Deus, e seria, parece-me, se compreendessem plenamente o plano de salvação. Mas coube a um pequeno grupo, o grupo ao qual eu e vós pertencemos, chamar a atenção dos outros filhos de nosso Pai, dia após dia, para o fato de que a ira e o ódio em nossos corações não nos trarão paz nem felicidade. Assim, é nosso privilégio, possuindo a autoridade divina que foi novamente conferida em nossos dias, ir ao mundo e ensinar aos homens a mensagem do Salvador, que teria redimido o mundo se as pessoas a tivessem aceitado.

Este mundo poderia ter-se livrado de suas aflições há muito tempo, se os filhos dos homens tivessem aceitado o conselho daquele que deu tudo o que tinha, no que se refere à vida mortal, para que pudéssemos viver novamente.

Cristo respondeu aos que lhe perguntaram qual era o maior de todos os mandamentos:

... Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração.... E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. (Mateus 22:37, 39.)

Esse é o espírito do Redentor, e esse é o espírito que todos os Santos dos Últimos Dias devem procurar possuir, se esperam algum dia estar em sua presença e receber de suas mãos uma gloriosa boas-vindas ao lar.

A Verdade a Ser Pregada

Quando penso nas oportunidades que o Senhor nos tem oferecido! Um dos problemas mais difíceis que temos tido é o de levar este evangelho às nações da Terra. Centenas, sim, milhares de nossos irmãos têm saído, em muitos casos sem bolsa e sem alforje, para as ilhas do mar e para as nações da Terra, e para quê? Para dizer aos outros filhos de nosso Pai: "O evangelho foi novamente restaurado." As escrituras indicaram que um verdadeiro conhecimento do evangelho seria perdido; que viria o tempo em que os homens correriam de um lado para outro na Terra, buscando a palavra de Deus e não a encontrando. É nosso privilégio, e tem sido o de nossos antepassados, dizer à humanidade: "Chegou o tempo em que a verdade pode ser encontrada. Certamente podeis ver que o modo e a forma de adoração que o povo tem seguido através de todas as épocas não conseguiram trazer paz e felicidade. Ora, por que não escutar o Senhor?"

Nossos missionários saíram e disseram aos filhos dos homens:

"Um jovem humilde, crendo na Bíblia depois de a ter lido, crendo que havia um Deus que podia ouvir e responder orações, saiu e ajoelhou-se no bosque perto de sua casa, no estado de Nova Iorque, e orou ao Senhor, pedindo orientação. Esse jovem havia lido nas escrituras onde o Senhor disse:

Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada. (Tiago 1:5.)

E assim esse jovem, ainda com menos de quinze anos, por causa de sua fé implícita nas promessas de nosso Pai Celestial, teve os céus abertos para si, e Deus o Pai e Deus o Filho apareceram e o instruíram sobre o que deveria fazer. Embora fosse um jovem, era mais velho do que o Salvador do mundo quando seus pais o perderam. Quando encontraram Jesus no templo, repreenderam-no por terem sido retardados. Foi aos doze anos de idade que Jesus disse a seus pais:

... Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? (Lucas 2:49.)

Assim, não é de surpreender que um jovem de quinze anos, se fosse inspirado pelo Senhor, desejasse saber o que deveria fazer.

Joseph Smith pôde, apesar da oposição do adversário de toda a retidão e de todos os seus emissários, enfrentar o desprezo e o ódio de um mundo perverso, e finalmente deu sua vida como testemunho da verdade do evangelho de nosso Senhor, que havia sido restaurado em sua plenitude à Terra.

A Igreja começou com apenas seis membros. Cresceu dia após dia, apesar da oposição do adversário. Não fosse pelo braço poderoso da retidão, não fosse pela vigilância de nosso Pai Celestial, esta Igreja teria sido esmagada como uma casca há muito tempo. Contudo, o Senhor disse que nos protegeria, e prometeu-nos proteção se o honrarmos e guardarmos seus mandamentos. A Igreja, em seus primeiros dias de existência, mudou-se de um lugar para outro, e finalmente foi expulsa através do deserto e saiu para esta terra ocidental, e aqui se estabeleceu, pela bênção de Deus, numa terra então tão indesejável que outras pessoas não pensavam que pudessem viver aqui e desenvolver uma comunidade satisfatória. Podemos agora ver os resultados. Nossos antepassados tinham a mesma fé que conduziu os filhos de Israel para fora do Egito e para a Terra Prometida, a mesma fé que conduziu os Pais Peregrinos através do poderoso oceano até a terra escolhida acima de todas as outras terras, a mesma fé que inspirou os homens que redigiram a Constituição dos Estados Unidos, a mesma fé que caracterizou a vida dos profetas hebreus, que, um por um, estavam dispostos a dar suas vidas a fim de manter seus padrões e continuar o ensino do evangelho que o Senhor lhes havia dado. Quando pensamos em alguns dos profetas e nas experiências pelas quais passaram, é maravilhoso.

Elias e os Profetas de Baal

Tenho em mente agora o profeta Elias, que disse ao povo: Construí dois altares, e que um seja para Deus e o outro para Baal. Então coloquemos em cada altar a oferta costumeira.

E invocai o nome do vosso deus, e eu invocarei o nome do Senhor; e há de ser que o deus que responder por fogo, esse será Deus.... (1 Reis 18:24.)

Os sacerdotes de Baal foram desafiados pelo verdadeiro profeta de Deus, e assim clamaram a Baal para que enviasse fogo do céu, e continuaram a clamar. Elias disse: Clamai mais alto, talvez ele esteja dormindo, ou talvez tenha saído em viagem. E, quando esses homens, esses sacerdotes de Baal, que haviam desviado Israel, descobriram sua impotência, diz-se que saltaram sobre o altar e se cortaram com facas. Então Elias, o verdadeiro profeta de Deus, disse: Pai nos Céus, a fim de que o povo saiba que tu és Deus, enviarás fogo do céu para consumir a oferta que está sobre o altar que te foi construído. E não apenas o altar e a oferta foram consumidos, mas a água que fora derramada sobre a oferta para impedir que fosse facilmente queimada foi lambida, e o povo ficou ali, descobrindo que, dentre as centenas de homens que reivindicavam autoridade divina, havia apenas um homem que Deus reconheceria.

Os Ensinamentos de Joseph Smith

Ora, quando Joseph Smith, apenas um jovem, anunciou que tinha visto o Pai e o Filho, isso pareceu ridículo a muitas pessoas. Haviam sido ensinadas que não era possível ao Senhor aparecer aos filhos dos homens, que tais manifestações eram coisa do passado e que a Bíblia continha toda a informação necessária. Mas o jovem profeta sabia, porque tinha visto o Pai e o Filho. Sabendo que não era algo imaginário, continuou sua obra e, sob a direção do Senhor, organizou a Igreja. Então nosso Pai Celestial enviou seres santos para conferir-lhe autoridade divina, que havia sido perdida para o mundo, como lemos nas escrituras que seria perdida para o mundo. Veio João Batista, que conferiu o Sacerdócio Aarônico, e vieram Pedro, Tiago e João, que conferiram o Sacerdócio de Melquisedeque. Esses quatro homens haviam vivido sobre a Terra e dado suas vidas em testemunho da missão divina de Jesus Cristo. Quando chegou o tempo de virem restaurar a autoridade do sacerdócio, não estavam mutilados e feridos em resultado do tratamento que haviam recebido de homens perversos, mas eram seres imortais, glorificados, ressuscitados, que vieram à Terra e assim estabeleceram na mente do jovem profeta Joseph Smith a verdade de que havia, em realidade, uma ressurreição literal dos mortos.

E permiti-me dizer que há relativamente poucas pessoas em todo o mundo que compreendem que haverá uma ressurreição. O Senhor novamente revelou isso em nossos dias. Ele nos impressionou com isso e nos deu a compreender que, quando chegar o tempo dessa ressurreição, se formos dignos, seremos vivificados com corpos celestiais, e, a partir de então, habitaremos no reino celestial, o mais alto de todos os reinos. Mas também nos ensinou que há outros lugares aonde podemos ir. Se não quisermos ir para o reino celestial, por sermos menos cuidadosos e criteriosos em guardar os mandamentos de Deus, poderemos ir para o reino terrestrial, e, se formos ainda mais descuidados, poderemos encontrar nosso caminho para o reino telestial, que é o menor dos reinos de glória.

Há algumas pessoas que supuseram que, se formos vivificados com corpos telestiais, eventualmente, através das eras da eternidade, continuaremos a progredir até encontrarmos nosso lugar no reino celestial, mas as escrituras e as revelações de Deus disseram que aqueles que são vivificados com corpos telestiais não podem vir aonde Deus e Cristo habitam, para todo o sempre.

O evangelho de Jesus Cristo foi dado ao mundo para preparar-nos para um reino para o qual não estaríamos preparados com nenhum outro evangelho. E assim a verdade veio em nossos dias. Quão agradecidos devemos ser ao nosso Pai Celestial por essa verdade, quão pacientes devemos ser uns com os outros. Quão gratos devemos ser àqueles que estiveram dispostos a ensinar-nos a verdade, e quão dispostos devemos estar a manter nossos corpos limpos e imaculados das coisas más da vida, sabendo que fomos criados à imagem de Deus e que ele espera que cuidemos desses corpos e os mantenhamos puros.

Uma Vida Familiar Feliz

Estes são alguns dos pensamentos que me vieram à mente esta tarde, ao olhar para os rostos deste maravilhoso auditório. Sou grato pela associação e companheirismo dos que aqui estão hoje.

Agradeço a meu Pai Celestial por eu ter nascido neste dia e nesta época do mundo, e por ter sido abençoado com bons pais, para que pudesse começar minha vida terrena em circunstâncias favoráveis, pois quero dizer-vos que nunca soube de nada errado acontecer no lar de meu pai. Havia sempre paz, felicidade e amor; as regras da Igreja eram observadas, e as orações familiares eram tão regulares quanto nossas refeições. Embora às vezes não tivéssemos muito, agradecíamos a Deus pelo que tínhamos, e isso era doce ao paladar e suficiente para cuidar de nós. Quando meu pai faleceu, deixou duas famílias de filhos e duas mães desses filhos. Sua vida havia sido tal que, se houvesse algum problema entre nós, alguma questão sobre o que deveria ser feito com relação a seus assuntos, tudo o que era necessário era dizermos, unidos, faremos o que o pai teria feito. Sabíamos quão justo, correto e honrado ele era, e assim nossos problemas nunca foram difíceis de resolver, e vivemos juntos nos laços do amor, exatamente como todo o povo da Igreja deveria viver. O evangelho nos ensina a amar o próximo como a nós mesmos, e, se o fizermos, não seremos afligidos, não teremos nossos sentimentos feridos, parte de nós não será próspera enquanto outros vivem na pobreza. Se amarmos o próximo como a nós mesmos, todos faremos plenamente nossa parte, e nosso Pai Celestial nos prometeu suas bênçãos em troca.

Responsabilidade para com os Outros

Permiti-me dizer que reconheço a grande responsabilidade que pesa sobre meus ombros. Sei que, sem a ajuda de nosso Pai Celestial, a organização com a qual nos identificamos não pode ser bem-sucedida. Nenhum homem ou grupo de homens pode fazê-la bem-sucedida, mas, se os membros desta Igreja continuarem a guardar os mandamentos de Deus, viver sua religião, dar um exemplo ao mundo, amar o próximo como a si mesmos, avançaremos, e uma felicidade crescente fluirá para nós.

Hoje, ao estar aqui, percebo que, nesta cidade, na Igreja Católica, na Igreja Presbiteriana, na Metodista, na Batista, na Episcopal e nas outras igrejas, tenho irmãos e irmãs que amo. Todos são filhos de meu Pai. Ele os ama, e espera de mim e espera de vós que deixemos nossa luz brilhar de tal forma que esses outros filhos e filhas seus, vendo nossas boas obras, sintam-se constrangidos a aceitar toda a verdade, não uma pequena parte dela, mas toda a verdade do evangelho de Jesus Cristo, nosso Senhor. Pensai que oportunidade maravilhosa temos! Pensai que bênção será se fizermos nossa parte aqui, ao estarmos do outro lado do Grande Abismo, quando nosso Pai reunir sua grande família, como o fará, e tivermos esses homens e mulheres maravilhosos, centenas e milhares deles, que foram nossos vizinhos e que observaram nossas vidas, ali de pé, dizendo: "Pai nos Céus, devemos a estes teus filhos, da humilde organização que traz o nome de teu Filho, devemos a eles termos compreendido a verdade e estarmos aqui na ceia do Cordeiro." Esse é o nosso privilégio e a nossa bênção.

Não nos queixemos de nossos amigos e vizinhos porque não fazem o que queremos que façam. Antes, amemo-los até que façam o que nosso Pai Celestial gostaria que fizessem. Podemos fazer isso, e não podemos conquistar sua confiança ou seu amor de nenhuma outra forma.

Orações pelos Líderes de Nosso País

Afortunados somos por viver nesta grande terra da América. Afortunados somos por termos tido, de tempos em tempos, grandes homens levantados para presidir a nação. Quero dizer-vos que podemos influenciá-los e ajudá-los, se, do fundo de nossos corações, orarmos ao Senhor para que lhes dê sabedoria para prosseguir e não se deixarem influenciar pela tolice, avareza e maldade de muitos dos que habitam nesta terra. É dever vosso e meu lembrar em nossas orações o Presidente dos Estados Unidos da América, lembrar os homens que nos representam no Congresso dos Estados Unidos, lembrar os executivos dos estados da nação, e orar por eles para que tenham auxílio divino. Todos eles são filhos de Deus, cada um deles, e ele quer que sejam salvos e exaltados. Será nossa responsabilidade, com a informação adicional que nos foi concedida, levar-lhes a mensagem com amor, não com crítica e censura, mas com amor em nossos corações. E quero dizer-vos, tenho certeza de que conquistaremos muitos deles para uma compreensão da verdade, e eles nos abençoarão para sempre.

Uma Expressão de Humildade

Sei que há muitos problemas, e haverá problemas maiores à medida que os dias passarem, mas o mesmo Pai nos céus que conduziu os filhos de Israel, que salvou Daniel e os três jovens hebreus da destruição, o mesmo Pai Celestial que preservou nossos antepassados que vieram para esta terra ocidental e aqui os estabeleceu, e os abençoou, e tornou possível, na pobreza do povo, ter este grande templo e outros grandes templos e casas de adoração como esta, esse mesmo Pai, vosso Pai e o meu, está pronto para derramar hoje suas bênçãos sobre nós.

Demonstremos nossa fé; demonstremos nossa crença; sejamos um exemplo dia após dia, para que ninguém seja impedido de entrar na Igreja por causa de qualquer conduta nossa.

Agradeço-vos pela confiança que foi manifestada, meus irmãos e minhas irmãs, na esperança de que eu possa ter êxito, e prometendo, como alguns de vós, que me ajudareis a ter êxito, porque sou apenas um homem, um dos mais humildes entre vós, mas fui chamado para este serviço — e não estaria aqui se não soubesse ter sido chamado — pela autoridade de nosso Pai Celestial. Precisarei da ajuda de todo homem, de toda mulher e de toda criança, não para minha bênção, mas para vossa bênção, e para a bênção dos filhos dos homens onde quer que estejam. Essa não é minha responsabilidade, é nossa responsabilidade.

Um Testemunho Fervoroso

Sei que Deus vive. Sei que Jesus é o Cristo. Sei que Joseph Smith foi um profeta do Deus vivo, tão certo quanto sei que estou aqui a falar-vos. Percebo, contudo, ao fazer essa declaração, que seria algo sério se não fosse verdade, e há aqueles que questionarão sua veracidade, mas não tenho nenhuma dúvida em minha mente. Se eu não soubesse que é verdade, não ousaria fazer esse tipo de declaração a vós ou a qualquer outra pessoa, pois num futuro não muito distante, no curso natural dos acontecimentos, todos estaremos diante do tribunal de Deus, e este homem que vos fala estará ali para responder pelas coisas que disse e fez na vida. Sabendo disso, e percebendo a gravidade de dizer o que não é verdade, e que, se eu tivesse falseado, perderia minhas bênçãos, com amor e bondade, quero dar-vos este testemunho, a meus irmãos e irmãs aqui presentes, aos que talvez estejam ouvindo, e aos que possa encontrar de tempos em tempos, de que sei que estas coisas são verdadeiras, e sei que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias possui autoridade divina e é guiada pelo Pai de todos nós, e, sabendo disso, com amor e humildade, dou-vos meu testemunho de que estas coisas são verdadeiras, em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoGeorge Albert Smith, “Bênçãos de que Gozam os Santos”, Conferência Geral de Outubro de 1945, Sessão da Tarde de Domingo (1945-10-07). Pulpit Vault, 1945-10-george-albert-smith-blessings-enjoyed-by-the-saints. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).