Serviço Missionário para os Soldados que Regressam
Clifford E. Young
Confio verdadeiramente, meus irmãos e irmãs, que o que eu disser não diminuirá de modo algum o grande estímulo espiritual que sentimos nos discursos proferidos aqui esta manhã; e que não sentireis que vos estou desapontando naquilo que desejo dizer. ¶
Serviço Missionário para os Soldados que Regressam
Eu, convosco, interesso-me profundamente pelo bem-estar destes rapazes que estão voltando do serviço militar. Eles enfrentam problemas agudos e precisam de nossa ajuda e de nossa fé e poder de sustentação. Reconheço o fato de que os rapazes que foram para o serviço militar — e são milhares deles — voltaram com sua atitude espiritual grandemente fortalecida. Refletem uma grande fé, e muitos deles adquiriram testemunhos que antes não tinham. Há muitas evidências da intervenção divina da Providência em seu favor, e estes rapazes estão voltando renovados e fortalecidos. Muitos deles desejarão ir para o campo missionário, e não consigo pensar em nada que possa fazer mais por eles, para curar as feridas — não as feridas físicas, mas as feridas que tiveram e experimentaram durante a guerra. A guerra inflige muitas feridas, e muitas delas nunca sararam. Estes rapazes de quem falo estão voltando espiritualmente fortes, com seus testemunhos aumentados, e há evidência de grande fé. O campo missionário lhes oferecerá uma oportunidade maravilhosa de expressar esses elevados impulsos. Além disso, muitos deles desejarão frequentar a escola, e isso podemos endossar de todo o coração, e, sob a lei federal de benefícios aos veteranos (G. I. Bill of Rights) provida pelo governo, muitos dos rapazes que assim o desejarem poderão ter a oportunidade de completar seus estudos universitários ou secundários, e assim se preparar melhor para os afazeres e experiências da vida. Estes são os rapazes com quem não precisamos ter tanta preocupação. Há outra classe pela qual precisamos ter, e de fato temos, considerável ansiedade. São os rapazes que voltam algo cínicos. ¶
Atitudes Diferentes Perante a Vida
Recentemente, tive a experiência de contatar dois militares regressados, ambos desejando alguma ajuda financeira, ambos qualificados sob o novo programa da G. I. Bill of Rights. Um deles perdera o antebraço em combate. Estivera internado no hospital, onde lhe haviam fornecido um equipamento com o qual sentia poder enfrentar os problemas da vida e ganhar o sustento. Queria começar com uma pequena criação de aves, o que era perfeitamente legítimo. Casara-se pouco antes de ir para a guerra, e tem esposa e dois filhos. Sua atitude é muito boa. Não tem dinheiro, mas, sob o programa, abre-se-lhe o caminho para empreender tal projeto. Quando lhe perguntamos como pagaria, ele disse: "Eu pagarei. Pagarei até o último centavo." Delineou seus planos de operação, e ficou muito evidente que sua moral era forte e que ele não fracassaria. ¶
Outro soldado regressado veio até nós pedindo ajuda financeira, e, quando lhe perguntamos como cumpriria a obrigação, respondeu asperamente: "Ah, isso é preocupação de outra pessoa, não minha." E assim temos duas atitudes com as quais precisamos lidar. Nossos rapazes precisam aprender que uma obrigação é uma obrigação, e que, uma vez assumida, deve ser paga. Não devemos permitir que nossos rapazes relaxem em sua moral. Reconheço que será difícil, mas precisamos, como nunca antes, inculcar em nossa juventude, nos rapazes de quem falo, os conceitos fundamentais que sempre prevaleceram nesta Igreja, a saber, que devemos, em grande parte, sustentar-nos por nós mesmos. Não desprezo a necessidade de ajudar nossos rapazes — eles precisam disso — mas devemos ajudá-los a ajudar-se a si mesmos. Devemos seguir as exortações que têm sido fundamentais nesta Igreja, que são parte do grande programa de bem-estar da Igreja, a saber, que ensinemos nossos rapazes a serem autossuficientes. A dificuldade e a pobreza não prejudicaram vossos pais e os meus, nem nossos avós. Na verdade, o próprio fundamento desta Igreja, seu crescimento aqui, sua força aqui, foram possíveis por causa das dificuldades e das lutas, por causa do fato de que nossos pais tiveram de pagar, e tiveram de pagar com seus próprios recursos. E assim, nesta época, quando todo esforço se faz (e espero que me perdoeis por dizer isto, mas é um fato) todo esforço se faz para abrandar nossa juventude, devemos permanecer firmes e seguros, e ater-nos àqueles conceitos que nos fizeram o que somos hoje, que nos deram caráter e força. ¶
Advertência Contra a Dívida
Assim, meus irmãos e irmãs, que possamos manter esta atitude ao lidar com os problemas de nossa juventude. Eles são grandes; serão difíceis para nossos rapazes. Devemos dar-lhes conselho e orientação. Devemos aconselhá-los a manter-se longe da dívida, tanto quanto possível. Só deveriam contrair dívida quando puderem vislumbrar o caminho para pagá-la. Essa é a única justificativa, essa e a justificativa de ajudá-los a sustentar-se a si mesmos. Na última guerra mundial, tivemos ampla experiência que ilustra os perigos de contrair dívidas. O dinheiro se ganhava com facilidade, e quando veio a depressão, um dos grandes fatores que contribuíram para a aflição de tantas de nossas pessoas foi a escravidão da dívida, e não conseguiam pagar porque os recursos que tinham não rendiam o suficiente para pagar. Aqueles que não tinham dívida atravessaram a depressão e saíram dela mantendo sua integridade. E estou certo, meus irmãos e irmãs, de que, se incentivarmos demasiada dívida, nossos rapazes encontrarão as mesmas dificuldades, porque algum dia terão de pagar. Que empreguemos todo esforço ao nosso alcance para preservar a integridade de nossa juventude ao enfrentar esses problemas agudos. ¶
A Obrigação dos Pais Há um outro aspecto deste assunto que só posso tocar de leve. Nossa primeira obrigação, como pais, é para com nossos rapazes, e é a nós, como pais, a quem nossos rapazes devem primeiro recorrer em busca de ajuda. Isso é fundamental. A família primeiro, depois o quórum, depois outras agências, se estas falharem, mas minha obrigação primeira, acima de tudo, é ajudar meu filho a reajustar-se quando voltar para casa, ajudá-lo a encontrar emprego, trazê-lo de volta à fazenda, ou ao negócio no qual eu possa estar interessado. Isso é, primordialmente, uma obrigação nossa, como pais, e, se a tivermos sempre em mente, não nos desviaremos por caminhos que poderiam levar ao desastre, nem nos tornaremos complacentes, pensando que outra pessoa deveria assumir essa responsabilidade.
Meu tempo terminou. Que o Senhor nos imprima a necessidade absoluta de seguir os conceitos que são parte desta Igreja. Ao nos levantarmos e erguermos as mãos, indicamos nossa disposição de apoiar aqueles que nos dirigem. Que possamos apoiá-los no conselho que dão nestes assuntos importantes, é o que humildemente rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶