Pulpit

O Significado da Crença

Albert E. Bowen

Conferência Geral de Outubro de 1945·Sessão da Manhã de Sábado·1945-10-06

Talvez não haja nada tão importante para o indivíduo quanto aquilo em que ele crê, nem nada tão importante para as comunidades e nações quanto aquilo em que seus povos, em conjunto, creem. Refiro-me à crença verdadeira. E há frequentemente uma ampla distinção entre o que os homens dizem crer — as profissões que fazem — e a realidade de suas convicções. Quero falar um pouco hoje sobre o significado da crença.

O Significado da Crença

Jesus parece ter atribuído a isso a mais alta importância. Sua preocupação era que os homens cressem nele, aceitassem sua mensagem. Consciente de que essa formação do pensamento e o estabelecimento da convicção seriam um processo lento, que se estenderia muito além do período de sua vida terrena, ele passou boa parte dos anos de seu ministério treinando alguns discípulos, que reunira em torno de si, para prosseguir a obra depois que ele mesmo partisse.

Ele não tinha comunicação temporária ou efêmera a transmitir; era uma doutrina que abalava o mundo e se destinava a perdurar. Tampouco era provinciana em seu alcance. Embora toda a sua vida tivesse transcorrido numa pequena província sujeita, aparentemente mais tumultuada e problemática do que importante, sua visão alcançava toda a terra, onde quer que houvesse homens. Assim, ele deu àqueles discípulos que ensinara uma comissão acompanhada de uma promessa. A comissão era ir a todo o mundo e ensinar sua mensagem a toda criatura. A promessa é: "Quem crer... será salvo." (Marcos 16:16.) Assim, a crença é feita o ponto de partida de todo progresso. É verdade que certas outras coisas eram exigidas como condição para o cumprimento da promessa, mas estas, por necessidade, devem vir como consequência da crença. Sem ela, não há possibilidade de que o cumprimento das exigências se siga. Não há promessa senão para aquele que crê. A crença aqui significa uma aceitação completa, que por sua vez obriga à conformidade com o ensinamento professado. A condição não se satisfaz com um mero serviço de lábios. As profissões de crença, por mais veementemente que sejam protestadas, nada valem a menos que se traduzam em atos conformes.

Jesus teve ampla demonstração disso durante seu próprio ministério. As multidões o seguiam enquanto eram beneficiárias de seus favores materiais. Diz-se que sua fama se espalhou por toda a Síria, e traziam-lhe os seus enfermos, e ele os curava. Vinham da Galileia, e de Decápolis, e de Jerusalém, e de além do Jordão. Sentavam-se a seus pés no monte, onde ele os alimentou, razão pela qual quiseram à força coroá-lo rei, mas ele escapou deles e foi de noite para o outro lado do lago, onde as multidões, no dia seguinte, o procuraram clamorosamente. Então, quando ele começou a revelar-lhes as exigências pessoais que recaíam sobre os que recebiam seu ensinamento, eles se dispersaram rapidamente, e o registro diz: "Já não andavam mais com ele." Não tinham crença. Eram buscadores de ganho pessoal, sem apetite pela reforma das práticas centradas em si mesmos.

Compare-se com isso a sua própria crença em sua mensagem. Custou-lhe a vida, mas ele levou-a até o fim. E quanto àqueles discípulos que ele escolhera e ensinara? A mensagem era tão indesejada vinda deles quanto fora vinda de seu mestre. Eles também foram perseguidos, açoitados e caçados. À medida que os crentes se multiplicavam, a perseguição se intensificava, até que, por fim, decretou-se o extermínio. Veio então a prova suprema da sinceridade de sua crença. Os crentes eram descobertos, encerrados em masmorras e condenados à morte. Eram lançados às feras selvagens, para o entretenimento do povo na arena. Permitiam que fossem despedaçados membro por membro, porque sua crença se assentara em convicções tão profundamente enraizadas que preferiam morrer a renegar. Não precisavam morrer. Poderiam ter-se salvado por um ato muito simples. Bastava-lhes renunciar, e teriam ficado livres, mas essa não era a sua espécie de crença. Era-lhes mais preciosa do que a própria vida. Era a espécie de que Jesus falava quando prometeu que "Quem crer... será salvo." Isto é, uma crença que salva há de ser uma que persiste em todos os extremos. Onde se encontra ela hoje na terra? Não trata de conveniências. Não indaga sobre a tendência do favor popular. Não tem comércio com concessões que sacrificam princípios.

A Fé Viva é Invencível

Poder-se-ia pensar ou dizer que essa qualidade de fé se exemplificou no conflito armado recém-encerrado. Nossos soldados, marinheiros e aviadores sacrificaram a vida por uma causa. Isso, porém, foi em resistência a um ataque físico. Foi enfrentar a força física com força física. Acreditávamos estar em perigo de subjugação física, com as penalidades consequentes. Nossos compatriotas saíram para repelir esse perigo e nos manter livres da dominação física e de seu séquito de outros males. A prova vem agora. Temos um conjunto de princípios que julgamos certos e que estamos dispostos a preservar a qualquer sacrifício e a qualquer custo — princípios que dizem respeito à nossa integridade interna, fundados na lei justa e na justiça? Essa pergunta ainda não está respondida. Pelo que os sinais indicam, as perspectivas não são promissoras. As indicações parecem apontar para o domínio da conveniência e para o barganhar com o mal em busca do melhor negócio que se possa conseguir. Mas não quero falar disso agora. O caminho tomado pelos primeiros cristãos foi justificado? Não poderia ter havido outra via, alguma conveniência, alguma acomodação de dar e receber para reconciliar antagonismos sem chegar ao extremo da morte? Foi prudente desafiar o poder do grande império romano e persistir num rumo que ele condenava? Pareceria, de fato, presunçoso que um punhado de pessoas desprezadas, destituídas de riqueza ou influência, resistisse aos editos do maior poder secular do mundo. Mas tal é a força da doutrina, o poder da crença inabalável, a firmeza de homens sinceros com convicção resoluta, que seus ensinamentos floresceram diante da mais dura perseguição. O poderio do império não pôde esmagar essa espécie de fé que vivia no coração humano. Não extinguiu o cristianismo. E a essa circunstância se deve a perpetuação do ensinamento cristão no mundo. Se quisermos saber quão grande é essa dívida, basta perguntar que vazio restaria se o efeito de quase dois mil anos daquele ensinamento fosse apagado. Perderíamos substancialmente tudo o que distingue as nações cristãs das não cristãs. Perderíamos o senso de distinção que hoje nos leva a condenar tão veementemente as barbaridades que chocaram a humanidade. A própria liberdade de que se orgulha o mundo ocidental, atingindo sua maior perfeição nos Estados Unidos da América, deve sua existência ao ensinamento cristão sobre a fraternidade humana e o valor e a dignidade da alma humana. Estes são frutos daquela mensagem que Jesus comissionou seus discípulos a levar a todo o mundo. O próprio progresso da invenção e da descoberta científica, que tanto fez pela emancipação material do homem, nasce dessa liberdade, como a comparação com as nações atrasadas do mundo revelará. É à mensagem de Cristo — não à pesquisa acadêmica — que recorremos para saber o que sabemos sobre o sentido e o propósito da vida e o poder controlador da lei espiritual e moral. Ninguém pode conceber em que grau o mundo estaria empobrecido se aquele pequeno bando de discípulos não tivesse crido devotamente e, por sua crença, perpetuado o ensinamento.

Os Ensinamentos de Cristo, um Padrão para Todas as Épocas

Sua doutrina foi tão profundamente absorvida na vida das nações cristãs, particularmente na nossa, que, bem inconscientemente, os homens recorrem a ela como padrão para medir a validade dos atos de seus semelhantes. Quando chamamos algumas coisas de boas e outras de más, alguns caminhos de certos e outros de errados, estamos avaliando-os por comparação com os padrões estabelecidos nos ensinamentos do Mestre. Quando o político condena as práticas de seu adversário em matéria de comportamento humano, ele recorre aos ensinamentos de Cristo, talvez sem o saber, em busca do ideal com o qual, por comparação, os atos criticados se revelam errados. Suas próprias promessas de melhoria também seguem o padrão de ideais extraídos da mesma fonte. Tudo o que temos de melhor em nossa vida individual e em nossa vida nacional extraímos daquilo que foi preservado ao mundo por aqueles cristãos primitivos sacrificados que, através do sofrimento e da morte, perpetuaram os ensinamentos que lhes haviam sido confiados. Está fresco na memória de todos nós, a partir de exemplos recentes e antigos, que os tiranos que buscam impor seus despotismos malignos têm de começar por uma cruzada destinada a arrancar e destruir as doutrinas arraigadas em seus povos por séculos de absorção do pensamento cristão. Nestas considerações está a resposta à pergunta se os sacrifícios feitos foram justificados, e se, por meio de concessões, acomodação e a prática da conveniência, aqueles primeiros sofredores poderiam ter evitado a perseguição e o conflito com o império. Além disso tudo, aquelas doutrinas ensinavam a obtenção da imortalidade pela morte do Senhor e o plano para alcançar a vida eterna, que é a exaltação no reino celestial de Deus.

A Convicção Torna um Povo Forte na Provação

Tomemos outro exemplo de nossa própria história. Nosso povo começou a edificação de sua cidade em Nauvoo despojado de tudo. Fora saqueado, espoliado e expulso. Em escassos seis anos, havia estabelecido uma cidade próspera. Muitas de suas casas ainda estão de pé, moradias respeitáveis nesta época moderna. Foram expulsos no inverno. Das margens do rio, do lado de Iowa, podiam ver as luzes de seus lares confortáveis, enquanto crianças nasciam ao vento e à neve, sem outra proteção além da oferecida por seus carroções cobertos de lona. Dali fizeram sua fatigante jornada através de pradarias, através de rios e sobre montanhas até estes vales desolados. A linha de sua marcha foi assinalada pelas sepulturas de seus mortos. Aqui suportaram privação, dificuldade, fome. Não precisavam ter feito nada disso. Bastar-lhes-ia renunciar à sua crença para serem deixados em paz onde estavam. Isso se demonstra pelo fato de que alguns fizeram exatamente isso e permaneceram sem ser molestados. Preferiram, ao contrário, suportar a necessidade, a miséria e o sofrimento que se tornaram sua sorte, porque criam. Essa é a qualidade da crença que salva. Não há nisso serviço de lábios. Transcende os limites da pretensão, da simulação e do interesse próprio, e ancora-se numa convicção inabalável.

É possível dizer que estavam errados — enganados em sua crença. É possível dizer que foram imprudentes e insensatos. Mas não é possível negar a profundidade de sua convicção, nem a integridade de sua hombridade. Tampouco se pode contestar o poder de sua crença. Sua obra permanece revelada ao mundo. Os homens não colhem uvas de espinheiros, nem figos de cardos. Aqueles que não aceitam suas crenças podem sentir-se justificados. Mas nós, que professamos a sua fé, não podemos escapar às suas altas exigências. Estamos dispostos a suportar o que eles suportaram por nossas crenças? Significam essas crenças tanto assim para nós? São elas assim tão importantes em nossas avaliações? Ou aquelas crenças estão fundadas na verdade, ou não estão. Se não estiverem, então o sistema erguido sobre elas deveria, por sua própria natureza, ter desmoronado há muito tempo. Se estiverem assim fundadas, então aqueles que as professam não podem hesitar. Nós, hoje, talvez não enfrentemos as mesmas provas que eles enfrentaram, mas teremos de encarar provas igualmente severas e talvez mais difíceis de suportar.

Ainda temos de carregar o estandarte. As doutrinas pelas quais viveram ainda precisam ser perpetuadas e difundidas. Sua perpetuação exige de nós a mesma firmeza inabalável de convicção que moveu aqueles que nos estabeleceram aqui. Talvez não sejamos despojados, ou expulsos, ou tenhamos de reclamar um deserto. Mas seremos confrontados por influências contrárias talvez mais insidiosas e, por isso, mais difíceis de discernir, menos fáceis de compreender ou de perceber o perigo, pois vivemos num mundo fervilhante de confusão.

A Crença e a Prática da Verdadeira Religião, a Segurança do Mundo

Reconheçamo-lo ou não, são as crenças — as crenças que conseguem ser aceitas — que governam o mundo. Essas crenças podem exaltar uma nação ou arrastá-la à degeneração e à degradação, dependendo de sua qualidade intrínseca. Navios, tanques, aviões e canhões, embora sejam instrumentos necessários para travar a guerra física, não são a verdadeira fonte da força de uma nação. Sua força reside na integridade fundamental de seu povo, e esta depende das crenças que ele preza, as quais moldam sua vida. A guerra de armas terminou, mas a paz, em seu sentido verdadeiro, ainda não chegou. Não chegará até que se estabeleça nos corações dos homens. A guerra das ideias ainda ruge no mundo. Crenças opostas disputam a supremacia. Todas recrutam clamorosamente novos adeptos. O negócio de formar o pensamento, estabelecer crenças, fazer com que ideias sejam aceitas, é o mais importante, bem como o mais ativo e próspero negócio do mundo hoje.

É com ideias, com crenças, que estamos preocupados, pois a própria segurança do mundo e da humanidade depende da natureza das crenças que conseguem ser adotadas. Nossa mensagem é a mesma mensagem que Jesus deu a seus discípulos, a saber, que os homens devem crer nele, uma crença com uma convicção que se traduz em viver as suas doutrinas. A comissão de difundi-la no mundo ainda permanece. O meio continua o mesmo: o ensino por parte daqueles que creem. Não pode ser feito por descrentes. As doutrinas ainda possuem poder salvador. "Quem crer... será salvo." Mas não pode haver comprometimento dos princípios.

Haverá escarnecedores e zombadores. Poderemos suportar o escárnio e ainda assim permanecer inabaláveis? Haverá aqueles, dentro e fora de nossa própria filiação, que lamentarão como triviais as diferenças de crença que nos distinguem, e que recomendarão que, em favor de uma fraternização mais fácil, relaxemos em nossas doutrinas distintivas o suficiente para extinguir as diferenças aparentes. É tão mais fácil e mais confortável conformar-se aos costumes e às ideias que nos cercam. Uma pequena diluição de nossas crenças, dir-se-á, não pode causar dano algum.

Provavelmente os discípulos de Jesus poderiam ter escapado à perseguição se estivessem dispostos a ceder um pouco e se tivessem contentado em proclamá-lo como um grande mestre. Se apenas se abstivessem de declarar que ele era o Filho de Deus, provavelmente teriam tido pouca dificuldade. Isso teria tornado seu ensinamento mais palatável e melhorado as relações sociais e fraternais entre eles e seus vizinhos. Mas o seu messianismo era a essência de sua mensagem. Era aquilo que lhe dava autoridade. Era aquilo que lhe dava poder salvador. Suprimam isso, para fins de conquistar favores e ser agradável, e ter-se-á despojado a mensagem de todo o seu valor. É às suas doutrinas, inclusive à sua conquista da imortalidade para nós, que devemos recorrer para compreender o sentido e o propósito da vida, compreensão da qual há de vir, em última instância, a paz por que anseia o mundo. Aquelas doutrinas abrangem todo um curso de vida como preparação para uma eternidade de vida no reino de Deus. E, se persuasões políticas, preconceitos econômicos, teorias sociais ou a felicidade fraternal colidirem com esses ensinamentos, os ensinamentos ainda assim devem prevalecer. Infeliz, na verdade, é o homem que exaltou qualquer dessas coisas acima, ou em pé de igualdade com, os ensinamentos de sua fé religiosa.

Se realmente cremos em nossas almas nas doutrinas de nossa fé, então elas devem ter precedência sobre todas as demais filosofias ou tentações. Não podem ocupar segundo lugar diante de nenhuma persuasão.

Estou certo de que ninguém supõe que eu esteja advogando o distanciamento, nem presumindo sugerir que nos consideremos acima ou melhores do que os outros. Não desejo incitar antagonismos nem convidar a hostilidades no convívio. Estou apenas tentando dizer que, tendo, como professamos, princípios salvadores dados por Deus, devemos guardá-los como sagrados, pois deles depende a esperança da felicidade eterna, assim como a paz terrena. Serviríamos mal à humanidade se, por conveniência, déssemos uma pedra a quem clama por pão.

Que Deus nos dê a sinceridade de convicção para enfrentar toda prova, é o que peço, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoAlbert E. Bowen, “O Significado da Crença”, Conferência Geral de Outubro de 1945, Sessão da Manhã de Sábado (1945-10-06). Pulpit Vault, 1945-10-albert-e-bowen-the-significance-of-belief. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).