Fazer a Vontade de Deus Traz Paz
Marion G. Romney
Como prefácio ao que gostaria de dizer nesta tarde, leio o seguinte trecho da mensagem do Presidente Grant: ¶
Creio que os élderes de Israel em todas as diferentes alas e estacas de Sião desejam ardentemente conhecer a mente e a vontade de nosso Pai Celestial, e que estão prontos e dispostos a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para cumprir essa mente e essa vontade e realizá-las em suas vidas. ¶
É uma grande responsabilidade dirigir-se a uma conferência geral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e sinto essa responsabilidade profundamente. Oro para que eu possa ser sensível ao Espírito Santo e para que o que eu disser traga conforto aos corações dos que ouvem, e ao mesmo tempo estimule a todos nós a nos examinarmos e a decidirmos mais plenamente fazer a vontade de nosso Pai, o que, se o fizermos, nos trará paz neste mundo e, por fim, imortalidade e vida eterna em sua presença. ¶
Fazer a Vontade de Deus Traz Paz
Buscar conhecer a vontade do Pai e cumpri-la não significa uma submissão servil a uma força superior arbitrária, mas sim colocarmo-nos em harmonia com as leis e princípios que prevalecem num universo ordenado. É o único meio pelo qual podemos ¶
estar em paz na terra e, por fim, elevar-nos ao nosso alto destino como filhos de Deus. ¶
É o caminho trilhado por nosso Salvador. Ele é nosso grande exemplo. As primeiras palavras por ele proferidas de que temos registro foram, conforme consta em Pérola de Grande Valor: "... Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre." (Moisés 4:2.) Todos vós estais familiarizados com o cenário. Foi no mundo espiritual, quando o plano do Pai, pelo qual seus filhos avançariam a seu segundo estado, foi apresentado. ¶
O plano exigia um redentor. Dois dos filhos do Pai se apresentaram para esse importante papel -- Jesus e Lúcifer. A oferta de Jesus foi sublime em sua simples grandeza: "Pai, faça-se a tua vontade e seja tua a glória para sempre." Essa declaração revela, ao mesmo tempo, a grandeza de sua alma e também a fonte de sua força e poder. ¶
A oferta de Lúcifer não foi feita no mesmo espírito doce e humilde. Ele tinha consciência de possuir um intelecto brilhante e queria ser independente no uso de sua própria inteligência. Não conseguia consagrar seus poderes ao cumprimento da vontade do Pai; queria a glória do Pai; e assim propôs um plano substituto, seu próprio. Este era, evidentemente, inviável, por ter sido concebido nas trevas, como o é todo plano contrário à vontade do Pai, e foi rejeitado. Jesus foi escolhido para ser o Redentor. Lúcifer e seus seguidores, em vez de se submeterem à decisão e se colocarem em harmonia com a vontade do Pai, rebelaram-se, guerrearam nos céus e foram expulsos. Desde então, jamais desfrutaram de paz e contentamento, e jamais o farão, pois não podem dizer, no espírito de Jesus, "Pai, faça-se a tua vontade", e não há ninguém nos céus, seja o céu concebido como um lugar ou como uma condição, que não esteja em harmonia com a vontade do Pai. ¶
No cumprimento do plano do Pai, Jesus veio à terra e, aqui, como antes, ensinou por preceito e exemplo a verdade de que o caminho para a paz, a felicidade e a união com Deus é aprender a sua vontade e praticá-la. ¶
Ele nos ensinou a orar ao Pai: ¶
... seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. (Mateus 6:10.) ¶
E no Sermão da Montanha: ¶
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mateus 7:21.) ¶
Quando os judeus se maravilharam com seus ensinamentos, ele declarou: ¶
A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo. (João 7:16-17.) ¶
Instado por seus discípulos a comer, ele disse: ¶
A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou. (João 4:34.) Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo; ¶
porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou. (João 5:30.) Porque eu desci do céu,... não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. (João 6:38.) ¶
Jesus manteve-se fiel a esse rumo, até mesmo através do Getsêmani, onde ele carregou os pecados de todos os homens por meio de um sofrimento que o fez -- ¶
... tremesse de dor e sangrasse por todos os poros; e sofresse, tanto no corpo como no espírito. (D&C 19:18.) ¶
Ao chegar ao clímax daquele sofrimento, ele clamou em agonia: ¶
... Pai, se queres, passa de mim este cálice; porém não se faça a minha vontade, senão a tua. (Lucas 22:42.) ¶
Assim ele participou e concluiu seus preparativos para os filhos dos homens, tal como os havia empreendido, submisso e guiado pela "vontade do Pai". ¶
Que diferença faria nas condições do mundo hoje se todos os líderes das nações e todos os povos buscassem conhecer e fazer a vontade do Pai! Que paz viria ao mundo, e que paz de fato vem aos corações dos indivíduos à medida que adquirem esse estado de espírito e agem de acordo com ele! As pessoas mais felizes e bem-sucedidas na terra são as que, conhecendo a vontade do Pai, vivem em harmonia com ela. Por outro lado, as pessoas mais contenciosas, angustiadas e infelizes na terra são as que conhecem a sua vontade e não vivem em harmonia com ela. ¶
Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, estamos numa posição singular a esse respeito, porque sabemos que o Senhor revelou, e continua a revelar, à nossa geração a sua vontade a nosso respeito, e professamos aceitá-la. Isso não nos deixa desculpa nem escapatória. Cada um de nós está destinado a ser feliz e a estar em paz, ou a ser infeliz e contencioso. Muitos já escolheram seu lugar; outros ainda estão se posicionando. Nossa condição dependerá de quão perto estivermos de fazer a vontade do Pai agora, e de quão fiéis formos em continuar a fazê-la até o fim de nossa vida mortal. ¶
Ao buscarmos compreender a vontade do Pai, talvez seja bom termos em mente alguns fundamentos bem conhecidos. O primeiro para o qual convido vossa atenção é que as regras de conduta prescritas para nós nas revelações contidas em Doutrina e Convênios são declarações da vontade do Pai quanto a como devemos viver nossa vida mortal, e que essas normas não foram formuladas por homens, e, portanto, homens não podem alterá-las. Sua observância é um processo purificador e santificador, pelo qual entramos em união com Deus e, assim, desfrutamos de paz e felicidade. Conhecê-las e deixar de nos esforçar para vivê-las é convidar, com certeza, a angústia e a infelicidade. ¶
Para ilustrar: Recentemente, um amigo meu veio a mim com este problema. "A Igreja", disse ele, "está sofrendo a perda da lealdade e dos serviços de muitos membros capazes que sentem estar sendo afastados da Igreja e, assim, privados da ¶
comunhão à qual têm direito, porque nossos líderes dão tanta ênfase ao que, para eles, são regras de conduta sem importância, tais como a não utilização de chá, café, tabaco e bebidas inebriantes." Ele se perguntava se as regras quanto a essas coisas e a outras, para eles, coisas menores, como o pagamento do dízimo e a guarda do dia sabático, não poderiam ser flexibilizadas, de modo que essas pessoas não se sentissem em desarmonia ou constrangidas na Igreja. ¶
O Jugo de Cristo
Ora, meus irmãos e minhas irmãs, não é desejo da Igreja, nem de qualquer homem ou mulher na Igreja que tenha o espírito do evangelho, causar desconforto, constranger ou afastar das influências purificadoras e santificadoras do evangelho qualquer pessoa, esteja ela dentro ou fora da Igreja. Pelo contrário, é seu desejo tomar cada pessoa onde ela se encontra e edificá-la, conduzindo-a passo a passo pelo caminho estreito e apertado de conformar-se aos padrões do evangelho, até que encontre paz e felicidade em fazer a vontade do Pai. ¶
Isso, porém, não pode ser feito tolerando o descumprimento das regras de conduta que o Senhor prescreveu, nem presumindo alterá-las. As palavras de Jesus foram: "Tomai sobre vós o meu jugo." Ele não disse vinde em vossos próprios termos, mas -- ¶
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim;... e encontrareis descanso para a vossa alma. (Mateus 11:29.) ¶
O Senhor jamais revelou um meio pelo qual pudéssemos desfrutar desse descanso para nossa alma sem tomarmos sobre nós o seu jugo. A aceitação dos mandamentos contidos em Doutrina e Convênios como uma expressão a nós, individualmente, da vontade de nosso Pai nos céus quanto a como devemos viver, e um esforço sincero para observá-los, fará muito para nos trazer paz e felicidade enquanto vivemos na terra, e para nos assegurar grande alegria no mundo vindouro. ¶
Profetas Vivos como Guias
Outro fundamento a ter em mente em nossa busca é que as manifestações da vontade do Pai a esta geração não cessaram com o que está escrito em Doutrina e Convênios. Ele não nos deixou sem orientação, a discutir as interpretações dessas revelações, nem nos deixa ignorantes de sua vontade quanto às questões atuais. Ele nos deu profetas vivos para interpretar essas revelações e declarar-nos a sua vontade sobre os problemas do presente. ¶
Quando o Senhor inaugurou esta dispensação, ele escolheu e designou o Profeta Joseph Smith por meio de quem revelaria a sua vontade. E os povos da terra ficaram sob a obrigação de ouvi-lo. Mais de um ano antes de a Igreja ser organizada, o Senhor disse ao Profeta: ¶
... esta geração receberá minha palavra por teu intermédio. (D&C 5:10.) ¶
E declarou ainda que ai viria sobre os habitantes da terra se não dessem ouvidos às suas palavras. ¶
Enquanto o Profeta viveu, o Senhor revelou sua vontade àquela geração por meio dele. E é significativo o quanto do que ele revelou tratava das questões daquele tempo. Desde o martírio do Profeta, a vontade do Senhor tem sido dada por meio dos profetas sucessores, os Presidentes Brigham Young, John Taylor, Wilford Woodruff, Lorenzo Snow, Joseph F. Smith e Heber J. Grant, cada um dos quais, em sua vez, presidiu a Igreja e, à semelhança de Moisés, guiou o povo de sua geração nas questões de seu tempo pelo espírito de revelação. (Ver D&C 107:91; 8:2-3.) ¶
Durante as administrações de todos esses líderes, aqueles que os aceitaram como profetas, que verdadeiramente acreditaram que, pelo espírito de revelação, eles falavam a vontade do Pai sobre as questões do momento, que ajustaram seu pensamento, sua vida e seus sentimentos para harmonizarem-se com o espírito e a letra das palavras desses profetas vivos -- esses são os que têm sido consolados e que têm tido paz em sua alma. ¶
Hoje o Senhor está revelando a sua vontade a todos os habitantes da terra, e aos membros da Igreja em particular, sobre as questões de nosso tempo por meio dos profetas vivos, com a Primeira Presidência à frente. O que eles dizem como presidência é o que o Senhor diria se estivesse aqui em pessoa. Este é o alicerce inabalável do mormonismo. Se algum dia deixar de ser fato, esta será uma Igreja apóstata. Mas jamais deixará de ser fato. Quando o Profeta Joseph Smith foi indagado qual era a diferença entre a Igreja dos Santos dos Últimos Dias e as igrejas sectárias do mundo, ele disse: "Temos o Espírito Santo", com o que quis dizer que, pelo poder do Espírito Santo, a vontade de nosso Pai é revelada à mente dos líderes desta Igreja. Assim, repito mais uma vez: o que a presidência diz como presidência é o que o Senhor diria se estivesse aqui, e isso é escritura. Deve ser estudado, compreendido e seguido, tal como as revelações contidas em Doutrina e Convênios e nas outras escrituras. Os que seguem esse rumo não interpretarão o que eles dizem como inspirado por parcialidade política ou interesse próprio; tampouco dirão que os irmãos estão desinformados quanto às circunstâncias dos afetados por seus conselhos; ou que seus conselhos não podem ser aceitos porque não são precedidos da citação: "Assim diz o Senhor." ¶
Aqueles que, e testifico isso por minha própria experiência, por meio de oração poderosa e estudo diligente se informarem sobre o que dizem esses profetas vivos, e agirem de acordo, serão visitados pelo espírito do Senhor e saberão, pelo espírito de revelação, que eles falam a mente e a vontade do Pai. ¶
Este é um tempo de grande conflito entre a verdade e o erro. Satanás está se aproveitando amplamente das almas dos homens. Anticristos percorrem a terra em todas as terras, inclusive a nossa. Falsas filosofias e doutrinas emanadas do príncipe das trevas estão sendo apresentadas de maneira tão atraente que quase enganam os próprios eleitos. Há apenas um meio seguro de discernir a verdade do erro. É aprender qual é a mente e a vontade do Pai a respeito dessas questões, e então praticá-la. Encontrareis isso declarado sobre muitas questões nas mensagens da Primeira Presidência proferidas nas conferências gerais de 1942. Tomo a liberdade de ler o seguinte trecho da que foi proferida em abril: ¶
Advertimos novamente o nosso povo na América quanto à ameaça constantemente crescente contra a nossa inspirada Constituição e as instituições livres nela estabelecidas. Os mesmos preceitos e filosofias políticas que trouxeram guerra e terror a outras partes do mundo estão atuando entre nós, na América. Seus proponentes procuram minar nossa própria forma de governo e instaurar, em seu lugar, uma das formas de ditadura hoje florescentes em outras terras. Esses revolucionários utilizam uma técnica tão antiga quanto a raça humana -- uma solicitude fervorosa, porém falsa, pelos infortunados, sobre os quais assim obtêm domínio, para depois escravizá-los. ¶
Adaptam suas abordagens ao grupo específico que procuram enganar. Entre os Santos dos Últimos Dias, falam de sua filosofia e de seus planos sob ela como uma introdução da Ordem Unida. O comunismo e todos os outros ismos semelhantes não guardam relação alguma com a Ordem Unida. São apenas as falsificações grosseiras que Satanás sempre cria do plano do evangelho. O comunismo rebaixa o indivíduo e o transforma em instrumento escravizado do Estado, a quem deve recorrer para seu sustento e sua religião; a Ordem Unida exalta o indivíduo, deixa-lhe sua propriedade, "de acordo com sua família e de acordo com suas condições e suas carências e necessidades" (D&C 51:3), e proporciona um sistema pelo qual ele ajuda a cuidar de seus irmãos menos afortunados; a Ordem Unida deixa todo homem livre para escolher sua própria religião conforme sua consciência lhe dita. O comunismo destrói o livre-arbítrio concedido por Deus ao homem; a Ordem Unida o glorifica. Os Santos dos Últimos Dias não podem ser fiéis à sua fé e prestar auxílio, encorajamento ou simpatia a nenhuma dessas falsas filosofias. Elas se mostrarão laços para os seus pés. ¶
Se houver, entre nós, aqueles que se sintam ofendidos, em desarmonia, ou inclinados a criticar o que a Presidência diz sobre essas questões candentes de nosso tempo, seria bom lembrar que esses profetas estão apenas nos declarando a vontade do Pai, e que o único caminho aberto para a paz e a felicidade é nos colocarmos em harmonia com ela. ¶
Que o Senhor ajude cada um de nós a ter um desejo ardente de conhecer e fazer a sua vontade, e a reconhecer que sua vontade é dada a conhecer a nós e a todos os povos desta geração por meio das revelações em Doutrina e Convênios e das interpretações e conselhos dos profetas vivos, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶