O Cultivo das Almas dos Homens
Antoine R. Ivins
Almejo um interesse em vossa fé e orações, meus irmãos, para que o que eu possa dizer seja dirigido pelo Espírito de Deus, por meio de vossa ajuda em oração. ¶
O Cultivo das Almas dos Homens
Ao viajar por este vasto país nosso, tenho ficado impressionado, como talvez vós também, com a vasta quantidade de terra improdutiva e não cultivada que temos. Apenas uma pequena parte deste estado e dos outros estados ao nosso redor está bem cultivada e é realmente produtiva. Há um escritor que leio com frequência que fez a afirmação de que há mais almas incultas do que terras. Pergunto-me se isso é verdade. ¶
Certo é que há hoje no mundo muitas almas que foram cultivadas de modo impróprio, do contrário não teríamos as condições predominantes com que estamos lutando agora. ¶
Gosto de considerar este corpo de homens como os cultivadores da alma da Igreja, e é nosso problema zelar para que a alma da Igreja seja bem cultivada, de modo que possa render-se aos propósitos de Deus. A alma da Igreja é um composto das almas de seus membros, e assim nos tornamos os cultivadores das almas dos membros da Igreja, e torna-se nosso dever, ao enfrentarmos este problema, cada um de nós, cultivar primeiro nossos próprios canteiros, e se estes se mostrarem produtivos, então não há dúvida de que os campos maiores serão, igualmente, produtivos. ¶
Quando pensamos na alma da Igreja, e nas almas dos membros da Igreja, naturalmente nos perguntamos o que constitui uma alma bem desenvolvida, bem cultivada. ¶
Já nos foi dito que o primeiro e grande mandamento do evangelho de Jesus Cristo é que devemos amar a Deus de todo o coração, e que devemos amar o próximo como a nós mesmos. Esse é o grande princípio fundamental do evangelho, e uma vez que o propósito do evangelho é desenvolver os homens em suas almas e dar-lhes alegria, felicidade e uma vida melhor, então o primeiro requisito de uma alma bem cultivada é que ela deve amar a Deus e amar o próximo, estar disposta a servir a Deus e a servir o próximo. ¶
Então nós, que somos os guardiões do povo, por assim dizer, os cultivadores da alma, devemos zelar para que amemos a Deus e amemos o próximo, a fim de podermos ajudar outros a alcançar esse estado. ¶
Há muitas outras virtudes que entram nesse quadro. Logo a seguir ao amor vêm a caridade e a misericórdia. Poderemos sentir que nossas almas estão bem cultivadas se não tivermos caridade? Se lerdes a escritura, verificareis que todas essas outras coisas parecem falhar na ausência da caridade e da misericórdia. ¶
Vem então o perdão. Devemos estar prontos a perdoar quando pessoas que pecaram contra nós, movidas por sincero arrependimento, tentam fazer restituição. Se formos perdoar, havemos também de esquecer, pois o perdão cai por terra se for apenas dos lábios e não do coração, e se, depois de dizer que perdoamos, ainda carregarmos em nossa mente a ofensa e a mantivermos como obstáculo ao progresso daquele a quem perdoamos. ¶
Devemos também ser honestos. Devemos ser honestos conosco mesmos, devemos ser honestos com o próximo, devemos ser honestos com o estado, devemos ser honestos com a Igreja. Há hoje no mundo uma falta demasiado grande de honestidade; muitos não pensam com suficiente seriedade nesses problemas e acham que, contanto que possamos agir dentro dos tecnicismos da lei, somos suficientemente honestos para o dia de hoje. Duvido muito disso, irmãos. Penso que todos deveríamos examinar repetidamente nossos corações e nossa atitude, para nos assegurarmos de que somos honestos. ¶
E devemos ser diligentes. Se há algo pelo qual a Igreja tem sido notada no passado, entre essas coisas está o fato de termos sido um povo diligente. Gostaríamos de continuar sendo assim, diligentes, econômicos e cuidadosos. Se o formos, há pouca dúvida de que Deus nos abençoará e nos ajudará a atender às exigências de nossas vidas. ¶
Devemos ser compassivos com o próximo em suas provações e dificuldades. Devemos estar dispostos a ajudá-lo a superar suas dificuldades. Devemos ser dignos de confiança, de modo que, quando fizermos uma promessa, todos saibam que cumpriremos essa promessa ao pé da letra, que nossa palavra será como nosso compromisso escrito, e ninguém nos porá em dúvida. Devemos viver vidas limpas, honradas e retas. Nenhuma outra coisa nos dará maior felicidade, nem desenvolverá nossas almas em maior grau, do que viver a lei de castidade, tal como é prescrita por nossa Igreja como por nenhuma outra organização na terra. ¶
Todas essas coisas tendem a desenvolver o espírito e a alma do homem. O Profeta Joseph Smith nos disse que a alma consiste não apenas do espírito do homem, mas do espírito e do corpo inseparavelmente unidos. Então, no desenvolvimento da alma, temos em seguida, depois do desenvolvimento espiritual, o do corpo. Creio no que diz a escritura, que o corpo é o templo do espírito, o templo de Deus, e que seu espírito não habitará em um corpo impuro. Nosso propósito, então, além de desenvolver a outra fase, é desenvolver nossos corpos, procurar a perfeição neles, de modo que o espírito a quem Deus concede o privilégio de habitar neste corpo de barro possa, em seu desenvolvimento, ficar livre do embaraço de imperfeições físicas. ¶
Se pudermos fazer essas coisas, não se dirá de nós que há mais almas incultas do que terra onde habitamos, e nós, os presidentes do sacerdócio da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, temos isto como nosso grande propósito e nosso grande campo de atividade: desenvolver as almas do povo e a alma da Igreja. Este é um problema complexo, mas está inteiramente ao nosso alcance, se apenas pudermos obter o auxílio que vem da companhia do Espírito de Deus. Se formos humildes -- e a humildade é uma das mais elevadas virtudes que devemos cultivar neste desenvolvimento espiritual -- se formos apenas humildes, e se aplicarmos o espírito de oração como o Irmão Romney acabou de dizer, poderemos obter aquele poder que vem do Espírito de Deus. ¶
Esse Espírito nos dará o interesse que nos impelirá a maior atividade do que jamais empreendemos antes. ¶
Essa, irmãos, é minha oração hoje, que nós, os servos de Deus e os servos de seu povo -- pois ele nos disse que, na medida em que servimos ao menor dentre nós, estamos servindo a ele -- possamos obter seu Espírito para nos dar uma verdadeira visão de nossa responsabilidade e o poder para atendê-la plena e completamente. Todos nós deveríamos examinar a nós mesmos e nosso problema, e então tomar uma alta resolução perante nosso Pai Celestial de que iremos, com o melhor de nossa capacidade, magnificar nosso chamado. Se pudermos fazer isso, não há dúvida quanto ao poder do sacerdócio de Deus. Que ele possa concedê-lo a nós, rogo, em nome de Jesus. Amém. ¶