Pulpit

A Descrença é Demasiado Geral

David O. McKay

Conferência Geral de Abril de 1944·Sessão da Manhã de Domingo·1944-04-09

Meus irmãos e irmãs: alegro-me em adorar convosco e com o Coro do Tabernáculo neste, o dia do Senhor, assim designado pelos primeiros apóstolos em comemoração e em testemunho da ressurreição de nosso Senhor.

Contudo, ao cumprir esta designação de falar-vos, estou profundamente consciente de que sinto o significado da ressurreição mais do que sou capaz de expressar. Rogo, portanto, que o Espírito do Senhor ilumine nossas mentes para ver e toque nossos corações para sentir mais do que minhas simples palavras poderão indicar.

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra:

E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus,

A quem eu verei por mim mesmo, e os meus olhos o verão, e não outro; e por isso as minhas entranhas se consomem dentro de mim. (Jó 19:25-27.)

Aquele que assim pode testificar do Redentor vivo tem a alma ancorada na verdade eterna.

A mais recente e a maior confirmação de que Jesus ressuscitou da sepultura é o aparecimento do Pai e do Filho ao Profeta Joseph Smith, mil novecentos anos depois do acontecimento que hoje a cristandade celebra. É, portanto, altamente apropriado que a Igreja se una à festividade anual que comemora a ressurreição de Cristo, o acontecimento mais significativo, o mais memorável na história da humanidade.

Este milagre da vida é significativo não somente em si mesmo, mas também no que implica em relação a todos os princípios básicos do verdadeiro cristianismo.

A Descrença é Demasiado Geral

A julgar pela guerra que agora se trava, é bastante evidente que os líderes de alguns dos governos do mundo não creem na realidade da ressurreição. Pelo menos o início deste conflito mortífero indica que eles não apenas deixam de aceitá-la como fato, mas a rejeitam como mito ou superstição. De qualquer modo, sabemos que os líderes da nação diretamente responsável por iniciar este holocausto mundial repudiaram abertamente Jesus Cristo e seus ensinamentos.

Muitos, hoje, são como os homens da Colina de Marte, há dois mil anos, que ergueram um altar "Ao Deus Desconhecido", mas que pouco ou nada sabiam a respeito dele. Lemos que, a caminho do Areópago, Paulo havia contemplado magníficas estátuas erguidas a diversos deuses que os gregos adoravam — a Marte, o deus da guerra; Afrodite, a deusa do amor; Baco, o deus do vinho, e, sobressaindo-se acima de todos, Palas Atena, a deusa da sabedoria, a protetora de Atenas — estas e muitas outras.

Aqui frequentemente se reuniam filósofos e juízes, os mais capazes pensadores, os mais sábios do mundo antigo, considerando e discorrendo sobre os mistérios da vida e o destino da raça humana.

No meio de toda essa sabedoria mundana, erguia-se um homenzinho solitário, de olhos castanhos, que desafiava grande parte de sua filosofia como falsa e sua adoração a imagens como grosseiro erro — o único homem, naquela grande cidade de intelectuais, que sabia por experiência real que um homem pode atravessar os portais da morte e viver — o único homem em Atenas que podia perceber claramente a diferença entre a formalidade da idolatria e a adoração sincera do único Deus verdadeiro e vivo. Pelos epicureus e estoicos com quem havia conversado e discutido, Paulo fora chamado de tagarela, um pregador de deuses estranhos: "E tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: 'Podemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas?'"

"Homens atenienses," disse Paulo, "em tudo vos vejo um tanto supersticiosos.

"Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: 'Ao Deus Desconhecido.' Aquele, pois, que vós honrais, não o conhecendo, vos anuncio."

Enquanto Paulo discorria eloquentemente sobre a personalidade de Deus, os filósofos escutavam com curiosidade, embora atentamente, até que ele testificou que Deus ressuscitara Jesus dentre os mortos.

Ao ouvirem falar da ressurreição, alguns zombaram, e quase todos se afastaram, deixando ainda mais só aquele que havia declarado a verdade.

Hoje, como na Colina de Marte, quando falamos da ressurreição dos mortos, há alguns que zombam e outros que duvidam e se afastam. Hoje, como então, muitos homens e mulheres têm outros deuses aos quais dedicam mais pensamento do que ao Senhor ressuscitado — o deus do prazer, o deus da riqueza, o deus da indulgência, o deus do poder político, o deus da popularidade, o deus da superioridade racial — tão variados e numerosos quanto eram os deuses na antiga Atenas e Roma.

Os pensamentos que mais frequentemente ocupam a mente determinam o rumo de ação de um homem. Como bem diz um escritor: "A busca incessante de objetivos seculares — ciência natural, comércio, luxo — qualquer forma de ambição ou absorção terrena, torna a mente incapaz de receber, compreender, ou sequer considerar a ideia de qualquer Ser superior ao homem, ou de qualquer estado de existência superior ao presente." É, portanto, uma bênção para o mundo que existam ocasiões como a Páscoa que, como semáforos de advertência, dizem à humanidade: em vossa louca correria por prazer, riqueza e fama, parai e pensai no que é de maior valor na vida.

Quando os homens atentam a esta advertência e perscrutam os recessos mais íntimos de seus corações, descobrem que a questão mais importante de suas vidas se relaciona com o tema da imortalidade. Um destacado homem do ramo ferroviário, citado em Young Man and the World, expressou o pensamento de muitos quando disse:

Eu preferiria ter a certeza de que, quando um homem morre, ele viverá novamente com sua identidade consciente, do que possuir toda a riqueza dos Estados Unidos, ou ocupar qualquer posição de honra ou poder que o mundo pudesse conceder.

Um jovem estudante recentemente expressou o pensamento de que a crença em Cristo como o Redentor, como Deus manifesto, está diminuindo; que os cristãos professos já não creem que Jesus seja o Unigênito do Pai na carne; que, de alguma maneira milagrosa, sua morte fez expiação pelo pecado; ou que, após sua crucificação, Cristo ressuscitou dentre os mortos.

Com o objetivo de obter uma amostragem da opinião atual sobre este assunto, a seguinte pergunta foi feita diretamente a vários cidadãos de destaque aqui em nossa cidade:

"Aceitais como fato a ressurreição real de Cristo dentre os mortos?"

Entre os vinte e seis homens contatados havia ministros religiosos, médicos, advogados e destacados homens de negócios. A maioria respondeu que sim, alguns foram evasivos, oito responderam que não.

Aceita como Fato pelos Primeiros Apóstolos

Estabelecei como fato que Cristo realmente retomou seu corpo e apareceu como um Ser glorificado e ressuscitado, e tereis respondido a pergunta dos séculos — "Morrendo o homem, viverá ele de novo?"

Que a ressurreição literal da sepultura foi uma realidade para os discípulos que conheciam Cristo intimamente é uma certeza. Em suas mentes não havia absolutamente nenhuma dúvida. Eles foram testemunhas do fato. Sabiam porque seus olhos viram, seus ouvidos ouviram, suas mãos sentiram a presença corpórea do Redentor ressuscitado.

O Valor de Seu Testemunho

O profundo significado de seu testemunho pode ser mais bem compreendido quando percebemos que, com a morte de Jesus, os apóstolos foram tomados de tristeza profunda. Quando ele foi crucificado, suas esperanças quase morreram. Que sua morte foi uma realidade para os discípulos se mostra (1) em seu intenso pesar, (2) na declaração de Tomé, (3) na perplexidade moral de Pedro quando disse: "Vou pescar", e (4) no evidente preparo para um sepultamento permanente de seu Mestre. Não obstante a repetida garantia de Jesus de que voltaria a eles após a morte, os apóstolos parecem não ter aceitado, ou pelo menos não ter compreendido, a declaração de Cristo como um fato literal. Na crucificação, ficaram assustados e desanimados. Por dois anos e meio haviam sido sustentados e inspirados pela presença de Cristo. Mas agora ele havia partido. Ficaram sozinhos, e pareciam confusos, desamparados e tomados de pânico. Somente João permaneceu junto à cruz. Não é com timidez, nem com sentimentos de dúvida, tristeza e desânimo que um mundo cético é levado a crer. Mentes tão vacilantes e desesperadas como as que os apóstolos possuíam no dia da crucificação jamais poderiam ter levado pessoas a aceitar uma crença impopular e a morrer como mártires pela causa.

O que foi que subitamente transformou esses discípulos em pregadores confiantes, destemidos e heroicos do evangelho?

Foi a revelação de que Cristo havia ressuscitado dentre os mortos.

Creio que foi Spurgeon quem disse:

Suas promessas haviam sido cumpridas, sua missão messiânica realizada. O selo final e absoluto de autenticidade fora posto sobre todas as suas afirmações, e o cunho indelével de uma autoridade divina sobre todos os seus ensinamentos. As trevas da morte haviam sido banidas pela luz gloriosa da presença de seu Senhor e Salvador ressuscitado e glorificado.

Sobre o testemunho dessas testemunhas isentas de preconceito, sem expectativa e incrédulas, a fé na ressurreição tem seu fundamento inexpugnável.

Princípios Implícitos

O acontecimento que hoje celebramos implica os princípios fundamentais do evangelho de Jesus Cristo. Em geral, estes são:

I. A Paternidade de Deus

Nenhum homem pode aceitar a ressurreição e ser coerente em sua crença sem aceitar também a existência de um Deus pessoal. Por meio da ressurreição, Cristo venceu a morte e tornou-se uma alma imortal. "Senhor meu, e Deus meu" não foi mera exclamação vazia de Tomé ao contemplar seu Senhor ressuscitado. O Ser diante dele era o seu Deus. Uma vez que aceitamos Cristo como divino, torna-se fácil imaginar seu Pai como sendo tão pessoal quanto ele; pois, disse Jesus, "Quem me vê a mim vê o Pai."

Inseparável da ideia de um Ser Divino Pessoal é a aceitação dele como o Criador do mundo. O verdadeiro cristianismo não considera o universo como resultado de mera interação de matéria e movimento, de lei e força, mas, ao contrário, considera toda a criação como produto de uma Inteligência Divina "que fez o mundo e todas as coisas que nele há." Como diz um escritor: "É isto que o cristianismo entende por um Deus pessoal. Ele crê que toda a existência tem suas raízes em um propósito consciente e inteligente, e que esse propósito é bom."

II. A Filiação de Jesus Cristo

O evangelho ensina que Cristo é o Filho de Deus, o Redentor do mundo. Nenhum verdadeiro seguidor se contenta em aceitá-lo apenas como um grande Reformador, o Mestre ideal, ou mesmo como o Único Homem Perfeito. O homem da Galileia é, não figurativamente, mas literalmente, o Filho do Deus vivo.

III. A Imortalidade da Alma Humana

A crença na ressurreição implica também a imortalidade do homem. Jesus passou por todas as experiências da mortalidade, assim como vós e eu. Conheceu a felicidade, experimentou a dor. Alegrou-se, bem como entristeceu-se, com os outros. Conheceu a amizade. Experimentou também a tristeza que vem por meio de traidores e falsos acusadores. Morreu uma morte mortal, tal como todo outro mortal. Visto que seu espírito viveu depois da morte, assim viverá o vosso e o meu. Assim viverá o vosso rapaz soldado que dá a vida no campo de batalha.

IV. A Fraternidade do Homem

Um dos dois grandes princípios gerais aos quais todos os outros princípios são subsidiários é este: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo," e, correlacionada a ele, a promessa: "Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes."

O evangelho "ordena que os fortes suportem os fardos dos fracos, e que usem as vantagens que lhes são dadas por suas maiores oportunidades em prol do bem comum, para que todo o nível da humanidade possa ser elevado e o caminho da realização espiritual seja aberto aos mais fracos e mais ignorantes," bem como aos fortes e inteligentes.

V. Os Padrões de Vida

Finalmente, visto que Jesus foi o único homem perfeito que já viveu, e visto que, ao ressuscitar dentre os mortos, venceu a morte e é agora Senhor da terra, quão absolutamente fraco, quão extremamente insensato é aquele que deliberadamente rejeitar o modo de vida de Cristo, especialmente à luz do fato de que tal rejeição conduz somente à infelicidade, à miséria e até mesmo à morte.

Que mundo mais agradável este seria se, por exemplo, os homens se esforçassem seriamente por aplicar o conselho de Cristo: "Se tiveres algo contra um irmão, vai a ele." Ou, ainda, sua admoestação: "buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça," o que significa, simplesmente, não estar tão ansioso pelas coisas mundanas a ponto de dar-lhes valor superior ao da realização espiritual.

O Salvador condenou a hipocrisia e enalteceu a sinceridade de propósito. Conservai o coração puro, e vossas ações estarão em harmonia com ele. Os pecados sociais — a mentira, o roubo, a negociação desonesta, a fornicação e coisas semelhantes — são primeiramente cometidos no pensamento.

Jesus ensinou que um caráter imaculado é o mais nobre objetivo da vida. Como bem diz John W. Powell:

Não as posses, nem a fama, nem a honra; não o sucesso nem a prosperidade; não o prazer físico e o conforto. . . . Nada disso pode satisfazer completamente o espírito humano, nem cumprir a mais alta exigência da vida.

Nenhum homem alcançou seu propósito que não se tenha tornado um homem bom, puro, leal e verdadeiro de alma; cujo caráter, ainda que adquirido ao custo de todos os objetivos comuns da existência, resistirá à prova de toda tentação e o levará à comunhão com o divino.

Nisto, irmãos, reside a verdadeira fonte do testemunho: "Sei que o meu Redentor vive." Nenhum homem pode sinceramente resolver aplicar em sua vida diária os ensinamentos de Jesus de Nazaré sem sentir uma mudança em sua natureza. A expressão "nascido de novo" tem um significado mais profundo do que muitas pessoas lhe atribuem. Esse sentimento transformado pode ser indescritível, mas é real.

Feliz a pessoa que verdadeiramente sentiu o poder edificante e transformador que vem dessa proximidade com o Salvador, desse parentesco com o Cristo vivo. Sou grato por saber que Cristo é o meu Redentor.

A Páscoa é um dia sagrado, um dia de gratidão e adoração divina. Não é apenas um dia para regozijo pela chegada da primavera, nem meramente uma oportunidade para exibir belos chapéus e roupas finas — é uma ocasião para a expressão de gratidão a Deus por ter enviado seu Filho Unigênito ao mundo, para ser "o caminho, e a verdade, e a vida," para declarar a verdade eterna de que "todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

Quando os cristãos em todo o mundo tiverem essa fé correndo em seu sangue, quando sentirem em seu coração lealdade ao Cristo ressuscitado e aos princípios nele implícitos, a humanidade terá dado o primeiro grande passo rumo à paz perpétua pela qual diariamente oramos: rejeitai-o, e o mundo se encherá de ódio e será encharcado de sangue por guerras recorrentes.

Revelação Moderna

Confirmando o testemunho irrefutável dos primeiros apóstolos de Cristo, a Igreja de Jesus Cristo proclama a gloriosa visão do Profeta Joseph Smith, como segue:

E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive!

Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai —

Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus.

E este é o evangelho, as alegres novas, que a voz do céu nos testificou —

Que ele veio ao mundo, sim, Jesus, para ser crucificado pelo mundo e para tomar sobre si os pecados do mundo e para santificar o mundo e purificá-lo de toda iniquidade;

Para que, por intermédio dele, fossem salvos todos os que o Pai havia posto em seu poder e feito por meio dele. (D&C 76.)

Conclusão

Irmãos e irmãs: assim como Cristo viveu depois da morte, assim viverão todos os homens, cada um ocupando o seu lugar no mundo vindouro para o qual melhor se preparou. A mensagem da ressurreição é, portanto, a mais consoladora, a mais gloriosa já dada ao homem, pois quando a morte nos tira um ente querido, nossos corações pesarosos são consolados pela esperança e pela certeza divina expressas nas palavras:

"Não está aqui, mas ressuscitou." Porque nosso Redentor vive, assim viveremos nós também. Dou-vos testemunho de que ele realmente vive. Eu o sei, como espero que vós saibais essa verdade divina.

Que toda a humanidade possa um dia ter essa fé, rogo em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “A Descrença é Demasiado Geral”, Conferência Geral de Abril de 1944, Sessão da Manhã de Domingo (1944-04-09). Pulpit Vault, 1944-04-mckay-disbelief-all-too-general. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).