Pulpit

O Que o Senhor Promete Se Cumpre

George Albert Smith

Conferência Geral de Outubro de 1943·Sessão da Manhã de Sábado·1943-10-02

Confio que serei favorecido pelo Senhor naquilo que direi, a fim de que vocês sejam edificados e de que o tempo que eu ocupar seja proveitosamente utilizado. É uma experiência notável estar aqui e enfrentar um exército de homens, e perceber que cada um destes homens possui autoridade divina. Nenhum outro lugar no mundo, nenhum outro grupo no mundo, possui a autoridade do santo Sacerdócio como vocês possuem.

Causas da Presente Condição do Mundo

É muitas vezes fonte de grande aflição para mim saber que nossos irmãos e nossas irmãs estão no mundo, muitos deles, buscando destruir aqueles que se opõem a eles no campo de batalha. Parece que, em diferentes períodos da história do mundo, aqueles que têm sido fiéis em guardar os mandamentos de Deus foram compelidos a defender os ideais que receberam de nosso Pai Celestial. Hoje, aqueles que saíram do meio de nós não são apenas representantes do governo dos Estados Unidos, mas também saem acreditando que é seu dever religioso defender as liberdades da nação que nosso Pai Celestial estabeleceu para que a desfrutássemos.

Parece realmente estranho que, depois de centenas de anos de acesso às sagradas escrituras, comparativamente poucas pessoas estejam cientes de que o que está ocorrendo agora é o cumprimento das predições de homens que, como vocês, possuíram o Sacerdócio. As filosofias dos homens variam e mudam. As verdades de Deus são fundamentais e nunca mudam. Hoje este mundo enfrenta a destruição porque, não apenas por centenas, mas por milhares de anos, os filhos e as filhas do Deus vivo deixaram de conformar suas vidas ao Seu bondoso conselho.

Um dos profetas nos disse que o Senhor Deus nada faria sem revelar Seus segredos a Seus servos, os profetas. Em outras palavras, o mundo não seria pego de surpresa se prestasse atenção à liderança que o Senhor proveu. Assim, olhamos para o panorama do tempo, para os dias de Noé, quando o Senhor advertiu o povo sobre o que ocorreria, e aparentemente não prestaram atenção alguma, pois, das aparentes multidões que habitavam a Terra, apenas oito almas foram salvas da destruição, embora todos tivessem sido informados de como poderiam ser preservados.

Advertências de Profetas Antigos

O Senhor advertiu Tiro, Nínive, Jerusalém e Babilônia, e outras cidades, de que, a menos que se arrependessem e se voltassem para Ele, seriam destruídas, e, dentre essas cidades, Nínive foi a única que se voltou imediatamente para o Senhor quando o profeta Jonas os advertiu do perigo iminente. O rei e o povo se vestiram de saco e sentaram-se nas cinzas sem demora, e o Senhor permitiu que a destruição prometida passasse ao largo.

O Senhor disse a Abraão que sua semente iria para uma terra estranha, e que, depois de quatrocentos anos, retornariam com grandes posses. Ele não lhe disse como isso se realizaria. Não lhe disse que José, um de seus descendentes, seria vendido como escravo no Egito e que, por guardar os mandamentos de Deus, teria comunicação com os céus e preservaria a grande nação onde vivia naquele tempo. Isso não foi dito a Abraão. Não lhe foi dito que o grande Faraó reconheceria um humilde hebreu que foi tirado da prisão para interpretar seu sonho. Não lhe foi dito que a família de José seria trazida ao Egito para ser preservada, que se tornaria uma poderosa multidão, e que, depois de um período de quatrocentos anos, cerca de seiscentas mil pessoas sairiam do Egito e seguiriam seu caminho pelo deserto até a Terra Prometida. Não era uma questão de suposição. Era uma questão de conhecimento da parte de Deus, e Ele deu a informação a Abraão.

Pensem em como o Senhor estava ansioso para salvar as cidades da planície, Sodoma e Gomorra. Abraão suplicou repetidamente ao Senhor, pedindo que fossem poupadas por causa dos justos. Ele foi reduzindo o número até chegar de cinquenta a dez pessoas justas. O Senhor disse que, se nessas cidades pudessem ser encontrados dez justos, as cidades seriam salvas. Mas não se puderam encontrar dez pessoas justas, e as cidades foram destruídas, conforme haviam sido advertidas por um servo do Senhor de que seriam, por causa da maldade.

Foi algo estranho que, nos dias de Isaías, o Senhor lhe revelou que a maior de todas as nações da Terra seria humilhada, e Ele deu o nome do homem, Ciro, a quem o Senhor se referiu como Seu ungido, e disse a Isaías que Ciro derrubaria a Babilônia e reconstruiria Jerusalém. O profeta havia dito que Jerusalém estaria em cativeiro por setenta anos. Foram exatamente setenta anos quando Ciro reuniu e levou de volta a Jerusalém os judeus que haviam sido levados cativos para a Babilônia. Ciro levou artesãos e homens habilidosos, e os vasos que haviam sido roubados do templo por aqueles que viviam na Babilônia, e voltaram para reconstruir Jerusalém.

Não demorou muito depois disso até que os judeus que não quiseram se arrepender fossem punidos, por não terem dado ouvidos ao Senhor. E, novamente, depois da vinda de nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo, eles não quiseram receber Seu evangelho e não quiseram se arrepender. Desta vez, Jerusalém não apenas foi derrubada, mas foi destruída, e seu templo foi arrasado até que não restou pedra sobre pedra.

Todas essas coisas foram reveladas aos profetas de Deus. E assim poderíamos continuar agora falando da Babilônia, e de como o Senhor falou do estabelecimento dos vários reinos que se sucederiam, dando ao rei Nabucodonosor um sonho, e depois usando Daniel, que ali estava como cativo, para interpretar o sonho do rei. Havia sido feita a predição de que certas coisas ocorreriam, e que um reino se seguiria a outro, e assim se cumpriu. Levou centenas de anos para se cumprir a predição. Uma das partes notáveis da interpretação foi que, nos dias dos reinos que surgiriam do Império Romano, o Deus dos céus estabeleceria um reino. Uma pequena pedra seria cortada do monte sem auxílio de mãos, e o Deus dos céus estabeleceria um reino.

Daniel era um profeta de Deus, e era profeta porque guardava os mandamentos de Deus. Gostaria que vocês, irmãos que estão aqui hoje, levassem consigo esta mensagem. Daniel observou os ensinamentos de Deus junto com seus companheiros, no tocante ao tipo de comida e bebida que deveriam ter, e recusou-se a aceitar a comida que era servida à mesa do rei. Ele guardou a Palavra de Sabedoria, e o resultado foi que ele, com seus três companheiros, que também guardaram a Palavra de Sabedoria, dentre todos aqueles que eram cativos, receberam a inspiração do Todo-Poderoso, e não apenas suas vidas foram preservadas, mas também lhes foi permitido revelar o que haveria de ocorrer.

As Promessas do Senhor Cumpridas

Ora, nos dias dos reis que surgiram do Império Romano, os reinos eram em parte fortes e em parte fracos, e o Deus dos Céus estabeleceu um reino, pois, no ano de 1830, Ele estabeleceu Sua Igreja aqui na Terra. Isso não veio por acaso — não veio de surpresa. Tudo havia sido predito — todas essas coisas que estão contidas no Antigo e no Novo Testamento, e muitas outras que não estou tentando mencionar. Estou tentando chamar a atenção de vocês para o fato de que, quando o Senhor fala, o que Ele promete sempre se cumpre.

Pois bem, agora, Ele nos prometeu algo hoje? Leiam suas escrituras. Não apenas o Antigo e o Novo Testamento, mas voltem-se para o Livro de Mórmon. Vejam como o Senhor cumpriu Suas promessas — como os nefitas, por terem se recusado a aceitar os ensinamentos de Deus — por terem se recusado a apoiar aqueles que presidiam sobre eles por autoridade — foram apagados da face da Terra. Isso não se deu sem aviso; eles sabiam que viria, e lhes foi dito, através do poderoso oceano, sobre a vinda do Salvador, o que ocorreria quando Ele viesse, e o que aconteceria quando Ele fosse crucificado. O Senhor manteve essas coisas na mente de Seu povo que eram profetas e que prestaram atenção. Por toda esta terra houve destruição porque o povo não era justo.

Vocês podem acompanhar o registro, e descobrirão que tais coisas nunca aconteceram a um povo que estava guardando os mandamentos de Deus. A destruição chegou àqueles que deixaram de prestar atenção ao que o Senhor desejava. Esta nação foi levantada para que os homens pudessem adorar a Deus de acordo com os ditames de sua consciência — esta nação da qual fazemos parte. Deus levantou os próprios homens que prepararam a Constituição para nos declarar nossos privilégios e nossas liberdades. Não foi um acidente. Essas coisas haviam sido registradas de antemão. No Livro de Mórmon, Ele anunciou a vinda de Colombo, e dos pais peregrinos, do velho mundo, os que vieram para cá para adorar a Deus.

Predições de um Profeta Moderno

Todas essas coisas haviam sido dadas a conhecer de antemão, e então, no caso dos Santos dos Últimos Dias, quando estavam em aflição em Nauvoo e sendo perseguidos por seus inimigos, o Profeta de Deus lhes disse que seriam expulsos de seus lares — e que chegariam aos cumes das Montanhas Rochosas, onde se tornariam um povo poderoso. O que eles sabiam sobre as Montanhas Rochosas? O que havia nas Montanhas Rochosas que os levaria até lá? Nada além do que Deus havia preparado. Essa profecia se cumpriu, e vocês são minhas testemunhas de que se cumpriu, pois os Santos dos Últimos Dias hoje são um povo poderoso em meio a estes grandes vales montanhosos.

Outra predição de nossa época que se cumpriu foi quando o Senhor revelou ao Profeta Joseph Smith que haveria uma guerra civil neste país e lhe disse exatamente onde ela começaria, na rebelião da Carolina do Sul. Como o Profeta Joseph soube, quase trinta anos antes de acontecer, que começaria na Carolina do Sul? Ele soube porque o Senhor sabia e lhe disse. Assim, desde o princípio, através de Noé, e por toda a linha de profetas, o poder de se comunicar com os céus tem estado com aqueles a quem Deus levantou e preparou. O povo tem sido ensinado, e tem sido advertido, e a maioria tem sido infiel à advertência, resultando em que grande destruição sobreveio aos filhos dos homens.

Ora, em nossos dias somos advertidos, em uma revelação ao Profeta Joseph Smith, de que, a menos que sejamos mais justos do que aqueles que estão recebendo destruição neste momento em muitas partes do mundo, nós também devemos perder nosso direito de primogenitura e nossa oportunidade, e ser destruídos aqui na carne. Não seremos justificados por dizer que estamos vivendo tão bem quanto outras pessoas. Isso não é suficiente, meus irmãos. Temos um destino especial, se vivermos para ele. Esse destino é viver aqui nesta Terra quando ela se tornar o Reino Celestial, onde Deus, nosso Pai Celestial, e Seu Filho, Jesus Cristo, serão nosso Rei e nosso Legislador. Sabemos essas coisas, e o mundo não as sabe. Portanto, não é suficiente que estejamos indo tão bem quanto a maioria das pessoas da nação. A menos que estejamos guardando os mandamentos de Deus e vivendo dignos das bênçãos de nosso Pai Celestial, não receberemos essas bênçãos.

Salvação Por Guardar os Mandamentos

Ora, isso não é dito com nenhum sentimento de rispidez ou dureza.

Do fundo de minha alma, gostaria que nós mesmos pudéssemos ver nosso próprio perigo. Há muitas pessoas entre nós que são agradáveis a nosso Pai Celestial, porque estão guardando os mandamentos de Deus. Há muitas pessoas que não são membros da Igreja e que procuram guardar os mandamentos de Deus tal como os compreendem. Todos estes receberão bênçãos na proporção de sua fidelidade. Mas, em preparação para o Reino Celestial, para obter aqui uma herança quando este se tornar aquele reino, o próprio Senhor deu as regras e os regulamentos. No entanto, temo que haja alguns entre nós tão descuidados a ponto de terem a ideia de que decidirão por si mesmos, contrariamente ao conselho do Senhor, o que farão, e ainda assim esperam receber uma herança no Reino Celestial, mas estão destinados à decepção. O Mestre disse: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mateus 7:21.)

Por que somos impedidos, no presente momento, de fazer como fizemos por anos, de trazer todo o nosso povo que pode vir ao tabernáculo? Porque o povo do mundo transgrediu as leis de Deus; porque o povo de nossa nação desapontou o Senhor e recusou Suas bênçãos, tantos deles.

Então, aqui mesmo entre nós, em nossos próprios lares, nas estacas de Sião organizadas, há aqueles que tiveram as mãos dos servos de Deus impostas sobre suas cabeças e foram confirmados membros da Igreja, e muitos deles receberam autoridade divina, e hoje, o que fariam se o Salvador viesse? O que faríamos nós? Estamos preparados para a vinda de nosso Senhor? Espero que estejamos nos preparando, porque precisamos estar preparados.

E assim, hoje, como um dos mais humildes entre vocês, sinto de todo o coração invocar sobre vocês a bênção de nosso Pai Celestial. Vocês que são líderes nas alas e estacas de Sião organizadas, e alguns nos campos missionários, oro para que tenham a sabedoria de ver a verdade, de compreendê-la e de viver como o Senhor deseja que vivamos. Digo a vocês: a destruição não está longe, e apenas com a condição de que observemos as leis de Deus e guardemos Seus mandamentos temos a promessa de que Ele nos preservará. Está em nosso poder arrepender-nos, como esteve em poder do povo da cidade de Nínive. Quando estavam prestes a ser destruídos, arrependeram-se e foram preservados. A menos que o povo desta terra em que vivemos se arrependa de sua infidelidade e maldade e se volte para o Senhor, Seus juízos os alcançarão. Não digo isso com dureza ou rispidez, mas porque o próprio Senhor o disse, e é dever de vocês e meu deixar que nossa luz assim brilhe, para que todas estas pessoas com quem pudermos ter contato saibam e compreendam que Deus vive e que esta é o Seu escabelo, e que nosso direito a uma herança aqui somente será obtido honrando-O e observando Suas leis, e guardando Seus mandamentos. Todas essas coisas são tornadas claras aos Santos dos Últimos Dias. É nosso dever compartilhar essa informação com os outros filhos de nosso Pai.

Conselho do Presidente Grant Não Atendido

Somos afortunados hoje por termos, sentado em nosso meio, o servo do Senhor que preside a Igreja, a boca do Senhor para nós. Há milhares de pessoas que caminhariam qualquer distância que pudessem, a fim de ver o rosto e tocar a mão do Profeta do Senhor, e, no entanto, há muitos de nosso próprio povo que desconsideram seu conselho. Deste mesmo púlpito, ele nos suplicou que não revogássemos a Décima Oitava Emenda à constituição dos Estados Unidos. Ele não falou como Heber J. Grant, o homem. Ele falou como o Presidente da Igreja e o representante de nosso Pai Celestial. E, no entanto, em um estado onde poderíamos ter mantido o que tínhamos, houve Santos dos Últimos Dias suficientes, assim chamados (alguns deles ocupavam posições na Igreja, ou ocupavam naquela época), que não deram atenção ao que o Senhor queria, ignoraram o que Ele havia dito por meio de Seu profeta, e qual é o resultado? Uma delinquência como nunca conhecemos existe hoje em nossa própria comunidade, e os filhos, as filhas e os netos, e em muitos casos os pais e as mães, que desafiaram o conselho de nosso Pai Celestial e disseram: "Faremos como bem entendermos", estão pagando a penalidade e continuarão a fazê-lo até que se afastem de sua tolice e desejem, de todo o coração, fazer o que nosso Pai Celestial deseja que façamos.

Ora, espero não estar dizendo as coisas de um modo que os faça sentir que estou irritado com alguém. Não tenho tais sentimentos. Meu coração é caloroso e terno para com os filhos e as filhas de Deus; sou grato por ter companheiros como os que tenho nesta Igreja, e alguns amigos maravilhosos fora dela — homens e mulheres com quem procuramos compartilhar o evangelho de Jesus Cristo.

Testemunho e Conselho

Hoje estou aqui como um dos mais humildes entre vocês, grato pelas bênçãos que me foram concedidas, agradecido pelo conhecimento de que esta é a obra de Deus, e, em conclusão, gostaria de prestar meu testemunho de que sei, como sei que vivo, que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó está no leme. Esta é a Igreja verdadeira, e traz o nome de Seu Filho Amado, que a nomeou. Seus servos têm o poder, e conferiram a vocês, meus irmãos, uma porção de autoridade divina, com a crença de que se qualificarão, com a esperança de que estarão à altura, e quando digo "vocês" quero dizer todos nós. Iremos desapontar nosso Pai Celestial? Iremos deixar que nossos próprios lares se desfaçam e nossas famílias abandonem a verdade enquanto negligenciamos nossa oportunidade? Iremos viver como o mundo, porque isso é popular? Ou faremos como fez o povo de Nínive — voltar-nos da tolice do homem para a sabedoria de Deus, e nos prepararmos para a vida eterna no Reino Celestial? É isso que Ele nos oferece. É isso que cada um de nós pode desfrutar, se assim o quisermos, e eu testifico que isso é verdade e oro para que nosso Pai Celestial nos ajude a nos apegarmos à verdade que assegura a exaltação e a felicidade eterna, em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Como citar este discursoGeorge Albert Smith, “O Que o Senhor Promete Se Cumpre”, Conferência Geral de Outubro de 1943, Sessão da Manhã de Sábado (1943-10-02). Pulpit Vault, 1943-10-smith-what-the-lord-promises-is-fulfilled. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).