Campos Brancos para a Ceifa
Clifford E. Young
Sinceramente espero, meus irmãos, que o que eu disser não diminua em nada o adorável espírito desta conferência. Todos nós fomos edificados em nossa fé, e que possamos voltar para casa fortalecidos em nosso desejo de servir com mais fidelidade do que no passado. É algo grandioso que os homens se reúnam como nos reunimos nestas ocasiões, e, ao observarmos ontem este vasto corpo de Sacerdócio, não pudemos deixar de sentir o poder e a força que aqui existem. ¶
Padrões para o Sacerdócio ¶
Bem no início desta obra, o Senhor disse ao pai do Profeta Joseph, por meio de Seu profeta: "Agora eis que uma obra maravilhosa está para iniciar-se entre os filhos dos homens." ¶
"Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia." (D. & C. 4:1, 2) ¶
Em seguida, Ele passa a assinalar que o campo está branco, pronto para a ceifa, e que aquele que lançar sua foice poderá colher. Depois acrescenta: "Lembrai-vos da fé, da virtude, do conhecimento, da temperança, da paciência, da bondade fraternal, da piedade, da caridade, da humildade, da diligência." (D. & C. 4:6) ¶
Parece-me que o Senhor estabeleceu aqui os padrões pelos quais devemos operar nesta grande obra do Sacerdócio, e, pensando nos campos mencionados na revelação e tentando aplicá-los ao nosso trabalho cotidiano, penso que eles poderiam ser classificados em cinco divisões. ¶
A Importância da Obra do Sacerdócio Aarônico ¶
Primeiro, temos nosso dever para com nossos rapazes — o Sacerdócio Aarônico. Nossos rapazes hoje estão parados numa encruzilhada. Vocês hão de se lembrar, irmãos que trabalham no Sacerdócio Aarônico, daqueles versos que aparecem em seu Manual (página 55), apontando-nos o rapaz que está parado na encruzilhada, sem saber qual caminho tomar. A estrada se estende para leste e a estrada se estende para oeste, e o rapaz, não sabendo qual estrada é melhor, segue pela estrada que o leva para baixo, e perde a corrida e a coroa do vencedor. E então, diz-nos o verso, na mesma encruzilhada outro rapaz está parado, cheio de esperanças e ambições elevadas, mas há alguém ali para lhe mostrar o caminho, e ele vence a corrida e ganha a coroa do vencedor. ¶
Temos aqui, meus irmãos, sugeridas as nossas responsabilidades nesta grande obra do Sacerdócio Aarônico. Há uma grande inspiração que emana do gabinete do Bispado Presidente para todos os que se interessam pela obra dos rapazes da Igreja, e esse trabalho está sendo acompanhado. Junto-me ao Bispo Richards em elogiar os bispos e seus comitês pelo excelente trabalho que estão realizando. Mas há tanto ainda a ser feito. Nossos rapazes precisam de cada grama de energia que pudermos dar, de todo o interesse e orientação, e se ao menos pudermos estar na encruzilhada com nossos rapazes, dentro de dez anos teremos resolvido o problema do Sacerdócio Aarônico adulto. E assim temos esse campo. ¶
Depois vem o campo do Sacerdócio Aarônico adulto, outro campo que está branco, pronto para a foice, pronto para a ceifa — milhares e milhares de nossos irmãos nesta Igreja, nossa própria carne e sangue, que de alguma forma temos negligenciado. Não somos, é claro, inteiramente responsáveis por seus erros, por suas falhas. Cada homem deve assumir sua própria responsabilidade, disso não há dúvida; mas houve falha em algum ponto do caminho; alguém falhou em sua responsabilidade nesta grande obra, ou não teríamos a alta porcentagem de homens que temos, que estão, para todos os efeitos, fora do âmbito da Igreja. Na maioria das estacas de Sião vocês encontrarão que metade dos homens que possuem o Sacerdócio Aarônico está nessa classe adulta; jovens que foram ordenados diáconos, talvez mestres, e depois se perderam no que diz respeito à influência da Igreja. Hoje, muitos deles se encontram fora da Igreja e de suas atividades. Esse é outro campo que exige nossa atenção, nosso esforço sincero. Apenas o sugiro aqui hoje. Vocês, irmãos das estacas e alas, estão conscientes disso, tenho certeza. ¶
Élderes e Setenta ¶
Outro campo que nos preocupa é o campo dos élderes, e isso também pode se aplicar aos setenta, não tanto aos sumos sacerdotes. Mas em nossos quóruns de élderes constatamos que setenta e cinco por cento ou mais dos membros estão inativos — pensem só nisso, setenta e cinco em cada cem dos homens desta Igreja que deveriam estar ativos são indiferentes às oportunidades e bênçãos que vêm por meio do serviço na Igreja. Esse é outro campo que está maduro, pronto para a foice, e é um desafio para nós, exigindo a atenção de todo homem pensante que se interessa e sente a responsabilidade desta obra. ¶
Nosso Dever para com os Estranhos ¶
Depois chegamos a outro campo, do qual só recentemente nos demos conta. Temos milhares de estranhos vindo para o nosso meio, homens e mulheres que chegam com preconceitos, homens e mulheres do tipo de que o Presidente Taylor falou há poucos minutos. Muitos deles são cultos e refinados, que nunca ouviram falar das virtudes do mormonismo, apenas das coisas negativas. Estão vindo para cá para fazer suas casas. Temos enviado nossos élderes pelo mundo para pregar o evangelho. Agora homens e mulheres estão vindo até aqui, onde podemos pregar-lhes, e recomendo a vocês, meus irmãos das estacas e alas, este campo. Sei que muito interesse está sendo dado a isso, e, como foi sugerido aqui ontem, que oportunidade para nossos missionários, nossos missionários de estaca — a maior oportunidade que já tiveram de trazer a nossos amigos que vêm até aqui a mensagem de paz, para que saibam que os Santos dos Últimos Dias são, de fato, santos do Deus vivo, por causa de seus padrões de vida, por causa de sua devoção, de sua amizade e de sua bondade. ¶
Voltando à declaração registrada pelo Profeta Joseph: "Lembrai-vos da fé, da virtude, do conhecimento, da temperança, da paciência, da bondade fraternal, da piedade, da caridade, da humildade e da diligência." É nesse espírito, meus irmãos, que devemos atacar este problema ao entrarmos neste campo, para que possamos ser, de fato, embaixadores da verdade. Queremos ser amistosos; não queremos fazer com que as pessoas que vêm até aqui sintam que as estamos abordando com espírito de advertência, no espírito de criticar suas falhas e deficiências, mas sim queremos, de maneira positiva, assinalar as grandes virtudes que existem na Igreja de Cristo, e desse modo edificaremos o reino. Não é uma boa política, e nunca foi, dizer coisas indelicadas a respeito de outras fés; não é isso que nos preocupa. O que nos preocupa é a fé de nossa própria Igreja; preocupa-nos o evangelho do Senhor Jesus Cristo, com todas as suas virtudes, com toda a sua força, e, ao seguirmos adiante com bondade, com caridade e com fé, podemos pregar o evangelho nesse espírito, e parece-me que essa é a única maneira pela qual poderemos atacar este problema; assim, recomendo este campo à sua consideração. ¶
E então outra atividade, que posso apenas sugerir, é o campo dos rapazes que estão no serviço militar. Muito bem está sendo feito, temos tido evidências disso, testemunhos do que significa, para esses rapazes, serem contatados pelas pessoas de casa por meio de cartas e de outras formas. Ao visitar as estacas, algumas das estacas mais afastadas, encontrei uma grande quantidade de bem realizado por meio dos serviços do Presidente Brown e de outros, e por meio de cartas vindas das estacas. Em uma das estacas, todo rapaz que entrou no serviço militar recebeu uma carta todo mês sem falta, e muitas das respostas a essas cartas têm sido animadoras e têm demonstrado o fato de que este é um campo que não deve ser negligenciado. ¶
Assim, irmãos, estou apenas sugerindo estes campos à medida que me ocorrem; eles são muito vitais nesta grande obra. ¶
Ilustração Tirada da Vida de Helen Keller ¶
E permitam-me, em conclusão, assinalar outra coisa que parece nos dar força, que a mim me deu força. Há algum tempo, tive o prazer de ler um livro do Doutor William Dana Thompson, que por muitos anos foi diretor do Hospital Roosevelt, em Nova York. Ele já faleceu. Seu livro se intitula Brain and Personality [Cérebro e Personalidade], e nele descreve dois campos dos cientistas: o campo do físico, que ele chama de campo do cérebro, e o campo do espiritual, que ele chama de campo da personalidade. Em um de seus capítulos, ele se refere à vida de Helen Keller. Aqueles que leram sua vida hão de se lembrar de que, quando criança, aos dezenove meses de idade, ela foi acometida de uma doença muito grave que resultou na perda de sua audição, de sua visão e, é claro, ela não conseguia falar. O mundo inteiro, com toda a sua beleza, ficou fechado para ela. Quando tinha sete anos, seu pai foi persuadido por Alexander Bell, o grande magnata do telefone, a levar a criança a um instituto em Boston, instituto que havia adotado o método de leitura labial para surdos. Foi ali que Helen entrou em contato com aquela esplêndida mulher, a Srta. Anne Sullivan, que dali em diante seria a tutora e companheira de Helen. O Doutor Thompson conta como era difícil penetrar na escuridão em que essa criança vivia. Conta como, certo dia, a Srta. Sullivan, levando a menina até a bomba d'água, e colocando um copo na palma de sua mão, bombeou água nele até transbordar, e, à medida que a água escorria pelo braço da criança, e a criança sentia a sensação da água, a Srta. Sullivan fez com que ela colocasse a mão nos lábios da Srta. Sullivan enquanto esta repetia a palavra "água", e assim a criança aprendeu sua primeira palavra. Foi o início da luz penetrando em sua alma, e o Doutor Thompson conta que a menina tinha um cachorrinho de estimação e como, em seu êxtase, ela o leva até o poço e, bombeando água sobre sua patinha, tenta ensiná-lo a palavra "água", mas o cachorrinho apenas abana o rabo. O Doutor Thompson então passa a assinalar que o cachorrinho era um animal que podia ver e ouvir e, de certa forma, falar, e que, por outro lado, ali estava outro ser do reino animal que não podia nem ver nem ouvir e, até então, não podia falar; contudo, um permaneceu apenas um cachorrinho, enquanto a outra estava destinada a se tornar uma grande alma. A razão, diz ele, está no fato de que o cachorrinho era apenas um cão, ao passo que nessa criança havia um espírito imortal — personalidade, como ele o chama — a prole de Deus, o Criador. ¶
Ao ler essa parte interessante da vida de Helen Keller, pensei em quão grandes são os poderes potenciais que temos como homens que possuímos o Sacerdócio do Deus vivo. Não somos apenas Sua criação física, mas temos dentro de nós aquele espírito imortal que veio de Deus, e, com essa consciência de que todos os nossos irmãos são a prole imortal de nosso Pai Celestial, e além disso, sendo dotados de um poder que nos permite "crescer em tudo naquele que é a cabeça, Cristo", quão grande é nossa responsabilidade naquele grande campo que já está branco e pronto para a ceifa! ¶
Que Deus nos ajude a apreciar nossas oportunidades e nossas responsabilidades. Humildemente oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶