Pulpit

Bem-aventurada É a Nação Cujo Deus É o Senhor

Joseph Fielding Smith

Conferência Geral de abril de 1943·Sessão de Domingo de Manhã·1943-04-04

"Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança." (Salmos 33:12) Assim disse o Salmista. Seria bom que o povo da América se lembrasse deste dito.

Nosso País Sob a Orientação Divina

Nenhuma nação foi mais grandemente abençoada do que os Estados Unidos. Vivemos numa terra que foi chamada, por pronunciamento divino, de escolhida acima de todas as outras terras. O Senhor a tem vigiado com zeloso cuidado e ordenou a seu povo que o servisse, para que sua ira não se acendesse contra eles e suas bênçãos não fossem retiradas. Nosso governo veio à existência por orientação divina. A inspiração do Senhor repousou sobre os patriotas que o estabeleceram, e os inspirou através dos dias sombrios de sua luta pela independência e através do período crítico que se seguiu a essa luta, quando redigiram nossa gloriosa Constituição, que garante a todos a verdade evidente por si mesma proclamada na Declaração de Independência: "que todos os homens são criados iguais; que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis; que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade." Isto é, é direito de toda alma ter justiça igual e irrestrita perante a lei, direitos iguais de adorar segundo os ditames da consciência e de trabalhar segundo suas inclinações individuais, independentemente de coerção ou compulsão. Para que isso fosse possível, o Senhor disse: "estabeleci a Constituição deste país, pelas mãos de homens prudentes que levantei para esse propósito, e redimi a terra pelo derramamento de sangue." (D. & C. 101:80)

Os fundadores desta nação eram homens de fé humilde. Muitos deles viram em visão um destino glorioso para nosso governo, desde que continuássemos fielmente no caminho da justiça e do direito, com espíritos contritos e corações humildes, aceitando as verdades divinas que se encontram nas Sagradas Escrituras. O apelo desses homens ecoou pelos anos que passaram, com advertência profética às gerações seguintes, suplicando-lhes que fossem fiéis a todos esses padrões que estão na base de nosso governo. Este país foi fundado como uma nação cristã, com a aceitação de Jesus Cristo como o Redentor do mundo. Foi predito por um profeta antigo que esta terra seria uma terra de liberdade e seria fortificada contra todas as outras nações enquanto seus habitantes servissem a Jesus Cristo; mas, caso se desviassem do Filho de Deus, deixaria de ser uma terra de liberdade e sua ira se acenderia contra eles.

O Perigo de Abandonar a Retidão

É uma triste reflexão, mas uma que não pode ser refutada com sucesso, que temos esquecido a admoestação que nos foi transmitida, assim como Israel esqueceu os mandamentos que teriam abençoado aquela nação na terra de Canaã para sempre, se tivessem sido observados. Ao abandonar essas leis, corremos o risco de punição, assim como o povo de Israel correu o risco de punição porque abandonou o Senhor e deixou de se arrepender e aceitar as advertências de seus profetas.

Desde os dias de nossos pais tem havido um gradual desvio dos sagrados ensinamentos que recebemos. Nos últimos anos, de fato, cumprimos a profecia de Paulo: Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.

Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amantes dos deleites do que amantes de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. (II Timóteo 3:1-5)

Esta é uma acusação muito severa feita por Paulo; mas podemos honestamente negar a acusação? Os Dez Mandamentos são hoje tão certamente a palavra do Senhor quanto o eram quando escritos pelo dedo de Deus no Sinai. Não foram revogados; não foram modificados e são obrigatórios para o povo com toda a força que os acompanhava quando foram proferidos pela primeira vez. Tão certo quanto vivemos, seremos julgados por eles e por todos os outros mandamentos divinos, pois Deus não permitirá que zombemos dele e desprezemos suas leis impunemente.

Não terá o povo desta terra ignorado o primeiro mandamento?

Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. (Mateus 22:37-40)

Em outras palavras, tudo o que foi revelado para a salvação do homem, desde o princípio até nossos próprios dias, está circunscrito, incluído e é parte destas duas grandes leis. Se amarmos o Senhor com todo o coração, com toda a alma e com todo o entendimento, e a nossos próximos como a nós mesmos, então nada mais haverá a desejar. Estaremos então em harmonia com a totalidade da lei sagrada. Se estivéssemos dispostos a viver em harmonia com estes dois grandes mandamentos — e devemos fazê-lo eventualmente, se formos dignos de viver na presença de Deus — então a maldade, o ciúme, a ambição, a cobiça, o derramamento de sangue e todo pecado de toda natureza seriam banidos da terra. Viria então um dia de paz e felicidade eternas. Que dia glorioso seria esse! Fomos dotados de razão suficiente para saber que tal estado é altamente desejável e estabeleceria entre os homens a Paternidade de Deus e a perfeita irmandade do homem.

Mas, como povo, não teremos abandonado estes mandamentos? Podemos dizer que amamos o Senhor com toda a alma? Podemos dizer que somos tão solícitos pelo bem-estar de nosso próximo quanto somos pelo nosso próprio? Ao olharmos ao nosso redor, não podemos deixar de ver o egoísmo, a incredulidade, a blasfêmia e o amor ao mal que se encontram por toda parte entre o povo, tudo isso revelando nossa fraqueza e relutância em obedecer a estas leis. Não somos ignorantes das coisas de Deus, pois elas nos foram dadas a conhecer desde os dias de Adão até agora e estão registradas nas Sagradas Escrituras. Mensageiros da presença de Deus têm sido enviados à terra desde o princípio para estabelecer nos corações dos homens e revelar-lhes tudo o que é essencial para a salvação do homem. Se algum de nós é ignorante dessas coisas, é devido à rebelião voluntária. O próprio Filho de Deus veio à terra para nos mostrar, pelo exemplo, o caminho para a vida eterna, e foi ele mesmo livre de todo pecado. Não podemos nos desculpar pela violação das leis de Deus alegando ignorância. Com todos esses mandamentos diante de nós, somos agentes morais responsáveis perante o Altíssimo e sob obrigação de sermos obedientes. Não obstante, por causa do amor às coisas do mundo e da influência sedutora dos poderes das trevas, nos afastamos do caminho estreito que leva à vida e que nosso Senhor disse que poucos homens encontram, porque amam mais as trevas do que a luz, sendo suas obras más. Temos permitido que as filosofias dos homens, que negam a divindade de Jesus Cristo e zombam das sagradas ordenanças do evangelho, entrem em nossas escolas, em nossos negócios e em nossos lares, enfraquecendo assim nossa fé e nossa reverência por nosso Criador. Temos esquecido que o homem foi criado à imagem de Deus, que as escrituras declaram que somos sua descendência, e que somos ordenados a buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça.

As Leis de Deus Devem Ser Obedecidas

Estamos mantendo nossos corpos limpos e livres de toda influência contaminadora? Somos informados de que nada impuro pode herdar o reino de Deus, que "quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem é sujo, seja sujo ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda." (Ap. 22:11) Assim será no julgamento. Cada homem receberá uma recompensa segundo as suas obras. Infelizmente, há muitas agências egoístas e gananciosas em ação, explorando a credulidade e a ignorância do povo, induzindo-o a se entregar a muitos hábitos maus que enfraquecem e prejudicam sua vitalidade e o afastam da orientação espiritual prometida através de sua humildade e fé.

Temos observado o dia de sábado e o guardado santo? Não é verdade que temos considerado esta lei como obsoleta; algo apropriado, talvez, às necessidades de um povo primitivo que, como crianças pequenas, precisa de cuidados especiais, mas não necessária para nós observarmos neste mundo moderno de sabedoria superior? Não é fato que, por toda a extensão de nossa terra, este sagrado mandamento tem sido tratado, e continua sendo tratado, com absoluto desprezo? Não o transformamos num dia de prazer, de indulgência, e não perdemos todo o amor por sua santidade? Como podemos esperar que o Senhor nos abençoe quando ignoramos tão universalmente esta lei sagrada?

Não teremos esquecido de orar e de agradecer ao Senhor por suas misericórdias e por sua orientação em tudo o que fazemos? Se em algumas ocasiões fomos solicitados a buscar a ajuda do Senhor nesta grande luta que tem inundado o mundo, teremos orado no verdadeiro espírito de oração? De que adianta suplicarmos ao Senhor, se não temos a intenção de guardar seus mandamentos? Tal oração é hipocrisia vazia e um insulto perante o trono da graça. Como ousamos supor uma resposta favorável, se assim for o caso? "Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. O ímpio deixe o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; como também ao nosso Deus, porque grandioso é em perdoar." Assim disse Isaías (Isaías 55:6-7). Mas não estará o Senhor sempre perto quando o suplicamos? Em verdade, não! Ele disse: "Foram vagarosos em atender à voz do Senhor seu Deus; portanto, o Senhor seu Deus é vagaroso em atender às suas orações, em responder-lhes no dia de suas tribulações. No dia de sua paz, trataram com leviandade meus conselhos; mas, no dia de suas tribulações, buscaram-me por necessidade" (D. & C. 101:7-8). Se nos achegarmos a ele, ele se achegará a nós, e não seremos abandonados; mas, se não nos achegarmos a ele, não temos promessa de que nos responderá em nossa rebelião.

Estamos livres de toda cobiça? Nos abstemos de desejar possuir injustamente os bens de outros? Teremos permitido que os desejos da carne e o desejo de possuir aquilo que não nos é devido corrompam nossas almas?

Não teremos passado a considerar os sagrados e santos laços do matrimônio como um mero contrato civil, que pode ser rompido a qualquer momento, por um capricho passageiro de qualquer uma das partes contratantes? Não se tornou o divórcio uma mancha sobre a nação? Como podemos reconciliar nossas práticas e as leis de muitos estados com os mandamentos que nos foram dados por Jesus Cristo em relação ao pacto do matrimônio? O lar é o alicerce da civilização e vital para a segurança de nosso país. Quando o lar é destruído, o alicerce do país corre perigo de destruição. Assim tem sido a história do passado entre as nações. O matrimônio é uma ordenança sagrada, instituída antes que a morte entrasse no mundo, quando o Senhor disse: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja adequada" (Gên. 2:18).

O Sofrimento Vem da Perda das Bênçãos

Por toda a nossa terra vemos a tragédia dos lares desfeitos, pais e mães separados, filhos privados dos afetos naturais. As crianças têm direito às bênçãos que provêm desta sagrada união. Têm direito ao amor e ao cuidado de pais fiéis e à felicidade e devoção que a verdadeira adoração proporciona. Quando essas bênçãos se perdem, toda a comunidade sofre e a integridade do governo se enfraquece. É uma vergonha e uma desonra que tanto mal provenha de lares desfeitos, e isto acontece em grande parte porque esquecemos a Deus e nossas obrigações de servi-lo e honrá-lo. Verdadeiramente, temos muito espaço para o arrependimento e um retorno à simples adoração do verdadeiro cristianismo.

A Necessidade de Religião

O Presidente Calvin Coolidge disse certa vez: Nosso governo repousa sobre a religião. É dessa fonte que derivamos nossa reverência pela verdade e pela justiça, pela igualdade e pela liberalidade e pelos direitos da humanidade. A menos que o povo creia nesses princípios, não pode crer em nosso governo. Existem apenas duas teorias principais de governo no mundo. Uma repousa sobre a retidão e a outra sobre a força. Uma apela para a razão, a outra apela para a espada. Uma se exemplifica numa república, a outra é representada por um despotismo.

O governo de um país nunca se adianta à religião de um país. Não há como substituir a autoridade da lei pela virtude dos homens. É claro que podemos ajudar a conter os viciosos e proporcionar um justo grau de segurança e proteção por meio de legislação e controle policial, mas a verdadeira reforma que a sociedade busca hoje virá como resultado de convicções religiosas, ou não virá de forma alguma. Paz, justiça, caridade — estas não podem ser legisladas. São o resultado da Graça Divina.

É verdade que um país não pode se adiantar à sua religião. Quanto mais elevados nossos ideais, mais nos aproximamos da observância da lei divina, e mais fortes se tornam nossas forças espirituais. Nenhum país cristão pode abandonar a divindade de Jesus Cristo sem sofrer as consequências. Naquelas terras da Europa onde o paganismo suplantou os ideais cristãos, há de vir a decadência e, por fim, se não houver arrependimento, sua antiga grandeza será esquecida. Jesus disse: "E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?" (Lucas 6:46)

Aqui está outro pensamento inspirador. Foi copiado de um painel na parede da capela da Universidade de Stanford.

Não há estreitamento tão mortal quanto o estreitamento do horizonte espiritual do homem. Nenhum mal pior poderia acontecer-lhe em seu curso na terra do que perder de vista o céu; e não é a civilização que pode evitar isso; não é a civilização que pode compensá-lo. Nenhuma ampliação da ciência, nenhuma posse da verdade abstrata, pode indenizar por um enfraquecido domínio sobre a mais elevada e eterna verdade da humanidade.

Que dará o homem em troca de sua alma?

Mas alguém dirá: "Não estamos vivendo na era mais esclarecida que o mundo já viu? Não é verdade que grande progresso está sendo feito para aliviar os fardos e aumentar a felicidade do homem?" Sim, isto é verdade em relação a muitas coisas materiais. Grande progresso tem sido feito na mecânica, na química, na física, na cirurgia e em outras áreas. Os homens construíram grandes telescópios que trouxeram à vista as galáxias ocultas. Descobriram, com o auxílio do microscópio, vastos mundos de microrganismos, alguns dos quais são tão mortais quanto os homens são uns para com os outros. Descobriram meios de controlar doenças; conseguiram, com o auxílio da anestesia, tornar os homens insensíveis à dor, permitindo assim operações delicadas e de grande porte que de outra forma não poderiam ser realizadas. Inventaram máquinas mais sensíveis do que o toque humano, mais penetrantes do que o olho humano. Controlaram os elementos e fizeram máquinas capazes de mover montanhas, e muitas outras coisas fizeram, demasiadas para mencionar. Sim, esta é uma era maravilhosa. Contudo, todas essas descobertas e invenções não aproximaram os homens de Deus!

Nem criaram em seus corações humildade e o espírito de arrependimento, mas, pelo contrário, para sua condenação. Quase tudo, ao que parece, que foi dado para ser uma bênção aos homens, foi transformado em mal. Muitas dessas descobertas e invenções estão agora sendo usadas para trazer destruição à raça humana. Estão sendo usadas na mais cruel, mais desumana e ímpia guerra que este mundo já viu. São empregadas por criminosos para auxiliá-los em seus crimes, por ambiciosos em seus esforços para destruir o arbítrio do homem, e por déspotas que se esforçam para subjugar o mundo a um domínio ímpio e perverso.

A fé não aumentou no mundo, nem a retidão, nem a obediência a Deus. O que o mundo precisa hoje é aproximar-se do Senhor. Precisamos de mais fé humilde e constante em nosso Redentor, mais amor em nossos corações por nosso Pai Eterno e por nossos semelhantes. Sim, este é um bom tempo, um tempo vital — se quisermos sobreviver às forças do mal — para que todo homem abandone os caminhos do pecado e se converta ao Senhor, que perdoará abundantemente. Se assim fizermos, poderemos com confiança invocar o Senhor e ele estará perto. Ele nos ajudará a lutar nossas batalhas para purificar o mundo do despotismo e torná-lo uma morada digna para todos os que amam os princípios da verdade e da retidão.

"Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor." (Salmos 33:12) Façamos de nossa nação tudo o que ela foi destinada a ser, e isto se realizará se nos humilharmos e aprendermos a ser obedientes à lei divina.

Que a paz e as bênçãos do Senhor sejam nossas, humildemente oro, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJoseph Fielding Smith, “Bem-aventurada É a Nação Cujo Deus É o Senhor”, Conferência Geral de abril de 1943, Sessão de Domingo de Manhã (1943-04-04). Pulpit Vault, 1943-04-smith-blessed-is-the-nation-whose-god-is-the-lord. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).