Os Convênios do Sacerdócio
George F. Richards
Sentado aqui na tribuna, percebendo que talvez fosse chamado a falar, perguntei-me o que poderia dizer que fosse pertinente a esta ocasião, algo em que todos pudéssemos nos interessar e talvez nos beneficiar. Cheguei a esta conclusão, irmãos: que cada um de nós é candidato às bênçãos da vida eterna e da exaltação, e que nada menos que uma plenitude de glória nos satisfará depois desta vida. Isso sugere que temos algo a fazer enquanto vivemos aqui na terra e não devemos esquecer o propósito de estarmos aqui — o objetivo de nossa existência e aquilo que desejamos alcançar. E, se alcançarmos a vida eterna, irmãos do sacerdócio, será por meio da Igreja e do evangelho de Jesus Cristo, com o Santo Sacerdócio. ¶
O Salvador disse a Nicodemos, um dos principais entre os judeus: "Aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus." Estamos todos novamente em terreno comum, pois todos nós nascemos de novo da água e do espírito e entramos no reino de Deus na terra, e assim recebemos nossa condição de membros. Onde recebemos bênçãos dessa natureza da parte do Senhor, as ordenanças de salvação do evangelho, sempre há um convênio de fidelidade a elas associado. E assim poderíamos perguntar qual é o convênio que fizemos ao recebermos o evangelho. Posso dizer, quanto a mim, que, ao receber o batismo, fui colocado sob um convênio de que, dali por diante, guardaria os mandamentos de Deus tão rapidamente quanto me fossem dados a conhecer. Isso foi feito com a mão erguida, diante de Deus, de anjos e de testemunhas presentes. ¶
Não sei em que medida essa prática vigorou na Igreja, nem por quanto tempo vigorou naquela ala em particular onde nasci e onde fui batizado, mas cheguei a esta conclusão, irmãos: que toda pessoa que foi batizada nesta Igreja recebeu este convênio, ou fez este convênio, ainda que não verbalmente, pois o próprio fato de aceitar o evangelho por meio do batismo e da confirmação já constitui esse convênio. Essa responsabilidade recai sobre cada membro da Igreja. Ouvimos as pessoas, às vezes, em oração, pedirem ao Senhor que nos ajude a guardar os convênios que fizemos nas águas do batismo. Não conheço nenhum outro convênio que tenhamos feito ao entrarmos na Igreja pelo batismo, e isso é muito importante, irmãos. O evangelho, com nossa condição de membros da Igreja e do reino de Deus aqui na terra, é uma das maiores bênçãos que nosso Pai Celestial tem a dar, e por isso um solene convênio de fidelidade necessariamente deveria ser exigido. ¶
Outra coisa: todos nós possuímos o Sacerdócio de Melquisedeque. Nisso também estamos em terreno comum; e, ao recebermos este sacerdócio, segundo o mesmo princípio, fizemos um solene juramento e convênio com Deus, nosso Pai, de que magnificaríamos esse sacerdócio, e Ele conosco, de que tudo o que Ele possui nos seria dado. A maioria destes irmãos ocupa cargos que derivam do sacerdócio, e, para magnificarmos o sacerdócio, teremos de magnificar esses cargos que ocupamos. ¶
Tivemos o privilégio, e muitos de nós aceitaram o privilégio, de ir ao templo e receber as santas investiduras, e ali nos é dito que elas se destinam a nos preparar para entrarmos no reino celestial e ali recebermos exaltação. Mas precisamos fazer convênios de fidelidade; e todo homem que deseja ser fiel e pretende ser fiel em guardar os mandamentos de Deus não terá medo de fazer convênios de fidelidade. Ora, saiba-se que um homem não pode ir ao templo para receber essas investiduras enquanto não tiver recebido o Sacerdócio de Melquisedeque, e isso faz do recebimento do Sacerdócio de Melquisedeque uma condição de salvação para todo membro do sexo masculino da Igreja. Tivemos o privilégio, muitos de nós, de ir ao templo, tendo primeiro recebido o Sacerdócio de Melquisedeque, e de receber ali certas ordenanças de selamento, entrando no novo e eterno convênio do casamento, e é nesse convênio que são dadas as maiores bênçãos que nosso Pai tem para nos dar. Aqueles que alcançaram essas bênçãos mais elevadas, isto é, marido e mulher selados para o tempo e para a eternidade, hão de ter descendência, um acréscimo eterno. É impensável que essa condição pudesse ser obtida fora das relações matrimoniais que o Senhor ordenou. O sacerdócio é necessário para se receberem essas bênçãos. Devemos, então, irmãos, apreciar este sacerdócio que Deus nos permitiu possuir, e guardar todos os convênios que fizemos com o Senhor, e estar preparados para aquilo que esperamos receber quando tivermos terminado este breve período sobre esta terra. Que Deus nos ajude nesse propósito, oro, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶