Ensinando o Certo e o Errado
Antoine R. Ivins
Do Primeiro Conselho dos Setenta ¶
Meus amados irmãos e irmãs: é um prazer para mim estar diante de vocês e prestar meu testemunho nesta Conferência Geral. Tenho me alegrado com o espírito da Conferência até aqui e com as mensagens que temos ouvido. Estou mais do que satisfeito por nosso amado Presidente poder estar conosco e por Deus lhe ter concedido a medida de saúde de que desfruta. Quero assegurar-lhe que minha oração diária por ele é que Deus prolongue sua vida enquanto ela lhe for agradável e estiver dentro dos propósitos de Deus que ele permaneça à frente da Igreja. Apreciei a mensagem de cada um de seus Conselheiros, e recomendo a todos nós que levemos essas mensagens em nosso coração e nos esforcemos por viver seu significado e propósito. ¶
Fiquei muito satisfeito com o que o Presidente McKay nos deu esta manhã, com a mensagem de ânimo e conforto. Ele indicou que, embora devamos ser animados, devemos reconhecer a presença de certas práticas más em nosso meio. Algumas dessas práticas nos vieram do passado, e cem anos de nossa existência não bastaram para erradicá-las de nosso meio. ¶
A Crença dos Santos dos Últimos Dias a Respeito de Deus
Em toda a nossa história, reivindicamos o direito de adorar a Deus segundo os ditames de nossa consciência, e acrescentamos que estendemos a outras pessoas o mesmo privilégio. Fizemos isso; oferecemos, em muitas ocasiões, as instalações da Igreja para a adoração de outras denominações. Somos um povo tolerante, mas desejo sugerir esta manhã que, na ideia de tolerância que fomentamos, jamais devemos pensar em adotar as práticas de outros povos que não estejam de acordo com nossos padrões e crenças. ¶
Jamais podemos, por um só momento, deixar de reconhecer o fato de que adoramos a Deus de maneira diferente da maioria das pessoas; que o tipo de Deus a que se acabou de fazer referência não é aquele que adoramos. Devemos sempre ensinar a nossos filhos que a revelação a Joseph Smith sobre a identidade e a personalidade de Deus e de Jesus Cristo foi real, e que, como Santos dos Últimos Dias, devemos aceitá-la como tal. Devemos sempre lhes ensinar a necessidade de viver os padrões da Igreja -- honestidade, retidão, integridade e virtudes de muitos tipos, e castidade. ¶
A Diferença Entre o Certo e o Errado Deve Ser Ensinada
Muitas pessoas creem que, natural e inerentemente, sabemos a diferença entre o certo e o errado. Não sou psicólogo, mas cresci com a crença de que temos uma consciência dada por Deus que nos ensina a fazer o que sabemos ser certo e nos impede de fazer o que sabemos ser errado; mas sou um firme crente no fato de que nossa ideia do certo e do errado nasceu das revelações de Deus à humanidade, e que ela é estabelecida na mente de nossos filhos pelos ensinamentos de suas mães e de seus pais. Se, por nossa negligência, eles deixarem de aprender que certas coisas são erradas e as fizerem, então a responsabilidade recai sobre seus pais e mães. É nosso dever, como pais e mães, ensinar-lhes essas coisas com franqueza. É nosso dever, como líderes nos quóruns do Sacerdócio, discutir essas coisas, chegar a um entendimento mútuo sobre o que é certo e o que é errado, e aproveitar as oportunidades públicas para ensinar nossos filhos, de modo que nenhuma criança que cresça em nosso meio possa dizer que nunca foi ensinada. ¶
Reitero o que já disse aqui certa vez: quando uma pessoa pode procurar um dirigente da Igreja e dizer: "Ninguém jamais me ensinou que certo pecado grave que condenamos é um pecado," alguém está em falta, pois todo homem e toda mulher em nossas comunidades deveria saber que o adultério, a fornicação e práticas semelhantes são pecaminosos aos olhos de Deus e aos olhos desta comunidade. E, em toda a nossa liberalidade e em toda a concessão que possamos fazer à crença de outras pessoas, permitindo-lhes adorar como, quando, onde e o que quiserem, jamais podemos recuar de nossos padrões e adotar os delas, e ao mesmo tempo permanecer fiéis à confiança que Deus depositou em nós, e fiéis à herança que recebemos de nossos pais e de nossas mães. ¶
Um Testemunho do Evangelho Acrescenta Força Contra a Tentação
Creio que é uma coisa afortunada e uma verdade que somos superiores, em nossa vida particular, a nossos antepassados, e creio que essa superioridade nasceu do testemunho que nos foi transmitido por nossos pais, e por meio da inspiração de Deus, nosso Pai Celestial, de que esta obra é verdadeira -- o que nos deu uma devoção que outras pessoas não têm pelos padrões de retidão e integridade, de verdade e honestidade. ¶
Creio que deveríamos enfatizá-los mais; creio que deveríamos dar ênfase especial à necessidade de honestidade em nossos tratos uns com os outros, pois o amor de um homem por seus semelhantes não pode ser cultivado quando ele tira vantagem deles em relações comerciais ou contatos sociais. ¶
Oro para que Deus nos dê Seu Espírito Santo, para que possamos viver esses padrões, para que possamos guardá-los caros em nosso coração, para que possamos ter a graça e o dom de nos dirigir a nossos jovens com confiança. Quando um rapaz vem a mim e diz: "Fiz certa coisa, mas não pude contá-la a meu pai; não pude contá-la a meu Bispo," sinto que se ergueu entre essas pessoas e ele uma barreira que deveria ser removida, que jamais deveria ter existido. E quando outro rapaz vem a mim e diz: "Parei com essa prática porque meu Bispo veio a mim e pôs o braço em volta de mim; ele é meu amigo," sei que, nesse caso ao menos, não houve barreira, e o Espírito de Deus teve plena ação entre os dois, e esse rapaz está bem encaminhado. Esse é o meu sentimento, irmãos e irmãs; creio nisso sincera e honestamente. Creio que deveríamos ensinar essas coisas com mais cuidado, com mais intimidade em nossos lares, em nossos quóruns e em nossos contatos sociais uns com os outros. Posso até ser o guardião do filho de meu vizinho nesse sentido, e, se vejo uma oportunidade de ajudar, tenho a obrigação e o dever de fazê-lo. ¶
Que Deus nos ajude a cumprir plena e completamente essas responsabilidades. ¶