Pulpit

O Bem e o Mal Não Podem Ser Feitos Sob Compulsão

Rulon S. Wells

Conferência Geral de Abril de 1941·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1941-04-05

Há três razões registradas nas escrituras pelas quais Satanás foi expulso do Céu, e com ele aqueles que se rebelaram contra Deus e seguiram Satanás. Essas três razões foram, tanto quanto me lembro: primeiro, que estavam em rebelião contra Deus; segundo, que procuraram arrogar para si o crédito, a honra e a glória que pertencem somente a Deus; e, terceiro, que Satanás procurou destruir o livre-arbítrio do homem, que Deus deu a todo homem, como já ouvimos aqui dos irmãos que me precederam.

O Bem e o Mal Não Podem Ser Feitos Sob Compulsão

É impossível para qualquer homem cometer pecado sob compulsão, e é impossível para ele fazer o bem sob compulsão; isto é, quero dizer o seguinte: não há mal em fazer o errado sob compulsão, nem há virtude alguma em fazer o bem sob compulsão. Somos responsáveis apenas por aquilo que fazemos voluntariamente, no exercício do nosso livre-arbítrio. Deus nos responsabilizará por tudo o que fazemos por vontade própria, e Ele nos dotou de certos dons que nos capacitam a distinguir entre o bem e o mal.

Vocês encontrarão registrado no sétimo capítulo do livro de Morôni, onde nos é dito, no décimo sexto versículo, que "o Espírito de Cristo é concedido a todos os homens, para que eles possam distinguir o bem do mal", e desde os dias do Jardim do Éden e da participação do fruto proibido por nossos primeiros pais, os olhos da humanidade têm sido abertos para um conhecimento

do bem e do mal. O Senhor nos deu esse conhecimento ao conceder a todos aquele espírito de Cristo que é derramado sobre todos os homens, e sabemos quando fazemos o errado. Nenhum homem jamais poderá dizer que praticou algo mau porque foi obrigado a fazê-lo, pois, se foi obrigado a fazê-lo, não haveria mal algum nisso; mas, se o faz com o consentimento de sua própria mente, então, e somente então, isso pode ser chamado de "cometer pecado". O mesmo se aplica ao fazer o bem. Só são boas obras quando são feitas voluntariamente. Seremos julgados de acordo com a luz e o conhecimento que Deus nos deu.

Outra grande bênção que Deus nos deu para nos guiar é que todo aquele que recebeu a verdade e entrou em convênio com o Senhor por meio das santas águas do batismo recebeu o dom do Espírito Santo, que é o Espírito da Verdade, que nos conduzirá a toda a verdade, para que nossas mentes sejam iluminadas por ele e nosso entendimento seja ampliado.

A compulsão não pertence à teoria de governo no Reino de Deus. Há muitos governos feitos pelo homem que procuram controlar as ações dos outros, até mesmo em sua religião e em tudo o mais. Tudo isso é contrário à mente e à vontade de Deus. Ele deseja que todo homem seja livre "para escolher a sua vida, e o que ele será, pois esta verdade eterna nos foi dada, de que Deus não forçará ninguém ao céu."

Assim, vocês veem, meus irmãos e irmãs, que o Senhor não nos deixou sem orientação divina. Temos uma batalha a travar; Satanás foi expulso do Céu porque se rebelou contra Deus e procurou desviar, e de fato desviou, muitos dos filhos de Deus, nada menos que um terço das hostes do Céu.

O PLANO DO SALVADOR PARA A HUMANIDADE

Em resposta à pergunta que Deus propôs: "A quem enviarei?" (referente ao envio, a este mundo, de alguém para realizar os propósitos do Pai Todo-Poderoso), nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, conhecido pelo antigo Israel como Jeová, disse:

Eis-me aqui, envia-me.... Pai, faça-se a tua vontade, e seja tua a glória para sempre.

Que diferença em relação à atitude de Lúcifer, o filho da manhã, também chamado Satanás, e por vezes chamado o diabo, mais frequentemente do que não! Que diferença de atitude e de espírito! Disse Lúcifer:

Eis-me aqui, envia-me; serei teu filho e redimirei a humanidade toda, de modo que nenhuma alma se perca; e sem dúvida eu o farei; portanto, dá-me a tua honra.

Ele era ambicioso, queria arrogar para si toda a honra e a glória, e queria usar a compulsão, salvando-nos quer quiséssemos ser salvos, quer não. A força jamais converterá a mente humana; isso só pode ser feito no exercício do nosso livre-arbítrio, e não de outra forma.

Ao longo de todos os ensinamentos do nosso Salvador, somos ensinados a maravilhosa lição de fazer a vontade de Deus. O Senhor nos ensinou a orar ao nosso Pai Celestial: "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." Quando esse dia chegar, a vontade de Deus será feita, mas

não sob compulsão alguma. Se algum dia chegarmos ao Céu, descobriremos que nos adaptamos tanto à vontade de Deus que nossas mentes estarão iluminadas, teremos o Espírito de Deus, que nos revela as coisas de Deus, e conheceremos a vontade de Deus e agiremos de acordo com ela, ou jamais chegaremos lá.

É Exigida Obediência à Vontade de Deus em Todas as Coisas

E assim eu digo isto: que é a vontade de Deus que devemos obedecer, e temos os meios de averiguá-la e aprendê-la sem que nenhuma influência indevida ou coerção seja usada conosco. "Seja feita a tua vontade." A ordem e a vontade de Deus -- há ordem no Reino de Deus; há ordem no Céu; em todo este universo há ordem; a lei prevalece em todo o universo. Há um equilíbrio em todo este universo, que é mantido e sustentado pela vontade e pelo poder de Deus, por Suas leis, e às vezes nos referimos a elas como as leis da natureza. Que uma dessas leis seja suspensa, e haverá confusão e desastre. Ou haveria colisões violentas entre os corpos celestes, ou os membros deste universo sideral sairiam voando para um espaço sem fim, para jamais retornar. Há ordem prevalecendo em toda parte. Creio que foi Aristóteles, ou um dos grandes filósofos, quem fez a observação de que a ordem era a primeira lei do céu. Ouvi isso ser contestado pela primeira vez pelo Presidente George Q. Cannon. Não sei se a ideia foi originalmente dele ou não, mas foi isto o que ele disse: "Não, a ordem não é a primeira lei do Céu; a obediência é a primeira lei do Céu, e a ordem é o resultado." É isso que me agrada, que coincide com o meu ponto de vista. A obediência, pois, da qual já ouvimos falar tanto, é o que nos colocará em ordem e colocará o mundo em ordem. O universo presta obediência à vontade de Deus, obediência à lei do Céu, obediência aos poderes divinos que presidem sobre o universo. Essa é a maneira de nos unificarmos e de encontrarmos acesso a Deus. Não haverá compulsão alguma nisso.

A ordem tal como a encontramos no universo prevalece no Céu, e, portanto, devemos procurar conhecer quais são a ordem e a vontade de Deus em todas as coisas relativas às nossas vidas aqui na terra, e teremos o Espírito do Senhor para nos guiar, e as revelações do Senhor que foram dadas aos homens, para que possamos distinguir o bem do mal. Esse Espírito permeia o universo, e foi por meio dele que o universo foi feito -- os Céus e a terra.

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

O mesmo estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Nele estava a vida; e a vida era a luz dos homens. (João 1:1-4.)

Essa é a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem ao mundo, a luz de Cristo. "Andemos na luz, como Ele está na luz," e nos é dito que assim "teremos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo nos purificará de todo pecado."

O Convênio Feito por Deus

O evangelho proporciona o plano de vida e salvação a todo aquele que lhe prestar obediência.

O Senhor faz convênio com Seu povo escolhido. O povo de Deus sempre foi chamado um povo de convênio. Entramos pela primeira vez em convênio com Deus naquele dia primevo, antes de o mundo ser feito, quando Deus reuniu perante Si Seus filhos e Suas filhas e lhes revelou o plano de vida e salvação -- o glorioso plano que foi revelado desde o Céu, conhecido como o novo e eterno convênio, o que significa a mesma coisa que o evangelho de Jesus Cristo em sua plenitude.

Sob os termos deste convênio, Deus exige que guardemos os Seus mandamentos. Como está estabelecido no livro de Abraão, traduzido por Joseph Smith, o Profeta, pelo dom e poder de Deus: "Desceremos e faremos uma terra onde estes possam habitar," (assim diz o Senhor, referindo-Se a Seus filhos ali reunidos) "E assim os provaremos, para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar. Os que guardarem seu primeiro estado receberão um acréscimo * * * * * e os que guardarem seu segundo estado terão glória acrescentada sobre sua cabeça para todo o sempre."

Estamos agora em nosso segundo estado, e se fizermos "todas as coisas" que o Senhor nosso Deus nos ordenar, então nos é prometido, no convênio, que teremos glória acrescentada sobre nossas cabeças para todo o sempre -- uma glória sem fim, que continuará a vir a nós através de todas as eternidades que estão diante de nós; uma glória e vida sem fim na presença de Deus e de Seus filhos e Suas filhas, sendo herdeiros de Deus, e coerdeiros com Jesus Cristo, e com Ele herdando todas as coisas que o Pai possui. Em outras palavras, seremos glorificados e entraremos no reino celestial de Deus, e obteremos aquele dom mais elevado e maior de Deus para os homens -- a vida eterna em Seu reino celestial -- ou, como o Élder Joseph Fielding Smith nos disse, "vidas eternas."

Quando falamos do novo e eterno convênio, nossa mente se volta imediatamente para o convênio do matrimônio. Essa é, de fato, uma parte muito importante dele, mas é apenas uma parte. A plenitude do evangelho de Jesus Cristo é o convênio eterno (Vide D&C 66:2.) Ambos significam uma única e mesma coisa. A obediência, então, ao evangelho de Jesus Cristo em sua plenitude e pureza primitiva, tal como restaurado à terra nestes últimos dias por meio do profeta Joseph Smith, é a nossa parte no convênio eterno, e se prestarmos essa obediência fazendo todas as coisas que o Senhor, nosso Deus, nos ordenou, então Ele está obrigado, sob os termos do convênio, a cumprir a Sua parte, que prometeu cumprir, que é acrescentar "glória sobre nossas cabeças para todo o sempre." Isso simplesmente significa uma glória sem fim, que será acrescentada sobre nossas cabeças através de todas as eternidades que ainda estão por vir. Essa é a salvação, tal como contemplada sob o novo e eterno convênio, pela qual nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo fez o sacrifício supremo, redimindo-nos da morte e da sepultura (tanto a morte natural do corpo quanto a morte espiritual, que foi o banimento da presença de Deus). Ficará, portanto, evidente que, quando a salvação vier, será por meio Dele, e somente Dele.

Não podemos nos salvar, pois "o maior dom de Deus ao homem é o dom da salvação," "porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus."

A PARTE DO SALVADOR NO PLANO DE SALVAÇÃO

Permitam-me novamente enfatizar que precisamos de um Salvador. Após a transgressão no Jardim do Éden, o Senhor disse:

Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal; e agora, para que não estenda a sua mão e tome também da árvore da vida, e coma e viva para sempre (em seus pecados), portanto, eu, o Senhor Deus, o enviarei para fora do Jardim do Éden.

E ele foi literalmente expulso do Jardim do Éden. Mas Deus não o abandonou; ainda assim, ele foi banido da presença de Deus, condição que ainda prevalece. Já não vemos a face de Deus; não falamos com Ele face a face, como fizeram Moisés e outros, inclusive o profeta Joseph Smith, mas somos banidos, e isso recaiu sobre Adão e toda a sua posteridade. Essa é, então, uma fase da salvação, superar isso. A outra fase é a morte natural do corpo -- "no dia em que dela comeres, certamente morrerás," e, quando esse dia chegar e alcançarmos a idade estabelecida para o homem, que às vezes é chamada de setenta anos -- podendo chegar a cem ou até além disso, eu mesmo já ultrapassei em quase dezessete anos essa idade estabelecida -- chegará o momento em que deixaremos esta vida mortal, e nossos corpos serão depositados na sepultura silenciosa, para ali se misturarem com a mãe terra e retornarem a essa mãe terra de onde viemos, mas nossos espíritos voltarão a Deus, em Seu paraíso, se formos fiéis, ou, de qualquer forma, ao mundo espiritual, para aguardar aquele dia glorioso em que a trombeta soará e os mortos ressuscitarão e serão revestidos, se tiverem sido fiéis, de imortalidade e vida eterna, mas, de qualquer maneira, de imortalidade, no tempo devido do Senhor.

Assim, vocês não veem que somos inteira e totalmente dependentes do Senhor para nos salvar dessas condições; elas estão inteiramente além do poder de qualquer homem? Qual de nós pode tirar seu próprio corpo da sepultura? Como podemos ser trazidos de volta a Deus? Como podem ser essas coisas? O Salvador responde a isso em termos muito concisos. Disse Ele: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." Tampouco há outro nome dado sob o Céu, senão o nome de Jesus Cristo, pelo qual o homem deva ser salvo.

Que o Senhor nos ajude, portanto, a buscar os conselhos que vêm de Deus e a sermos guiados pelo Espírito Santo, para entrarmos em convênio com o Senhor e nos mantermos puros, limpos e sem mácula dos pecados do mundo. Tão certamente quanto o dia segue a noite, seremos trazidos de volta a Deus para herdar todas essas maravilhosas bênçãos que Ele prometeu àqueles que O amam e guardam os Seus mandamentos. Que Deus assim o conceda, eu rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoRulon S. Wells, “O Bem e o Mal Não Podem Ser Feitos Sob Compulsão”, Conferência Geral de Abril de 1941, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1941-04-05). Pulpit Vault, 1941-04-rulon-s-wells-good-and-evil-cannot-be-done-under-compulsion. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).