Pulpit

O Plano de Salvação

Rulon S. Wells

Conferência Geral de Outubro de 1940·Sessão de Sábado de Manhã·1940-10-05

Do Primeiro Conselho dos Setenta

A característica marcante, ou a diferença, entre a religião dos Santos dos Últimos Dias e a das várias igrejas do mundo é o fato de que Deus dotou esta obra de poder do alto. Em outras palavras, a autoridade divina é o traço distintivo entre a Igreja de Deus e as igrejas dos homens, que foram estabelecidas por um grande número de várias seitas do assim chamado cristianismo.

O Plano de Salvação, de Origem Divina

O princípio da autoridade foi manifestado logo no início da promulgação da obra de Deus, e isso ocorreu naquele dia primevo, antes de a terra ser criada, quando Deus reunira Seus filhos e Suas filhas para ouvir as boas novas de grande alegria.

É apenas uma conclusão natural e óbvia, que todos deveriam admitir, que, se existe um plano de vida e salvação, ele deve ser de origem divina, pois somente Deus pode salvar Seus filhos. E devemos reconhecer o fato de que estamos aqui num estado de mortalidade; que a morte entrou no mundo como resultado da desobediência no Jardim do Éden, sob circunstâncias muito peculiares; e o propósito disso é que a humanidade pudesse receber o privilégio de escolher entre o bem e o mal, e passar por uma prova ou um teste, e foi para esse propósito que Deus criou esta terra e colocou Seus filhos sobre ela, para que pudéssemos receber aquela educação, aquele conhecimento e entendimento, aquela educação referente a nosso bem-estar espiritual e temporal, para que pudéssemos ser capazes de combater os poderes do mal.

Como poderíamos jamais ser salvos, como poderíamos jamais ser exaltados, a menos que tivéssemos o benefício desta experiência de vida terrena, e estivéssemos presentes e prontos para aprender na grande escola de Deus, que Ele estabeleceu para a educação, o benefício e a bênção de Seus filhos? Deve-se então admitir que o plano de vida e salvação seria um plano concebido pelo próprio Senhor, e não pode ser de nenhuma invenção humana. Sendo esse o caso, devemos recorrer a Ele em busca daquele plano de toda a sabedoria e daquele sistema perfeito pelo qual possamos estar preparados para receber o que Deus pretende que recebamos.

Os Três Estados do Homem

Há três estados do homem: o primeiro estado foi quando habitávamos com Deus como Seus filhos espirituais, em Sua santa morada, antes de o mundo ser feito, como lemos em nosso hino favorito:

Ó meu Pai, Tu que habitas

No lugar alto e glorioso, Quando recuperarei Tua presença

E de novo contemplarei Tua face?

Em Tua santa morada

Residiu certa vez meu espírito? Em minha primeva infância

Fui eu nutrido perto de Teu lado?

Isso conta, nesses belos versos de Eliza R. Snow, o que ocorreu antes de o mundo ser feito, ao qual o Senhor se referiu quando disse a Seu servo Jó:

Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens entendimento. * * *

Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?

Essa é uma pergunta que implica muita coisa. Ela contempla e sugere que houve um tempo e um lugar em que Deus reunira Seus filhos para ouvir uma proclamação. Qual foi a ocasião? Somos informados ali de que foi um momento de regozijo, e o Senhor reunira Seus filhos, e também Suas filhas, não duvido, para ouvir as boas novas de grande alegria. Foi a proclamação do plano de Deus para a salvação de Seus filhos, para a educação e o aperfeiçoamento dos filhos de Deus. Envolveu a criação desta terra, e envolveu o conhecimento do bem e do mal, para que pudéssemos ser provados, e foi para esse propósito que ela foi criada, para que pudéssemos, em nosso segundo estado, mediante a obediência a Seu plano, qualificar-nos para o terceiro estado, a saber: a vida eterna no Reino de Deus.

Convênios Feitos pelo Senhor

Lemos, ao longo de toda a escritura, tanto na antiga quanto na moderna, que o Senhor fez um convênio com Seu povo. Ele sempre chamou aqueles a quem concedeu uma dispensação de Sua providência de "Seu povo do convênio". Qual era esse convênio? Ouvimos muitas pessoas falarem sobre o novo e eterno convênio, mesmo entre nosso próprio povo, e às vezes tiramos apressadamente a conclusão de que ele se refere exclusivamente ao convênio do casamento. O convênio do casamento é, na verdade, uma parte muito grande e importante desse convênio eterno, mas é apenas uma parte.

O Senhor deu a conhecer ao Profeta Joseph Smith, como se encontra registrado na Seção 66, parágrafo 2, da Doutrina e Convênios, que o "novo e eterno convênio" não é nada mais nem nada menos do que o Evangelho do Senhor Jesus Cristo em sua plenitude, tal como foi revelado e proclamado naquele dia primevo, quando os grandes e nobres, ou as "estrelas da alva", cantaram juntas e todos os filhos de Deus jubilaram — o dia em que o Senhor lhes deu a conhecer os termos de Seu convênio eterno, estabelecendo o que Ele espera que façamos, e também informando-nos o que Ele fará se cumprirmos.

O que é um convênio? Nossos dicionários padrão definem convênio como "um acordo firmado entre duas ou mais pessoas ou partes". Foi exatamente um acordo desse tipo que o Senhor promulgou e anunciou a Seus filhos espirituais, o que encheu seus corações de alegria e regozijo, e ante o qual as estrelas da alva, os grandes e nobres, cantaram juntas, e todos os filhos e filhas de Deus fizeram ressoar os céus com gritos de alegria e regozijo por essas boas novas.

É esse o único e exclusivo caminho que o Senhor já revelou, o único e exclusivo plano, o único e exclusivo Evangelho que foi promulgado naquele

dia remoto. É aquilo que foi dado aos filhos dos homens como o poder de Deus para a salvação. Foi primeiro dado a nosso pai Adão, após sua expulsão do Jardim do Éden. O Senhor lhe revelou esse convênio, e explicou precisamente o que era, e declarou que era o plano de salvação. Foi continuado com Enoque, e também restabelecido com Noé e seus filhos após o dilúvio.

Foi novamente dado a Abraão, e com ele as promessas do convênio eterno foram feitas com a frequência declarada na Bíblia, e mais tarde foi estabelecido com Moisés, após a libertação dos filhos de Israel de sua longa escravidão na terra do Egito, mas sob a "lei menor", a lei dos mandamentos carnais, não estando os rebeldes e obstinados israelitas preparados para a lei maior, mas recebendo a lei menor como um aio para conduzi-los a Cristo; e, quando nosso Senhor veio no meridiano do tempo, Ele novamente estabeleceu Sua Igreja e o mesmo convênio eterno, mas agora sob a lei maior.

À luz dessas várias dispensações, podemos facilmente perceber o significado das palavras de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que agora cito:

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das suas asas, e não quiseste? (Lucas 13:34.)

Durante cada uma dessas dispensações, muitas gerações foram trazidas para o rebanho, entrando no convênio por meio das águas sagradas do batismo, e foram para sua recompensa, mas que se recorde que o Diabo e seus anjos também vieram e conduziram novamente os filhos dos homens às trevas e ao erro, e sobreveio uma apostasia geral da Verdade, e sempre pela mesma razão descrita pelo Profeta Isaías quando disse: "porque trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno", e assim a terra tem sido contaminada. (Isaías 24:5).

ALGUMAS OBRAS DO SENHOR MOSTRADAS A ABRAÃO

Acabei de afirmar que foi com Abraão que as promessas foram feitas; permiti-me agora acrescentar que é dos escritos de Abraão e dos de Moisés que aprendemos os pormenores a respeito do convênio eterno, pois esses escritos estão contidos na Pérola de Grande Valor, da qual agora cito:

Ora, o Senhor mostrara a mim, Abraão, as inteligências que foram organizadas antes de o mundo existir; e entre todas essas havia muitas das nobres e grandes;

E Deus viu que essas almas eram boas; e ele estava no meio delas e disse: A estes farei meus governantes; pois ele se encontrava entre aqueles que eram espíritos, e viu que eles eram bons; e disse-me: Abraão, tu és um deles; foste escolhido antes de nasceres.

E estava entre eles um que era semelhante a Deus; e ele disse aos que se achavam com ele: Desceremos, pois há espaço lá,

e tomaremos destes materiais, e faremos uma terra onde estes possam habitar;

E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar.

Essa é a nossa parte no convênio: fazer todas as coisas que o Senhor nosso Deus nos ordenar. Todas as coisas que o Senhor nosso Deus nos ordenar estão incorporadas no Evangelho do Senhor Jesus Cristo em sua plenitude, pois o Senhor disse que "nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus".

Então vem a parte do Senhor:

E os que guardarem seu primeiro estado receberão um acréscimo.

Linguagem muito significativa. O que isso significa? Significa simplesmente isto: que a estes nossos espíritos imortais serão acrescentados estes corpos de carne e ossos.

E os que guardarem seu segundo estado — [isto é, nosso estado atual, aqui, depois de recebermos estes corpos de carne e osso] — os que guardarem seu segundo estado terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre. (Pérola de Grande Valor. Abraão 3:22-26)

Que promessa gloriosa! Uma glória sem fim, que há de ser acrescentada sobre a cabeça daqueles que guardarem seu segundo estado, fazendo o que o Senhor lhes ordena, obedecendo a Seu glorioso Evangelho. Esse é o único plano. É o plano de Deus, e tem sido dado aos habitantes da terra nas várias dispensações de Sua providência.

O Convênio Restabelecido pelo Salvador

Quando o Senhor nosso Salvador veio e habitou sobre a terra, o convênio eterno foi restabelecido entre os filhos dos homens, sob a lei maior. Antes da vinda de Cristo, a lei menor era administrada, ostensivamente, mas de modo muito imperfeito, pelas várias seitas daquele tempo. Os filhos de Israel, recém-saídos de sua escravidão na terra do Egito, onde haviam absorvido muito da idolatria daquela nação, não estavam preparados para a lei maior, e o Senhor lhes deu a lei menor como um aio para conduzi-los a Cristo.

Mas, quando o Salvador veio e ministrou entre os homens, Ele estabeleceu Sua Igreja e Reino novamente, sob a lei maior. Na dispensação anterior, era a lei dos mandamentos carnais, não estando eles preparados para essa lei maior. Moisés queixava-se ao Senhor de que era tardo de fala e se sentia incompetente para conduzir o povo, e pediu ao Senhor que lhe desse alguém em seu lugar. O Senhor não ficou totalmente satisfeito com o pedido, mas por fim ele foi concedido, e Ele disse a Moisés: "Toma teu irmão Arão e seus filhos para atuarem no ofício de sacerdote." Então Ele conferiu a Arão uma parte da glória que estava sobre Moisés — não toda. A glória que estava sobre Moisés era a glória do Sacerdócio de Melquisedeque. A parte que foi dada a Arão é conhecida por nós como o Sacerdócio Aarônico. Esse foi o início desta ordem do Sacerdócio, e, no entanto, ela há de perdurar para sempre.

O Sacerdócio Aarônico continuou a ministrar nos assuntos da Igreja, e o Senhor tirou Moisés do meio deles, e com ele o santo Sacerdócio de Melquisedeque, mas o Sacerdócio Aarônico permaneceu na Igreja até a vinda de João Batista. (D&C 84:25-26).

MUITAS DISPENSAÇÕES DADAS AOS FILHOS DE DEUS

Pelo que disse, e pelos escritos inspirados dos profetas, que citei copiosamente, ficará evidente que tem havido muitas dispensações da providência de Deus, em cada uma das quais foram levantados profetas devidamente comissionados por Deus para agir em Seu nome, pois, como declarou o Profeta Amós: "Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." (Amós 3:7).

Ficará também evidente que o convênio eterno, ou, em outras palavras, "o Evangelho de Jesus Cristo", tem sido a própria essência dos tratos de Deus com a humanidade, desde os dias de Adão até agora — sim, e mesmo antecedendo a criação desta terra, até aquele dia primevo, "quando as estrelas da alva juntas cantavam e todos os filhos de Deus jubilavam".

Notar-se-á também que, depois de cada uma das várias dispensações, houve uma apostasia, e as trevas cobriram a terra, e a densa escuridão, as mentes do povo, como profetizado pelo profeta Isaías. (Isaías 60:2).

Mesmo a gloriosa dispensação messiânica, quando Jesus ministrou entre os homens e estabeleceu em Sua Igreja, primeiramente, apóstolos e, em segundo lugar, profetas, etc., para a obra do ministério, para que não fôssemos levados de um lado para outro por todo vento de doutrina, não foi exceção à regra, pois também ela foi logo seguida por uma apostasia universal; e, de fato, heresias já se infiltravam na Igreja enquanto os Apóstolos ainda viviam (ver 1 Coríntios 11:18-19), mas, depois que os Apóstolos "adormeceram" e o espírito profético desapareceu, caíram na mais profunda escuridão de trevas, superstição, cerimoniais pagãos e misticismos, inteiramente estranhos às simples ordenanças do Evangelho, tal como foram ensinadas e praticadas na Igreja primitiva pelo Salvador e Seus Apóstolos. Para uma discussão completa deste assunto, permiti-me remeter-vos à série de palestras radiofônicas proferidas pelo falecido presidente B. H. Roberts pela Estação de Rádio KSL, publicada em forma de livro sob o título "The Falling Away" (A Apostasia).

A Última Dispensação

Agora, porém, veio a promessa de outra dispensação, a saber, "a Dispensação da Plenitude dos Tempos". Essa dispensação já foi inaugurada por meio da visitação de seres celestiais e pelo instrumento de Joseph Smith, o Profeta, por meio de quem o Senhor novamente estabeleceu Sua Igreja e Reino e estabeleceu Seu convênio eterno, restaurando a plenitude do Evangelho de Jesus Cristo em sua pureza primitiva. Esta é a Igreja e o Reino que o Senhor estabeleceu para jamais tornar a ser derrubados nem entregues a outro povo, mas hão de permanecer para sempre, como predito pelo profeta Daniel. (Ver Daniel 2).

E agora, novamente, como em todas as ocasiões anteriores, Ele dotou Sua Igreja de poder do alto, a característica de suma importância e marcante que sempre distinguiu Sua Igreja das igrejas feitas pelos homens do mundo.

Que possamos sempre ter um testemunho firme da Verdade, e que nossa fé sempre se manifeste nas obras de obediência. Que possamos dar ouvidos aos conselhos de nossos líderes, apoiando-os e sustentando-os em seu elevado ofício, pois são servos de Deus, trabalhando zelosamente na edificação de Sua Igreja e Reino sobre a terra, é o que rogo em nome de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoRulon S. Wells, “O Plano de Salvação”, Conferência Geral de Outubro de 1940, Sessão de Sábado de Manhã (1940-10-05). Pulpit Vault, 1940-10-rulon-s-wells-the-plan-of-salvation. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).