Pulpit

Discurso na Conferência

John A. Widtsoe

1940 April General Conference·First Day Afternoon Session·1940-04-05

Do Conselho dos Doze Apóstolos

Meus queridos irmãos e irmãs: regozijo-me por estar novamente presente a uma de nossas grandes Conferências Gerais. São períodos revigorantes para todos nós que cremos no evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Lamentamos que o Presidente Grant não esteja aqui. Mas todos nos regozijamos em saber que ele está melhorando de saúde. Quero dizer que o Presidente Grant não é apenas o Presidente da Igreja, nosso líder nesse sentido, mas que o manto profético destes dias repousa sobre ele. Ele é um profeta de Deus, e faremos bem em seguir seu exemplo, ouvir seus ensinamentos e sermos dignos de suas bênçãos. Durante os anos em que me foi permitido trabalhar entre as Autoridades Gerais da Igreja, tive o privilégio, em muitas ocasiões, de testemunhar o poder profético que acompanha o Presidente Grant, e testifico hoje, solene e seriamente, que ele é um profeta do Deus vivo.

UM PADRÃO PARA O MUNDO

Ao pensar sobre esta Conferência, minha mente vagou bastante longe e amplamente. Provavelmente o pensamento que mais me veio à mente foi a respeito do lugar e do propósito da Igreja neste mundo dilacerado pela guerra, este mundo de conflito e infelicidade. Qual é a nossa missão para com o mundo? Recorri às escrituras para obter a resposta, e encontrei a resposta, tanto nas escrituras antigas quanto nas modernas. É que a Igreja de Cristo deve, em todos os momentos, ser como um padrão para as nações, um padrão ao qual todas as nações, todos os povos, todos os homens possam recorrer ao buscarem segurança, paz e felicidade.

É nossa grande missão, irmãos e irmãs, ser um padrão para todo o mundo, e dizemos sem hesitação que aqueles que obedecerem e se conformarem a esse padrão encontrarão aquilo que os homens mais desejam na vida. É uma declaração ousada, tremendamente ousada, que um pequeno povo nos vales destas montanhas, incompreendido, frequentemente atormentado pela perseguição, possa tornar-se o padrão pelo qual toda a humanidade seja conduzida à paz e à felicidade; mas assim é. Não sou eu quem o diz. É a palavra do Senhor, tanto nos dias antigos quanto nos modernos. Se este padrão fosse aceito pelo mundo, as coisas por que rogamos e esperamos logo viriam.

RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL

Permiti-me dizer que a Igreja, por si mesma, não pode ser esse padrão. Visto que a Igreja é composta de indivíduos, torna-se uma responsabilidade individual fazer da Igreja um padrão para as nações. Eu mesmo devo ser um padrão em minha vida. Devo dirigir-me de tal forma que possa ser um padrão digno de ser seguido por aqueles que buscam a maior alegria na vida.

A pergunta sobre a responsabilidade individual pelo bem-estar da Igreja foi feita, nos primeiros dias, por membros da Igreja. Vários dos homens que trabalharam com o Profeta Joseph Smith foram até ele, naqueles primeiros dias, e disseram: "Que faremos?" Poderiam ter dito: "Que faremos para sermos salvos?" O Senhor, em cada caso, deu uma resposta. Temos, na Doutrina e Convênios, uma série de pequenas revelações, que são as respostas a essa pergunta. Encontro, em cada uma delas, uma afirmação significativa, redigida de modo quase idêntico em todas essas revelações, dirigidas a Hyrum Smith, David Whitmer, Oliver Cowdery e outros de menor destaque na Igreja: "Guarda meus mandamentos e procura trazer à luz e estabelecer a causa de Sião." Esse é o nosso trabalho, o trabalho dos Santos dos Últimos Dias.

De certo ponto de vista, é bastante egoísta, talvez, guardar os mandamentos para que eu seja abençoado, mas é algo ainda maior guardar os mandamentos para que Sião seja estabelecida. Como fundamento de Sua grande causa, o Senhor deu a lei do sacrifício. A menos que nos entreguemos, não podemos edificar Sião, nem qualquer outra coisa digna da grande causa que o Senhor nos deu. A lei do sacrifício, desde os dias de Adão até os dias de hoje, de uma forma ou de outra, é o princípio básico da vida entre as comunidades de Santos.

Assim, precisamos, nesta Igreja e Reino, para nosso próprio bem-estar e o do mundo, de um grupo de homens e mulheres que, em sua vida individual, sejam como uma luz para as nações, e verdadeiros padrões a serem seguidos pelo mundo. Tal povo deve ser diferente do mundo tal como ele é hoje. Não há espaço para que os Santos dos Últimos Dias digam que seremos como é o mundo, a menos que o mundo tenha o mesmo objetivo que nós temos. Estamos aqui para edificar Sião ao Deus Todo-Poderoso, para a bênção de todo o mundo. Nesse objetivo, somos singulares e diferentes de todos os outros povos. Devemos respeitar essa obrigação, e não temê-la. Não podemos andar como os outros homens, nem falar como os outros homens, nem agir como os outros homens, pois nos foi conferido um destino, uma obrigação e uma responsabilidade diferentes, e devemos preparar-nos para esse grande destino e obrigação.

A ORAÇÃO DE JESUS POR SEUS DISCÍPULOS

Lembro-me da maravilhosa oração oferecida pelo Salvador no Getsêmani, pouco antes de Sua crucificação, quando Ele falou com Seu Pai — talvez a mais sublime oração que conhecemos — na qual disse: "Não rogo que os tires" — falava de Seus discípulos — "do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo."

Agora, talvez, mais do que nunca, precisamos lembrar que esta Igreja e Reino, e seus membros, não devem estar fora do mundo, mas não devem ser do mundo. Há uma diferença enorme entre essas duas condições — a diferença entre a luz e as trevas. Somos um povo adquirido, e sempre seremos, e sempre devemos ser, um povo adquirido.

Lembremo-nos da obrigação que recai sobre os Santos dos Últimos Dias de edificar Sião. Não é tão difícil de realizar, pois o Senhor é o nosso auxiliador, e Ele estará conosco, e nos ajudará, e nos instruirá, e nos capacitará a fazer a obra que está diante de nós, se ao menos tivermos o sincero desejo de ser auxiliadores do Senhor.

Lembremo-nos de uma das afirmações mais conhecidas em nossa escritura dos últimos dias — o Livro de Mórmon — na qual a fé de Néfi é evidenciada por esta declaração: "...porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas."

Devemos ser singulares, distintos em ideais da maior parte do mundo. Temos a maior missão em todo o mundo. Mas não temamos. O Senhor nos chamou para Seu Reino e Seu serviço. Ele fará com que nos seja possível realizar a obra que Ele deseja que façamos.

OS MANDAMENTOS DO SENHOR TÊM SIGNIFICADO ESPIRITUAL

Isso me traz ao pensamento final que tem passado por minha mente nos últimos dias: que todas essas coisas, todos os mandamentos, todas as maravilhosas estatísticas que foram lidas esta manhã, e que nos deixaram gratos, todas as realizações da Igreja, têm grande significado espiritual. Nós, do Reino de Deus, não podemos andar apenas na terra; devemos andar no céu enquanto andamos na terra.

O Senhor assim no-lo disse em revelação moderna, em outra mensagem bem conhecida e muito amada ao Profeta Joseph Smith:

"Portanto, em verdade vos digo que todas as coisas são espirituais para mim e em tempo algum vos dei uma lei que fosse terrena; nem a homem algum nem aos filhos dos homens nem a Adão, vosso pai, a quem criei."

Em tempo algum Deus deu a Seus filhos um mandamento que não tivesse significado espiritual. Muitas vezes, temo, falhamos em nossa obediência, porque olhamos para os mandamentos de Deus com olhos terrenos, e deixamos de compreender seu significado espiritual. Permiti-me chamar vossa atenção para três ou quatro mandamentos que têm um profundo significado espiritual.

A PALAVRA DE SABEDORIA AJUDA NO DOMÍNIO DE SI MESMO

A Palavra de Sabedoria é uma das mais conhecidas de todas as leis dadas a Seu povo nestes últimos dias. Foi dada no ano de 1833, e tem sido pregada por todo Presidente e líder da Igreja. Todo pai e toda mãe deveriam estar pregando e ensinando a Palavra de Sabedoria — uma proteção do corpo contra as doenças. A observância da Palavra de Sabedoria de fato nos dá corpos sadios, prolonga nossa vida aqui na terra, dá-nos mentes claras, sabedoria e entendimento; mas ela tem um significado ainda maior do que esse, um significado espiritual. Pois, se sou capaz de observar a Palavra de Sabedoria, de abster-me das coisas proibidas na Palavra de Sabedoria, de fazer as coisas ali recomendadas, torno-me, com isso, senhor de meus apetites. Posso encarar meus apetites, por assim dizer, e dizer-lhes: "Para trás de mim." Sou o senhor, não estou sujeito a um apetite. O cigarro não é meu senhor; eu sou o senhor. Este copo de bebida não é meu senhor; eu sou o senhor. Pode o Senhor edificar Sião, pode Ele estabelecer a causa de Sião, pode Ele fazer de nós um padrão para todas as nações seguirem, a menos que sejamos senhores de nós mesmos? Se somos apenas escravos de um apetite, o que pode o Senhor fazer conosco? Por maior que Ele seja, a obra fracassará.

O DÍZIMO EM SENTIDO ESPIRITUAL

Tomemos outra lei de que se falou várias vezes aqui hoje, a lei do dízimo. Ela tem construído casas de reuniões, enviado homens e mulheres em missões, mantido nossos Templos, e as muitas atividades que o Presidente Clark relatou em seu comovente discurso desta manhã. O valor espiritual do dízimo está em que, se eu obedecer sinceramente à lei do dízimo, separo-me do amor às coisas terrenas, e torno-me forte o suficiente para amar as coisas do céu mais do que as coisas da terra. Nenhum homem pode elevar-se muito alto vivendo apenas das coisas terrenas. As coisas da terra nos arrastam para baixo, a menos que sejam espiritualmente vivificadas. Devo olhar para as coisas da terra apenas como auxílios em minha vida temporal, nada mais do que isso.

Creio que, até que a humanidade seja capaz de divorciar-se de seu amor às coisas terrenas, não seremos capazes de edificar o reino de Deus, nem de ser um padrão a ser seguido pelas nações.

Outro princípio de que se falou aqui hoje — a obra missionária — tem um equivalente espiritual bem definido. Nele reside um princípio espiritual. Eu crio e desenvolvo em mim mesmo, quando dedico meu tempo, meus meios e meus talentos à pregação do evangelho, um amor pelo meu próximo, um amor fraternal. Deus é amor. Sem amor, nada podemos fazer na edificação de Seu Reino.

A OBRA PELOS MORTOS DESENVOLVE A ESPIRITUALIDADE

E, em quarto e último lugar — embora muitos outros pudessem ser tratados dessa mesma forma — está a obra que será celebrada aqui esta noite no Tabernáculo. Há cem anos, foram realizados os primeiros batismos pelos mortos. Desde então, temos realizado uma quantidade tremenda de obra pelos mortos. Construímos Templos e dedicamos tempo e dinheiro a reunir genealogias. Passamos dias e dias nos Templos servindo os mortos. O princípio espiritual por trás dessa atividade é o desenvolvimento de um amor mais perfeito, de um desprendimento mais completo. É bom o suficiente pregar aos que estão vivos. Eles podem tornar-se meus amigos e vizinhos, meus auxiliares, posso ver os frutos de meu trabalho, mas é bem diferente dedicar minhas forças, meu tempo e meu dinheiro àqueles que já morreram há muito tempo, e que para mim são apenas nomes. Ao entregar-me, no espírito de verdadeira prestatividade, àqueles que me precederam, desenvolvo em mim mesmo, em meu coração e em minha alma, um amor abundante muito próximo do próprio amor de Deus. Então o egoísmo do mundo se desvanece, e da superação do egoísmo depende todo o bem-estar humano.

SIÃO SERÁ EDIFICADA VENCENDO-SE O EGOÍSMO

Quero chamar a atenção dos Santos dos Últimos Dias para o fato de que os princípios do evangelho sempre têm dois lados: um que diz respeito a esta terra, para nosso guia e ajuda aqui, e outro que trata das realidades espirituais eternas, os princípios eternos do evangelho pelos quais os homens tocam o mundo invisível. Que padrão para todo o mundo seríamos se todos fôssemos senhores de nós mesmos, de nossos apetites, se pudéssemos pôr de lado as alegrias terrenas em favor do bem-estar espiritual! Se realmente amássemos o nosso próximo, se fôssemos realmente impelidos pelo desprendimento em tudo o que fazemos, então seríamos um padrão para as nações, o poder do Senhor seria nosso, e Sião seria edificada por nossos esforços.

Que Deus nos abençoe em tudo o que fazemos em favor desta grande obra. Testifico da veracidade do evangelho restaurado do Senhor Jesus Cristo, de seu poder profético e de seu serviço, desde Joseph Smith até nosso atual líder, e o faço em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoJohn A. Widtsoe, “Discurso na Conferência”, 1940 April General Conference, First Day Afternoon Session (1940-04-05). Pulpit Vault, 1940-04-john-a-widtsoe-conference-address. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).