A Oração de Jesus pela Unidade
David O. McKay
A Oração de Jesus pela Unidade
Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. ¶
Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; ¶
Para que todos sejam um como tu, ó Pai, és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. (João 17:11-21.) ¶
Como quase todos vós prontamente reconheceis, citei uma das mais sublimes orações já proferidas entre os homens. É uma Oração Intercessora. A ocasião torna extremamente significativas as coisas pedidas. Nela, Jesus faz da unidade a coisa mais importante entre seus seguidores. ¶
Unidade e seus sinônimos — harmonia, boa vontade, paz, concórdia, entendimento mútuo — expressam uma condição pela qual o coração humano constantemente anseia. Seus opostos são a discórdia, a contenda, a rixa, a confusão. ¶
Unidade no Lar
Consigo imaginar poucas coisas, se é que alguma, mais indesejáveis no lar do que a ausência de unidade e harmonia. Por outro lado, sei que um lar em que habitam a unidade, a ajuda mútua e o amor é um pedacinho do céu na terra. Presumo que quase todos vós podeis testemunhar da doçura da vida em lares em que essas virtudes predominam. Com a maior gratidão e humildade, guardo a lembrança de que, nunca uma só vez, quando menino no lar de minha juventude, vi um único caso de discórdia entre meu pai e minha mãe, e que a boa vontade e o entendimento mútuo foram o laço unificador que manteve unido um grupo afortunado de irmãos e irmãs. Unidade, harmonia, boa vontade são virtudes a serem cultivadas e apreciadas em cada lar. ¶
Unidade nas Organizações da Igreja
Nos ramos e alas, não há virtude mais propícia ao progresso e à espiritualidade do que a presença deste princípio. Quando o ciúme, a maledicência, o falar mal substituem a confiança, a submissão de si mesmo, a unidade e a harmonia, o progresso da organização é sufocado. ¶
Atividades Antipatrióticas, uma Ameaça ao Governo Livre
Contudo, o que realmente me levou a enfatizar este princípio é a presença, dentro de nossos próprios Estados Unidos, de influências cujo objetivo declarado é semear a discórdia e a contenda entre os homens, com vistas a minar, enfraquecer, senão destruir por completo nossa forma constitucional de governo. Se falo com franqueza e, em condenação, exponho práticas e intenções repreensíveis de certas organizações, por favor não penseis que abrigo má vontade ou inimizade no coração para com outros cidadãos dos Estados Unidos cujas opiniões sobre políticas não coincidam com as minhas. Mas quando atos e maquinações são manifestamente contrários à palavra revelada do Senhor, sentimo-nos justificados em advertir o povo contra eles. Podemos ser caridosos e pacientes para com o pecador, mas devemos condenar o pecado. ¶
Referências oportunas e advertências apropriadas foram dadas durante esta Conferência sobre o perigo e os males da guerra. Há outro perigo, ainda mais ameaçador do que a ameaça de invasão de um inimigo estrangeiro. É a atividade antipatriótica e a maquinação sub-reptícia de grupos e organizações desleais dentro de nossas próprias fronteiras. Este país está tão bem situado geograficamente que há pouco a temer de invasão por um inimigo externo. Além disso, o governo, sabendo quem e onde está o inimigo, pode preparar-se amplamente para enfrentar seus ataques. Mas a maquinação secreta e sediciosa de um inimigo dentro de nossas próprias fileiras, que professa hipocritamente lealdade ao governo e, ao mesmo tempo, conspira contra ele, é mais difícil de enfrentar. ¶
A desintegração é muitas vezes mais perigosa e mais fatal do que a oposição externa. Por exemplo, um indivíduo pode geralmente proteger-se de pancadas de chuva e até de tempestades, do frio intenso ou do calor intenso, da seca ou de enchentes, ou de outros extremos da natureza; mas ele fica muitas vezes indefeso quando germes venenosos entram em seu corpo ou quando um tumor maligno começa a minar a força de algum órgão vital. ¶
A Igreja é pouco, ou nada, prejudicada pela perseguição e pelas calúnias de inimigos ignorantes, mal informados ou maliciosos; um obstáculo maior ao seu progresso vem dos que criticam, dos que se esquivam, dos que quebram mandamentos e das facções apóstatas dentro de seus próprios grupos eclesiásticos e de quóruns. ¶
Assim também é no governo. É o inimigo interno que é o mais ameaçador, especialmente quando ameaça desintegrar nossa forma estabelecida de governo. ¶
A Maior Provação de Washington
Talvez o período mais sombrio e desanimador da Revolução Americana tenha sido quando o exército do General Washington estava nos quartéis de inverno em Valley Forge. Ele tinha menos de dez mil homens. Os soldados estavam vestidos precariamente, alguns quase nus, outros sem outra roupa além de cobertores esfarrapados enrolados ao corpo. "Tantos estavam doentes em consequência das privações," escreve um comentarista, "tantos estavam sem casacos, cobertores, chapéus ou sapatos que causa espanto como o exército se manteve unido." Por mais críticas e desesperadas que fossem essas condições, uma provação e uma dor maiores, presumo, vieram a Washington quando alguns de seus amigos, como John Adams e Richard Henry Lee, se voltaram contra ele; quando o General Gates o insultou enviando relatórios diretamente ao Congresso, em vez de a Washington, seu superior. Assim como falcões carniceiros pairam sobre criaturas moribundas, também, na calamidade extrema de Washington, vieram homens buscando esmagá-lo — homens que formaram o que se chamou a "Cabala de Conway", uma tentativa desprezível de desonrar Washington e substituí-lo por um maquinador arrogante e egocêntrico. Essa discórdia interna, e tal deslealdade de antigos amigos, foram mais esmagadoras do que os ataques do exército adversário. ¶
O Antiamericanismo Semeando a Discórdia
Hoje há neste país inimigos sob a forma de "ismos". Chamo-os de Antiamericanismos. Apenas alguns líderes lutam abertamente — a maior parte do exército age como cupins, semeando secretamente a discórdia e minando o governo estável. Da verdade desta afirmação, investigações recentes feitas por uma comissão do Senado dos Estados Unidos dão ampla evidência. Sobre a ameaça de um desses grupos, o Dr. William F. Russell, Reitor do Teachers' College da Universidade Columbia, num discurso intitulado "Como Reconhecer um Comunista, e Como Vencê-lo", é uma das muitas autoridades que poderíamos citar quanto à atividade perniciosa desses grupos. ¶
Uma Declaração sobre o Comunismo
Ele diz: ¶
Os líderes comunistas têm insistido, sistematicamente, que o Comunismo não pode viver em um só país. Assim como lutamos para tornar "o mundo seguro para a democracia," também eles lutam para tornar o mundo seguro para o Comunismo. Estão travando esta luta hoje. Todo país deve tornar-se comunista, segundo a ideia deles. Assim, enviaram missionários. Providenciaram-lhes fundos generosos. Ganharam conversos. Esses conversos foram organizados em pequenos grupos chamados "células", cada uma agindo como unidade sob as ordens de um superior. É quase uma organização militar. Atacam onde há desemprego. Fomentam o descontentamento entre os oprimidos. * * * Infiltram-se nos sindicatos, onde formam blocos compactos. Publicam e distribuem pequenos jornais e panfletos. No New York Times, distribuem um chamado "Better Times". No Presbyterian Hospital, chama-se "The Medical Worker". No College of the City of New York, chama-se "Professor, Worker, Student". No Teachers College, chama-se "The Educational Vanguard". São folhas caluniosas. Em uma edição, contei vinte e nove erros de fato. Depois de um discurso recente meu, distribuíram um panfleto atacando-me, com um erro de fato deliberado em cada parágrafo. Esses panfletos custam dinheiro — mais de cem dólares por edição. A ideia é tentar atrair para sua teia aqueles professores, pregadores, assistentes sociais e reformadores generosos e de espírito público que conhecem a angústia e querem fazer algo a respeito. Esses comunistas sabem o que estão fazendo. Seguem suas ordens. Particularmente, gostariam de dominar nossos jornais, nossas faculdades e nossas escolas. A campanha é bastante semelhante em todo o mundo. Vi os mesmos artigos, quase os mesmos panfletos, na França e na Inglaterra, tal como nos Estados Unidos. ¶
Vede, quando se trata de combater comunistas, sou um veterano marcado pelas batalhas. Mas, depois de vinte anos, não consigo reconhecer um só de olhá-lo. No entanto, apenas os líderes proclamam sua filiação. Os astutos permanecem silenciosos, ocultos, anônimos, corroendo por dentro. Só se pode reconhecer um comunista por suas ideias. ¶
Seu método de trabalhar rumo à tomada do poder, ele descreve assim: ¶
Falai de paz, falai de igualdade social, especialmente entre os mais oprimidos. Falai da organização do trabalho, e penetrai em cada sindicato. Falai em tribunas improvisadas. Publicai panfletos e jornais. Discursai e arengai. Explorai a inveja. Provocai o ciúme. Separai classe de classe. Tentai romper os processos democráticos por dentro. Habituai o povo a piquetes, greves, comícios. Atacai constantemente os líderes de toda maneira possível, para que o povo perca a confiança. Depois, em tempo de perigo nacional, durante uma guerra, por ocasião de um grande desastre, ou numa greve geral, entrai na capital e tomai o poder. Uma minoria bem organizada pode fazer maravilhas. ¶
Advertência aos Santos dos Últimos Dias
Fui informado, por diversas fontes, de que alguns desses espúrios crescimentos políticos estão brotando aqui em nosso próprio meio, que membros desses grupos já receberam instruções sobre o que fazer caso este país se envolva numa guerra. A natureza dessas instruções lembra muito a diabólica Conspiração da Pólvora do tempo de Jaime I da Inglaterra. ¶
Os Santos dos Últimos Dias não devem ter nada a ver com combinações e grupos secretos antagônicos à lei constitucional da terra, a qual o Senhor "permitiu que fosse estabelecida" e que "deve ser mantida para os direitos e a proteção de toda carne, segundo princípios justos e santos"; ¶
Para que todo homem aja, em doutrina e princípio relativos ao futuro, de acordo com o arbítrio moral que lhe dei, para que todo homem seja responsável por seus próprios pecados no dia do juízo. ¶
Portanto, não é certo que homem algum seja escravo de outro. ¶
E com esse propósito estabeleci a Constituição deste país, pelas mãos de homens prudentes que levantei para esse propósito; e redimi a terra pelo derramamento de sangue. (Doutrina e Convênios 101:78-80.) ¶
É claro que há erros no governo que alguns gostariam de corrigir, certamente há injustiças e desigualdades manifestas, e sempre as haverá em qualquer governo em cuja administração entram as fraquezas da natureza humana. Se quereis mudanças, ide às urnas no dia da eleição, exprimi-vos como cidadãos americanos, e agradecei ao Senhor pelo privilégio que é vosso de ter voz sobre quem vos servirá em cargo público. ¶
A Importância de Defender a Constituição
Depois de sermos um em adorar a Deus, não há nada neste mundo em que esta Igreja deva estar mais unida do que em defender e sustentar a Constituição dos Estados Unidos. ¶
Que o apelo de nosso Senhor em sua Oração Intercessora pela Unidade se realize em nossos lares, nossas alas e estacas, e em nosso apoio aos princípios básicos de nossa Democracia. ¶
Nas palavras de John Oxenham: ¶
Que Deus nos dê sabedoria nestes dias vindouros, E olhos abertos, para que vejamos com clareza Esse mundo novo que Ele quer que construamos, Para a nobreza da vida e seu alto ministério. ¶
Que Deus nos dê discernimento, — discernimento divino das novas necessidades da Vida, E almas em chamas de cavalarias recém-nascidas — Para enfrentar aqueles crescimentos negros que sujam os caminhos, — Para purificar nossas fontes envenenadas com energias nascidas de Deus. ¶
Para consagrar nossas almas a uma vida mais nobre e mais elevada, Para conquistar o mundo para suas belas santidades, Para unir as nações num Pacto de Paz, E libertar a Alma da Vida para lealdades mais nobres. ¶
Não desde que Cristo morreu em sua cruz solitária O Tempo teve tal perspectiva do novo nascimento da Vida; Não desde que o mundo do caos primeiro nasceu O homem vislumbrou tão claramente a esperança de uma terra nova. ¶
Não por nossa própria força podemos esperar erguer-nos Acima das marcas e manchas do passado, Mas, com a ajuda daquele que construiu a primeira terra, Com corações corajosos podemos construir melhor esta última. ¶
Que Deus guie esta Igreja, e particularmente o Sacerdócio, na edificação segundo o plano de Deus, e no estabelecimento de seu reino na terra, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶