Pulpit

A Inteligência, a Principal Investidura do Homem

Stephen L Richards

Conferência Geral de Abril de 1938·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1938-04-03

Desejo falar de uma nova interpretação do Evangelho de Cristo. A ocasião permitirá apenas um esboço, mas faço a tentativa na esperança de que os nossos amigos que ouvem, e alguns dos nossos membros, cheguem a uma compreensão mais clara das características distintivas de nossa mensagem e de nossa obra. Uso a palavra "nova" interpretação, em vez de "verdadeira", por razões diplomáticas. "Novo" pressupõe "antigo", e, embora a maioria das pessoas prefira ser moderna a antiquada, geralmente não se causa nenhuma ofensa séria ao situar um homem em uma antiga escola de pensamento. Já "verdadeiro" pressupõe o "falso", e todos se ressentem de uma imputação contra a veracidade de suas ideias. Faço essa admissão com franqueza porque não tenho desejo de debate. Apenas quero explicar.

A Inteligência, a Principal Investidura do Homem

Apresento, como o primeiro aspecto desta nova interpretação, a doutrina da predominância da inteligência. Creio estar certo ao afirmar que, em toda a literatura cristã anterior ao advento de nossa Igreja, não se encontravam conceitos como estes, a respeito da origem, da função e do lugar da inteligência no universo, tais como os que vêm de nossa escritura moderna. Eis alguns trechos:

A inteligência, ou seja, a luz da verdade, não foi criada nem feita nem verdadeiramente pode sê-lo.

Toda verdade é independente para agir por si mesma na esfera em que Deus a colocou, como também toda inteligência; caso contrário, não há existência. (Doutrina e Convênios 93:29, 30.)

A glória de Deus é inteligência ou, em outras palavras, luz e verdade.

A luz e a verdade rejeitam o ser maligno. (Doutrina e Convênios 93:36, 37.)

Qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida surgirá conosco na ressurreição.

E se nesta vida uma pessoa, por sua diligência e obediência, adquirir mais conhecimento e inteligência do que outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro. (Doutrina e Convênios 130:18, 19.)

Ora, visto que a inteligência é coeterna com Deus e é a própria glória de Deus, segue-se logicamente que ela é a principal investidura do homem. De fato, ela é o homem, pois é aquela parte de sua constituição que persiste, que é eterna. Este princípio cognoscente, concebedor e iluminador da existência está na base de todos os nossos poderes e potencialidades. Sem ele não haveria virtude nem pecado. Somente ele confere ao homem o seu livre-arbítrio, o poder de escolher, de querer e de agir, consciente dos efeitos de suas decisões e de seus atos. Ele explica o lugar do bem e do mal no mundo e justifica sua existência — um problema filosófico que desafiou as mentes e o pensamento dos grandes eruditos, de todos os tempos.

Esta concepção da inteligência justifica a busca eterna pelo conhecimento, e faz mais do que isso. Ela explica a necessidade de adquirir conhecimento, pois torna o conhecimento essencial ao progresso, e o progresso, em última análise, é a salvação. Ela impõe uma penalidade terrível à ignorância. Estabelece uma doutrina evangélica nova e muito definida: "É impossível ao homem ser salvo em ignorância." (Doutrina e Convênios 131:6.)

O Verdadeiro Conhecimento e a Inteligência São Recompensados

O mundo em geral, e o mundo moderno em particular, com sua ciência, seu escolasticismo e sua tecnologia, tem tendido a desprezar e difamar a religião e a igreja por um suposto atraso e retardo nos processos intelectuais e na aquisição de conhecimento. Qualquer que tenha sido a justificativa, em tempos passados, para tal imputação, apresento agora uma interpretação do Evangelho que refuta completamente essas alegações e inferências depreciativas do mundo secular. O Evangelho de Cristo oferece, na busca do conhecimento e no desenvolvimento da inteligência, um estímulo e uma recompensa que transcendem, em seu apelo e em sua promessa, tudo o que os estudiosos e filósofos já elaboraram.

Mas o conhecimento e a inteligência que ele recompensa devem ser verdadeiros. "Luz e verdade" são as palavras da revelação. Ele não dá nenhum valor à aquisição da falsidade e do erro. Distingue muito claramente entre sofisticação e verdadeira inteligência. Certa vez, um homem disse, ao distinguir a inteligência da educação, que a inteligência é aquilo que capacita alguém a enfrentar sabiamente as situações da vida sem educação; ao passo que a educação é aquilo que ajuda alguém a enfrentar as situações da vida sem inteligência.

Esta afirmação pode dar a entender que a inteligência é, em grande parte, herdada. O Evangelho nos ensina que sim — que ela veio como dotação nativa da raça, mas que a eficácia dessa dotação tem sido, em muitos casos, grandemente mitigada pela perversão da raça. É encorajador e gratificante, porém, ter a certeza de que nenhum homem jamais perdeu por completo este atributo vital e da mais alta importância. Há inteligência suficiente em todo homem para adquirir conhecimento e verdade, se ele optar por fazê-lo. É um fato significativo, demonstrado pela mais extensa pesquisa e investigação, que não há povo na terra, por mais primitivo que seja, que não tenha inteligência suficiente para apreender e reter uma concepção de Deus como Ser Supremo.

A Inteligência, uma Essência Divina

Como exercer a inteligência que possuímos para a obtenção e a utilização do conhecimento é uma questão vital na interpretação e na aplicação do Evangelho, mas é uma que devo abordar apenas brevemente. O Evangelho atribui o mais alto valor àquela inteligência e àquele conhecimento que mais contribuem para o bem-estar duradouro do homem. "Conhecimento puro" é como é chamado na revelação (Doutrina e Convênios 121:42), que define os atributos e as funções do santo Sacerdócio. Este conhecimento puro, sem o qual o Sacerdócio não pode ser devidamente administrado, contempla uma compreensão do plano divino de redenção e dos princípios e leis que pertencem ao reino celestial de nosso Pai. Em todo o saber do mundo, não há nada de maior importância para a mente do homem compreender do que os princípios e verdades eternos pertencentes à exaltação na presença de Deus. E não há ordem mais elevada de inteligência do que aquela que capacita o homem a perceber essas gloriosas verdades.

Visto que a inteligência é uma essência divina, ela só pode funcionar adequadamente quando reconhecida como divina. Nesse reconhecimento, a fé é indispensável. A fé e o conhecimento constituem o testemunho e trazem aquela convicção que se resume na declaração de que "conhecer-te é a vida eterna." Assim, pergunto: onde está a filosofia ou a escola de pensamento que estima mais altamente e atribui atributos mais nobres à mente e à inteligência do homem do que este conceito exaltado, exposto nesta nova interpretação do Evangelho de Cristo?

A Família de Deus

Proponho, como a próxima grande fase desta nova interpretação, uma concepção singular e distintiva da família de Deus. Deus, a Inteligência Suprema, é o Criador e o verdadeiro Pai de seus filhos, as inteligências menores, mas potencialmente divinas, que compõem sua família e povoam o seu reino. Como um pai bondoso, ele deseja e planeja o bem-estar e a felicidade eternos de sua prole. Na revelação moderna, o seu propósito é esclarecido como nunca antes em qualquer escritura registrada. É a glória de Deus "levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Pérola de Grande Valor — Moisés 1:39.) E "os homens existem para que tenham alegria." (Livro de Mórmon — II Néfi 2:25.) Estas são as sublimes declarações reveladas nos últimos dias, banindo para sempre toda dúvida e especulação incerta quanto ao lugar e ao propósito do homem no universo.

Em que consiste a alegria do homem? Há duas coisas: primeira, um progresso eterno em inteligência, conhecimento e poder, que conduz à perfeição, assim como Cristo é perfeito; e, segunda, a companhia de Deus, em sua presença e na presença de seu Filho.

Novo Conceito do Céu

Esta declaração do propósito de nosso ser, juntamente com revelações adicionais, traz um novo conceito do céu. Pela perfeição de nossa vida, alcançamos a alegria e entramos na presença de Deus. Onde ele está? Ele está em seu próprio reino. Existem outros reinos? Sim. E, nesse conhecimento revelado, aprendemos a verdade sobre o céu. Há outros reinos mencionados, mas não plenamente explicados, por São Paulo, e também indicados nas "muitas moradas da casa de meu Pai," mencionadas pelo Salvador.

Essas escrituras foram plenamente ampliadas pela nova interpretação. Reinos da eternidade foram definidos. As leis que regem os vários reinos foram expostas, e os requisitos de entrada foram estipulados. Há lugares e condições preferenciais no porvir, assim como há aqui. O mais elevado e mais desejável é o reino celestial de nosso Pai. Naquele reino, e somente ali, as inteligências alcançam seu mais alto estado de perfeição. Somente ali temos a certeza da reunião das famílias e da perpetuação do relacionamento familiar e do incremento eterno. Naquele reino, o homem pode, em última análise, tornar-se divino.

Na misericórdia de Deus, outros reinos menores proveem uma justa compensação na vida dos homens. Mas os reinos menores são ofuscados pelo celestial, assim como o sol, em seu brilho e glória, transcende a lua e as estrelas.

Os homens alcançam esses vários reinos pela escolha e pelo trabalho de sua vida. Não conhecemos todas as condições prévias para a entrada nos reinos menores, mas o que é necessário para se chegar à glória celestial foi definitivamente revelado. Os princípios e as ordenanças do Evangelho de Cristo são as leis daquele reino. Fé, arrependimento, batismo, a imposição de mãos para a concessão do Espírito Santo, ordenação ao Sacerdócio — todos são requisitos essenciais. Por quê? Porque Deus os estipulou, e também porque estão em consonância com o espírito, o propósito e a glória do reino.

É necessário ser batizado para ir ao céu? Isso depende do lugar do céu a que se aspira. Não temos conhecimento de que isso seja necessário para os reinos menores, mas sabemos, por revelação, que é absolutamente essencial para o céu do reino celestial de Deus. As escrituras nos dão a entender que, por meio da expiação geral do Salvador, toda a humanidade será ressuscitada da sepultura e virá a uma vida no porvir, mas sabemos que a própria expiação não é suficiente para nos colocar no reino celestial, sentido em que distinguimos entre a salvação geral da família humana, realizada pelo Redentor do mundo, e a exaltação do indivíduo, alcançada por suas próprias obras e fidelidade, mediante a mediação de Cristo.

A Missão da Igreja pelos Vivos e pelos Mortos

Deste conceito sublime e claramente definido do céu deriva a missão da Igreja, que é: primeira, disseminar o conhecimento do reino celestial; e, segunda, ajudar a aperfeiçoar a vida dos homens para que possam entrar naquele reino.

Esta missão da Igreja, por meio da justiça revelada de Deus, estende-se não apenas a todos os vivos, mas também aos mortos. Não está previsto que o acidente da morte deva restringir o livre-arbítrio do homem de escolher e alcançar o seu destino final. Como, porém, faz parte do plano que certas cerimônias e ordenanças, requisitos para a entrada no reino celestial, sejam realizadas na mortalidade, foi feita uma provisão misericordiosa pela qual os vivos podem realizar vicariamente essas ordenanças pelos mortos. Daí a nossa extensa obra de templo, na qual todas as condições essenciais para a entrada no reino celestial são cumpridas tanto pelos vivos quanto pelos mortos.

Penso que, de todo serviço cristão, o trabalho vicário pelos mortos é o mais semelhante ao de Cristo. Frequentemente envolve grande sacrifício. O beneficiário não está aqui, nem sequer para agradecer. É verdadeira benevolência.

A Natureza e a Necessidade do Sacerdócio

Como item final nesta nova interpretação do Evangelho, apresento agora a doutrina do santo Sacerdócio. O conhecimento de Deus, de sua família e de seu reino, e também a razão, nos asseguram que não podemos realizar a sua obra nem cumprir os seus propósitos sem uma delegação de seu poder. O Sacerdócio é a sua comissão aos homens. Ele detém as chaves de seu reino. Os portões não se abrirão sem essas chaves.

O Sacerdócio não é necessário apenas para o reino do porvir, mas também é essencial para aperfeiçoar a vida do povo. Esta investidura de poder divino no homem é uma dádiva para quem a possui, e uma bênção inestimável para os outros. Chamo-a de o plano perfeito de serviço, porque realiza para o homem as coisas mais vitais e importantes que podem entrar em sua vida. Ela o introduz no rebanho de Cristo. Une-o em um pacto eterno de casamento. Estabelece o vínculo duradouro no qual seus filhos nascem. Conduz-o à glória celestial, a bênção de sua vida.

A natureza deste poder divino é exposta em algumas das mais belas linguagens de toda a escritura. Não tenho tempo para repeti-la toda. Aqui está apenas uma amostra:

Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido;

Com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo —

Repreendendo prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo;

Para que ele saiba que tua fidelidade é mais forte que os laços da morte. (Doutrina e Convênios 121:41-44.)

O Poder Divino Existe na Terra Hoje

Temos certeza de que este poder divino existe na terra hoje? Temos. Possuímos evidência incontroversa de sua origem e validade. Sua origem não está perdida na obscura antiguidade do passado. Chegou até nós em tempo relativamente recente — dentro da memória de nossos pais. Ministros angélicos, em pessoa, o conferiram e entregaram as chaves. O testemunho inequívoco das testemunhas está registrado e disponível. E a autenticidade e a genuinidade do poder são atestadas não apenas por testemunhas idôneas, mas também, igualmente, ou até mais importante, pela virtude e eficácia do próprio poder.

Nossa história está repleta de exemplos e circunstâncias que indicam a vitalidade e a força desta preciosa dotação. De modo que centenas de milhares de homens e mulheres honestos têm a convicção positiva da restauração do poder de Deus na terra e do estabelecimento de sua Igreja fundada sobre esse poder.

Esta, então, em resumo, é a nova interpretação e a nova restauração do puro Evangelho de Jesus Cristo. Chamo-a de nova, embora tenha vindo há um século, e embora centenas de milhares a tenham aceitado, porque hoje a grande maioria de todas as populações da terra nunca ouviu falar dela e não sabe que as boas novas de grande alegria foram novamente reveladas na última dispensação da plenitude dos tempos para a exaltação e a glória do homem.

Nesta nova revelação, por meio do profeta escolhido por Deus, reside a esperança do mundo. Quando a verdadeira inteligência banir o erro e a superstição, e a família de Deus for mais do que uma concepção teológica; quando os homens verdadeiramente aspirarem ao mais alto céu, e a autoridade devidamente constituída de Deus for reconhecida e estimada, então — e não antes — a há muito desejada paz de Cristo descerá sobre as nações. Deus conceda que esse dia venha logo! Amém.

Um hino, "Perdido na Noite" (Christiansen), foi cantado pelo Coro.

Como citar este discursoStephen L Richards, “A Inteligência, a Principal Investidura do Homem”, Conferência Geral de Abril de 1938, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1938-04-03). Pulpit Vault, 1938-04-stephen-l.-richards-intelligence-man-s-chief-investiture. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).