Responsabilidade para com o Próximo
George F. Richards
Tenho apreciado o espírito e a instrução desta Conferência até agora. Sinto-me muito feliz, meus irmãos e irmãs, em minha religião — a religião dos Santos dos Últimos Dias, que me tem sustentado ao longo de uma vida de quase setenta e sete anos, suprindo toda exigência religiosa, satisfazendo toda necessidade religiosa. Sei que esta obra em que estamos empenhados é a obra do Senhor. ¶
TESTEMUNHO ¶
Sou muito feliz no conhecimento revelado a Joseph Smith no início desta dispensação, quando o Pai e o Filho lhe apareceram. Sei que aquela revelação é verdadeira. Sei que Deus, o Pai Eterno, vive e, ao contrário do que pensa a grande maioria da humanidade, é uma pessoa que tem um corpo de carne e ossos e espírito tão tangível quanto o corpo do homem, glorificado e exaltado, o Criador dos céus e da terra e de tudo o que neles há, por intermédio de seu Filho, Jesus Cristo; um Deus de amor, de misericórdia, de justiça e de verdade, que responde às orações de seus filhos fiéis. Sei que Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Salvador e Redentor deste mundo, escolhido e ordenado desde a fundação desta terra, e que, mediante sua obra, toda a humanidade é redimida dos efeitos da queda de nossos primeiros pais. Como as escrituras ensinam: ¶
Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. ¶
Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados. (1 Coríntios 15:21, 22) ¶
Esta ressurreição é necessária para que possamos ter corpos, espírito e elemento corporal reunidos, nunca mais a serem separados. Nessa condição, estaremos preparados para entrar no reino de Deus, desde que satisfaçamos as condições estabelecidas no Evangelho, que obedeçamos às leis e ordenanças dele, pois a expiação de nosso Senhor e Salvador é para nos redimir de nossos pecados individuais, na condição de nossa obediência às leis e ordenanças do Evangelho. ¶
Sei, para minha completa satisfação, que Joseph Smith foi um profeta de Deus, tendo sido plenamente convencido disso por investigação e pelo Espírito e poder de Deus, e suas obras provam que ele foi, de fato, um profeta, inspirado do Senhor tal como o foi em vida. Sei que os que o sucederam na Presidência desta Igreja têm sido a boca de Deus para o povo, inspirados do alto, e têm dirigido a obra do Senhor à medida que ela tem progredido e prosperado continuamente, e que aquele que hoje está à cabeça da Igreja, como seu Presidente, é um homem de Deus, a boca e o profeta do Senhor para seu povo e para o mundo, inspirado do alto para as grandes responsabilidades que sobre ele repousam. ¶
O EVANGELHO, O PODER DE DEUS PARA A SALVAÇÃO ¶
Esta obra em que estamos empenhados como Santos dos Últimos Dias não é senão o Evangelho de Jesus Cristo, que foi instituído nos concílios dos céus antes de o mundo existir; aquele que foi ensinado pelo Salvador e por seus discípulos; aquele de que falou o Apóstolo Paulo ao escrever aos gálatas, quando disse: ¶
Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema. (Gálatas 1:8) ¶
É o poder de Deus para a salvação, temporal e espiritualmente, como já foi explicado nesta Conferência. É a lei pela qual toda a humanidade será julgada, e por ela condenada ou justificada segundo seu mérito. A justiça, portanto, exige que este Evangelho seja pregado e ensinado a todos os homens, ou, como dizem as escrituras: ¶
Antes da lei estava o pecado no mundo, porém o pecado não é imputado não havendo lei. ¶
Na misericórdia e na justiça de Deus, nosso Pai Eterno, este Evangelho será ensinado a todos os homens. Aqueles que não tiveram o privilégio de ouvi-lo nesta terra terão o privilégio de ouvi-lo no futuro, e, visto que há ordenanças a serem recebidas, necessárias à salvação do homem, foi feita provisão no Evangelho para que todos os que estão vivos, mediante pesquisa genealógica, descubram e conheçam seus antepassados falecidos, e vão aos templos do Senhor e ali os redimam, recebendo por eles, vicariamente, essas ordenanças de salvação. ¶
Este Evangelho que recebemos é o plano segundo o qual nosso Senhor e Salvador viveu enquanto esteve aqui na carne. Foi o que o fez ser o que foi em vida e o que é, entronizado na glória, à mão direita do Pai. É destinado a nos fazer semelhantes a ele, a nos salvar com ele, coerdeiros com Jesus Cristo de tudo o que o Pai possui. ¶
RESPONSABILIDADE PARA COM O PRÓXIMO ¶
Temos a responsabilidade, como Santos dos Últimos Dias, de pregar este Evangelho do reino a todo o mundo, como testemunho, antes que venha o fim. Por mais de um século, os Santos dos Últimos Dias têm se empenhado nesta importante obra, e muitas almas honestas, de muitas nações e das ilhas do mar, mediante a pregação do Evangelho, o abraçaram e viveram sua religião. Muitas delas já foram fielmente à sua recompensa. ¶
Há, ao nosso redor hoje, homens e mulheres que não conhecem a Deus, que não conhecem a religião — a verdadeira religião do Mestre — nem a salvação, em que ela consiste e como pode ser alcançada. Estão em profunda escuridão espiritual e estão entre os infortunados filhos de nosso Pai. Nós, como Santos dos Últimos Dias, recebemos a luz e conhecemos o caminho. Recai sobre nós a responsabilidade de estender a mão aos que se arrastam na ¶
escuridão. Penso na parábola do Salvador, do homem rico e do pobre, e nas consequências da negligência dos vivos em alimentar os famintos, vestir os nus e ministrar às necessidades humanas da humanidade. Essa negligência é punida no inferno e no tormento, assim nos dizem as escrituras. E também me lembro do que lemos nas escrituras sobre o que o Senhor disse a Ezequiel. A responsabilidade foi posta sobre ele, como sentinela nas torres de Sião, para advertir a humanidade, e lhe foi dito que, se não o fizesse, o sangue deles estaria sobre suas mãos. ¶
Espero e oro para que nós, como Santos dos Últimos Dias, tanto como Igreja quanto como indivíduos, possamos lavar nossas mãos do sangue e dos pecados desta geração, procurando salvar as almas dos filhos de nosso Pai, bem como as nossas próprias. Ao procurarmos os interesses e a salvação dos outros, estamos trabalhando por nossa própria salvação e glória. Temos nossos mortos a serem redimidos, uma tremenda responsabilidade que recai sobre nós. Espera-se de nós, penso eu, que façamos mais do que qualquer um de nós é capaz de fazer, indo ao templo e recebendo essas ordenanças. Deus nos tem abençoado com a abundância desta terra, e penso que ele espera que usemos liberalmente da riqueza que colocou em nosso colo para redimir nossos mortos. Isso pode ser feito empregando homens e mulheres cujas condições financeiras são tais que, de outra forma, seriam obrigados a trabalhar por uma mera ninharia. Grande parte do trabalho que se realiza no templo é feito gratuitamente. É apenas um elemento desse trabalho que temos de pagar — um procurador para fazer o trabalho por nós. E, ao empregar essa classe de pessoas, sinto que estamos apoiando e sustentando este grande movimento da Igreja. Estamos alimentando os famintos, estamos vestindo os nus. Estamos ministrando aos que estão necessitados, e, fazendo isso, colocamo-nos entre os que são referidos como estando à direita do Salvador quando ele vier, e a quem ele dirá: ¶
Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; ¶
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me. ¶
Há abundância neste mundo, e de sobra. O Senhor assim o disse por revelação. Nós, os que somos afortunados, devemos olhar para os desafortunados, pois essa é a religião pura e imaculada. Devemos estar dispostos a repartir o que temos, seja muito ou pouco, a fim de evitar o sofrimento entre os filhos dos homens. Este Evangelho é, do início ao fim, um Evangelho de amor, de sacrifício e de serviço. Tanto o Pai quanto o Filho nos deram um maravilhoso exemplo com respeito a esses princípios. Como lemos nas escrituras: ¶
Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16) ¶
O Filho se entregou a si mesmo por causa do amor que tinha pelos filhos dos homens. Ele disse: ¶
... dou a minha vida, para tornar a tomá-la. ¶
Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. (João 10:17-18) ¶
Eis aqui o amor supremo — o amor perfeito, o amor de um Deus manifestado em um dom, o maior que jamais foi dado; seu sacrifício, o maior que jamais foi feito; em serviço, o mais nobre, o mais importante que jamais foi prestado. ¶
Nós, filhos de nosso Pai, devemos seguir o exemplo deles. Nada menos que isso satisfará as exigências do Evangelho e nos trará satisfação eterna. ¶
Que o Senhor nos ajude a ver nosso dever para conosco mesmos, nosso dever para com nosso Deus e para com nosso próximo, vivos e mortos, a cumpri-los fielmente enquanto seguirmos essas obrigações e responsabilidades, e a fazer toda a preparação necessária para a vida que há de vir, oro em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶