Relatório da Missão Francesa
Daniel J. Lang
ÉLDER DANIEL J. LANG ¶
Ex-Presidente da Missão Francesa ¶
Faz mais de três anos que, em companhia de minha esposa, deixei meu lar para cumprir minha terceira missão entre o povo de língua francesa. Esta parte missionária de minha vida, somando mais de sete anos, tem sido uma rica experiência. Sou grato a meu Pai Celestial pelo privilégio de ter realizado este serviço — pela proteção que ele nos concedeu em nossas extensas viagens, e por sua inspiração que sentimos em nosso ministério. ¶
Tem sido uma alegria ver os frutos de nosso trabalho, manifestados pelo número crescente de batismos realizados. À medida que os ramos cresciam suficientemente em número de membros e em compreensão, os irmãos locais receberam o sacerdócio e foram organizados em regime de autogoverno. As organizações auxiliares estão funcionando na Missão Francesa. Temos agora todas as organizações auxiliares representadas, graças, em grande parte, aos esforços eficientes e devotados de nossas missionárias, que chegaram àquela missão recentemente. As atividades recreativas promovidas sob os auspícios da Escola Dominical, da Associação de Melhoramentos Mútuos, da Sociedade de Socorro, da Primária, etc., comparam-se muito favoravelmente com as atividades daqui, de nossa terra — naturalmente, com nosso número muito menor. ¶
É interessante ver Sião sendo edificada e estabelecida na Europa, e ver os ideais dos Santos dos Últimos Dias permeando os lares dos membros fiéis da Igreja. Sentimos a influência salutar nesses lares, tão boa e doce quanto as influências que encontramos nos lares bem regulados de nossa terra. O Senhor está abençoando esse povo, incutindo em seus corações firmes testemunhos da veracidade do Evangelho. Com isso, recebem a força necessária para vencer muitos obstáculos que se apresentam nos caminhos da vida, nos quais as influências mundanas são muito fortes e às vezes tendem a quase dominá-los. ¶
Estamos construindo igrejas na Europa, e são belos edifícios. São marcos notáveis que contribuem para a estabilidade entre as nações em que trabalhamos. É gratificante notar a mudança de sentimento a favor da Igreja. Em viagens, especialmente a bordo de navios, temos muitas ocasiões de conversar. Encontramos pessoas muito mais interessadas em nosso trabalho. Em consequência disso, foi nossa alegria, nos últimos anos, constatar que colocamos literatura nas mãos de muitas pessoas que a estudaram e apreciaram. Pessoas vindas da Argélia, de Marrocos, do Egito, da Palestina, da Índia, do Sião, da China e do Japão aceitaram avidamente nossa literatura. Os jornais estão publicando artigos muito mais favoráveis ao povo mórmon do que anteriormente. Quando publicam coisas que não são verdadeiras, geralmente conseguimos obter respostas favoráveis nesses mesmos jornais. ¶
Somos recebidos com cortesia pelas autoridades e, em consequência disso, somos apresentados a alguns dos melhores círculos sociais. Nosso maior obstáculo, naturalmente, é a indiferença entre o povo. Sinto, contudo, que essa indiferença em relação a assuntos religiosos não é maior na França do que em qualquer outro país. O povo francês pode ser considerado um povo religioso. É um povo econômico e muito moderado em seus hábitos. Aprendemos a apreciar muito essa condição. Não creio que o povo francês seja muito diferente dos demais; e, considerando tudo, creio que os resultados serão igualmente grandes entre eles, se pudermos dedicar esforço ao trabalho missionário ali. ¶
Desejo dizer que os responsáveis pela Casa da Missão aqui, e especialmente os responsáveis por nossos seminários, merecem ser muito congratulados pelo excelente trabalho que estão realizando. O moral de nossos missionários franceses é excelente, e isso é especialmente verdadeiro quanto aos élderes que têm chegado ao campo recentemente. Atribuo essa condição, em grande parte, ao excelente trabalho que se realiza nessas instituições. ¶
Gostaria também de recomendar que nossos jovens sejam ensinados quanto às funções de nossas organizações auxiliares, e especialmente da Sociedade de Socorro, pois estas são valiosos auxílios no trabalho de pregação no mundo. Temos satisfação em relatar o excelente moral entre nosso povo, e especialmente entre nossos élderes. Creio que o desenvolvimento espiritual de nossos élderes na Missão Francesa é tão grande quanto em qualquer outra missão, porque as oportunidades são boas. Nossos jovens passam a amar o povo, amar o país e relutam em deixar o campo missionário. Desejo enfatizar isto. Constato também que, no campo missionário, vemos com melhor perspectiva a grande obra que se realiza aqui. Certamente em lugar algum os ministros do Evangelho falam com maior força, fervor, conhecimento e autoridade, nem transmitem maior convicção ao coração humano, do que a instrução dada aqui por nossos irmãos neste santuário e em suas dependências. Em lugar algum mais os homens proclamam com tanta certeza e tão firme convicção que Deus é nosso Pai, que Jesus é o Cristo. Afirmam que, guardando os mandamentos de Deus, tal como ele os revelou nestes últimos dias ao Profeta Joseph Smith, isso produzirá a felicidade e a retidão de coração tão necessárias para curar as feridas deste mundo hoje tão aflito. ¶
Esta mensagem de salvação é transmitida de boca em boca e cantada nas almas dos seres humanos que circundam todo o globo. É como uma pedrinha lançada num tanque de água límpida. As ondas se propagam a grande distância, e nós, no campo missionário, sentimos essas ondas. Os irmãos aqui estão dando instruções valiosas, e elas estão permeando o mundo inteiro, e sentimos a força disso no campo missionário. Espero que apreciemos plenamente as bênçãos de que desfrutamos. Sou grato por estar em casa e conviver com meus irmãos. Sou grato pela oportunidade que me foi dada. ¶
Outro dia, um homem mais ou menos fiel disse: "Não sei se vale a pena que os senhores saiam para proclamar o Evangelho." Ele não estava vivendo como deveria, e, se ele estiver ao alcance de minha voz, desejo dizer-lhe isto: que nenhuma vantagem material pode comparar-se ao impulso justo e à alegria que nos é dada ao sair pelo mundo para fazer trabalho missionário. Creio que estamos edificando melhor do que sabemos, que essa grande verdade está permeando o mundo, e que não está distante o tempo em que haverá uma busca espontânea pelos princípios de retidão ensinados pelo Evangelho de Jesus Cristo, revelado nestes últimos dias. Creio que essa é a única maneira pela qual a paz e a alegria podem vir a este mundo. ¶
Que apreciemos nossas bênçãos. Que avancemos com fervor. Que nos esforcemos por fazer o certo nas coisas materiais da vida. Regozijo-me na maneira prática com que aplicamos o Evangelho. O mundo está começando a prestar atenção. Espero que todos cumpram plenamente seu dever, e que Deus nos dê força para prosseguir, e isto peço em nome de Jesus. Amém. ¶