Relatório da Missão dos Estados do Leste
Don B. Colton
Estas palavras da Seção 128 de Doutrina e Convênios vêm à minha mente ao levantar-me diante de vós nesta tarde: ¶
Agora, o que ouvimos no evangelho que recebemos? Uma voz de alegria! Uma voz de misericórdia do céu; e uma voz de verdade saindo da Terra; alegres novas para os mortos; uma voz de alegria para os vivos e os mortos; boas novas de grande alegria. Quão formosos são sobre os montes os pés daqueles que anunciam alegres novas de coisas boas e que dizem a Sião: Eis que teu Deus reina! Como o orvalho de Carmelo, assim descerá sobre eles o conhecimento de Deus! ¶
E também, o que ouvimos? Alegres novas de Cumora! Morôni, um anjo do céu, anunciando o cumprimento dos profetas — o livro a ser revelado. A voz do Senhor no ermo de Fayette, Condado de Sêneca, anunciando as três testemunhas que testificariam quanto ao livro! ¶
O acontecimento mais notável dos últimos seis meses na Missão dos Estados do Leste foi a dedicação do monumento no Monte Cumora, perto de Palmyra, Nova York. Fez-se referência a esse acontecimento nesta manhã. A obra da missão concentrou-se, durante o verão, em grande parte naquele lugar. Nossos missionários visitaram todos os lares num raio de vinte milhas do Monte Cumora. Mais de setenta mil pessoas vivem dentro dessa área. ¶
Somos profundamente gratos ao Senhor pelas bênçãos que nos têm sido concedidas em nossa missão. Somos especialmente gratos pela excelente publicidade dada por meio de jornais, revistas e rádios a respeito da dedicação do monumento. Milhares de artigos foram publicados. O Monte Cumora tem continuado a ser um lugar de interesse para muitas pessoas desde que se realizaram os serviços de dedicação. Não passou um único dia, desde a dedicação do monumento, em que muitas pessoas não tenham vindo àquela colina. Quarenta, creio, é o menor número, e já tivemos até setecentas e setenta pessoas num único dia visitando o monumento e ouvindo a mensagem dos missionários que têm sido designados para aquela localidade. ¶
Não sei se vós apreciais plenamente, como nós apreciamos, as bênçãos da publicidade. As mensagens de nossos irmãos que nos visitaram foram registradas em detalhe e publicadas em literalmente centenas dos jornais daquela missão. ¶
Fez-se referência a indivíduos, ao Presidente da Igreja e a muitos outros da maneira mais gentil. ¶
Recordo-me neste momento de algumas das citações que foram feitas a respeito de nossas atividades, e, com o consentimento dos irmãos, gostaria de inserir em minhas palavras, no registro permanente, algumas dessas breves citações. ¶
O Evening Journal de Rochester, Nova York, fez esta previsão em 15 de junho de 1935: ¶
Quando Joseph Smith, fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conduziu seu pequeno grupo de fiéis seguidores para o oeste, partindo de Palmyra, há 100 anos, foi porque haviam sido expulsos pela perseguição de outras seitas nesta vizinhança. ¶
Mas quando seus descendentes, muitos dos quais entre as figuras mais ricas e proeminentes da nação, retornarem aqui no próximo mês, serão recebidos de braços abertos. Um feriado será declarado em sua honra — a chave da cidade será deles. ¶
Em 14 de julho, o Rochester Democrat and Chronicle publicou uma reportagem de página inteira, que se concluía com estas palavras: ¶
A história se repetiu no oeste de Nova York quando, este ano, a história do mormonismo foi levada ao povo da região por meio de uma campanha missionária planejada, da qual participaram 50 jovens homens e mulheres da igreja do Oeste, muitos dos quais eram descendentes de terceira e quarta geração dos primeiros conversos neste estado. ¶
Na próxima celebração, no próprio local do monumento, será realizado um retorno ao lar de proporções singulares. Milhares de adeptos da fé que teve seu berço em Palmyra há um século retornarão para ver a marcação de um de seus lugares proeminentes e a comemoração de um de seus acontecimentos marcantes. ¶
Embora os primeiros mórmons tenham sido expulsos de Nova York por vizinhos que não os compreendiam, em 1831, seus descendentes que retornam são recebidos por amigos nos mesmos lugares. Onde a fé foi outrora desprezada, os missionários encontram pessoas que desejam conhecê-la. ¶
Construindo um imponente memorial no local de nascimento de sua igreja, os Santos dos Últimos Dias retomam os fios de uma religião que haviam sido deixados há cem anos. ¶
A dedicação do monumento foi noticiada desta maneira pelo Courier-Express de Buffalo em 22 de julho: ¶
Há cerca de 105 anos, Joseph Smith e seu pequeno grupo de seguidores foram expulsos de seus lares em Palmyra e Manchester, obrigados a vagar pelo continente antes de encontrarem paz. ¶
Ontem, aproximadamente 3.000 pessoas de todas as partes dos Estados Unidos e do Canadá, tão firmes em sua fé mórmon quanto o grupo maltratado de 1830, retornaram a Palmyra e Manchester. Prósperos e zelosos por sua religião, vieram como convidados de honra das mesmas comunidades onde os fundadores de sua fé foram apedrejados e mortos. ¶
O New York Times, na mesma data, citou assim um dos oradores do dia da dedicação: ¶
Não erguemos este monumento para expressar a riqueza da Igreja, nem os feitos — por mais grandiosos que tenham sido — ocorridos entre 1820 e 1830 ¶
neste solo sagrado, mas para expressar gratidão pelo evangelho de Jesus, disse o Sr. McKay. ¶
É um monumento à pergunta e à resposta das eras: se um homem morrer, viverá ele de novo? Devemos, em testemunho de Joseph Smith, dizer que, se um homem morrer, ele viverá de novo. ¶
Uma reportagem escrita com notável simpatia e compreensão pela Sra. Thelma G. Bryant, de Monroe, Michigan, foi publicada pelo Evening News daquela cidade em 27 de julho: ¶
Se os mortos podem ver e saber dos acontecimentos terrenos, como algumas pessoas acreditam que possam, então o coração de Joseph Smith, o profeta mórmon, deve ter se enchido de alegria por causa dos recentes acontecimentos em torno do lar de sua infância. Mais de 5.000 de seus seguidores, e outros, reuniram-se na "Terra de Cumora," como é chamada pelos mórmons, para uma celebração de quatro dias comemorando a restauração do evangelho. No domingo, 21 de julho, no topo da Colina Mórmon, como os nativos de lá há muito a chamam, ou o Monte Cumora, como dizem os mórmons, foi descerrado e dedicado um belo monumento, colocado para marcar o lugar onde se afirma que o jovem Profeta Joseph encontrou as tábuas de ouro das quais traduziu o registro conhecido como o Livro de Mórmon. ¶
Vieram membros de longas distâncias, alguns da Califórnia, Idaho, Maryland, Virgínia, Massachusetts e Michigan. Uma grande delegação veio de Utah, entre eles Heber J. Grant, que é o chefe da igreja em todo o mundo. Havia também vários apóstolos e outros importantes líderes da igreja. De maneira simples e despretensiosa, esses homens falaram, prestando tributo ao homem Joseph, o primeiro profeta dos últimos dias. O Sr. Grant ocupa hoje na igreja o mesmo lugar que Joseph ocupou, e é honrado por seu povo como profeta, vidente e revelador para a igreja. Apesar de sua alta posição, o Sr. Grant, assim como os outros líderes da igreja, misturou-se livremente entre o povo. ¶
Os jornais citaram grande parte dos maravilhosos discursos proferidos pelo Presidente Grant e pelo Presidente McKay na última sessão da conferência. O Presidente McKay disse, se bem me lembro, que o monumento significava pelo menos quatro coisas: primeiro, a personalidade e a realidade de nosso Pai nos céus; segundo, que Ele comunicou Sua mente e Sua vontade aos homens neste dia; terceiro, que Ele deu autoridade para estabelecer Sua igreja na terra; e quarto, que não há morte. O Presidente Grant deu um poderosíssimo testemunho da divindade do Evangelho. ¶
Há pouco tempo, um homem visitou o Monte Cumora e, depois de ouvir a história dos élderes, disse: "A prova da grandeza de um homem se mede pelas ideias que lhe são originais. O que Joseph Smith deu ao mundo de novo em termos de ideias?" ¶
Nosso élder respondeu: "Pelo menos quatro me ocorrem agora: primeiro, diante de uma doutrina segundo a qual o homem é um verme do pó" — o que, aliás, não tem lugar na filosofia mórmon — "ele deu ao mundo a ideia da relação do homem com Deus. Ele reafirmou o que o Salmista havia dito, que o Senhor havia criado o homem um pouco menor que os anjos. Ele deu ao mundo a ideia da grandeza do homem, e não de sua pequenez, desde que ele procure tornar-se grande. Segundo, ele também deu ao mundo a ideia da origem do homem. É verdade que isso já havia sido ensinado antes, mas era ¶
novo religiosamente." A pré-existência do homem, até onde sei, é uma doutrina, ainda hoje, peculiar aos Santos dos Últimos Dias. "Terceiro," disse nosso missionário, "ele deu ao mundo o pensamento de que toda religião verdadeira se baseia na doutrina do livre-arbítrio; que é a liberdade e a razão que nos fazem homens, diante de uma doutrina aceita da predestinação. E quarto, ele deu ao mundo uma bela e maravilhosamente nova doutrina da continuidade, ou do progresso eterno, do crescimento e do desenvolvimento na vida futura; que não existe tal coisa como estagnação, na teologia mórmon; que naquele mundo retomamos os fios da vida em grande parte de onde os deixamos aqui, e prosseguimos rumo a um crescimento e desenvolvimento sem fim através das incontáveis eras da eternidade." ¶
Quando nosso missionário terminou de falar — não usei, é claro, suas palavras exatas — quando ele terminou de falar, esse homem disse: "Tenho estado ouvindo e procurando ideias como as que o senhor expôs aqui hoje. Quero uma religião que me dê uma revelação sobre o parentesco do homem com Deus. Quero acreditar que sou grande se eu mesmo me tornar grande. Quero adorar um Deus que se digne a chamar-me de filho seu, e que revele que sou Seu filho literal. Mas quero que essa religião se baseie no livre-arbítrio, com o glorioso pensamento de que, por cada ato pessoal, eu mesmo sou responsável, ao chegar à idade da responsabilidade." ¶
Esse é o Evangelho de Jesus Cristo. Essa é a gloriosa mensagem. Ela se funda na doutrina do livre-arbítrio, mas sempre com o pensamento de que somos recompensados e progredimos à medida que buscamos conhecimento, ganhamos poder e crescemos rumo ao bem, ao infinito e ao justo. Esta é uma mensagem gloriosa, e quão belas, quão maravilhosas são estas boas novas de grande alegria! ¶
Os missionários dos Estados do Leste têm estado felizes neste verão. Estiveram emocionados. Gostaria de poder contar-vos, especialmente a vós, pais, alguns dos testemunhos que foram dados em minha presença por vossos filhos e filhas ali, proclamando a palavra de Deus. Alegraram-se e ficaram emocionados na dedicação, quando tivemos conosco dois membros da Primeira Presidência, quatro ou cinco do Conselho dos Doze, um membro do Primeiro Conselho dos Setenta, o Bispo Presidente, e outros das juntas gerais e representantes das diversas organizações da Igreja. ¶
Regozijamo-nos no privilégio que é nosso de trabalhar na terra onde o mormonismo teve seu nascimento. Com novo orgulho, com nova esperança, com nova emoção, realizamos nossos trabalhos da melhor forma que podemos. Em humildade, mas com a força que nasce da convicção, damos nosso testemunho de que sabemos que Deus vive; que Ele é uma personalidade e uma realidade; que Ele se revelou neste dia; que Ele deu autoridade para organizar e edificar Sua Igreja; que sabemos que a vida é real, e que não há morte — vida, vida eterna, gloriosa, esplêndida e maravilhosa vida. ¶
Que Deus nos ajude a vivê-la bem, oro, em nome de Jesus Cristo, Amém. ¶