Pulpit

O Crescimento da Igreja e o Dom da Fé

Heber J. Grant

Conferência Geral de Abril de 1935·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1935-04-05

É um verdadeiro prazer ter novamente a oportunidade de me reunir com os Santos em conferência geral. Todos nós, sem dúvida, nos regozijamos com o notável crescimento da Igreja.

O CRESCIMENTO DA IGREJA

Recordo que não tínhamos trinta estacas quando, há cinquenta e dois anos, fui feito membro do Conselho dos Doze. Recordo que, ao visitar Rexburg, então um ramo de uma ala no Vale de Cache, tínhamos apenas 1.300 pessoas ao norte do Vale de Cache; agora temos, tenho certeza, mais de 100.000 naquela região, contando os que estão no Canadá.

Pouco antes de me tornar um dos Apóstolos, viajei de Tooele até Salt Lake City, depois através das estacas de Salt Lake, Davis, Weber e Box Elder até Brigham City, e mais dois dias e uma fração para o oeste, dormindo no chão por duas noites, para visitar um ramo da ala de Grantsville, da estaca de Tooele, de Sião. Agora temos meia dúzia de estacas a oeste de Brigham City.

GRATO PELA MUDANÇA DE SENTIMENTO

Regozijo-me com a organização de novas estacas na Califórnia, e de uma em Nova York. Quando penso na oposição à Igreja, nos primeiros dias, por parte do povo de Nova York; na oposição ao nosso povo em Ohio e em Far West; em sua expulsão do Missouri, sob uma ordem de extermínio do governador do estado; quando penso que Joseph Smith e outros de seus companheiros foram condenados a serem fuzilados por ordem de uma corte marcial, sou grato pela mudança de sentimento para com nosso povo.

Quando penso em Nauvoo, a maior cidade de Illinois naquela época, com 20.000 habitantes, que o povo teve de deixar aquela cidade, e que, depois que Brigham Young e os homens capazes de se defender partiram, o restante foi expulso por uma turba, sou grato pela mudança que ocorreu. Nenhuma língua pode contar, e nenhuma pena pode retratar, as dificuldades que nosso povo suportou no Missouri e em Illinois.

Durante os três longos anos em que presidi as missões europeia e britânica, não consegui colocar um único e solitário artigo em nenhum jornal de nenhuma parte das Ilhas Britânicas, refutando algumas das mais vis e perversas calúnias que circulavam sobre os Santos dos Últimos Dias. Hoje, por toda a extensão das Ilhas Britânicas, repórteres comparecem às nossas reuniões e fazem relatos honrosos e diretos a respeito delas.

Por ocasião da organização de uma estaca em Nova York, os principais jornais daquela grande cidade nos deram excelentes notícias, e não houve comentários desfavoráveis. Quando penso nessas coisas, e no maravilhoso crescimento da Igreja, de cerca de 200.000 quando fui feito apóstolo para mais de 700.000 hoje, meu coração se enche de gratidão. Quando lembro da boa vontade que me foi demonstrada na ocasião em que falei, em 1920, perante o Knife and Fork Club, em Kansas City, quando me foi dado o privilégio de falar por uma hora, enquanto os outros dois homens no programa — um deles, creio, presidente de uma universidade perto de Chicago — receberam cada um apenas meia hora, e eu fui anunciado como o orador principal, tendo isso acontecido a dez milhas de onde nosso povo estava localizado quando foi expulso pela ordem de extermínio do governador do estado, meu coração se enche de gratidão e ação de graças. Creio que hoje o nome "mórmon", se um homem vive de acordo com os ensinamentos do Evangelho de Cristo, é um atestado de boa vontade e caráter, no que diz respeito àqueles que conhecem os Santos dos Últimos Dias.

O DOM DA FÉ

Sou grato por, desde que era criança até o presente, ter sido abençoado com o dom da fé, que é um dom de Deus. Recordo muitas coisas que, quando jovem, eu não entendia nem conseguia compreender, mas que, ainda assim, cria, e cria firmemente. Uma das coisas em que eu cria, mas que parecia uma impossibilidade, era a afirmação de que todo ouvido deveria ouvir e todo olho deveria ver.

FALA AO MUNDO

Regozijo-me por, apenas no sábado passado à noite — ou deveria dizer, na manhã de domingo, à 0h30 — ter tido o privilégio de transmitir pela Estação KSL uma mensagem dos Santos dos Últimos Dias ao povo do mundo, e que, mais tarde naquele dia, chegou um telegrama transatlântico, vindo de Tóquio, no Japão:

"Nevando, milhares apreciando o programa."

Fui solicitado por várias pessoas a fornecer-lhes uma cópia desse discurso, e decidi lê-lo aqui hoje, a fim de que fique registrado em nossos anais:

Tenho grande satisfação em ter esta oportunidade de enviar minha mensagem de amor e bênção aos Santos dos Últimos Dias por todo o mundo, e a todos os demais que estejam ouvindo.

Se o tempo permitisse, tenho certeza de que meus ouvintes se interessariam em ouvir todas as Regras de Fé da Igreja de Jesus Cristo que represento esta noite, e nossa "Declaração de Crenças a Respeito de Governos e Leis em Geral".

A quinta Regra diz:

Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, por profecia, e pela imposição de mãos, por quem possua autoridade, para pregar o Evangelho e administrar as suas ordenanças.

REIVINDICAÇÃO DE AUTORIDADE

Reivindicamos essa autoridade e declaramos a todo o mundo que João Batista, que detinha as chaves da autoridade para batizar, restaurou o sacerdócio Aarônico e o conferiu a Joseph Smith e Oliver Cowdery; e também que Pedro, Tiago e João, Apóstolos do Senhor Jesus Cristo, restauraram o sacerdócio superior, ou de Melquisedeque, ordenando esses mesmos homens ao apostolado.

A décima primeira Regra de Fé diz:

Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde, ou o que desejarem.

A décima terceira Regra diz, em parte:

Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos.

A RESPEITO DE GOVERNOS

Citando a "Declaração de Crenças":

Cremos que os governos foram instituídos por Deus em benefício do homem; e que ele considera os homens responsáveis por seus atos em relação aos mesmos, tanto na formulação de leis como em sua execução, para o bem e segurança da sociedade.

Cremos que nenhum governo pode existir em paz a não ser que tais leis sejam feitas e mantidas invioladas, de modo a garantir a todo indivíduo o livre exercício de consciência, o direito e domínio de propriedade e a proteção da vida . . .

Cremos que todos os homens têm a responsabilidade de suster e apoiar o governo do lugar em que residem, desde que protegidos em seus direitos inerentes e inalienáveis pelas leis de tal governo; e que o motim e a rebelião são inadequados a todo cidadão assim protegido e devem ser punidos convenientemente; e que todos os governos têm o direito de estabelecer leis que, a seu ver, sejam mais adequadas para assegurar os interesses públicos; ao mesmo tempo, contudo, mantendo sagrada a liberdade de consciência . . .

Não cremos ser justo misturar influência religiosa com governo civil, o que faz com que uma sociedade religiosa seja favorecida e outra, restrita em seus privilégios espirituais; e os direitos individuais de seus membros, como cidadãos, sejam negados.

NOSSA MENSAGEM AO MUNDO

O que o mundo mais precisa hoje, acima de tudo, é de uma fé implícita em Deus, nosso Pai, e em Jesus Cristo, seu Filho, como o Redentor do mundo. A mensagem da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ao mundo é que Deus vive, que Jesus Cristo é seu Filho, e que eles apareceram ao jovem Joseph Smith, e lhe prometeram que ele seria um instrumento nas mãos do Senhor para restaurar o verdadeiro Evangelho ao mundo. Cito de uma Visão dada a Joseph Smith e Sidney Rigdon:

E este é o evangelho, as alegres novas, que a voz do céu nos testificou —

Que ele veio ao mundo, sim, Jesus, para ser crucificado pelo mundo e para tomar sobre si os pecados do mundo e para santificar o mundo e purificá-lo de toda iniquidade;

Para que, por intermédio dele, fossem salvos todos os que o Pai havia posto em seu poder e feito por meio dele;

Ele que glorifica o Pai e salva todas as obras de suas mãos, exceto os filhos de perdição, que negam o Filho depois que o Pai o revelou.

E, novamente, da mesma Visão:

E contemplamos a glória do Filho, à direita do Pai, e recebemos de sua plenitude;

E vimos os santos anjos e os que são santificados diante de seu trono, adorando a Deus e ao Cordeiro, a quem adoram para todo o sempre.

E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive!

Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai —

Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus.

AMPLO MINISTÉRIO

Tem sido meu grande privilégio dar este testemunho na Inglaterra, na Irlanda, na Escócia, no País de Gales, na Alemanha, na França, na Holanda, na Bélgica, na Suíça, na Itália, na Noruega, na Suécia, na Dinamarca, no Canadá, no México, nas Ilhas Havaianas e no distante Japão, e elevar minha voz declarando que nosso Pai Celestial e seu Filho amado falaram novamente dos céus, que o Evangelho de nosso Redentor foi restaurado à terra, e testificar que sei que Deus vive, que sei que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo e o Redentor da humanidade, e que sei que Joseph Smith foi o instrumento nas mãos do Senhor para restaurar o Evangelho eterno.

Meu apelo a todos os membros da Igreja que possuem esse mesmo testemunho é que vivam de tal maneira que outros homens, vendo suas boas obras, sejam inspirados a investigar o Evangelho de nosso Redentor.

Faltam-me palavras para expressar minha profunda gratidão a Deus pelo rádio, que me dá esta oportunidade de dar meu testemunho a todo o povo do mundo sobre a restauração do Evangelho de Jesus Cristo. Oro para que o Senhor abençoe toda a humanidade nestes tempos conturbados, para que a sabedoria seja dada aos homens em todas as terras, a fim de que vivam de tal modo que a paz venha aos povos do mundo.

(Fim da mensagem transmitida ao mundo.)

GRATO PELA FÉ

Não tenho palavras para expressar minha gratidão pela fé que tive, quando criança, de que chegaria o dia em que todo ouvido ouviria. Sou grato também pela fé que tinha, na mesma época, de que todo olho veria. Há alguns anos, tive o privilégio, estando em Nova York, e num grande edifício de vinte ou trinta andares, de falar com minha filha e minha neta por televisão, estando elas a três ou quatro milhas de distância naquele momento, e eu as via perfeitamente.

LÊ AS REGRAS DE FÉ

Sou verdadeiramente grato por toda bênção que me chegou por causa do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, o plano de vida e salvação, e, uma vez que o que estou dizendo está sendo transmitido, vou ler todas as Regras de nossa Fé, embora eu suponha que toda alma ao alcance de minha voz neste edifício, e todos os Santos dos Últimos Dias por todo o mundo, estejam familiarizados com essas Regras, e quase todas as nossas crianças possam repeti-las. Lembro-me de tê-las aprendido quando pequeno, na escola dominical, mas, como pode haver muitas pessoas em diferentes partes do mundo ouvindo o que se diz aqui hoje, como eu disse em minha mensagem ao mundo, gostaria de repetir todas as Regras. O tempo não me permitiu fazê-lo naquela ocasião, pois eu tinha apenas dez minutos e me mantive dentro do limite que me foi dado.

Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo.

Quando dizemos que cremos em Deus, queremos dizer que cremos nele como uma individualidade, como sendo verdadeiramente o Pai de Jesus Cristo — não um conjunto de leis flutuando pelo universo, sem forma e vazio, mas cremos que ele é o Pai de Jesus Cristo. Ele é o Deus a quem nós, Santos dos Últimos Dias, adoramos; e cremos que Jesus Cristo é, não apenas um dos grandes mestres morais, o maior que o mundo já conheceu, mas o Filho de Deus, o Redentor da humanidade, que veio à terra com uma missão divinamente designada, para morrer na cruz, para que você, eu e todos, eventualmente, possamos ter parte na ressurreição.

Cremos que os homens serão punidos por seus próprios pecados e não pela transgressão de Adão.

Em outras palavras, "assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados."

Cremos que, por meio da Expiação de Cristo, toda a humanidade pode ser salva, pela obediência às leis e ordenanças do Evangelho.

A NECESSIDADE DE OBEDIÊNCIA

Cremos enfaticamente no que ali se diz: "pela obediência às leis e ordenanças do Evangelho." Não temos fé no arrependimento de leito de morte. Não temos fé em que, fazendo uma confissão pouco antes da morte, possamos ser salvos.

Cremos que os primeiros princípios e ordenanças do Evangelho são: primeiro, fé no Senhor Jesus Cristo; segundo, arrependimento; terceiro, batismo por imersão para a remissão de pecados; quarto, imposição de mãos para o dom do Espírito Santo.

Convidamos os homens a ler um livro intitulado "Regras de Fé", que contém as referências escriturísticas que sustentam nossa posição.

Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, por profecia, e pela imposição de mãos, por quem possua autoridade, para pregar o Evangelho e administrar as suas ordenanças.

Como já afirmei em meu discurso ao mundo, reivindicamos essa autoridade.

Cremos na mesma organização que existia na Igreja Primitiva, isto é, apóstolos, profetas, pastores, mestres, evangelistas, etc.

TESTEMUNHOS INDIVIDUAIS

Não haveria necessidade de crer nesses vários ofícios, a menos que aqueles que os ocupam tenham a inspiração do Deus vivo e magnifiquem os cargos que detêm. A menos que Joseph Smith tenha sido, de fato e verdadeiramente, um profeta do Deus vivo, toda a estrutura chamada mormonismo desmorona. Mas nós sabemos; não é questão de crença. Os Santos dos Últimos Dias, individualmente, quase sem exceção, receberam testemunhos da missão divina do Profeta Joseph Smith. Centenas e milhares, sim, centenas de milhares de pessoas que jamais se congregaram em Sião, que jamais viveram numa estaca de Sião, desde a terra do sol da meia-noite, na Escandinávia, até a África do Sul, foram abençoadas com testemunhos individuais, em resposta a orações fervorosas, de que Deus vive e que Jesus Cristo é, deveras, seu Filho, e também de que Joseph Smith foi um profeta de Deus.

A afirmação feita pelo Anjo Morôni, antes de a Igreja nascer, de que o nome de Joseph Smith seria mencionado para o bem e para o mal em todo o mundo, cumpriu-se, apesar de essa afirmação ter sido, à época, ridicularizada, e Joseph Smith taxado de ignorante.

BÊNÇÃOS PATRIARCAIS

A menos que o evangelista, ou patriarca, seja capaz, sob a inspiração de Deus, de dar bênçãos que se cumpram, então nada se ganha em crer nos evangelistas. Quando criança, recebi uma bênção patriarcal na qual me foram prometidas, praticamente, as próprias coisas que aconteceram comigo durante toda a minha vida. Quando eu era jovem, presidindo a estaca de Tooele, de Sião, o patriarca daquela estaca abençoou minha filhinha, que então tinha seis meses de idade, e prometeu-lhe que ela viveria para se tornar mãe; que viveria para se tornar uma das líderes entre suas irmãs. Posteriormente, quando ela estava à beira da morte, com difteria, uma médium espírita decretou sua morte. Graças a Deus pelo sacerdócio que está sobre a terra e pela autoridade desse sacerdócio. Estando George Q. Cannon e Hiram B. Clawson em Washington naquela época, mandei chamá-los para virem administrar à minha filhinha, que, segundo me lembro, tinha então entre doze e treze anos de idade, e eles prometeram-lhe que ela viveria e se tornaria mãe; e George Q. Cannon disse algo que eu jamais havia ouvido antes, nem ouvi depois.

Ele disse:

O adversário, o destruidor, decretou tua morte, e fez disso um anúncio público, mas, pela autoridade do sacerdócio do Deus vivo que detemos, repreendemos esse decreto e te prometemos vida.

O DECRETO DO ADVERSÁRIO REPREENDIDO

Pensei repetidas vezes naquela notável afirmação. No dia em que eu deveria deixar Washington, a senhora que administrava a pensão onde estávamos hospedados estava ausente, e seu marido estava encarregado.

Ele disse:

Sr. Grant, não posso resistir à tentação de lhe contar que, quando suas filhas adoeceram, minha esposa visitou sua médium — ela acredita em médiuns espíritas — e a médium lhe disse que via em sua casa duas meninas; que a mais velha adoecera, chegando às portas da morte; que a segunda menina também adoecera e chegara às portas da morte. Por fim, ela viu a mais velha se recuperar, depois viu a mais nova morrer, e viu seu corpo ser levado a uma estação ferroviária; viu-o ser transportado num trem através de muitas grandes cidades, e parar numa grande cidade, e trocar de trem. Ela o viu atravessar um grande rio [vocês todos sabem que é preciso atravessar o Rio Mississippi para chegar até aqui]; viu-o passar por mais algumas cidades e atravessar outro grande rio, e depois viajar por um território pouco povoado.

(Quarenta anos atrás, o território a oeste do Missouri era, de fato, pouco povoado.)

Depois ela viu o trem subindo montanhas, montanhas, montanhas, seguindo sempre para o oeste. Depois o viu seguir para o sul por uma curta distância [de Ogden a Salt Lake, é claro]. Depois o viu parar num vale quase completamente cercado de montanhas, e então o corpo foi levado à encosta de um monte e depositado na sepultura.

Graças a Deus pelo poder do sacerdócio que repreendeu o decreto do adversário, decreto esse que fora tornado público.

BÊNÇÃOS CUMPRIDAS

Como já disse, o patriarca em Tooele abençoou esta menina quando ela era um bebê de seis meses de idade, e disse que ela viveria e se tornaria mãe.

Depois, ele disse que gostaria de me dar uma bênção, e, nessa bênção, prometeu-me que eu seria escolhido como um dos líderes deste povo e me tornaria um líder de grande envergadura; e somente depois que me tornei Presidente da Igreja é que mencionei o que ele me disse, e a impressão que me veio naquele momento.

Ele disse: "Irmão Grant, vi algo que não me atrevo a colocar em tua bênção."

E aquela voz mansa e delicada que ouvi tantas vezes em minha vida, sem fazer barulho, sem som algum, disse-me: "e viverás para presidir a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias."

Envergonhei-me de mim mesmo por imaginar tal coisa. Nunca a mencionei, nunca a contei a ninguém, até que, na providência do Senhor, aquele cargo me foi conferido.

Cremos no dom de línguas, profecia, revelação, visões, cura, interpretação de línguas, etc.

O DOM DE LÍNGUAS

Não há necessidade de crer nessas coisas, a menos que as tenhamos. Eu era criança, brincando no chão numa reunião da Sociedade de Socorro (minha mãe foi presidente da Sociedade de Socorro da Ala Décima Terceira por trinta longos anos, e só renunciou por causa da audição debilitada), quando Eliza R. Snow abençoou, pelo dom de línguas, cada uma das presidentes que se encontravam naquela reunião, e Zina D. Young deu a interpretação. Depois de fazer isso, ela se voltou para a criança (eu mesmo) que brincava no chão, e me deu uma bênção, e Zina D. Young deu a interpretação.

Minha mãe frequentemente me dizia: "Heber, comporte-se bem, e um dia você será Apóstolo."

Eu ria e lhe dizia que não tinha ambições nesse sentido. Eu dizia: "Tire isso da cabeça. Toda mãe pensa que seu filho será Presidente dos Estados Unidos, ou algo maravilhoso. Não quero nenhum cargo na Igreja, quero ser um homem de negócios."

"Não importa," ela dizia, "se você se comportar bem, você será Apóstolo."

Quando fui feito Apóstolo, ela me perguntou se eu me lembrava daquela reunião. Eu disse que sim.

"Você se lembra de algo que a Irmã Snow disse?" Eu disse: "Não, eu não a entendia."

"Claro que não, porque ela falava numa língua desconhecida. Você entendeu alguma coisa do que a Tia Zina disse?"

"Só uma coisa, mãe: lembro-me de que, enquanto falava, ela levantou a mão e disse que eu cresceria e me tornaria um homem grande, e, como cresci alto, muitas vezes pensei naquele comentário dela."

Ela disse: "Ela não disse nada disso. Ela disse que você cresceria e se tornaria um grande homem na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e se tornaria um Apóstolo do Senhor Jesus Cristo."

Ela então disse: "Você se lembra de estar numa reunião na casa do Irmão Heber C. Kimball, onde havia muitas pessoas, e que, depois do jantar, o Irmão Kimball o pegou e o colocou sobre a mesa, e falou com você?"

"Sim."

"Você se lembra de algo que ele disse?"

"Nem uma palavra. Tudo o que me lembro é que achei que ele tinha os olhos mais negros que eu já tinha visto, e fiquei com medo."

"Pois bem, ele profetizou que você se tornaria um dos apóstolos do Senhor Jesus Cristo, e viveria para se tornar um homem maior na Igreja do que seu próprio pai; e é por isso que eu lhe disse que, se você se comportasse bem, um dia seria Apóstolo. Percebi que, se você não se comportasse bem, jamais alcançaria essa posição, não importa o que lhe tivesse sido prometido." O que ela disse está de acordo com uma revelação do Senhor, que diz:

Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam —

E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia.

Eu poderia continuar relatando evidências do dom de línguas.

OUTRAS REGRAS

Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida corretamente; também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus.

Um grande banqueiro em Nova York me disse, depois de ler o panfleto do Coronel R. M. Bryce Thomas, "Minhas Razões para Deixar a Igreja da Inglaterra e Ingressar na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias": "Sr. Grant, sou agnóstico, mas estudioso da Bíblia; se eu cresse que a Bíblia é a palavra de Deus, não vejo como poderia ser um homem honesto se, depois de ler este panfleto, eu não ingressasse em sua Igreja, porque as evidências escriturísticas que sustentam sua posição não podem ser contestadas."

Cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele revela agora, e cremos que Ele ainda revelará muitas coisas grandiosas e importantes relativas ao Reino de Deus.

Cremos na coligação literal de Israel e na restauração das Dez Tribos; que Sião será edificada neste continente (o americano); que Cristo reinará pessoalmente sobre a terra, e que a terra será renovada e receberá sua glória paradisíaca.

Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde, ou o que desejarem.

Cremos na submissão a reis, presidentes, governantes e magistrados; na obediência, honra e manutenção da lei.

O PLANO DE DEUS

Que o Senhor nos ajude a sustentar a lei, e que obedeçamos à lei de Deus, e deixemos de lado aquelas coisas que o Senhor nos disse não serem boas para nós. Suplico a todos vocês, jovens e velhos, que leiam a Palavra de Sabedoria, e, depois de lê-la, que se ajoelhem e orem a Deus para que os ajude a observá-la.

A nação está hoje numa condição financeira terrível. Deus nos deu uma revelação para a salvação temporal do povo, e, se milhões e bilhões de dólares não fossem gastos com as coisas que Deus diz não serem boas para o homem, a paz, a prosperidade, a saúde, o vigor de corpo e de mente seriam desfrutados por todo o povo destes Estados Unidos. A Palavra de Sabedoria é o plano de Deus para a salvação temporal do povo, e ele assim o disse. Ele disse que essa é a sua vontade, e, se vivêssemos de acordo com a vontade de Deus, a paz, a prosperidade e a felicidade viriam a esta nação e ao mundo inteiro — se não se usasse chá, café, tabaco ou bebidas alcoólicas em todo o mundo.

Aqueles que não guardam a Palavra de Sabedoria dirão que ficam cansados e enjoados de ouvir tais discursos. Vão continuar ouvindo-os de mim enquanto eu tiver fôlego.

Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos, e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos.

Que Deus nos abençoe a todos e a cada um de nós, como eu disse em minha mensagem ao mundo, os que têm conhecimento da divindade desta obra, para que a vivamos, para que nossas vidas a ensinem, é minha humilde oração, e a peço em nome de Jesus Cristo, nosso Redentor e Salvador. Amém.

Como citar este discursoHeber J. Grant, “O Crescimento da Igreja e o Dom da Fé”, Conferência Geral de Abril de 1935, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1935-04-05). Pulpit Vault, 1935-04-heber-j-grant-church-growth-and-the-gift-of-faith. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).