Pulpit

A Juventude e a Igreja

David O. McKay

Conferência Geral de Abril de 1934·Sessão Matutina do Primeiro Dia·1934-04-06

Do Conselho dos Doze Apóstolos

Faz exatamente vinte e oito anos que fui chamado para o Conselho dos Doze. Enquanto ouvia o Presidente Grant esta manhã, olhei introspectivamente para minha própria alma e pensei o seguinte:

"Nunca antes em minha vida senti tanta gratidão por minha condição de membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Nunca antes senti tão intensamente o quanto a Igreja tem sido benéfica para mim e para os que amo. Nunca antes meu testemunho foi mais forte. Nunca senti tão profundamente, em cada fibra do meu ser, que esta Igreja foi estabelecida por Deus, o Pai, e por seu Filho, Jesus Cristo, e que os homens que têm guiado seu destino foram inspirados pelas revelações de Deus a eles."

PRESTA HOMENAGEM A OFICIAIS E PROFESSORES

Desejo dizer, esta manhã, uma palavra sobre a Igreja e a oportunidade que ela oferece aos jovens da Igreja. Gostaria de prestar homenagem a estes bispos e a outros oficiais de ala que estão trabalhando tão desinteressada e conscienciosamente pelo estabelecimento da verdade no coração dos homens. Gostaria de expressar uma palavra de apreço aos oficiais e professores das associações auxiliares que estão reunindo em torno de si o exército da juventude e incutindo no coração dos jovens a fé na Igreja de Jesus Cristo. Quero expressar também uma palavra de apreço aos líderes dos quóruns do sacerdócio. Creio que nunca antes se manifestou uma consciência de quórum como a que se manifesta atualmente.

CONVENÇÕES BEM-SUCEDIDAS

Desde 1º de janeiro de 1934, a Junta Geral das Escolas Dominicais realizou uma série de convenções. Nas estacas de Sião, temos aproximadamente 21.000 oficiais e professores matriculados. Desses 21.000 convidados a comparecer às convenções já realizadas, tivemos uma presença média de oitenta e três por cento. Essa é uma boa resposta. Sete estacas, compreendendo oitenta e quatro alas, tiveram cem por cento de presença. E isso sem contar as presidências de estaca, os conselheiros do sumo conselho, os bispados e os membros dos quóruns do sacerdócio que foram convidados e que, em muitos casos, compareceram com registro perfeito. Tivemos um total de 172 alas com presença perfeita nessas convenções. Estimando uma média de cerca de quinze oficiais e professores por ala, essas convenções foram frequentadas por mais de dois mil e quinhentos jovens. A maioria dessas pessoas que têm comparecido a essas reuniões são rapazes e moças entre dezoito e vinte e sete anos de idade.

Mais gratificante ainda do que esse notável recorde de comparecimento é a atitude desses jovens em relação ao tema apresentado e exposto nas diversas sessões. Esse tema está expresso no primeiro artigo da "Carta da Criança" — "Para cada criança, uma formação espiritual e moral que a ajude a permanecer firme sob a pressão da vida."

EM BUSCA E COM DESEJO DE VIVER A VERDADE

Ouvimos, hoje em dia, muita conversa a respeito de nossos jovens. Alguns dizem que são indiferentes, que estão perdendo o interesse pela Igreja. Não concordo com essa acusação. Minha experiência com os jovens me leva a crer que nunca houve época em que a juventude buscasse a verdade com mais sinceridade, em que fosse mais receptiva às designações feitas na Igreja, em que fosse mais observante dos ideais pelos quais esta Igreja se firma.

Ah, não estou cego para o fato de que há aqueles que vacilam. Sei também que havia jovens que vacilavam em nossa própria juventude. Reconheço que há aqueles que ficam à margem e, arrogando-se uma sabedoria superior que não possuem,

gostariam de guiar e ditar; mas sempre houve pessoas assim. A grande maioria de nossos jovens deseja viver a verdade.

EXERCENDO UMA INFLUÊNCIA PARA O BEM

Reconheço que as tentações nunca foram mais fortes do que são hoje; mas os jovens que resistem a essas tentações merecem ainda maior crédito. Ouvimos falar de rapazes e moças que se entregam a coisas contrárias aos ensinamentos de seus pais e dos oficiais da Igreja, e contrárias aos ideais do evangelho, mas raramente ouvimos falar do grupo muito maior que exerce uma influência para o bem sobre seus colegas e seus companheiros.

Se o tempo permitisse, eu poderia narrar vários casos específicos em que nossas moças exerceram influência sobre suas companheiras e levaram não somente membros da Igreja, mas também pessoas de fora dela, a abandonar transgressões da Palavra de Sabedoria e a se conformar aos ideais e princípios de pureza de vida.

COMO RESULTADO DE CONVICÇÕES RELIGIOSAS

A religião é o poder mais potente na vida. O desenvolvimento espiritual e a integridade moral são fundamentais na vida não somente dos Santos dos Últimos Dias, mas de todos os que desejam construir uma comunidade que contribua para a segurança e o progresso de nossa república ou de qualquer outra nação. O Presidente Calvin Coolidge disse com propriedade que "o governo de um país jamais ultrapassa a religião de um país. Não há maneira de substituirmos a autoridade da lei pela virtude do homem. É claro que podemos ajudar a conter os viciosos e proporcionar um grau razoável de segurança e proteção por meio da legislação e do controle policial, mas as verdadeiras reformas que a sociedade busca hoje virão como resultado de nossas convicções religiosas, ou não virão de forma alguma. Paz, justiça, humanidade, caridade — essas coisas não podem ser instituídas por lei. São resultados da Graça Divina."

PADRÕES DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS

Tenho observado, nos últimos meses, uma resposta muito calorosa dos jovens de nossa Igreja aos ideais espirituais. De modo geral, a juventude está ancorada. Às vezes parecem vacilar e desviar-se dos padrões. É verdade que alguns deles perdem a virtude, a condição mais obscurecedora e corrosiva que pode contaminar a vida dos jovens. Sei que existe um relaxamento na moralidade sexual que é perigoso, que é, de fato, ameaçador. Sei também que essa deterioração dos padrões morais não se manifesta somente entre os jovens, e advirto a Igreja a se resguardar da impureza sexual. Conservai-vos incontaminados do mundo, elemento fundamental da religião pura.

Não, não estamos fechando os olhos aos perigos, mas quero dizer-vos que também não devemos fechar os olhos às virtudes das dezenas de milhares que são fiéis e valorosos.

A espiritualidade e a moralidade, tal como ensinadas pelos Santos dos Últimos Dias, estão firmemente ancoradas em princípios fundamentais, princípios dos quais o mundo jamais poderá escapar, ainda que o quisesse, e o primeiro fundamento é uma

crença — entre os Santos dos Últimos Dias, um conhecimento — na existência de um Deus pessoal. As crianças dos Santos dos Últimos Dias têm sido ensinadas a reconhecê-lo e a orar a ele como a alguém que pode ouvir, escutar e sentir, assim como um pai terreno pode ouvir, escutar e sentir, e absorveram em seu próprio ser, de suas mães e de seus pais, o verdadeiro testemunho de que esse Deus pessoal falou nesta dispensação. Há nisso uma realidade.

A PERSONALIDADE DE DEUS

O Profeta Joseph Smith, ainda jovem, não argumentou sobre a personalidade de Deus, não especulou sobre aquela fonte eterna de energia e inteligência da qual toda a vida recebe seu ser; ele simplesmente declarou a verdade. Quase cem anos depois, outro homem, por meio do pensamento e da razão, confirmou essa verdade da seguinte maneira:

A religião, apoiada na experiência conhecida da raça humana, faz uma afirmação ousada e gloriosa. Ela sustenta que esse poder que produz a verdade, a beleza e a bondade não é menos pessoal do que nós. Esse salto de fé se justifica porque Deus não pode ser menos do que a maior de suas obras; a causa deve ser adequada ao efeito. Quando, portanto, chamamos Deus de pessoal, nós o interpretamos pelo mais elevado símbolo que possuímos. Ele pode ser infinitamente moral; não pode ser menos do que isso. Quando chamamos Deus de espírito, usamos a lente mais clara que temos para olhar para o eterno. Como bem disse Herbert Spencer: "A escolha não é entre um Deus pessoal e algo inferior, mas entre um Deus pessoal e algo superior."

Assim ancorados na fé, nossos jovens têm o fundamento da espiritualidade, e os ensinamentos da filosofia materialista não conseguem desalojá-los. Ao lado dessa crença em um Ser Supremo está o testemunho que possuem de que Deus se revela por meio de seu Filho, Jesus Cristo, o único ser perfeito, que é a luz e a vida do mundo.

UM MEIO DE CONSUMAR OS PROPÓSITOS DE DEUS

A terceira âncora dos jovens está na percepção de que a Igreja foi estabelecida como um meio de consumar os propósitos de Deus; e eles também percebem, mesmo que ainda não o tenham refletido como um dia refletirão, que não há nada no mundo que se compare à Igreja de Jesus Cristo como organização eficaz para aliviar os males da humanidade.

E agora, jovens, assim ancorados na fé e assim organizados, pedimos-vos que vos filieis às organizações de vossas alas, que atendais aos conselhos do Presidente da Igreja, que vos associeis a vossos quóruns, a vossas organizações auxiliares, em vossas reuniões de jejum, e que ali, nesses grupos locais, expresseis vossos pensamentos, expresseis vossas dúvidas, busqueis a verdade, apliqueis medidas que atraiam vossos companheiros, e quando comprovardes que essas medidas são eficazes e satisfatórias para a alma, então as organizações centrais poderão adotá-las e adaptá-las ao todo, em benefício universal. Dessa forma, e somente dessa forma, o progresso e a eficiência serão promovidos. Não fiqueis à margem dizendo: "Este quórum não está fazendo seu trabalho", mas entrai no quórum e ajudai-o a fazer seu trabalho. Esse

é o modo pelo qual Deus pretende que as pessoas trabalhem nesta Igreja, e isso vos oferece uma das melhores oportunidades do mundo.

COMO MEIO DE ALCANÇAR OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Por fim, a consumação dos propósitos de Deus está expressa nestas palavras: "Pois eis que esta é minha obra e minha glória: levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." Esse propósito divino pode ser alcançado usando-se a Igreja como meio de realizar os seguintes objetivos específicos, em cujo alcance reside um desafio suficiente para as mentes mais brilhantes do mundo:

Primeiro, força física, virilidade, limpeza. Assim, quando ouvirdes críticos rabugentos dizerem que as Autoridades da Igreja dão ênfase excessiva à Palavra de Sabedoria, podeis saber que eles não estudaram muito a fundo o significado da Palavra de Sabedoria. Fundamentalmente, a força física e a virilidade são fatores essenciais para o progresso da humanidade.

Segundo, segurança econômica. Quando ouvirdes um jovem dizer que damos ênfase excessiva ao dízimo, podeis saber que ele não percebe a relação entre o dízimo e as ofertas de jejum com a segurança econômica de cada homem, mulher e criança na Igreja.

Terceiro, justiça social. Entrai em qualquer quórum e vede quem ali se reúne — vossos advogados, vossos médicos, vossos agricultores, todos reunidos em plano de igualdade social. Na Igreja de Deus, todo homem e toda mulher têm privilégios iguais aos de qualquer outro homem ou mulher.

Quarto, esclarecimento espiritual. Cultivar os frutos do Espírito, que são o amor, a alegria, a paz, a bondade, a longanimidade, a mansidão, etc.

OS PRINCÍPIOS DO VERDADEIRO CRISTIANISMO

Em conclusão, permiti-me dizer que agora, mais do que nunca, é o momento de tornar prático o evangelho de Jesus Cristo e de nos esforçarmos por viver à altura dos princípios do verdadeiro cristianismo. Wm. P. King, em "The Practice of the Principles of Jesus" [A Prática dos Princípios de Jesus], diz:

A humanidade experimentou tudo, exceto o cristianismo. O mundo experimentou o ódio, a ganância, a impureza, a corrupção, o interesse próprio, e foi levado à beira da perdição. É curioso que tenhamos de nos levantar no século vinte e suplicar às pessoas que levam o seu nome que Jesus Cristo não foi um governante tolo, um líder visionário; que sua palavra é a palavra que ilumina; que seu caminho é o caminho da vida; que só é seguro confiar nele e segui-lo. A igreja precisa arrepender-se de sua tibieza, repreender com ira profética o egoísmo dos homens e romper seu silêncio covarde, dizendo ao mundo: "Deixamos que conduzísseis os negócios segundo métodos pagãos e egoístas até vos trazerem à beira da ruína. Se não cristianizardes vosso sistema industrial, ele não poderá durar. Se não cristianizardes vossas instituições, elas não poderão perdurar. Porque ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo." Por tempo demais imaginamos que os princípios de Cristo eram para algum outro mundo. Colocamos o reino que ele veio estabelecer além das estrelas, mas esse não foi o propósito de sua missão, esse não é o significado de seu evangelho. Suas leis devem ser seguidas no mundo em que vivemos, agora e aqui, na rua, no mercado e na fábrica. Somente por meio da obediência à lei moral, ao Sermão da Montanha e à Regra de Ouro, e de uma resposta de todo o coração à Paternidade de Deus e à Fraternidade do homem, e a um amor sofredor por Jesus Cristo, poderá algum dia haver uma sociedade sem atritos em nosso mundo.

Que Deus seja louvado e agradecido por sua Igreja, pela autoridade do sacerdócio, pela oportunidade que ela oferece aos jovens da Igreja de obterem felicidade por meio do serviço. Que eles tenham poder e interesse para aproveitar essas oportunidades, o que peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “A Juventude e a Igreja”, Conferência Geral de Abril de 1934, Sessão Matutina do Primeiro Dia (1934-04-06). Pulpit Vault, 1934-04-mckay-youth-and-the-church. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).