Uma Fé Viva
Rulon S. Wells
"Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo." ¶
Não há nada nas escrituras mais verdadeiro do que este dito: Crede nele e sereis salvos. Mas, quando nos referimos a crer no Senhor Jesus Cristo, a ter fé nele, queremos dizer uma fé viva, não uma fé morta. ¶
Uma fé viva no Senhor Jesus Cristo assegurará a salvação a toda alma que nele crer. Isso não requer qualquer ressalva, contanto que tenhamos uma compreensão adequada do que se entende por fé viva. Para termos uma concepção correta disso, convém retroceder àquele dia primevo de que lemos nas revelações contidas na Pérola de Grande Valor. Retrocedamos também àquele tempo a que se refere a Bíblia, quando o Senhor falou ao seu servo Jó, dizendo-lhe: ¶
"Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens entendimento. ¶
"Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" ¶
Onde estavas tu, Jó, e onde estáveis vós, meus irmãos e irmãs? Estávamos no mundo espiritual, na presença de nosso Pai. E sobre o que estávamos jubilando? Era a promulgação do grande plano de vida e salvação que foi dado a conhecer aos filhos de Deus, gerados por Ele em espírito, antes de os fundamentos desta terra serem lançados, e, por consequência, antes de recebermos estes corpos de carne e osso. Quando ouvimos aquelas boas novas, nossos corações se encheram de alegria. Era um plano pelo qual poderíamos avançar até a perfeição. Envolvia a criação deste mundo; envolvia colocar, sobre este planeta, os filhos de nosso Pai em corpos de carne e osso. Envolvia também a Queda. Envolvia uma redenção da Queda. Envolvia as experiências da vida terrena como o melhor e único meio de nos educarmos e prepararmos para nos tornarmos filhos de Deus, membros de sua família, seus filhos e filhas no reino celestial de Deus. Isso exigia uma obra estupenda, e exigia alguém para levar a cabo o programa divino, e surgiu a pergunta: "A quem enviarei?" E surgiu, naquela poderosa multidão, alguém semelhante ao Filho do Homem, e disse: "Eis-me aqui, envia-me a mim. Faça-se a tua vontade, e seja a glória tua para sempre." ¶
Esse era Jesus Cristo, o Senhor, nosso Irmão Mais Velho, o primogênito de nosso Pai em espírito. Mas havia outro naquela poderosa multidão, também uma personalidade forte, um grande poder entre os filhos de nosso Pai, que já vinha trabalhando para desviar homens e mulheres de Deus. Ele não gostou do plano, pois aquele plano era um plano de fé, de arrependimento do pecado, o único meio de progresso. Ele não queria nada disso, mas disse: "Eis-me aqui, envia-me a mim. Serei teu filho, e redimirei toda a humanidade, de modo que nenhuma alma se perderá, e certamente eu o farei: portanto, dá-me a tua honra." ¶
Ele era ambicioso e propôs a compulsão, o que é contrário à vontade de Deus. O livre-arbítrio é o plano de Deus. Os homens devem, no exercício de seu próprio arbítrio, escolher entre o bem e o mal, se quiserem progredir. ¶
Quando ouvimos essas boas novas que foram promulgadas, digo-vos que ficamos alegres. Nossos corações se encheram de júbilo e alegria, e jubilamos, ante a perspectiva de nos tornarmos semelhantes a Deus e habitarmos em sua presença para sempre. Era isso que estávamos jubilando. ¶
Pois bem, Deus disse: "Escolherei o primeiro," e Satanás ficou irado, pois era ele quem era — Lúcifer, filho da manhã — Satanás, ou o diabo, seja qual for o nome que lhe deis. Foi ele quem se rebelou contra Deus, e levou consigo um terço das hostes do céu. Deve, portanto, ter sido uma personalidade poderosa, desviando homens e mulheres do plano de Deus. ¶
Deus disse: "Enviarei o primeiro," e Satanás ficou irado e se rebelou contra Deus. Tudo isso lemos na Pérola de Grande Valor. ¶
Ora, aceitar aquele que Deus enviou é fé. Rejeitar aquele que Deus não enviou, mas expulsou do céu, é arrependimento; e assim, quando ouvirdes as pessoas dizerem: "Não quero ouvir falar destes primeiros princípios, já sei tudo o que há para saber sobre eles," quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que não há nada além destes princípios fundamentais do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Toda doutrina da Igreja, todo sermão que já foi pregado deste púlpito, tem a ver com fé em Deus e arrependimento do pecado. Todo discurso proferido nesta conferência, não importa por que nome seja chamado, ou qual seja o assunto, é um exemplo concreto destes princípios fundamentais e de sua aplicação em nossas vidas. ¶
Estas doutrinas de fé em Deus e arrependimento do pecado abrangem tudo. Esse é o tipo de evangelho que recebemos. O Apóstolo Pedro conhecia tão bem o significado de tudo isso quando declarou: ¶
"E temos muito firme a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia clareie, e a estrela da alva surja em vosso coração. ¶
"Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da escritura é de particular interpretação. ¶
"Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." ¶
Essa é exatamente a condição que os Apóstolos de hoje proclamam. A escritura não vem pela vontade do homem. ¶
Temos apoiado, nesta conferência, os homens que Deus escolheu para estar à frente deste povo como profetas, videntes e reveladores, homens que Deus escolheu para estar à frente desta Igreja. Muitas vezes cantamos: "Agradecemos-te, ó Deus, por um profeta." Quão gratos devemos estar por esta Igreja estar fundada sobre Apóstolos e Profetas, assim como a igreja o era nos dias antigos! Aceitar a mensagem deles, seu conselho, é ter fé na palavra de Deus, e a fé viva se manifesta nas obras de obediência, e toda obra de obediência se funda na fé. Se não cressemos em Deus, certamente não creríamos em seus profetas. Se não tivéssemos fé no Senhor Jesus Cristo, é claro que não prestaríamos obediência ao seu evangelho. Mas, porque Deus o escolheu para levar adiante sua grande obra como líder, seu Filho Unigênito, Ele o enviou ao mundo, "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Se cremos nele, prestamos obediência ao seu evangelho e vivemos de cada palavra que procede da boca de Deus, seja quando Deus nos revela sua vontade diretamente, seja por meio de suas autoridades constituídas na terra, seu profeta, vidente e revelador, seus servos que foram escolhidos e apoiados e sustentados por seu povo. Estes são os que Deus escolheu, e aceitar sua mensagem e seu conselho é fé. ¶
Guardar os mandamentos de Deus, é claro, requer fé. Guardar os mandamentos significa obras de obediência, pelas quais demonstramos se nossa fé é uma fé viva e não uma fé morta. Uma fé morta nada tem a ver com nossa religião. Dizemos que a fé sem obras é morta. Não queremos dizer que uma fé viva sem obras é morta. Não poderia haver uma fé viva nessas condições. Somente a fé que se manifesta em obras de obediência tem em si o poder de Deus para a salvação de seus filhos. Assim, a fé abrange tudo, e, igualmente, o arrependimento abrange tudo, pois tem a ver com tudo o que fazemos. Rejeitar aquele que Deus não enviou é arrependimento, e, quando falamos de rejeitá-lo, queremos dizer rejeitar o seu evangelho, rejeitar o seu plano, rejeitar seus sofismas e seus argumentos, e há muitos deles no mundo hoje, e cabe aos Santos dos Últimos Dias escolher a quem seguirão — Jesus Cristo, o Senhor, e seu glorioso evangelho, ou os artifícios do adversário que nos desviam de Deus. Todo sofisma, todo pecado e toda tentação do mal são incitados por aquele maligno que foi expulso do céu. Ele está aqui conosco. Foi lançado abaixo e está bem aqui, não num corpo de carne e osso; não, ele não cumpriu seu primeiro estado, mas veio assim mesmo, e não podemos vê-lo com nossos olhos naturais. Ele não tem corpo de carne e osso, mas está aqui, e sentimos seu poder e sua influência; vemo-lo em toda parte desviando homens e mulheres da verdade. ¶
"Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós." Resistir ao diabo é arrependimento. Chegar-se a Deus é fé. Aplicai isso a tudo, a todas as nossas ações, a tudo o que fazemos, nosso comércio, nossas transações de negócios, nossa agricultura, nossos prazeres, nossos bailes. Há uma maneira certa e uma maneira errada de fazer tudo. Quando o fazemos da maneira certa, essas são as obras de obediência, pelas quais demonstramos nossa fé. Se o fazemos da maneira errada, estamos cometendo pecado e somos chamados a nos arrepender. Essa é a substância do evangelho. Aplica-se à nossa política, aplica-se a todo problema que se apresenta diante de nós. ¶
Temos a palavra dos líderes deste povo quanto ao que deve ser nosso curso a respeito de certas questões políticas. Não desejo entrar em nenhuma discussão política nem em nada que a isso se aproxime, mas deixai-me dizer-vos que, onde o bem e o mal estão envolvidos, como estão na questão da proibição, cabe aos Santos dos Últimos Dias escolher o certo e, assim, manifestar nossa fé em Deus, e rejeitar os sofismas e os falsos argumentos daqueles que estão tentando derrubar as salvaguardas de nossa Constituição. ¶
Meu tempo já se esgotou. Que Deus nos ajude a levar adiante esta grande obra, vivendo de acordo com sua vontade divina, tal como nos for manifestada por meio de seus profetas, videntes e reveladores, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶