Um Evangelho de Serviço e Obra pelos Mortos
George F. Richards
"Grandes e maravilhosos são teus caminhos e tuas obras, ó Senhor, nosso Deus!" ¶
Isto expressa meus sentimentos ao longo das várias sessões desta conferência, ouvindo as palavras dos diversos oradores e sentindo a impressão do Espírito do Senhor que tem estado conosco; e quando estive sentado convosco esta manhã, ouvindo a bela execução musical do coro do tabernáculo, com o acompanhamento musical, que foi transmitido por todos estes Estados Unidos e possivelmente além de suas fronteiras, para outras nações da terra e as ilhas do mar, o que é bastante possível pelos meios empregados pelos homens neste dia e época. ¶
Para a Realização da Obra de Deus
Alguém poderia dizer: Ora, essas são apenas invenções do homem. Sim, são invenções do homem, inspiradas por Deus para sua honra e glória e para a realização de sua obra na terra. O Salvador, como registrado no vigésimo quarto capítulo de Mateus, falou a respeito do tempo de sua segunda vinda, e disse: ¶
"E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim." ¶
Isso deveria preceder imediatamente o grande e terrível dia do Senhor, o início de um reinado milenar de paz. ¶
Por mais de cem anos, os Santos dos Últimos Dias, sobre os quais recai essa responsabilidade, têm-se dedicado à pregação do Evangelho, com maior ou menor êxito. Estamos aqui, como uma congregação de Santos dos Últimos Dias, como resultado da pregação deste Evangelho nas nações da terra. Estamos aqui localizados nos vales das montanhas, tendo-nos reunido das nações da terra por meio da pregação do Evangelho. ¶
O Senhor, sem dúvida, inspirou aqueles homens de gênio inventivo que trouxeram à luz o rádio e essa transmissão, para seu próprio propósito, e penso poder ver como, em muito pouco tempo, este Evangelho do reino poderá alcançar todas as nações, toda linhagem, língua e povo, em todas as partes do mundo. Já estamos usando esse sistema de pregação do Evangelho em vários dos campos missionários, e a partir de Salt Lake City. Verdadeiramente maravilhosas são as obras de Deus. Nenhum homem pode compreendê-las plenamente. ¶
A Obra Não É Retardada
Ao serem feitos comentários a respeito de nossos irmãos das Autoridades Gerais que recentemente partiram desta vida, minha mente voltou à história da Igreja desde os dias do Profeta Joseph e do Patriarca Hyrum, que deram suas vidas pela causa do Evangelho. Quando o Profeta e o Patriarca foram martirizados, havia entre grande número de pessoas o sentimento de que sua morte poria fim a esta obra, comumente conhecida como mormonismo. Mas o sangue dos profetas provou ser a semente da Igreja, e não houve retardamento da obra; ao contrário, ela se ampliou e se estendeu, sob a liderança do Presidente Brigham Young, o sucessor legal do Profeta Joseph, e daqueles associados a ele, os quais também vieram a falecer. E ainda assim a obra persistiu, sem evidência alguma de estar sendo retardada. E assim, de uma presidência a outra, seis das quais já faleceram, a obra prossegue e se torna cada vez mais forte, maior em número, melhor e mais completamente organizada, e com maiores realizações. ¶
Ora, esses bons irmãos nossos, a quem tanto amamos, com quem convivemos tão de perto e conhecemos tão bem por suas virtudes e seu valor, já partiram. Pertencem a outro mundo e têm outra vida de atividade a viver. Enquanto viveram aqui, coisas como descanso e recreação eram quase desconhecidas para esses dois homens, trabalhadores incansáveis pela causa da verdade, pela causa do Mestre, no estudo, na pregação do Evangelho e na redação de livros; dificilmente tinham iguais nesta Igreja. Sentiremos falta deles, é claro, mas será a obra retardada? De modo algum. ¶
A Obra de Deus
E por que essa condição de estabilidade e progresso ininterrupto desde o início da obra até o presente? Por causa da grandeza, da magnitude e da amplitude desta obra, sendo a obra de Deus, e seu braço e sua mão estão sobre ela. Ele está ao leme e dá a direção. Os homens não fizeram esta grande obra em que estamos empenhados, o "mormonismo", como é chamado. Mas esta obra fez homens de renome, homens nobres como estes nossos irmãos que recentemente partiram. Essa é a glória desta obra, sua grandeza, sua amplitude. Nada como ela em todo o mundo! É a maior coisa conhecida pelo homem. ¶
Os Santos dos Últimos Dias não têm objeção séria ao uso da palavra "mormonismo", ainda que o nome nos tenha sido dado por aqueles que não são dos nossos, que nunca a pretenderam como elogio. Compreendemos que a palavra "mórmon" significa em si mesma "mais bom", e a palavra "mormonismo" é abrangente, pois representa a Igreja e o reino de Deus na terra, e o Evangelho de Jesus Cristo, que é, em verdade, o poder de Deus para a salvação. ¶
Descrita de modo mais minucioso, poderíamos dizer que é o plano dos Deuses para a existência deste mundo, esta terra em que vivemos; e para a existência do homem na terra; para a queda do homem, pois isso já estava previsto no plano desde o princípio, e para a queda da terra; para a redenção do homem e a redenção da terra; para a glorificação da terra, pois ela há de ser renovada e receber sua glória paradisíaca; e para a vida eterna e a exaltação do homem. ¶
Para a Salvação do Homem
Ao falar com seu servo Moisés, o Senhor lhe expôs claramente seus planos e propósitos a respeito de suas criações, e disse-lhe que eram para a realização da salvação do homem. ¶
"Eis que esta é minha obra e minha glória — levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." ¶
O Evangelho foi instituído para esse propósito. O Profeta Joseph nos diz que todos nós estivemos presentes no conselho do céu; que nos assentamos em conselho com os Deuses; que vimos o plano de salvação sendo elaborado, e o Salvador escolhido e designado, e nós o sancionamos. Devemos ter tido um longo período de vida e experiência no mundo espiritual para termos podido nos assentar em conselho com os Deuses acerca de questões tão momentosas. Devemos ter compreendido os planos e propósitos do Senhor, e devemos ter subscrito a eles. Todo homem que nasceu na carne veio com um entendimento definido de que deveria trabalhar por sua salvação de acordo com o plano do Evangelho, para que pudesse alcançar as bênçãos da vida eterna e da exaltação. Isso envolve a aceitação de certos princípios, o recebimento de certas ordenanças, a obediência às leis de Deus, a guarda de seus mandamentos, a realização de sacrifícios, a prestação de serviço, a negação de nós mesmos daquilo que é mau, a aceitação daquilo que é bom. ¶
Nossa Responsabilidade
Nossa lembrança do passado nos foi retirada, e, na linguagem das escrituras, devemos viver aqui na carne pela fé, e não pela vista. Mas nos foi revelada a palavra e a vontade de Deus, por meio de seus profetas que ele tem levantado, de modo que não estamos nas trevas. À medida que temos investigado e recebido o Evangelho, recebemos um testemunho de sua veracidade e, com ele, a responsabilidade de prosseguir com esta obra, visando à salvação das almas dos homens. Isso envolve a pregação deste Evangelho em todo o mundo. Envolve a construção de templos e a redenção dos mortos. Envolve a organização, tal como estamos organizados, como uma grande Igreja, para o ensino e a formação apropriados de nossos filhos, para o aperfeiçoamento, poderíamos dizer, da conversão daqueles que foram reunidos do mundo. ¶
Mesmo no mundo onde temos essas organizações, elas existem para preparar homens e mulheres na fé, na integridade e na capacidade de se dedicarem a esta obra. Espera-se, da parte do Senhor, que todo homem e toda mulher que entra na Igreja, todo converso, seja um missionário para ele, quer seja chamado a trabalhar em casa ou no exterior, quer não tenha recebido nenhum chamado específico. ¶
A palavra do Senhor é no sentido de que aquele que é avisado deve avisar seu próximo. Todo jovem nesta Igreja deveria ter a ambição de sair em missão, reconhecendo que tudo o que ele tem e desfruta do Evangelho e da esperança da vida eterna é resultado da pregação deste Evangelho; que, se nós mesmos não o ouvimos pela primeira vez no mundo, e fomos convertidos, nossos pais, ou nossos avós, ou nossos bisavós, o ouviram, e estamos desfrutando dos frutos de seus sacrifícios e de seus trabalhos. Deveríamos ter o desejo de pagar a dívida de gratidão que sentimos pelo Evangelho, transmitindo o conhecimento que temos dele àqueles que estão nas trevas espirituais. ¶
Uma Segunda Obrigação
Uma obrigação importante que recai sobre nós como Igreja é conseguir missionários, e outra obrigação importante é a de cuidar deles quando retornam. Há homens que deixaram posições remuneradas de trabalho para sair em missões e, ao retornarem, caminharam pelas ruas de Salt Lake City e foram de cidade em cidade em busca, em vão, de emprego, alguns deles tendo famílias para sustentar. Essa é uma condição muito lamentável e desanimadora para outros que cogitam sair em missões. ¶
Considero grave quando um quórum de Sumos Sacerdotes não pode ajudar um Sumo Sacerdote que retorna, ou quando um quórum de Setentas permite que um de seus membros, ao retornar de uma missão, passe meses e anos sem o emprego desejado e merecido. Deveriam ter aquele espírito de fraternidade e de auxílio que os levasse a lhe proporcionar emprego, ou a ajudá-lo a encontrá-lo. ¶
Enfrentando a Emergência
A escassez de missionários cria hoje uma emergência no campo missionário. Um modo de enfrentar essa emergência é utilizar mais plenamente o trabalho dos irmãos e irmãs residentes nas missões, na pregação do Evangelho. Um homem local pode acompanhar um élder vindo de Sião, formando uma dupla completa no proselitismo ou em qualquer outro tipo de trabalho missionário. Se isso fosse posto em prática como poderia ser, dobraria nosso corpo de missionários, e edificaria os Santos que assim se envolvessem. ¶
Outra coisa: muitos de nossos missionários no campo passam tempo demais visitando os Santos, resolvendo dificuldades entre eles e encorajando os que são indiferentes na fé — tudo isso necessário, mas que deveria ser feito, tanto quanto possível, por homens e mulheres locais, para que os missionários regulares fiquem livres para encontrar novos amigos e pregar-lhes o Evangelho. ¶
Os ramos deveriam ser organizados com professores, como o são as alas e os ramos em Sião, com homens e mulheres locais que visitem regularmente os lares dos Santos e se esforcem por manter a paz, resolver dificuldades, responder a perguntas difíceis, etc. ¶
Há alguma oportunidade de melhoria, e penso que as exigências do caso demandam um esforço extra nesse sentido por parte daqueles que têm a obra sob sua responsabilidade. ¶
A Obra pelos Mortos
Depois há a obra pelos mortos. Essa é uma das coisas exigidas de nós — serviço a Deus e a nossos semelhantes. Não há modo melhor de servir a Deus e a nossos semelhantes do que trabalhar pela redenção de nossos mortos na pesquisa genealógica e no trabalho de templo. Ambos caminham juntos. O trabalho de templo pelos mortos não pode ser realizado sem antes obter as informações necessárias para identificá-los nos registros da Igreja e nos templos. Essa obra está crescendo e aumentando, o que é muito gratificante. ¶
Há um grande número de pessoas que estão sem trabalho e que desperdiçam seu tempo, as quais poderiam ir ao templo e ali estar acumulando para si tesouros no céu, tesouros que não lhes escapariam, e ao mesmo tempo estar salvando as almas de homens e mulheres. ¶
Há pessoas que vivem muito distantes dos templos e não podem chegar até eles com facilidade. Fariam bem em gastar um pouco de seu dinheiro em pesquisa genealógica à distância, escrevendo à Sociedade Genealógica de Utah, fornecendo-lhes algumas informações a respeito de seus antepassados, e vendo o que podem fazer por vocês em termos de pesquisa genealógica. Então, se não puderem ir ao templo, talvez haja alguém na comunidade em que vivem que necessite de emprego e que poderia ir ao templo. Deem-lhes algum alívio, empregando-os para representá-los, e ao mesmo tempo estarão gastando seu dinheiro na redenção dos mortos. ¶
Um Evangelho de Serviço
Este Evangelho é um Evangelho de trabalho, de serviço a Deus e a nossos semelhantes, do princípio ao fim. Não basta que sejamos simplesmente bons, ou que nós mesmos abracemos os princípios e as ordenanças do Evangelho, mas devemos ensiná-los a outros e administrar-lhes as ordenanças àqueles que estão preparados para recebê-las, fazendo-se tudo na devida ordem. ¶
Que o Senhor abençoe os Santos dos Últimos Dias, para que possamos compreender nossas responsabilidades e sejamos capazes de cumpri-las de um modo que seja satisfatório ao Senhor, que sabe o que estamos fazendo e o que não estamos fazendo, e de um modo que, ao terminarmos esta vida, não nos deparemos com decepção; que, ao passarmos para o outro lado e encontrarmos nossos mortos, não sejamos repreendidos por havê-los negligenciado. Que o Senhor nos ajude a esse fim, eu oro, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶