Discurso da Conferência
Antoine R. Ivins
Meus amadíssimos irmãos e irmãs, é sempre com receio que fico nesta posição. Oro para que, enquanto estou aqui nesta manhã, eu possa desfrutar de sua fé e de suas orações, para que talvez alguma palavra que eu venha a proferir possa ser de conforto ou bênção para vocês ou para mim. ¶
Tenho ficado mais do que satisfeito com o maravilhoso espírito desta conferência. Testifico que as coisas que foram ditas são verdadeiras; que elas dizem respeito à maior coisa do mundo, o Evangelho de Jesus Cristo, e que, se apenas nos apegarmos a esses princípios, os observarmos e os colocarmos em prática em nossa vida diária, seremos beneficiados por eles. ¶
Vocês são A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. As autoridades que estão sentadas aqui no púlpito não são a Igreja. Elas, é claro, são parte dela; são o elemento condutor dela, sob a direção do Espírito de Deus, mas não são a Igreja. São apenas pessoas que foram selecionadas do grande corpo da Igreja para serem servas de vocês, para fazer as coisas que Deus deseja que sejam feitas para o benefício de vocês e para o benefício da humanidade. Talvez nenhuma delas ocupe sua posição por solicitação própria, e é certo que nenhuma delas pretende ter qualquer capacidade sobre-humana ou não natural para conduzir esses assuntos. Elas confiam no Espírito do Senhor, assim como qualquer membro do grande corpo da Igreja teria de fazer, quando chamado, como os homens são de tempos em tempos, a essas posições; e é meu testemunho de que elas realmente desfrutam do Espírito do Senhor. ¶
Parece-me que qualquer membro que comece a encontrar defeitos nas coisas que são feitas faria melhor em primeiro se colocar nessa posição e perguntar a si mesmo se poderia fazer melhor. É quase certo, penso eu, que quase sem exceção essa pessoa recuaria de sua posição e imediatamente se alinharia para sustentar e apoiar aqueles que estão em autoridade. Ora, a menos que o corpo da Igreja faça isso, os líderes da Igreja ficam desamparados. O próprio Deus, por meio de revelação, disse à Igreja, nos primeiros dias, que seus grandes propósitos, em certos aspectos, poderiam ter sido realizados se o povo tivesse sustentado os líderes. ¶
Todo homem vem ao mundo com seu arbítrio, e todo homem o exerce: às vezes para seu progresso, às vezes para seu prejuízo. Todo homem tem direito ao Espírito do Senhor para dirigi-lo, e, se ele vive como deveria, ele o desfruta. Se ele não vive como deveria, nunca tem sua companhia. Tenho certeza de que o corpo desta Igreja, a grande maioria deles, vive de modo a desfrutar desse Espírito, e que eles, comigo, ao levantarem as mãos para sustentar essas autoridades, querem dizer exatamente o que dizem: que apoiarão as autoridades da Igreja nas coisas que fazem para seu benefício e bênção. ¶
Oro para que possamos desfrutar, à medida que os dias e os anos avançam, de um derramamento maior desse Espírito, que possamos expelir do nosso meio o espírito de crítica e de encontrar defeitos que nos dizem existir, que ele possa ser substituído por um espírito de amor, afeto e estima, e que, sob a influência desse espírito, esta grande organização possa seguir adiante rumo ao seu fruto natural e normal. ¶
Estou diante de vocês, como alguns dos outros oradores já fizeram, representando a obra missionária desta Igreja. Nós temos uma obrigação. Vocês têm uma obrigação. Somos os servos de vocês ao tentar conduzir essa obra nas nações da terra. ¶
Faz apenas alguns dias que tive o prazer de conversar com um jovem que havia retornado recentemente da missão do Irmão Sloan. Ele disse: "É nosso dever avisar o mundo, mas quando podemos dizer que o mundo foi avisado? Podemos nos levantar e pregar um sermão a uma congregação, e depois nos retirar e declarar que eles foram avisados? De modo algum. Um homem nunca está avisado até que compreenda e aprecie a verdade da mensagem que lhe damos." É por essa razão que vamos ao mundo, e percorremos repetidas vezes o mesmo território, esforçando-nos para impressionar o povo com a verdade de nossa mensagem, para trazê-lo à compreensão e ao conhecimento dela. ¶
Meu trabalho em particular, como sabem, é com um povo estrangeiro. É um povo numeroso, e é uma grande obrigação. Crendo, como cremos, no Livro de Mórmon, temos um interesse especial pelos povos nativos do continente americano. Outro dia, fiz um pequeno cálculo censitário para ver se conseguia determinar, talvez, quantas dessas pessoas existem, com as quais gostaríamos de fazer contato. ¶
Em primeiro lugar, nossos trabalhos imediatos estão limitados aos Estados Unidos da América, de modo que eu tinha interesse em saber quantas dessas pessoas temos nos Estados Unidos. Descubro que a cidade de Los Angeles tem mais de 75.000 pessoas de origem mexicana vivendo nela e em sua vizinhança imediata. Descubro que o estado do Texas tem mais de 800.000 pessoas de descendência mexicana. Descubro que no Arizona e no Novo México há grandes números delas, embora não tenha sabido o número exato. ¶
Depois passei a calcular a população do México, da América Central e da América do Sul. Descubro que, nessas nações, há quase 100.000.000 de pessoas, e talvez um quarto delas seja de sangue quase puramente indígena, com mais um quarto, ou talvez mais, que chamaríamos de mestiços. Isso representa uma população imensa. Isso representa uma obrigação imensa. Quando seremos capazes de avisar 50.000.000 de pessoas nessa vasta extensão de território; ensinar-lhes a história de seus antepassados; testificar-lhes que o Livro de Mórmon foi restaurado; testificar-lhes que a Igreja de Cristo foi organizada na terra, e que eles devem receber seus benefícios e bênçãos? ¶
Esta é uma obrigação imensa, e atualmente temos apenas vinte e quatro jovens, homens e mulheres, empenhados em espalhar essa verdade entre eles, além de alguns de seu próprio sangue que estão trabalhando conosco. Digo que é uma obrigação imensa, e uma que somente o auxílio e o Espírito do Senhor nos permitirão levar avante com êxito. ¶
Gostaria de ver chegar o tempo em que pudéssemos enviar ao campo missionário uma grande força de homens e mulheres que fossem a essas nações e lhes ensinassem, com inteligência, os princípios básicos do cristianismo, e lhes ensinassem ¶
a restauração do Evangelho, e lhes dessem os seus benefícios e bênçãos. ¶
Temos um grupo de jovens tão excelente quanto qualquer outro existente na Igreja. Tenho certeza de que estão realizando uma obra maravilhosa. Estão apaixonados por ela. Não gostam de ver chegar o dia em que devem ser desobrigados, mas ele tem de chegar, especialmente agora, em vista destes tempos difíceis. Quase invariavelmente nos deixam com lágrimas nos olhos, e dizem que gostariam de ficar, e que voltarão na primeira oportunidade. ¶
Somos extremamente gratos ao Senhor pelos testemunhos que Ele nos tem dado nesta grande obra, pelo auxílio e pela assistência que Ele concede a seus emissários missionários no campo. ¶
Estava lendo, outro dia, um folheto ou panfleto em espanhol publicado pelo governo mexicano, tratando da história antiga tal como desenvolvida a partir de estudos arqueológicos do México. Havia nele uma afirmação que me interessou muito. Esse escritor em particular tratava da religião, tal como pensam tê-la elucidado, desses povos antigos, e isso, é claro, o levou a uma generalização sobre a religião. Nele, ele dizia que, em todos os povos e entre todas as nações, há apenas alguns poucos que apreciam o princípio abstrato da Divindade e conseguem compreendê-lo, e que, por isso, o clero está necessariamente limitado a esses pouquíssimos seletos que se tornam os sacerdotes da nação; e então, para o povo, o povo em geral, não tão bem dotado desses poderes peculiares, eles erguem ídolos para que adorem, de modo que possam ter alguma visão tangível daquilo que adoram. Isso me pareceu uma doutrina estranha e peculiar, tão diferente, tão distante de nossa filosofia de vida, tão distante da filosofia de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Se há algo em nossa religião que devemos apreciar é sua tangibilidade, é o fato de que é uma filosofia que o homem alcançou e que, por mais rude que seja, pode compreender. É isso, talvez, que a torna tão popular entre o povo, que lhes dá o grande e satisfatório entusiasmo por ela. É isso que me traz conforto, o fato de que pareço ser capaz de compreendê-la; de que não preciso recorrer a alguns poucos seletos para a interpretação de seu significado, porque o Evangelho, afinal, é apenas o plano que Deus estabeleceu para a estada do homem na terra, no curto tempo que ele deve passar aqui, para obter as experiências e vantagens da mortalidade. Ele tem de ser simples, porque é justamente esse plano, o plano da vida, e, se não fosse simples, não conseguiríamos nos beneficiar dele. ¶
Confio que Deus nos dará Seu Espírito, para que possamos compreender o Evangelho, para que possamos vivê-lo, para que ele seja o elemento vitalizador de nossa vida, para que nos dê o conforto, a paz e a alegria que devemos desfrutar por meio da companhia do Espírito de Deus. ¶
Oro por suas bênçãos sobre nós, para que Ele nos guie constantemente, em nome de Jesus, Amém. ¶